sábado, 31 de outubro de 2009

amar é abanar o rabo — de Jovino Machado

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sexta-feira, 30 de outubro de 2009

sorriso russo — um poema de Lucas Viriato

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não olhe para mim
com essa cara de moscou
esses olhos orloff
seu sorriso russo
sem mais montes urais
partindo-me em dois
causando o cáucaso
não invoque vladivostok
nem me toque
ingrato, ingrato
leningrado
isso não vai ficar assim
ainda saio da miséria
te largo na sibéria
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Lucas Viriato
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quinta-feira, 29 de outubro de 2009

A voz de Sofia, ilustrado por Angelo Abu

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É hoje, no Shopping da Gávea, o lançamento do livro A voz de Sofia, de Andréa Belo. As ilustrações são por conta de Angelo Abu, que assina as capas do Jornal Plástico Bolha. Vale a pena conferir aqui a diversidade do seu estilo para além das páginas de nosso jornal.
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terça-feira, 27 de outubro de 2009

Masculino raríssimo, de Carla Cavalcoliver

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Eu teria interrompido aí minha pesquisa, por um tempo, depois do recente desengano com a espécie, se a providencia não tivesse posto ao meu alcance um masculino raríssimo, cópia única um homem magistral obra do sábio da atualidade, Daniel, mestre doador, o mesmo que fez a predição de uma vida feliz. Ora, Daniel estava persuadindo de que a vida dispusera a felicidade para o desfruto imediato do homem, não apenas de seu destino pessoal, mas também do destino da humanidade.
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Segundo ele, existem dois grandes padrões, um possibilita conhecer a felicidade, a participação no aqui agora, e o espectador em declínio a morte adiando o fenômeno presente, preocupando a cada instante com o feliz, duvidoso futuro.
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Presente e futuro.
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Aos vinte e poucos anos aproximadamente, esses dois padrões do tempo causam esquizofrenia. Mas na confusão mental se produz um novo animo: a consciência renovando a possibilidade. Dani, sábio deste século avança no tempo, mantendo-se jovem, todos os momentos produzem felicidade, não tem que pensar apenas ver!
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Mergulhando em sua obra, doada generosamente, pude constatar, com o coração pulsando, que ele identificou a essência da vida de qualquer era.
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Refinando sua certeza no modo que dirige a vida. Esse ato está apontado no comportamento de sua obra. Devo confessar-lhe, que um grande arrepio de confiança sacudiu minha alma e mente.
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Veio-me a idéia há um tempo, quando questionei e agora ao encontrar o sábio deste século, pela primeira vez Daniel Sinay.
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Age como se soubesse onde está indo, embora na realidade não tenha certeza do que virá; o que importa é que ele percorre o caminho que escolheu.
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Fez-me entender como age o sábio; não se pode reclamar ou arrepender-se: a vida é um desafio constante, e os desafios não são bons ou ruins – São apenas desafios.
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Generoso me indicou como é para um sábio, a arte do desafio (arte de viver), deve ser combinada com leveza, ausência de tensão e de ambição, sendo gentil com os outros, sobretudo gentil consigo mesmo.
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Guerreiro segue com vida própria, percorrendo se alegra a intenção que o faz continuar depende apenas da alegria, não do pensamento de ambição, ou do objetivo, do desejo, ou até do medo – mas aquilo que o faz seguir adiante mesmo quando todo o mundo diz que será vencido, ou que escolheu não está certo.
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Ninguém o consegue obrigar a fazer coisas que não deseja, e assume a responsabilidade de seus atos.
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Pensa que não tem nada a perder, o medo já não consegue tirar sua energia, e ele consegue aplicá-la para viver, com a certeza que todas as ferramentas para enfrentar os desafios estão em suas mãos, também chamadas experiências trazidas pela maturidade que o permite superar educadamente.
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Além da masculinidade que me assalta, o juízo, como conseguir realizar qualquer idéia sem me envolver com tal beleza, já que a espécie falha com exatidão dia a dia, eu não resistiria tal masculinidade incontestável.
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Todos sabem tão bem quanto eu da minha afinidade pelo masculino, jaz perfeito, na figura de garoto, cuja grande impressão baseasse no interior.
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Refleti longamente sobre está questão, e a resposta me veio hoje, tão singular quanto surpreendente.
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Um meio de conhecer o sexo masculino é confrontar. Colocando-se tão próximo, tão chegado quanto o parceiro de futevôlei.
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— Quando atingi essa etapa da minha pesquisa, não pude seguir senão com apreço a classe, a tal ponto o que acabo de descobri entre tantos outros, graças à masculinidade raríssima saltando e minha admiração atenta: o sábio contemporâneo, e através dele argumentos para amar a vida e a natureza masculina.
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Carla Cavalcoliver
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sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Olhares

