sábado, 23 de setembro de 2017

O pássaro solitário


Dentre os pássaros, um rei
encolhido, solitário
na sua plumagem dourada
contradiz os sons e alaridos.

O silêncio se acostuma com as horas
Pássaro e ousado
a leitura do mundo em seus olhos.

Acordado no dia
o sol, límpido e austero.

Voo em alinho
no alinhave da rede humana.

Malabares em surdina
cortejando o chão, voo.

O entrecortar de nuvens, ar
no longínquo espaço do risco.

Ziguezagues em desatino, lindo
o ar se molha de chuva
É o choro do pássaro

na sua solidão profunda.

Alexandra Vieira de Almeida 

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Eros


Cama macia
Pele macia
Arde no meio
Da noite

Atiçamos a brasa
A nudez velada
A boca se abre faminta

A fome não cessa
A terra gira as palavras
Escapam como balões de ar

Suor e sal
Momento irracional
No peito o coração implode
A alma padece no íntimo.

Diego Wayne

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Prece de um dia quase igual a todos


Deus dos delicados, não me abandone nessa guerra insana.
Minha máquina de ser beira a pane enquanto o veludo da voz de Billie
lambe as paredes do lusco fusco.
Abençoe, senhor, tudo que dói em nós, indispensável.
As tardes despenteadas em Grumari,
as lágrimas do homem que me amou e nunca disse,
o negro agonizante sob o sol narcísico de Ipanema,
as crianças que tão cedo me deixaram farta de lágrimas e leite.
Abençoe as escarpas da minha vida enquanto desenterro estas palavras
- o carmim destas palavras - com as lascas afiadas da dor.
Sonho piscinas, atraída pelas labaredas.
Preciso dormir bem dentro das suas asas enormes, pai.

Ledusha

sábado, 16 de setembro de 2017

Excitação sobre o amor humor na poesia contemporânea


Amor Humor, Flamor x Flumor, sempre um clássico, jogado há 90 milhões de eras o Amor Humor nasceu como o Fla x Flu, 45 minutos antes do nada.

Amor, humor. Quando Oswald de Andrade escreveu isso foi o momento da descoberta da fusão atômica. A fusão é diferente da fissão. Na fusão dois átomos se juntam para formar um só. Mais energia é liberada e não há radioatividade. Amor/humor é a fusão poética clássica. Oswald estava ali na ponta de lança do movimento poético da mais alta tecnologia de ponta, mas o que fez foi olhar para trás e buscar no inconsciente coletivo o que de mais básico existe em todos nós. Um nó de coisas que não são nada simples.

Eu sempre olhei esse poema pensando “por que Amor não tem H, porque Humor tem H?” Achei durante muito tempo que a linguagem era aquilo que tornava possível a comunicação, mas no dia que eu descobri que a batata doce é a melhor para os diabéticos pois é a que tem o menor índice glicêmico, tudo caiu por terra! Batatinha quando nasce se esparrama pelo chão! Como pode a batata doce, já diz o nome DOCE, ser a menos doce das batatas?! Terra devastada! Eu percebi que a linguagem não serve para comunicar, serve só pra poesia mesmo. Isso parece engraçado, mas na verdade nos deixa vendidos, num mundo de caos, ou de caôs? Tá vendo, uma mudançazinha de som e já não estamos entendendo mais nada.

O Octavio Paz comparou uma vez a linguagem, poesia e sexo num livro chamado a Dupla Chama. Muita gente entende que sexo é só para procriação, isso é como acreditar que a linguagem serve só para a comunicação. Outros acham que o sexo é mais do que isso, é erotismo, é prazer, gozo mutuo, festa do corpo e do espírito. Para esses a linguagem não serve só para comunicar, e essa linguagem que não está nem aí para a comunicação é a poesia. Ela é a erótica do texto.

O sexo só para procriação só pode acontecer entre um homem e uma mulher, o sexo pelo prazer erótico pode acontecer entre quem quiser, até entre indivíduos de espécies diferentes! Assim também é a linguagem. Se você quer se comunicar escreva direitinho, num papai mamãe linguístico, mas se quiser gozar junto, se solta, solta a franga, despiroca, se embuceta.

Essas inversões e diversões me lembram os travestimentos. A poesia é um travesti. Ela usa a linguagem como vestimenta e arma para se transformar numa coisa que ela não é, mas a partir do momento que faz isso ela já é aquela coisa que ela não era.

Macunaíma, capítulo IV: A Francesa e o Gigante: “Resolveu enganar o gigante. Enfiou um membi na goela, virou Jiguê na máquina telefone e telefonou pra Venceslau Pietro Pietra que uma francesa queria falar com ele a respeito da máquina negócios. O outro secundou que sim e que viesse agorinha já porque a velha Ceiuci tinha saído com as duas filhas e podiam negociar mais folgado. Então Macunaíma emprestou da patroa da pensão uns pares de bonitezas, a máquina ruge, a máquina meia-de-sêda, a máquina combinação com cheiro de cascasacaca, a máquina cinta aromada com capim cheiroso, a máquina decoletê úmida e patchuli, a máquina mitenes, todas essas bonitezas, dependurou dois mangarás nos peitos e se vestiu assim. Pra completar inda barreou com azul de pau campeche os olhinhos de piá que se tornaram lânguidos. Era tanta coisa que ficou pesado mas virou numa francesa tão linda que se defumou com jurema e alfinetou um raminho de pinhão paraguaio no patriotismo pra evitar quebranto.”

O Mario de Andrade também sabia das coisas e Macunaíma é travesti francesa, armada de meia de seda, salto alto e de linguagem para derrotar o gigante. Isso é amor, isso é humor, e sempre funciona.
Ou não funciona tanto, porque nem eu mesmo estou entendendo do que eu estou falando. Sou um incompreendido de si próprio. Mas pelo menos se dá pra rir de si ainda dá pra se amar. Só é possível se amar quando se consegue rir de si mesmo. Só é possível amar o outro quando é possível rir um do outro meu bem, se não o que resta é chorar. Sim, eu citei Los Hermanos, o Vento.

