terça-feira, 31 de julho de 2012

Fluidos, bemóis e um café


saudade de quando você foi batimentos
suor frio... borboletas.
saudade da liberdade de te fazer um mundo!
saudade e falta de sentir, cheirar, suar e te fazer soar
saudade da saudade de 5 minutos
saudade de tudo o que não restou.
Quero mandar embora meus sentimentos
os bons, que me entristecem
os ruins, que me torturam
e a saudade, que mata.
Foram bons os dias de sol
dias que eu pude confiar
mesmo sem saber...
fluídos, declarações, promessas, conchinha.
Mais do que isso, melhor do que isso:
eu vivi o meu amor.
A minha esperança foi apaixonante
minha fé, estonteante
minha inocência, meu suicídio.
Ok, fim de tempo, acabou o jogo.
Sem prorrogações, só bemóis daqui pra frente.
Até que alguém diferente me faça voltar a assoviar
com o coração
com a mente
com o corpo
e com a alma.
Já posso acordar.

Daniela Ortiz Beltran

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Solidariedade aos artistas da Bhering



O Plástico Bolha, sua equipe e colaboradores, se solidarizam com os artistas que ocupam a antiga Fábrica Bhering. É triste ver como os interesses do Capital devoram sem piedade as manifestações culturais mais espontâneas. Porém, antes o despejo do que a assimilação. Ocupemos tudo!!!

Não desanimem...


O Plástico Bolha ao longo dos últimos 6 anos recebeu e continua recebendo muitos textos para avaliação. Infelizmente não podemos publicar tantos autores quanto gostaríamos, mas enviem seus textos que serão devidamente selecionados pela comissão editorial e, sendo aprovado, a qualquer momento serão publicado seja no Blog ou no impresso. Este processo é demorado mesmo, mas continuem produzindo e nos enviando seus textos que nos dão sempre muito prazer em ler.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Labirinto Poético: tudo azul — amanhã!


É amanhã, sábado, 28 de Julho, às 19h, a próxima edição do espetacular sarau Labirinto Poético com:


Breno e Bráulio Coelho
Jonas Sá
Picareta Cultural
Banda Canto Cego
Iogs
Revista Falafel
Jornal Plástico Bolha
Curtos e Curtíssimos
Pedro Zylber
Delano Valentim
Os Sete Novos

Curadoria de Lucas Viriato
Direção artística de Isabella Pacheco
Apresentação de Domingos Guimaraens
Fotos de Piti Tomé


Uma realização da Coordenação de Arte e Eduçação, Livro e Leitura da Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro. Rua Benedito Hipólito, 125 - Praça XI (Centro de Artes Calouste Gulbenkian)

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Um poema de Lianto Segreto


Que Universo existe entre o pensamento e a palavra?
Entre o som e o silêncio? Que notas existem entre o dó e ré?
Melhor, entre o dó e seu sustenido?
Que vibração serpenteia no infinito quando num surto o verso desencadeia melodia em teia?
Sou o intervalo doloroso entre o nascer e morrer.
Sou o intervalo poético entre a inspiração e o escrever.
Sou a pena que atesta serena palavra sobre a pena de existir.
Sou aquele que encena no palco da existência. Sou fé e paciência.
Sou palavra e silêncio. Um foco de luz repleto de treva, caminhando na terra e mergulhando no mar.
Sou Deus, por participação. Inércia e variação. Canto escondido, poeta entretido.
Observador observado. Viajante do Infinito. Poesia do não dito. Concreto símbolo do abstrato.
Lar amarelo da vida. Caso perdido, um achado no vale do grande nada. Contemplação completa.
Mistério. Sou o que não pensam de mim. Sou o que não sei de mim. O sorriso no rosto do palhaço.
O néctar da dúvida. Efígie mental. Caminhante elemental. Lágrima sutil. O momento de amor.
Sou um segredo: aquilo que não pode ser revelado.

Lianto Segreto

terça-feira, 24 de julho de 2012

Maquinarização


Troco facilmente uma noite pelos bares da cidade
por uma noite a escrever
O curto momento onde o Eu está comigo “mesmo” fingindo ser outro
Troco toda efemeridade de noites vazias pela profundidade das palavras
tortas, calejadas, marcadas de historicidade.
Falar sobre temas já falados como amor, dor, solidão
amizade, ciúme, paixão
Falar sobre a liberdade do homem!
Sobre o pensamento...
Se é que existe outro lugar onde o homem é realmente livre
eu não conheço.
Talvez em um picadeiro anarquista em um palco esquizofrênico,
mas não.
Não acredito mesmo que a real noção de liberdade transcenda ao pensamento.
 