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É notável a presença do rato em cima dos livros. Ele é grande, robusto, cinza e fedorento. O gato, oculto em sombras, observa sua presa com seus olhos vis e brilhantes. Um homem chega, puxa a cadeira e se senta diante do animal cinzento e dos livros. O roedor, assustado, foge; o predador, decepcionado, vai embora; o recém-chegado, entediado, apanha um livro e lê. Logo mais, dorme. O dia amanhece e o cão observa o galo cantar
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Bruno Papito Nascimento
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quinta-feira, 22 de outubro de 2009

MODULAÇÕES DO CORPO INDISTINTO

Entrevista com a performer e coreógrafa Marcela Levi
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(foto de Claudia Garcia)
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E não somente não podemos nos pensar a nós
mesmos em termos de adjetivos, mas também os adjetivos
que nos aplicam, não podemos jamais autenticá-los:
eles nos deixam mudos; são para nós ficções críticas.
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ROLAND BARTHES
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A afirmação de Barthes, deslocada para o campo da performance, pode nos convidar a imaginar um corpo furtivo, espécie de massa em movimento que se redesenha continuamente, deslizando de sentido em sentido sem se deixar deter pela tentação classificatória. Avançando ainda com a sutileza do pensamento de Barthes, é preciso lembrar que não se trata de recusar o “mau” adjetivo para aderir às promessas de um corpo belamente engajado, que se apóia nos “bons” adjetivos e nas nobres intenções para tornar-se herege, marginal ou transgressor. A operação desviante que o corpo furtivo põe em marcha deverá ser mais árdua e mais discreta, trata-se de produzir um corpo que, ao se interrogar em cena, consegue armar-se em paradoxos, ativar suas ambiguidades sem desfazê-las por completo diante dos olhos do espectador.
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É de uma operação semelhante que se constitui o trabalho da performer e coreógrafa carioca Marcela Levi (Rio de Janeiro, 1973). Uma das linhas de força de suas performances reside precisamente no modo como consegue dar a ver os interstícios do corpo, suas fissuras e fugas de sentido, um corpo que é atravessado pela presença de objetos que o alteram, modulam, redefinem. Desde que deu início a seus projetos individuais com o trabalho Imagem (2002) Levi vem se destacando no contexto da dança e das artes por lançar mão de uma linguagem performática que tumultua a hierarquia entre corpo e objeto, incidindo sensivelmente sobre as dicotomias (dentro-fora, corpo-mente, ativo-passivo, afirmação-negação) nas quais nos apoiamos habitualmente para pensar e lidar com o corpo. O corpo, para Levi, não existe a priori, é algo a ser produzido em cena, é um lugar de passagem, de transmutação, é embrionário mas, ao mesmo tempo, tenso, crispado, rigorosamente elaborado. Permeável – mas não sem resistência - aos objetos que são utilizados em cena, o corpo é retirado de uma situação de fechamento, de totalidade e de identidade fixa. Entre um e outro circulam constelações de cansaço, demência, tensões, violência como engrenagens de intensidade emotiva em mutação. Vale a pena ainda apontar o humor singular que emerge em suas performances e que colabora para esse “desfazimento” dos limites de um corpo autárquico e autônomo, e, através do humor, surgem também possibilidades de um outro pensamento sobre o corpo contemporâneo, tensionado nesse jogo de forças entre a passividade e o excesso de estímulo (e controle), ao qual, por bem ou por mal, estamos todos submetidos.
