terça-feira, 3 de novembro de 2009

Aquarela Subjulgada, de Diogo Herculano

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Carro branco
Televisão branca
Revistas caucasianas
Onde está o verde?
Ruas claras
Em prédios caros
Shopping lotado
Com luzes acesas
Onde está o vermelho?
O sul se diz azul
E o norte forte como tem de ser
Sobrou leste e oeste
E que se desatine o resto
Meus olhos são claros
Meu nariz é fino
Sou burguês de estilo
Logo, também me chamam de “bonito”
Rostos brilhantes
Sorrisos amantes
Cabelos flamejantes
Quem roubou o azul-escuro?
Pessoas falantes!
Celulares tocantes!
Tecnologia avante (avante!)
— A custo de quê?
— Na vida de quem?
Onde se encontrará o escuro?
Dentro do absurdo, dentro do absurdo...
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Diogo Herculano
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