E com eles chego ao contemporâneo, ao agora, essa busca incessante pelo presente. Mas o que é o contemporâneo? Só quem está vivo aqui com a gente, ou essa galera toda que já morreu, mas a gente conversa direto, tipo o David Bowie? Para mim são todos contemporâneos, os que aqui estão vivos nessa sala e o velho Alphonsus de Guimaraens morto em 1921, que se foi não sem antes dizer para o Osório Duque Estrada que preferia o livro “A arte de fazer vatapás a baiana”, do que célebre: “A arte de fazer versos”. Eu acho isso uma grande piada e uma grande sacanagem com o vatapá e as baianas. Comparar essa cultura maravilhosa com aquele livro chato do cara que escreveu aquela letra do hino nacional toda cheia de inversões sintáticas incompreensíveis.

Mas eu não posso falar mal dele se estou dizendo o tempo todo que poesia não é para comunicar. É para gozar. E afinal dá pra gozar muito nas inversões, como já vimos com o Macunaíma.

Talvez o Osório tenha tentado fazer uma grande piada quando escreveu o hino nacional. Vejam o David Foster Wallace, contemporâneo, porque nasceu ali em 1962, mas já morreu então não é mais contemporâneo, difícil esse conceito. Mas enfim, ele uma vez escreveu uma crônica chamada: “Alguns comentários sobre a graça de Kafka dos quais provavelmente não se omitiu o bastante”. Diz o David: “Para mim, uma frustração marcante de tentar ler Kafka com universitários é ser quase impossível fazer com que percebam que Kafka é engraçado”. Kafka, engraçado?! Eu juro que tentei! Li várias vezes a crônica, reli o Kafka, mas não tem jeito,  termino sempre chorando. Talvez eu tenha errado de livro, mas o que estava mais perto na hora que eu escrevia esse texto era o Carta ao Pai então vamos rir com o Kafka: “Querido Pai: Você me perguntou recentemente por que eu afirmo ter medo de você. Como de costume, não soube responder, em parte justamente por causa do medo que tenho de você, em parte porque na motivação desse medo intervêm tantos pormenores, que mal poderia reuni-los numa fala. E se aqui tento responder por escrito, será sem dúvida de um modo muito incompleto, porque, também ao escrever, o medo e suas consequências me inibem diante de você e porque a magnitude do assunto ultrapassa de longe minha memória e meu entendimento.”
OUCH! Nunca consegui passar desse parágrafo do livro. É muita porrada, não é engraçado.

Mas brincadeiras à parte eu entendo o David Foster Wallace. Ele diz que existem muitos humores e que os americanos estão acostumados ao stand-up, ao humor fácil, de piadas prontas, da punch line. Talvez eu esteja totalmente colonizado e seja um dos universitários americanos lendo Kafka, é sempre difícil entender a língua e o humor do outro. Mas sempre vale o esforço.

Pra mim engraçado e muito mais do que engraçado é o livro da Gaúcha Angélica Freitas.

“Um útero é do tamanho de um punho” é amor/humor em sua potência mais contemporaneamente exacerbada. Um livro que trata com amor e humor um tema porrada: O que é ser mulher hoje! Página 39 da primeira edição. Poema Mulher de respeito: “diz-me com quem te deitas / Angélica Freitas”. Todo mundo quer saber com quem você se deita / nada pode prosperar! Citei o Caetano agora pra compensar o Los Hermanos.

Amor Humor, Flamor x Flumor, sempre um clássico. Mas não na acepção mais comum do termo Fla x Flu, que quer dizer embate sem fim de contrários e sim na ideia, que no fundo reside em cada arquibancada de cimento, de que sem Fla não há Flu, sem Flu não há Fla. Opostos complementares, espelhos invertidos, o mesmo lado da outra moeda.
E fico devendo pra vocês a punch line!


Domingos Guimarãens

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

quintanares


vesti roupas novas
sapatos noturnos
para derrubar muros
e ser moderno.

Flávio Machado

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Poema de Yassu Noguchi


a potência
de uma coisa
está na beleza
da mesma
encontrar
sua sutileza


segunda-feira, 11 de setembro de 2017

À venda


Vende-se uma casa
com tudo dentro,
incluindo o cachorro.
Vende-se uma casa
com infiltração na cozinha
e alguns pratos quebrados,
onde por algum tempo
os donos foram felizes.
Compraram-na à prestação,
assim como a geladeira inox,
a mesa de madeira e a cama Box
onde eles tanto suaram.
A piscina acumulando mosquitos,
atuais residentes
do que um dia foi motivo de alegria.
Agora é caso de polícia,
o amor de briga.
E tudo será repartido
como o coração dos donos.

Diego Wayne

sábado, 9 de setembro de 2017

To say | Dizer — poema e tradução

To say

The man says: should not be here
        my way shows the other side
to where I will go
and where I will settle down and believe
I have reached my destination: the path
will be completed by the songs
I will play at the end of days

nothing happens by chance and songs are
sounds unestablished in the musical sheet
which improvisation surpasses reason
in the ignorance of dreams

the man says: no matter how bad
I am available and my readings
complete what I was thaught
almost nothing
            very little of this crazy science
that changes concepts of what is known
today and was known yesterday that tomorrow
will be new instruments and my silent voice
will say nothing at the end of the day.