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Antes de te colocar algumas perguntas, gostaria que você falasse um pouco sobre a sua trajetória. Você começa trabalhando como intérprete em companhias de dança antes de iniciar seu trabalho solo como performer e coreógrafa independente. Como se deu essa passagem?
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Colaborei durante oito anos (1994 – 2002) com a coreógrafa Lia Rodrigues. Trabalhei na companhia como intérprete/criadora e assistente de direção. Quando realizei meu primeiro projeto, a performance Imagem, eu ainda estava na companhia. Ensaiava inúmeras vezes durante as turnês, em quartos de hotel. Algum tempo depois, deixei a companhia e comecei a investir em projetos próprios e em colaborações temporárias com artistas visuais e outros coreógrafos. Atualmente, colaboro com a coreógrafa portuguesa Vera Mantero e estou desenvolvendo um novo trabalho, um duo, que se chama Em redor do buraco tudo é beira. Portanto, não foi bem uma passagem, pois mesmo dentro da companhia eu já fazia várias coisas. Acho que desde o inicio percebi que não queria me fixar numa posição. Até pouco tempo atrás, me sentia engasgada quando alguém me perguntava sobre a minha profissão. De uns tempos pra cá prefiro alternar as respostas, algumas vezes digo que sou bailarina, outras vezes me apresento como coreógrafa ou performer ou as três coisas, dependendo da situação.
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O escritor Francis Ponge (1899 – 1988) propunha uma poesia tocada pela força de empuxo dos objetos (Le parti pris des choses). Ponge acreditava que para retirar-se da ciranda estéril do humanismo era preciso “se deixar puxar pelos objetos”. Para ele, não se tratava mais de organizar as coisas ao nosso redor para atingir uma harmonia, mas de se deixar desarranjar por elas. Há algo no seu trabalho que parece seguir um impulso semelhante, os objetos funcionando como um furo na redoma de sentidos e de práticas que tendem a delimitar os limites entre sujeito e objeto. Você chegou a criar a expressão “subjetos” para designar esse corpo transitivo, poderia falar um pouco sobre isso?
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Sim, é exatamente isso: “... se deixar puxar pelos objetos”. Quando estou trabalhando, penso em me “submeter” aos objetos e não apenas em manipulá-los, como se fossem algo sobre o qual tenho controle. Busco experimentá-los, um pouco como fazem as crianças. Gosto muito de observar as crianças se movendo, elas têm um estado de momento, ou seja, elas acessam um estado de atenção que se assemelha a certa intensidade dos animais. Diferentemente dos adultos, não estão atravessadas pelas noções de futuro ou passado, simplesmente estão lá, inteiramente instaladas no aqui e agora, assim como os animais e disso surge uma presença completamente fascinante. Acho que as crianças não “fazem coisas”, elas se misturam ao que fazem, elas são o próprio ato. Cada passo é um passo e nada além disso, cada gesto fala do gesto em si. Nunca sei se elas estão jogando com os brinquedos ou se são os brinquedos que estão jogando com elas. É esse tipo de experiência que procuro ativar no meu trabalho com os objetos, uma terceira coisa que não é mais nem o meu corpo nem o objeto em sua autonomia, mas sim um corpo/objeto/sujeito imbricado. Foi dessa prática de trabalho que surgiu a palavra “subjetos”: objetos/sujeitos deslocados e desfuncionalizados.
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Mais do que questões de gênero e de alteridade, o seu trabalho interroga posições de poder atravessadas por paradoxos. Sem deslindar para um relativismo cínico, você parece estar mais interessada em mostrar que cada nó de poder é uma massa de nuances, um núcleo que transporta divergências internas e ambiguidades. Assim também o corpo passa a ser percebido como um solo fissurado, que se dobra por suas próprias contradições, tensões, buracos. Como você situaria o seu trabalho no contexto da performance produzida atualmente? Que performers ou artistas lidam com questões que motivam ou inspiram a sua prática?