Basta que nós, domados por nós mesmos, libertemo-nos
Basta que nos afastemos de toda a prisão domiciliar existente
afastemo-nos das redes e conexões,
do emaranhado de sinapses,
Afastemo-nos da mecanização do homem.
Para obter, enfim
A liberdade.
Temos instantes de escrita, voz,
temos instantes de humanização na humanidade
onde nossa presença se faz realmente presente.
 
E nesse breve momento
Estamos amarrados.
Correntes de âncora nos prendem ao pé da cama
Incessantemente tentamos cerrar elo por elo
da imensidão estrutural ao invés de apenas cerrar o pé da cama
madeira envelhecida, quebradiça,
imperceptível.
 
A impossibilidade se faz e a liberdade foge de nosso ser
antes mesmo de chegar à boca.
 
Foge e corre como uma criança que não conhece as maldades do mundo
mas que não aceita doce de estranhos.
Foge rapidamente para onde ela possa se fazer presente novamente.
Vai para o pensamento de muitos outros,
Amantes calados
poetas
para o pensamento dos solitários.
Foge para o pensamento daqueles que aproveitam o pensamento
 
E escorre em uma fluidez muito pouco tensionada
Escorre para outros enquanto o homem se faz máquina
 
E nesse momento incessante
Maquinarização, amarra
Humanização, amante
Um som de ferrovia invade a alma
e nos lembra, novamente
de nossa sofreguidão,
De nossa ânsia por liberdade
Fluida
que escorre por palavras,
armadilhas sociais
silábicas e sedentas e saturadas.
 
Armadilhas instauradas
Um prego para cada braço e um para os pés
E a contemporaneidade repete de forma sutil o ritual
 
É o preço por tentar a liberdade em um mundo
onde os pensamentos se transformam em palavras
e as palavras se transformam em um mundo
 
É o preço de tentar a liberdade em uma palavra
onde o mundo se transforma em palavras
e as palavras se transformam em pensamentos
 
Espero apenas o dia em que o silêncio marcará a liberdade
 
Enquanto isso seguimos
 
Em bares, em noites de escrita
em bons sorrisos, e choros marcantes.
dia após dia
com a consciência de nossas amarras, a invisibilidade do pé da cama
Sempre transformando
homem em máquina, máquina em homem
E com medo do porvir.
 

domingo, 22 de julho de 2012

Um poema clássico de Naaman


O caminhar se fez mais lento
E na porta do convento
As migalhas não traduziram
As pombas degradadas.
Um cão que passava
Poderia ser considerado
Mais astuto que eu,
Porém faço versos
E sou moribundo,
Meus caninos não servindo
Para um ataque.


quinta-feira, 19 de julho de 2012

Cleonice Berardinelli lança novo livro na ABL


A professora da PUC-Rio e membro da Academia Brasileira de Letras, Cleonice Berardinelli - a nossa querida D. Cleo -  lança novo livro na próxima quinta-feira,  26 de julho, na própria ABL-RJ. Esperamos seu clã de amigos e ex-alunos lá!!!

quarta-feira, 18 de julho de 2012

O Plástico Bolha em Juiz de Fora - MG


Galera, o Plástico Bolha está estourando em Juiz de Fora. É uma parceria com nossos amigos do ECO - Performances Poéticas, que estão dando uma força na distribuição do jornal na mais carioca das cidades mineiras. Encontrem o nosso Plástico Bolha no Planet Music e no Josefina Café e Doceria. Vejam as fotos!!!

Planet Music - Juiz de Fora - MG

Planet Music - Juiz de Fora - MG

Planet Music - Juiz de Fora - MG

Josefina Café e Doceria - Juiz de Fora - MG

Josefina Café e Doceria - Juiz de Fora - MG

Josefina Café e Doceria - Juiz de Fora - MG

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Cafeína


Nesses tempos fica só
o gosto de café
na língua.
às vezes até ardida
da pressa do gole,
da correria.
fico excitada,
admito.
E não é sexual, não.
É fogo na alma,
entende?
Já não durmo há
três dias. Até deito
na cama jogada
entre livros risos e
poesias.
Mas sempre acordada.

a porta eu fecho,
no gosto de barulho
no pensamento.
Ai de mim se eu não

fosse meus contornos
es-can-ca-ra-dos.