Marina Du Bois


Dizer

O homem diz: não deveria estar aqui
       meu caminho indica o outro lado
para onde irei
e onde me estabelecerei e acreditarei
chegar ao meu destino: o caminho
se fará completo nas músicas
que tocarei no final dos dias

nada acontece por acaso e músicas
são sons não estabelecidos na pauta
que o improviso sobrepuja a razão
no desconhecimento dos sonhos

o homem diz: por pior que seja
estou disponível e minhas leituras
completam o que me foi ensinado
quase nada
         muito pouco dessa ciência louca
que muda conceitos do que se sabe
hoje e se sabia ontem que amanhã
serão novos instrumentos e minha voz
calada no final do dia não dirá nada.

Pedro Du Bois

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Pintura Renascentista


Emoldurado
por uma árvore
de folhas verdíssimas
por um céu
azulíssimo
ao lado de uma construção
despedaçada
quase uma ruína grega
sentado descuidadamente
uma perna jogada
ao acaso
as mãos apoiando
o corpo desenhado
a la Miguel Ângelo
com seus músculos
ligeiramente
flexionados
e seus cabelos esvoaçantes,
lá estava ele:
- O dândi moderno.

Max Leite

terça-feira, 5 de setembro de 2017

de leve


feminista sábado domingo segunda terça quarta quinta
e na sexta lobiswoman


Ledusha

domingo, 3 de setembro de 2017

Viagem


Uma embarcação no leito
e a lenta morte fazia sua hora.

O barco de papel trazia
um alfabeto de esqueletos mágicos.

O sol penetrava nos cabelos
das palavras doces
do livro itinerário.

No rio de símbolos
costurados pelo céu
um tapete de lágrimas.

A chuva se fez prece dos viajantes
percorrendo os papéis do vento.

Duas taças, a aliança
no ritmo dos vagalumes
a luz, acesa a espera.

O mapa do mistério da morte
amor em pedaços, sangra a lua.

A viagem pela escrita
um vazio de tempo
a bússola inumana das raízes.

O papel se mancha de tinta ácida
o rio percorre as pupilas – lenda
viajante sou de um barco maior –
o mar.

Alexandra Vieira de Almeida 

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

gás


deveria
ser mais do que um grito
de libertação

mas é apenas um
poema.

Flavio Machado

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Viagem aos seios dela


Faz tempo e tempo e tempo, mas sei que estive aqui com os pés
enterrados nesta areia e a água nos tornozelos porque o aroma é
peculiar e familiar, paira no ar, maresia áspera em mistura com
cheiro de mato molhado pela chuva invernal na beira da praia, e o
seu hálito quente e parecido com jasmim dizem que as donzelas
emanam assim e é verdade pelo menos com você no seu caso que
pude sentir naquele dia de sol recém-nascido tardio parido das
nuvens escuras que mandaram chuva para molhar o mato e fazer
surgir esse aroma misturado com o seu e também o sol saído veio
alumiar sua pele bronzeada em parte e em parte branca por sob o
maiô, que saquei, não propriamente saquei mas retirei com
cuidado, desamarrando os nós enquanto você olhava meus
desajeitados movimentos quando lhe ergui nos braços e lhe fiz
deitar na areia dura e o mar vindo e voltando em nossos corpos.

João Luiz Azevedo

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

A Tarde


A tarde é uma mulher recém saída do banho
pingos de chuva em sua pele lisa
como as calçadas nuas e escorregadias

escorre um recomeço verde
revelado nesta luminosidade
frescor de folhas estalando
coisa de florescer

eu e a tarde
suspensas no tempo fotográfico
num canto das folhagens
nos lábios vermelhos de sol - um sorriso
vários verdes desfilam como vestidos
o que guarda esta paisagem
um encontro
um amor?

Rosália Milzstajn

sábado, 26 de agosto de 2017

meu primeiro caderno de poesia


para Oswald de Andrade

confidente
de expectativas frustradas

absurdas utopias.

Flavio Machado

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Poema de Flavio Machado


a
   
solidão
  
dos
mortos
a
dor
dos mortos
absurda
dor
 a
  
solidão

dos
mortos
provisória
ausência de consciência
provisória

dor.

Flavio Machado

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

6º Curta na Uerj — festival de vídeos


O festival, promovido pela UERJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro) tem como propósito incentivar a divulgação de produções não profissionais em vídeo e animação, bem como revelar novos talentos. Nesta 6ª edição o Curta na Uerj desafia os realizadores a abordar um tema amplo e complexo: Identidades. O tema vem de encontro com esse mundo globalizado, de fronteiras fluídas e de informação que trafega na velocidade da luz e tenta entender como os indivíduos constroem seu pertencimento a comunidades e criam novas formas de se relacionar com o mundo.
Os vídeos poderão abordar várias questões acerca do tema "Identidades", tais como diversidade, interação com diferentes grupos, trocas culturais e tolerância às diferenças.

Podem participar produções em vídeo ou animação realizadas com celular, filmadora ou máquina fotográfica. O Festival é organizado em duas categorias: Teen (para autores de 12 a 17 anos) e Adulto (a partir de 18 anos).

Os vencedores de cada categoria receberão câmeras digitais, smartphones e tablets. Os vídeos podem ser enviados até o dia 11 de setembro de 2017.


Inscrições e regulamento no site www.curtanauerj.com.br


terça-feira, 22 de agosto de 2017

A casa


A casa é um lugar dentro da gente
que as vezes cresce para fora
e a gente mora

Rosália Milzstajn

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

A revolução da palavra


“Se a liberdade significa alguma coisa, será sobretudo o direito de dizer às outras pessoas o que elas não querem ouvir.” (A revolução dos Bichos – George Orwell)

Uma letra mais um som. Um conjunto de letras e sons. Um conjunto de letras e uma escrita. Temos, pois, senhoras e senhores, uma palavra. Tão inocente e ao mesmo tempo tão perigosa, ela é o núcleo das acusações feitas perante este tribunal. Apresento, hoje, a defesa da ré- a palavra.