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Me interesso por obras que deixam espaço, que abrem buraco, que funcionam como um gatilho liberador de reflexões, afetos e associações. Me interesso por artistas que me põem pra trabalhar. Nessa direção, penso num trabalho-solo da coreógrafa portuguesa Vera Mantero Uma misteriosa coisa disse o e. e. cummings, nas Piezas distinguidas da performer espanhola La Ribot, no espetáculo Nom donné par l'auteur do coreógrafo francês Jérôme Bel, entre tantos outros…
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Entendendo que o seu trabalho se dá na relação entre performance e artes plásticas, e sabendo que o seu primeiro trabalho solo intitulava-se Imagem, você poderia falar um pouco sobre a ideia de imagem que surge nesse processo? Ainda uma pergunta encadeada nessa: há alguns anos atrás o artista brasileiro Tunga criou a noção de “instauração”, que foi depois retomada e utilizada por alguns críticos brasileiros. Com essa expressão, Tunga sugeria um outro tipo de relação sujeito-objeto (uma relação fugaz e transitória e, no caso da obra do próprio Tunga, também erótica) situado entre as noções de instalação e performance. Você, que inclusive já participou em performances do próprio Tunga acredita que esse conceito pode servir para uma aproximação ao seu trabalho?
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Sim, acho que sim. Construí a performance Imagem em colaboração com a fotógrafa brasileira Claudia Garcia. Pensar um corpo não capturável, que se expõe em constante reorganização, foi o nosso ponto de partida. Estávamos interessadas em pensar a imagem como algo que não afirma, que não estabiliza. Queríamos falar de uma imagem/corpo vazada e borrada de sensações. Uma imagem precisa, mas de uma precisão cheia de ambiguidades.
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Há um tipo de humor nas suas performances que transporta uma sensação de desamparo e, por isso, se distancia da lógica da ironia, pois não se trata de denunciar algo externo ao corpo que se constitui em cena. Em In-organic, quando surgem as falas, sentimos que você e sua voz também se deixam corroer e afetar pelo humor que elas desprendem. E mesmo quando seu trabalho chega a sinalizar/comentar questões de um real exterior (a banalização da morte, por exemplo), é por dentro que opera, quero dizer, você restitui a interrogação a uma situação transitiva, de algo que está acontecendo ali na cena, e não como um ato retórico que induz a uma resposta imediata. Acho que é nesse ponto que o humor se conecta com uma situação de inacabamento e deixa também o espectador num certo desamparo. Mais do que um modo de criticar o humor cria situações de crise. Você poderia falar sobre essa relação entre humor e crise no seu trabalho?
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Engraçado, sempre achei que faltava humor no meu trabalho... mas desamparo sim, percebo bem. Acho que tem relação com o fato de eu acreditar que somos seres solitários que se falam por uma aproximação que é feita de desvio. Mas vejo essa solidão com muito bons olhos, acho que é justamente essa impossibilidade de união que nos possibilita desejar e falar. Quando construí In-organic, estava interessada em falar, como você citou na sua pergunta, da banalização da morte. Mas não queria discursar sobre isso e nem apontar dedos pra ninguém. Queria uma fala-esboço, inacabada. Pensei, então, em me afundar no que eu estava falando, quero dizer, fazer daquela fala exterior algo íntimo.