Diana Sandes Gomes

domingo, 15 de julho de 2012

Um Épico


entro numa farmácia
tenho 30 anos
entro para pedir um remédio
para calvície
não que seja calvo
mas um certo medo precoce
da idade
uma vaidade que a invenção
do espelho
nos impôs

não é culpa do espelho
antes todo mundo queria ser velho
logo
hoje todo mundo quer ser jovem
sempre

o fato é que peço o remédio
para calvície
o atendente é mais novo que eu
e careca
durante alguns segundos me olha
descrente
pega o remédio
pergunta se eu tenho o cartão de desconto
segue o protocolo
e me entrega o remédio
descrente

vou andando pela rua
de uma terra inventada
de uma terra sonhada
e olho o mundo que passa
a pé
de carro
bicicletas
skate
patins
para que tanta roda meu Deus?
o mundo passa
descrente
o meu remédio para calvície
sacoleja líquido na bolsa plástica
pedi para o atendente
não me entregar a bolsaplástica
mas ele seguiu o protocolo
descrente

olho a bolsa plástica
e penso no continente de plástico
que boia hoje no meio do pacífico
deserto de polímeros
lembro dos pássaros
encontrados mortos
com bolsas plásticas
no estômago
sempre me sinto um assassino
de pássaros
quando carrego uma bolsa plástica
matador de passarinho
sigo andando
e lembrando
que não é de hoje que me sinto assim
assassino
no primário uma professora
me olhou fundo nos olhos
com olhos lacrimosos
por uma vírgula
comida
ela contou que na segunda guerra mundial
um batalhão avançado perguntou
se deviam matar prisioneiros de guerra
NÃO TENHAM PIEDADE!
foi a resposta
mataram todos

mas faltou a vírgula
não, (vírgula)
tenham piedade.
Não era para matar ninguém
Sempre que erro uma vírgula
me sinto um assassino
um criminoso
de guerra
as vírgulas
balas perdidas
assassinando as frase
se um carro freia forte
assovia borracha no asfalto
buzina
me xinga
eu no meio da rua
distraído pelo plástico
pela vírgula

meu primo sempre diz
que eu não tenho medo dos carros
para mim parecem mesmo
burrinhos pacatos
ruminando piche
mas não são
alguns não freiam
outros comem piche
ou melhor
petróleo
e os pássaros com plástico no estômago
cobertos de petróleo
num acidente
ecológicoe os peixes tentando respirar
na superfície pastosa
deserto de piches
andar de carro é ser um assassinode peixes

tenho 30 anos
me chamo Domingos
sou um dia inútil da semana
caminhando pela utilidade
dos dias
as inutilezas que salvarão o mundo
a preguiça de um domingo
que salvará o mundo
sou Domingos
me chamam Dodô
sou uma ave extinta
de uma terra inventada
uma terra sonhada
num domingo de so
lquando Deus cochilou
inventaram o brasil.

Domingos Guimaraens 
 

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Lançamento da edição #32


Queridos leitores, amigos e colaboradores, é com enorme alegria que anunciamos o lançamento da mais nova edição impressa do jornal Plástico Bolha. Esperamos todos vocês amanhã, quinta-feira, 12/07/12, às 19h, no Espaço Cultural Interseções. Venha pegar seu exemplar em primeira mão e ouvir os poemas da edição falados pelos próprios autores! Até lá!

terça-feira, 10 de julho de 2012

O Plástico Bolha chegou nas cidades de Lima Duarte e Ibitipoca - MG.


O Plástico Bolha acaba de fechar mais uma parceria no Sul de Minas. Dessa vez na cidade de Lima Duarte onde a Associação Caminho da Serra Leitura recebeu o Plástico Bolha de braços abertos. Além de estar disponível para distribuição no belo espaço de leitura da Associação, nossos amigos do projeto distribuirão exemplares nas escolas da cidade.






Seguindo o caminho da Serra o Plástico Bolha também foi parar na bucólica Ibitipoca - uma das mais antigas cidadezinhas de Minas. Por lá restaurantes, lojas de artesanato, padaria e lan house entraram na onda literária do jornal.

Ibitipoca agora é Ibitibolha...

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Evento Terças Notáveis


Série Grandes Nomes, Grandes Discos, amanhã, 10/07/12, com Jards Macalé e Tárik de Souza.
A partir das 20:30h


Vale conferir!!!

sexta-feira, 6 de julho de 2012

O que eu peço


o que eu peço é apenas uma janela.

(não para me esconder
nem para empurrar lembranças afora
talvez fosse para avistar gaivotas -
mas não:
sequer seria para esfriar as dores
ou transformar palavras em uísque
quem sabe de moldura nascer
máquina de escrever, noite adentro, noite fria adentro
mas não.)

quero uma janela para firmar
suas mãos no meu rosto
para quando você virar à esquerda
o molde tomar corpo
e flutuar pela sala.


Letícia Simões

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Capa da próxima edição!