A acusação, como bem se sabe, é antiga. Muitos a diziam descaradamente, mas a maior parte da censura ocorria no plano do invisível. A palavra era acusada de pequenas subversões, uma ali outra aqui, mas foi sempre reprimida, desconsiderada, chegando até a não ser valorizada pela sua riqueza. Por isso, os poetas da década de 70 foram denominados de “marginais”, pois estavam à margem do uso valorizado - o editorial - da palavra.

Essa simples senhora - a palavra - submeteu-se durante anos a limitações. E não foram poucas. Houve até quem lhe 'parnasianisasse' e a pusesse como mera obra de arte num papel ou na boca de intelectuais. Tiraram a palavra do povo, subtraíram-lhe a vida.A palavra, porém, senhoras e senhores, está aqui diante de vós. Sem encobrimentos, sem vestimentas pedindo apenas o básico que deve ser dado a todo o ser: uma certa liberdade.

Não é pedir muito. Vejam: a palavra não precisa ser excluída de um espaço em detrimento de outro. A palavra não quer ter preferências. Só quer ser fluida como a "modernidade líquida" e poder ir de um local a outro, permear diversos campos, usar todo o seu potencial. Por que uma identidade apenas? - Eu pergunto: Por que não "celebrações móveis" de palavra? Percebam que o peso que impomos a ela não é o que impomos a nós mesmos. Se podemos viver em constante adaptação e mudança, por que a palavra não? Isso é injusto. E estamos aqui para tentar fazer justiça. Uma justiça de palavra.

Os senhores e senhoras devem estar se perguntando: mas o que isso tem a ver com a exposição? Pois bem! A exposição não foi nada mais do que uma revolução. Algo que não foi tão planejado, que já vinha acontecendo em doses homeopáticas e agora tomou um espaço um tanto inusitado: o de uma exposição em um centro cultural. Inusitado porque estávamos acostumados a ler livros de poetas já falecidos e a colocá-los à frente das manifestações contemporâneas e vivas de poesia, de usos da palavra.

E que problema há em revoluções? Nós, Meritíssimo, fomos durante muito tempo inocentes quanto às mudanças que a própria palavra provocou. Uma abertura aqui, outra ali. Uma manifestação na periferia, uma manifestação na intelectualidade... A palavra, senhoras e senhores, não se deixou abater. E isso é digno de reconhecimento! Continuou a tentar se expandir e ampliar horizontes. Hoje, ela montou uma exposição de si mesma. Uma exposição, que como disse, é uma revolução. Uma revolução, eu diria, tão justa quanto a Industrial ou a Francesa. Uma revolução que muitos acreditam, e eu ponho fé, entrará para os anais da história.

É importante lembrar que, durante os anos e ainda hoje, a palavra foi além da mera comunicação, virou inclusive uma questão de poder (Foucault explica). Palavra é expressão, palavra é poesia. E por isso "Poesia agora". Palavra não é só direito dos livros de quem já está morto, de quem é conhecido, de quem sabe rimar. A palavra quer estar em todos os lugares: nas academias, nos parques, nas ruas, nas exposições, na boca e no corpo dos poetas. Na exposição, como já foi dito pela acusação, ela está nas lâmpadas, nas paredes, nos vídeos dos poetas, no banheiro e nos livros também. E quem a usa? Pessoas. Famosas ou não. Ricas ou pobres. Conhecidas ou não. A palavra, Meritíssimo, só quer o direito de ir e vir, previsto na nossa constituição.

É uma revolução? Sim! É uma revolução. A revolução da palavra! Como isso ficará lindo nos livros de história! Nossas crianças aprendendo desde cedo que a palavra não está morta, mas viva! E viva para se usar.Nossos meninos e meninas vendo, aprendendo e fazendo poesia, porque sabem que a palavra não quer ser direito de alguns.Não podemos derrubar a revolução da palavra. Tudo o que minha cliente pede, Meritíssimo, é o direito a uma certa liberdade. Direito esse que deve ser concedido à palavra, uma mera subalterna das emoções humanas. "Pode o subalterno falar?"- pergunta Spivak, e a palavra disse que sim. De fato, ela falou. Organizou uma exposição. Algo inovador. Notem que a minha cliente quer deixar de ser exclusividade de alguns e se mostrar viva. Seja no papel, seja nas ruas, na periferia, nos morros, na academia. A palavra deve ser livre!E olha que a ré não pede muito. Quer apenas continuar a ser usada pelas emoções humanas, só que com uma certa liberdade.

Na verdade, creio que, independente do que digamos aqui hoje, a história está mudando. A revolução já começou. Nossas atitudes não podem impedir um movimento tão digno quanto o da palavra. Entrará para a história. Isso é um fato. Mas como a história será contada? Como nossos nomes serão escritos pela palavra?

Dito isso, sem mais nada a acrescentar, deixo ao Meritíssimo a decisão.

À palavra, o meu agradecimento.


Caroline Ferreira de Oliveira Brizon

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domingo, 20 de agosto de 2017

Código de barras


A primeira foi o beijo.
Depois vieram a indiferença e as diferenças,
Colocadas lado a lado.

Houve também melancolia
e desprezo velado.

Da mistura dessas barras impenetráveis
resultou o código do nosso amor chinfrim:
sem começo e sem fim.

Noélia Ribeiro

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Três semanas na Venezuela: Diário de uma carioca na República Bolivariana, por Júnia Azevedo.