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Em In-organic, há algo que parece se acentuar no seu projeto ainda em andamento: uma série de associações disjuntivas que interligam os fragmentos/momentos, sem preencher inteiramente as lacunas entre eles. Nessas lacunas, o espectador pode encontrar um certo incômodo mas também uma possibilidade de desfazer a lógica linear da sucessividade do tempo que se impõe sobre a cena. Tem-se a sensação de que há uma “edição” que, embora seja muito fina, permitiria uma permutação. Essa disjunção não é sinônimo de “falta de unidade”. Existe pra você uma necessidade de “liberação” da sintaxe temporal da cena, ou essa abertura é simplesmente um resultado do seu modo de articulação do corpo em cena?
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A minha matéria de trabalho é o corpo. Penso o corpo como uma zona estranha, ambígua e rugosa. Esse corpo faz (engendra) parte (de) uma situação específica que se desdobra num período (pré) determinado de tempo. Tento, ao articular essas situações, fazer algo que Francis Bacon disse: proporcionar emoções sem o tédio da comunicação.
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Poderia falar um pouco sobre o seu projeto atual e como ele se relaciona com seus projetos anteriores?
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Estou trabalhando em um duo que se chama Em redor do buraco tudo é beira. Nesse projeto, como nos anteriores, estou interessada no sentido não pacificado, incompleto e transitório das coisas (nas coisas que emergem por entre as coisas). Acho que Em redor... fala de falar sem dizer, de quase falar, de quase entender, de quase. Diferentemente de meus trabalhos anteriores, que se construíam num contínuo desdobrado por associações, quero dizer, uma coisa que dá na outra e por associação em outra e assim por diante, Em redor... se estrutura em pequenos fragmentos autônomos que chamamos de manifestações curtas. Estou interessada nos saltos, nos vazios, nos solavancos que essa estrutura pode engendrar. Acho que tudo isso está ligado ao tal desamparo que você apontou numa de suas perguntas anteriores. É um desamparo desejante de se deixar ir sem saber muito bem pra onde, de ser ver “ido” prazerosamente por alguma coisa. Acho que é isso, procuro também (me) provocar com os meus projetos.
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BIOGRAFIA
Marcela Levi (1973, Rio de Janeiro) é performer e coreógrafa. Formou-se pela escola de Dança Angel Vianna; foi membro da Lia Rodrigues companhia de Danças durante oito anos. Em 2002 começou a desenvolver projetos solos que se situam entre a dança contemporânea e as artes visuais. Seus trabalhos vêm sendo apresentados em festivais e centros de arte de vários países da América Latina e da Europa. Paralelamente, colabora com os coreógrafos Vera Mantero, Dani Lima, Cristina Moura, Gustavo Ciríaco e com os fotógrafos Claudia Garcia e Manuel Vason. Em 2006 recebeu a bolsa do centro de intercâmbio Le Recollets (França) e o Prêmio Klauss Vianna de Dança. Em 2007 foi contemplada com o Programa Rumos Itaú Cultural Dança. Em 2008 junto com Flavia Meireles, participou do programa Artistas en Residencia – La Casa Encendida e Universidad de Alcalá de Henares (Alcalá de Henares – Madrid). Atualmente Marcela desenvolve o projeto em redor do buraco tudo é beira, contemplado pela Fundação Nacional de Artes - Funarte - no Programa de Bolsas de Estímulo à Criação Artística, em colaboração com a bailarina Flavia Meireles e a artista visual Laura Erber.
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Veja mais Marcela Levi no YouTube:
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quarta-feira, 21 de outubro de 2009

