domingo, 23 de janeiro de 2011

DELÍRIOS DO CÁRCERE, de Erick Moraes

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I

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Nos meandros dos rios, erguidos

circundantes aos palácios; perseguidos,

os ricos riem em seus salões fechados;

Nobres risos são gritos desesperados.

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Nos meandros das ruas, construídas

circundantes às torres protegidas,

Prédios de pedras por muralhas petrificadas;

Perpétuas pedras, perpétuas gargalhadas.

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II

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Agora é moda lá no Leblon

Grade, varanda, tudo de vidro,

antirruído, não entra som.

Burguês, o que fez?

De que serve vidro?

Não dá proteção!

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Ouve-se um tiro

No Alto Leblon

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Houve um assalto

No Alto Leblon

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Um assassinato

No Alto Leblon.

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Assegurada a insegurança:

Cidade armada

Morre criança

Abre-se mão da bela fachada

Grade grande

Calçada fechada

Sobe um muro, esconde a casa

Porta de ferro, janela blindada.

Confere, não falta nada?

Foi a empregada.

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Burguês,

sua grade de ferro

seu carro blindado

sua cerca elétrica

seu muro bem alto;

Seu dinheiro compra o sossego no asfalto?

Seu dinheiro extingue seu medo de assalto?

E o medo persiste

seu medo de escuro

seguro e triste

É mesmo seguro?

Como viver na desconfiança?

Temente a vida

E ao seu segurança.

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Erick Moraes

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