"Em maio de 2017, saí do Rio com destino à Venezuela, como colaboradora para uma série de matérias para um jornal espanhol. A ideia era apoiar um jornalista que cobria temporariamente o país. Do Rio voei até a Cidade do Panamá e, de lá, para Caracas, num voo da empresa venezuelana Santa Bárbara – nome no mínimo curioso para uma companhia aérea. Entrei irritada no avião, pois queriam me cobrar 90 dólares (o voo havia custado 100) porque meus dados estavam errados na reserva feita pela internet (em lugar do nome estava o sobrenome e vice-versa). Tive que protestar bastante e fazer um drama para que me deixassem embarcar sem pagar a multa. Já havia sido muito difícil comprar a passagem, considerando que as companhias aéreas bolivarianas não constam dos populares guias de viagem que pipocam no Google. Aparentemente, o mercado de turismo chavista está protegido contra as onipresentes Expedia (EUA), Kayak (EUA), Decolar (Argentina), Submarino (Brasil), Viajanet (Brasil)..."

Para acessar o diário da nossa colaboradora Júnia Azevedo e ler mais sobre um relato pessoal escrito da forma mais isenta possível, segundo a própria autora, fugindo da "informação" coalhada da grande mídia, clique no link https://midiaindependente.org/?q=node/346

Para um resumo do diário, clique no link http://jornalggn.com.br/noticia/tres-semanas-na-venezuela-i-diario-de-uma-carioca-na-republica-bolivariana-por-junia-azevedo

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quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Como dizer


Como dizer que é noite
se dentro de mim é dia
como dizer do frio
se dentro de mim é fogo
como dizer não sei
se dentro de mim eu sei
como dizer de ti
se dentro de mim sou eu

Rosália Milzstajn

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Lançamento do livro Paisagem interior, de Marcos Vinícius Almeida


O lançamento do livro acontece em São Paulo, na Livraria Patuscada, em Pinheiros, no dia 18 de agosto, a partir das 19:00. Também será lançado em Luminárias, no interior de Minas, na Casa da Cultura, no dia 20 de agosto, a partir das 17hs.

Título: “Paisagem interior”, contos
Editora: Penalux
Autor: Marcos Vinícius Almeida
Páginas: 110 páginas,
Preço: R$ 35
Disponível em:


Paisagem interior
Marcos Vinícius Almeida
Por Annita Costa Malufe

Este conjunto de contos parece contradizer certas ideias frequentes em nosso tempo:todas as histórias já foram contadas, não há mais espaço para se narrar, estamos fadados a narrativas fragmentadas, a fatos que perderam qualquer sentido comunitário (como primeiramente previu, talvez, Walter Benjamin)... Ainda bem que, vez por outra, alguns escritores não se conformam com isso e retomam o hábito ancestral da narrativa, devolvendo-nos, renovado, o prazer da simples escuta de uma história.             

No caso dos narradores deste Paisagem interior, a proximidade do tom do contador de causos: figura típica dos interiores de nosso país, sobretudo de Minas Gerais, de onde vem o autor. O contar por contar, pelo mero prazer de desenrolar uma história, muitas vezes apelando a detalhes insignificantes, seguindo sempre o andamento da fala. A oralidade se faz forte nessa escrita, e o leitor se põe de fato a ouvir o texto, que se transforma em um fluxo oral extremamente fluente e bem construído – muitas vezes a partir de um competente uso do discurso indireto livre.

Tal traço não indica, contudo, um parentesco direto com Guimarães Rosa. Ao contrário, mais próximo de escritas como as de Thomas Bernhard, William Faulkner ou AntonioTabucchi (autores em que a oralidade assume a frente), os contos de Marcos Vinícius Almeida são povoadosde narradores e personagens urbanos, moradores das pequenas (quando não minúsculas) cidades brasileiras, e que nos são revelados com uma linguagem direta, extremamente contemporânea, sem pretensos regionalismos atualizados ou mimetismos roseanos.

Vale observar que a Paisagem interior, aqui, poderia ser também ado interior, do Brasil, para além de uma remissão mais imediata ao íntimo, dos personagens ou do próprio autor. Interessante é notar que o título bem expressa o movimento presente nas narrativas: os lugares por elas trazidos, mais do que simples cenários externos, são reveladores de qualquer coisa de interior, de interno, aos personagens.

Esse jogo entre paisagens interior e exterior, do espelhamento mútuo entre dentro e fora – que nos lembra o poeta Fernando Pessoa e sua teoria da sensação – faz a riqueza desses pequenos causos, em que uma aparente mera descrição de uma tempestade, de um jogo de futebol ou de um corpo morto de um homem sendo salvo por outro, é carregada de afetos e reflexões existenciais. Tudo com muita sobriedade e às vezes humor. É através de imagens muito concretas e sensoriais que somos levados ao interior das personagens, que pode ser, no limite, o interior de nós mesmos, leitores.


Seria impossível falar desses contos sem notar, como insistia Júlio Cortázar, a proximidade entre os gêneros conto e poesia. Para além do ritmo certeiro, asutileza e atenção sensível às minucias fazem não somente a riqueza, mas também a maturidade do olhar do autor, que embora tenha reunido pela primeira vez seus contos em um livro, está longe de poder ser considerado um estreante.

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Lenço Perfumado


Por acaso me emprestou
o seu lenço perfumado.
Me embriaguei com o cheiro;
me apaixonei - pelo olfato.
O porte era viril,
com a farda de soldado.
Namoramos nos jardins;
contamos nossos passados.
Seu corpo era um navio
que singrava em minhas águas.
nas excursões ao prazer
sua audácia me guiava.
Fiquei com ele pra sempre
pelo seu jeito suave,
não reclama da comida,
quando bebe não me bate.
Às vezes penso na vida
e no moço que encontrei.
Para o mundo ele é um Homem,
para mim ele é um Rei.

Denise Guinle

sábado, 29 de julho de 2017

Poema de Ledusha


palavras de neve azularam como por encanto
da nossa paisagem
e naves rubras de febre aportam no açúcar da tarde
o sol ganha uma coroa de espinhos
e a paixão é uma romã a cuspir faíscas de rubi


Ledusha

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Rede


Teu corpo despejado em mim,
me enrosco toda em ti...