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Mais um haicai, por Andra Valladares

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Finda-se a noite
e a flor mostra suas joias:
gotas de orvalho.
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Andra Valladares
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Andra Valladares é advogada, poeta, cantora e compositora, residente na cidade de Vila Velha/ES. Além disso, ainda integra dois grupos de poemas minimalistas: grupo Haicai-L e MIP (Movimento Internacional Poetrix). Para conhecer mais clique aqui.
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segunda-feira, 19 de outubro de 2009

domingo, 18 de outubro de 2009

Um poema de Carlos Eduardo Marcos Bonfá

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Por vezes
Contra o dedo,
Palavra.

Por vezes
Contra o dedo,
O medo.

O fino brilho negro,
Vestígio do fogo das estrelas
Que se consome
Na sujeira do grafite.

Carvão sem tento,
Que tenta em vão
Marcar o mundo,
Mesmo aberto em não.

Se a palavra chama,
Atendo em paz.
Paz de quem dorme
Com arma em punho.
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Carlos Eduardo Marcos Bonfá
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quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Brisa — desafio poético por Franklin Pacífico

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Assopro de inverno
na flor de maracujá.
Desgostos eternos.
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Franklin Pacífico
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terça-feira, 13 de outubro de 2009

Nightwork, um poema de Sebastião Ribeiro

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Deve-se a um erro ou a um equívoco
a distância entre tantos corpos à noite,
que hoje parece voltada em prece a algo;
porém os próprios astros já são coisas
que extasiam o que permite concentrar o
tempo na violência de algumas guitarras,
em seus sons expurgadores.
Considerável esta minha atitude descritivista
em calcular quimeras nas bocas e nos braços que
se descobrem sob a luz das boates;
a poética da sensação é um alívio sem
aqueles ritmos, que mal
pertencem aos corpos.
De que maneira experimentarei
verdade fora dos focos?
Algo em nós se apressa a discorrer
sobre o engano milenar que nos separou;
e de tudo que se escondeu nos banheiros
e becos, te sobra o instinto
carregado de cerveja e tropeço.
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Sebastião Ribeiro
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sábado, 10 de outubro de 2009

Apresentamos um novo poema de Naaman:

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da eternidade que se espera,
dos anos que correm aflitos,
a memória escondida
rejeita as cores;
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do momento que se esvai,
do instante que se perde,
a memória fatalista
exagera amores;
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e as flores que renascem
a cada primavera
instigam aquele severo
e obscuro desejo de espera
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e as dores que caem
dos olhos da fera
alteram em nada
a rota da terra.
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quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Décima confessional, de Leonardo Davino

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Se beija-flor te chamais
Eu, pica-flor queria ser,
Tu, minha flor, meu bebê,
Se, e assim, tu me aceitais,
Bicos engendrariam ais.
Grávido de um beija-flor,
Agravaria eu tua dor.
Mas, velô do meu desejar,
Não posso querer picar,
E só circulo tua fulô.
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Leonardo Davino
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Leonardo Davino é mestrando em Literatura Brasileira pela UERJ, com pesquisa sobre Canção e Teoria da Literatura.
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Doidivinas lança video-clipe em Botafogo

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terça-feira, 6 de outubro de 2009

Participe também do prêmio Paulo Britto!


Prêmio Paulo Britto de Prosa e Poesia

O Prêmio Paulo Britto de Prosa e Poesia foi criado em 2009 como parte da programação da VIII Semana de Letras da PUC, intitulada “A Língua Portuguesa”, e contempla três gêneros literários: CONTO, CRÔNICA e POESIA. Poderão participar estudantes de graduação e pós-graduação de toda a comunidade PUC-Rio.

INSCRIÇÕES

As inscrições serão realizadas até o dia 16 de outubro de 2009. Para os três gêneros (CONTO, CRÔNICA E POESIA) há duas categorias: CATEGORIA PROSA (CONTO E CRÔNICA) e CATEGORIA POESIA. Os textos devem ser inéditos em qualquer meio (impresso ou eletrônico) e escritos em língua portuguesa. O tema é livre e cada autor poderá submeter somente um texto por categoria, digitado em papel tamanho A4 e em apenas uma das faces do papel e com as seguintes características:

PROSA: Os autores deverão utilizar fonte Times New Roman tamanho 12, com espaçamento 1,5 entre as linhas e todas as margens medindo 3 cm. Os contos não poderão ultrapassar o limite de 4 (quatro) páginas.

