segunda-feira, 5 de janeiro de 2026
Em obras
sorria um sorriso desnivelado,
cada dente de um tamanho diferente,
um irmãozinho de tamanho diferente numa fotografia.
os dentes de leite haviam
caído como estalactites
mas quem olhasse diria que os dentes usavam
uniformes iguais e de vários tamanhos
como seus colegas de classe.
havia espaços vazios como janelas quebradas
como se tivessem sido derrubados por estilingues
eram as constantes guerras de faz de conta
a que havia sobrevivido.
na pele a cicatriz e a certeza de nunca envelhecer,
de que o sorriso estava em obras,
e de que crianças nunca vão ter rugas
nunca vão crescer,
tinha sardas que são rugas de brinquedo
Rafael de Oliveira Fernandes
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