No balanço lento das tuas curvas
e no ritmo desse vai e vem,
te aconchego que nem concha.

Eu, casulo,
te envolvo borboleta.

Dentro de mim, entregue,
não pense, descanse
e esqueça o resto

Sinta a brisa que te venta o rosto,
o toque macio que te encosta a pele,
meu embalo pendulado,
o canto gemido dos meus ganchos enferrujados.

Vem que eu te quero todo, moço...

Deite no meu colo largo de lua crescente,
que eu me rendo.

Helena Lima

segunda-feira, 24 de julho de 2017

estética


pensando cá com meu robe sem botões
o que eu queria
era fazer um livro todo de gravuras
um poema prenhe de mentiras
um verso plástico como um ovo


Ledusha

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Secretaria municipal de transporte urbanos


a diferença entre 347
o 346
é uma questão
de (h)uma(u)nidade.

Flávio Machado

segunda-feira, 10 de julho de 2017


Os que só tragam com filtro. Os que conduzem a dança. Os de papo requentado. Os que espalham o conflito. Os grosseiros de foulard. Os que fazem as cutículas. Os que têm presas no olhar. Os prósperos despreparados. Os que vão lamber o limbo. Os belos atormentados. Os previsíveis sem sal. Os ternos de abraço manso. Os que usam o saber como arma de poder. Os que citam sem parar. Os que gostam de mulheres. Os que gostam das mulheres. Os mitos desamparados. Vampiros por trás de lentes. Os que só querem mamar. Os que portam falos bélicos. Os marinheiros sem mar. Os que nos devolvem o riso. Sensíveis sem onde morar. Os que decifram. Os que devoram. Casados infantilizados. Os que consertam cadeiras. Os indeléveis carnais. Os de coração falido. Raros sexys calados. Os gananciosos banais. Marxistas que espancam mulheres. Os que se desmancham no ar.


Ledusha

segunda-feira, 26 de junho de 2017

olhando as ilhas


a primeira nuvem fosca nos olhos
a primeira alegria entalhada no vácuo
o namorado esteta que chorava à toa
o atlas que homem nenhum me deu

Ledusha

Exposição Corpos Informáticos, de 14/06 a 30/07


quarta-feira, 21 de junho de 2017

Show de Rubinho do Vale


O projeto acústico “Pedro Antônio convida”, já na sua 12º edição, tem o formato “sala de visita”, e acontece desde 2013. Por ele já passaram grandes nomes da MPB, como Zé Geraldo, Paulinho Pedra Azul, Tadeu Franco, Celso Adolfo, Nélson Ângelo e Lula Barbosa.

O cantor e compositor mineiro Rubinho do Vale é o próximo convidado do projeto “Pedro Antônio convida” - Show que acontecerá no dia 01/07 – as 21 horas - no Teatro Municipal de Uberlândia. Evento recomendadíssimo para todas faixas etárias, especialmente para crianças!

Serviço:
Show Pedro Antônio convida Rubinho do Vale
Dia 01/07 – Sábado – às 21 horas
Teatro Municipal de Uberlândia.
Ingressos pelo site https://boxt.com.br  ou na bilheteria do teatro (apenas 01/07 a partir das 12h) Classificação: Livre


Mais informações: 99237-8268

terça-feira, 20 de junho de 2017

O tucano Casanova – uma crônica carioca


Sempre morei naquela esquina, mas faz pouco tempo que descobri vizinhos ilustres, metódicos, que saíam à mesma hora para passeios diários. Chamavam a atenção de todos, com a plumagem colorida, os gritos próprios da espécie. Estando na rua por volta das onze da manhã ou das cinco da tarde,passei a olhar para cima, torcendo para que o casal de tucanos estivesse dando seus rasantes, cruzando a rua arborizada do Leblon.

Resisti à tentação de batizá-los com óbvios nomes de políticos ─ coitados, ficariam marcados...Para mim, eram Tuco e Tuca, sem maiores compromissos─ eleitorais ou eleitoreiros.Tirei fotos, filmei, alardeei no Facebook que tinha tucanos como vizinhos, que resistiam à poluição, às obras do metrô, às freadas barulhentas no cruzamento próximo.

Se havia pescoços esticados, crianças agitadas, sabia que lá estavam eles,multicolorindo o verde das folhas. Voavam de um lado para o outro, asas abertas; escolhiam um galho, passeavam, dando seu show de equilíbrio.

Pois em janeiro um dos tucanos foi atropelado. Num voo mais baixo, atingido por um caminhão-baú, cujo motorista sequer se deu conta do trágico acontecimento. Nem deve ter entendido como uma pena amarela acabou enroscada no para-brisa.

Por dias, o inconsolável Tuco (sim, era ele o viúvo) se lamuriou, cortando o coração de porteiros, moradores e crianças da rua.Imaginei que morreria de saudades. Quis fazer alguma coisa;fui para a internet, atrás de soluções. Zoológico, Jardim Botânico, a quem recorrer? Enfim, soube que devia chamar o IBAMA.

Quando fui conferir a localização da árvore para ter os dados precisos, soube que, depois de sumir por dois dias, Tuco estava de volta, devidamente acompanhado.

Um novo par tinha se formado. Tuco e ...Teca, assim a chamei.

Afinal, o show não pode parar!E ele tem acontecido nos mesmos horários, diariamente. Posso provar com meus cliques.Os tucanos voam de um lado para o outro da rua, se equilibram nos galhos, voltam para o oco da árvore.

Tucanos são aves piciformes, com penas de coloração preta, vermelha, laranja ou verde, com a garganta branca ou amarela. É a descrição oficial.