POESIA: Os autores poderão utilizar qualquer tipo de fonte, diagramação e espaçamento, desde que o texto não ultrapasse o limite de 2000 caracteres (sem considerar os espaços em branco).
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É obrigatório o uso de pseudônimo, que deverá constar ao final do texto. Os textos inscritos nas CATEGORIAS PROSA E POESIA devem ser apresentados em 4 (quatro) vias cada. Os autores que optarem por concorrer nas duas categorias deverão fazer a sua inscrição de forma independente, em envelopes diferentes. Os textos deverão ser entregues em um envelope grande e lacrado, identificado na frente com o nome do Prêmio e a categoria (PROSA ou POESIA). Dentro deste envelope os concorrentes deverão enviar um envelope menor, também lacrado, identificado na parte externa com o título do trabalho e o pseudônimo utilizado. O envelope menor deverá conter uma folha com os seguintes dados: nome completo do autor e pseudônimo utilizado, título do trabalho, gênero literário, data de nascimento, endereço completo, e-mail e telefone para contato e uma breve nota biográfica. Não serão aceitos textos enviados por e-mail. As inscrições serão feitas somente no Departamento de Letras, no seguinte endereço:

PRÊMIO PAULO BRITTO DE LITERATURA
Rua Marquês de São Vicente, 225
Edifício Padre Leonel Franca. 3º andar.
Gávea – Rio de Janeiro

PREMIAÇÃO
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A ser divulgada
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PUBLICAÇÃO DOS TEXTOS FINALISTAS

Os textos finalistas serão publicados imediatamente no blog do Jornal Plástico Bolha e, assim que possível, no formato impresso em uma edição do Jornal Plástico Bolha. Os autores premiados com a publicação de seus textos deverão assinar um termo autorizando a publicação nos referidos blog e jornal e cedendo os direitos autorais para esta edição. Os direitos não são exclusivos e os autores ficam livres para publicar esses textos onde desejarem após a divulgação do resultado. Outros itens poderão ser acrescidos à premiação, a critério dos organizadores do Prêmio e de eventuais parceiros ou patrocinadores.

COMISSÃO JULGADORA

Os textos inscritos na categoria PROSA E POESIA serão avaliados por uma comissão formada por três professores do bacharelado em Formação de Escritor do Departamento de Letras para as duas categorias (PROSA e POESIA), e por dois alunos PET. A comissão é soberana e suas decisões são irrecorríveis, podendo inclusive decidir por não premiar os trabalhos inscritos.
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RESULTADO

Os autores finalistas nas duas categorias serão comunicados até o dia 26 de outubro para que possam confirmar sua presença no local da premiação. O resultado será divulgado no encerramento da VIII Semana de Letras, dia 29 de outubro de 2009. Na mesma ocasião, ocorrerá a entrega do prêmio.

DISPOSIÇÕES GERAIS

As inscrições implicam em plena concordância com os termos deste regulamento. Estão impedidas de concorrer pessoas diretamente envolvidas com a organização da VIII Semana de Letras e com a organização do Prêmio este ano. Os inscritos que não atenderem às especificações deste regulamento serão desclassificados. Os textos enviados não serão devolvidos.
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domingo, 4 de outubro de 2009

Um novo poema de Ana Cristina Chiara

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a gata mia em disparada
pegadas na neve
traçado (cedilha)

mia sexo
desespero fundo
minuto a minuto

conversa ouvida
sonoridade comunicativa
a esmo...

fura o papel
a quietude do quarto
a xícara onde bóia o café
o presente irritante
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Ana Chiara
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Ana Chiara é professora de literatura da UERJ e amiga do Bolha.
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sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Novidade ou na falta de um poema mais intenso — por Sebastião Ribeiro

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Um homem enraizou-se aqui, todo ou as
partes plenas. Seus olhos verdes são inegáveis, a
tarde também; mas há a pressa que
esconde o medo, mal interpretando-o.
O silêncio é uma constante, parece que
esperando minha morte, desidratando meus
fatores e meu homem
de fantasia.
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Sebastião Ribeiro
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quinta-feira, 1 de outubro de 2009

feministas — poema de Caio Carmacho

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seus olhos verdes pintados de preto
quase uma camuflagem de guerra
nada se enquadra ao estereótipo
se você não é a revolução dos tempos
é mais ou menos isso mesmo
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Caio Carmacho
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