Aqui vai a prévia da capa da próxima edição do jornal Plástico Bolha. Este número, reforçamos mais uma vez, foi realizado inteiramente com os fundos arrecadados na campanha do Catarse. Foram 105 colaboradores, entre amigos e leitores, que ajudaram, cada um à sua maneira, a continuar levando esse projeto literário adiante. A todos, o nosso MUITO OBRIGADO!

Segue a lista dos apoiadores:

Natália Bassôa
Piti Tomé
Flávia Paulo
André Medeiros
Cecília Vieira de Melo
Leonardo Davino de Oliveira
Dany Tomé
Luiza Vilela
Domingos Guimaraens
Paulo Vinicius Senise
Bel Baroni
Karfile.com
Clarisse Zarvos
Carmem Lucia de Aguiar Paulo
Catarina Lins
Camila Justino
Alice Sant’Anna
Paula Paiva
Helena Martins
Fabio Bastos
Coletivo Centro
Thiago Bento Ferreira
Mariana Carneiro
Rosane Carneiro
Ana Jordão
Masé Lemos
Amanda Lima
Flávia Leão Teixeira
Raissa de Góes
Adriana Maciel
Manuelle Rosa
Flora Bonfanti
Caroline Valansi
Thiago de Souza
Silvia Rebello
Ana Rosa
Juliana Serfaty
João Inada
Espaço Cultural Interseções
Regina Maria Bazzanella
Beatriz Junqueira Pedras
Mariana Lopes Peixoto
Ramon Mello
Silvio Fraga Neto
Paulo Henriques Britto
Ana da Fonseca
Marcio Debellian
Luiz Lianza
Breno Coelho
Laura Erber
Renata Saavedra
Marcela Tagliaferri
Ricardo Castro Dias Gomes
Francisco Carlos Palomanes Martinho
Sérgio Barcellos
Marília Garcia
Mariana Patrício
Adriano Ferreira Ennes
Dimitri Rebello
Gledson Vinícius
Miriam Hanna Daher
Clara Lugão
Olivia Byington
Theófilo Rodrigues
Karen Portugal Barbosa Cordeiro
Marcela Sperandio Rosa
Laura Assis
Luiza Machado
Fridona Tomé
A Bolha Editora
Hymirene Papi Guimaraens
Barra Coaching
Augusto Guimaraens
Maria Helena Pacheco da Silva
Claudia Roquette-Pinto
Carla Guimarães
Carlos Andreas

E o lançamento da edição se aproxima! O número #32 do jornal Plástico Bolha virá à público na próxima semana, dia 12/07, em um descontraído evento no Espaço Cultural Interseções, no Humaitá, onde teremos leituras de poemas da edição pelos próprios poetas e também convidados especiais. Mais informações em breve!

terça-feira, 3 de julho de 2012

O Plástico Bolha chegou ao Córrego dos Januários...


A Casa de Memória e Cultura do Córrego dos Januários, situada na comunidade rural do Córrego dos Januários, Inhapim - MG, é o mais novo ponto de distribuição do Plástico Bolha em Minas Gerais.

A Casa de Memória e Cultura do Córrego dos Januários surgiu como resultado de um amplo trabalho de pesquisa realizado pela pesquisadora Denise Sampaio Gusmão, no Programa de Pós-graduação em Psicologia Clínica do Departamento de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, sob a orientação da professora Solange Jobim e Souza. O projeto foi desenvolvido com a participação da comunidade do Córrego dos Januários, e está vinculado à Associação Comunitária do Córrego dos Januários, sob a responsabilidade de Maria de Lourdes Souza. A elaboração e o desenvolvimento deste projeto contou com o apoio da CAPES, do CNPq, da Vice Reitoria Comunitária da PUC-Rio e com a parceria do Departamento de Artes & Design da PUC-Rio, através do professor Luis Vicente Barros. Dentro da Casa de Memória funciona o projeto de formação de Leitores: Clubinho de Leitura. O projeto funciona com o trabalho voluntário de Maria de Lourdes, Edervanio, Dayane, Branca, Rita, Edilaine e Adélia. Em breve eles terão o novo Blog que divulgaremos aqui. 






O adolescente distribuindo o Plástico Bolha é Sávio. O adolescente que aparece na janela é Juninho. Os dois são moradores do Córrego dos Januários e vizinhos da Casa de Memória e cultura e leitores do Plástico Bolha.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Cuiabázão


Me disseram
Que Cuiabá
Era feita de pó
Poeira mesmo
E que nascia
Com o sol
Que quando
Repousava
No horizonte
Fazia acidade
Desaparecer
Da vista
E então
Num ciclo
Infinito
Cuiabá
Ressurgia
Todos os dias
E clareada
Pela luz solar
Reinava viva
No centro-oeste
De um país
Desde sempre
E até nunca mais.

Vinícius Masutti