Para mim, os do Leblon já foram Tuco e Tuca, agora são agora Tuco e Teca. Que sejam felizes, criem seus filhotinhos e colem neles fitas florescentes para alertar desavisados condutores de caminhonetes. 

Marilena Moraes

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Lançamento do livro de poesias de Fernanda Eda Paz: "Saudades de Estranho".


Convidamos a todos para o lançamento do primeiro livro de poesias de Fernanda Eda Paz: "Saudades de Estranho".

A obra já encontra-se em pré venda pelo site da Multifoco, através do link: 

http://editoramultifoco.com.br/loja/product/saudades-de- estranho-pre- venda/

Serviço:
Lançamento do livro “Saudades de Estranho”, de Fernanda Eda Paz
Local: Bistrô Multifoco: Av. Mem de Sá, 126, Centro, Rio de Janeiro
Data: 06/07 (quinta-feira)
Horário: das 18h às 22h
Confirme presença no evento: https://www.facebook.com/events/212382365945657/?ref=br_rs
* O livro custa R$45,00.

Sinopse:

Quanto mais crescemos, mais entendemos que, boa parte das vezes, viver é muito mais sobre aprender a perder do que qualquer outra coisa. Mudar de casa, de cidade, de estado, de país, de amores, de planos, de modos de ver o mundo, são sempre ações que incutem perdas, mas também novos horizontes, rasgados de um misto de esperança e medo. "Saudades de estranho" é sobre a saudade que sentimos de algo que perdemos ou de algo que ainda será pintado em uma nova paisagem. Às vezes a essência da saudade é íntima, as vezes é alheia, quase como se fosse outro aquele que sente. Outras vezes é o objeto da saudade que nos é estranho. No meio disso tudo uma qualidade de faz essencial para seguir: resiliência.

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Um poema em espanhol de Mar Barrientos


Los vapores del espejo alinean cada letra sobre la punta de los dedos
este sorbo de vino,
ojo abierto de la línea fina  que desborda las lluvias, y los ríos y los versos. 

En jueves la caricia  es lenta sobre la ropa
impacta el viento para después palpar y permanecer como sombra.

Amazona del instante bebe despacio cada milímetro de piel,
la boca come otra boca, luego come horizontes de selva y memoria.

Labio/ rio
labio/ manos 
labio/ labios 

La piel se suda, se habita el fuego, permanecen los acordes de la ola entre sus dedos.

Mar Barrientos



Mar Barrientos é poeta mexicana.


quarta-feira, 7 de junho de 2017

Programação de Saraus da Poesia Agora



E vai ter muito sarau ao longo da exposição Poesia Agora no Rio de Janeiro. Confira a programação e participe! O link para o primeiro evento segue aqui!

domingo, 4 de junho de 2017

Abertura da exposição Poesia Agora no Rio!



O jornal Plástico Bolha convida a todos para a abertura da exposição Poesia Agora, no Rio de Janeiro. Contamos com a presença de todos para esta tarde animada que terá também um belo sarau!

Para mais informações, confira a página do evento do Facebook.

sexta-feira, 2 de junho de 2017

LISTA DE POETAS DA EXPOSIÇÃO POESIA AGORA NO RIO DE JANEIRO


Adalberto Müller
Adalberto Queiroz
Adiron Marcos
Adriana Versiani dos Anjos
Adriane Garcia
Adriano Bitarães
Adriano Espínola
Adriano Lobão Aragão
Adriano Scandolara
Afonso Henriques Neto
Airton Souza
Alan Kramer
Alan Rezende
Alan Salgueiro
Alberto Lins Caldas
Alberto Pucheu
Aldenor Pimentel
Ale Safra
Alexandre Bruno Tinelli
Alexandre Dacosta
Alexandre Faria
Alexandre Guarnieri
Alice Ruiz
Alice Sant'Anna
Alice Souto
Allan da Rosa
Allan Dias Castro
Allan Jones 
Álvaro Faleiros
Alvaro Posselt
Alzira Umbelino
Amador Ribeiro Neto
Amanda Araújo
Amanda Bruno
Ana Beatriz F. Batista
Ana Chiara
Ana Costa Ribeiro
Ana Elisa Ribeiro
Ana Estaregui
Ana Guadalupe
Ana Kiffer
Ana Maria Veloso
Ana Martins Marques
Ana Rüsche
Ana Salek
Anderson Pires da Silva
Andityas Soares de Moura
Andre Argolo
André Capilé
Andre Caramuru Aubert
André Monteiro
André Vinícius Pessôa
Andréa Cátropa
Andreia Carvalho Gavita
Andreia Martins
Andrew Oliveira
Anelise Freitas
Angela Melim
Ângela Vilma
Angélica Freitas
Aníbal Cristobo
Anna Zêpa
Annie Carvalho
Annita Costa Malufe
Anthony Ribeiro
Antonio Campos
Antonio Carlos Secchin
Antonio Cicero
Antônio Mariano
Antônio Moura
Antonio Risério
Armando Freitas Filho
arrudA
Augusto Guimaraens Cavalcanti
Augusto Seixas
Banks Back Spin
Barbara Hansen
Beatriz Bajo
Beatriz Bastos 
Beatriz de Brito
Beatriz Provasi
Bianca Lafroy
Bianka de Andrade Silva
Binho
Brasigóis Felício
Braulio Coelho
Breno Coelho
Breno Góes
Bruna Beber
Bruna Mitrano
Bruna Piantino 
Bruno Baptista
Bruno Black
Bruno Borja
Bruno Brum
Bruno Gaudêncio
Caco Pontes
Caio Carmacho
Cairo Trindade
Camila do Valle
Carla Andrade
Carla Diacov
Carlos AA. de Sá
Carlos Andreas
Carlos Júnio
Carlos Pittella
Carlos Tamm
Carvalho Junior
Cássia Janeiro
Cassio Pontes
Casulo
Catarina Lins
CavaloDADA
Cel Bentin
Célia Musilli
Chacal
Charles Marlon
Charles Peixoto
Chiara di Axox
Chico Alvim
Clara de Góes
Claudia Roquette-Pinto
Cláudia Schapira
Claudio Daniel
Claudio Willer
Claufe Rodrigues
Clauky Boom
Cléber A. dos Santos
Cristiane Sobral
Dado Amaral
Daniel Farias
Daniel Granato
Daniel Grimoni
Daniel Minchoni
Daniel Perroni Ratto
Daniel Valentim Mansur
Daniel Viana
Daniela Delias
Danilo Diógenes
Danilo Lovisi
Danilo Rangel
Delmo Montenegro
Demetrios Galvão
Dênis Rubra
Dércio Braúna
Dheyne de Souza
Diana Sandes
Diego Grando
Diego Moraes
Dija Darkdija
Dimitri BR
Dimme Roots
DoisAs
Domingos Guimaraens
Eber Inácio
Edimilson de Almeida Pereira
Edir Pina de Barros
Edson Cruz
Eduardo Lacerda
Eduardo Leão Teixeira Quentel
Eduardo Sterzi
Efraim Amazonas
Eleazar Venâncio Carrias
Eliakin Rufino
Elisa Andrade Buzzo
Elisa Lucinda
Eliza Morenno
Elizabeth Manja
Elizeu Braga
Emerson Alcalde
Emmanuel Marinho
Enrique Carretero
Érica Zíngano
Estrela Ruiz Leminski
Eucanaã Ferraz
Eugênio Lima
Expedito Ferraz Júnior
Fabiana Macchi
Fábio Aristimunho
Fábio Brazza
Fabio Riggi
Fabio Saldanha
Fabrícia Valle
Fabrício Corsaletti
Felipe Andrade
Felipe Rezende
Fernanda Morse
Fernanda Tatagiba
Fernanda Vivacqua
Fernando Andrade
Fernando Brum
Fernando Paiva
Flavio Castro
Flavio Morgado
Francis Mary Alves de Lima
Francisco Perna Filho
Frank Palmerim
Franklin Alves Dassie
Fred Spada
Frederico Barbosa
Gab Marcondes
Gabriel Gorini
Gabriel Kieling
Gabriel Pardal
Gabriel Resende Santos
Gabriel Riva
Gabrielle Astier
Geraldo Carneiro
Germana Zanettini
Giselle Ribeiro
Gizza Machado
Glauco Mattoso
Gonzaga Neto
Graça Graúna
Gregório Duvivier
Gringo Carioca
Guaiamum
Guga Caldwell
Guilherme Costa
Guilherme Gontijo Flores 
Guilherme Ottoni
Guilherme Preger
Guilherme Zarvos
Gustavo Petter
Gyzelle Góes
Helena Ortiz
Henrique Barreira
Henrique Fagundes Carvalho
Henrique Rodrigues
Henrique Santos
Henry Pablo
Heraldo HB
Herbert Emanuel
Heyk Pimenta
Homero Gomes 
Iago Passos
Ianê Mello 
Idjahure Kadiwel
Igor Soares Veiga
Iracema Macedo 
Ismar Tirelli Neto
Italo Diblasi
Izabela Orlandi
Jade Prata
Jairo
Jamile Cazumbá
Jeane B.
Jessé Andarilho
João Inada
João Lima
João Meireles
João Moura Fernandes
João Pedro Fagerlande
João Pedro Maciel
João Victor M. Ruyz
Jonas Worcman
Jonatas Onofre
Jordano Souza
Jorge Salomão
Jorge Ventura
José Geraldo Neres
José Inácio Vieira de Melo
Jota Maia
Jovino Machado
Jozias Benedicto
Júlia de Carvalho Hansen
Julia Mendes
Juliana Bernardo
Juliana Hollanda
Juliana Krapp
Jussara Salazar
Jussara Santos
Justo D'Ávila
Kaio Bruno Dias
Karline Batista
Kátia Borges
Katia Maciel
Katyuscia Carvalho
Kelson Oliveira
Knorr
Kyvia Rodrigues
Laís Chaffe
Lara Utzig
Larissa Andrioli
Lasana Lukata
Lau Siqueira
Laura Assis
Laura Castro
Laura Erber
Laura Liuzzi
Leandro Durazzo
Leandro Jardim
Ledusha
Leila Míccolis
Leo Gonçalves
Leo Vincey
Leonardo Chioda
Leonardo Ferrari
Leonardo Fróes
Leonardo Gandolfi
Leonardo Marona
Leonardo Mathias
Leoni Siqueira
Letícia Brito
Letícia Féres
Letícia Simões
Lews Barbosa
Lia Testa
Lian Tai
Liana Vasconcelos
Lilian Aquino
Linaldo Guedes
Lindacy Fidelis
líria porto
Lisa Alves
Lívia Natália
Lorena Martins
Lourdes Teodoro
LOZ
Lu Menezes
Luana Carvalho
Luca Argel
Lucas Bronzatto
Lucas C. Lisboa
Lucas Guimaraens
Lucas Matos
Lucas Viriato
Luci Collin
Lúcia Santos
Luciana Marinho 
Luciana Tonelli
Luis Maffei
Luis Turiba
Luisa Noronha
Luiz Coelho
Luiz da Franca
Luiz Felipe Leprevost
Luiz Fernando Priamo
Luiz Fernando Pinto
Luiz Otávio Oliani
Luiza Mussnich
Luiza Romão
Lulina
Lurdiana Araújo
Lux
Maíra de Melo
Maíra Ferreira
Mano Melo
Mar Becker 
Marcel Fernandes
Marcela Sperandio
Marcelino Freire
Marcello Sorrentino
Marcelo Ariel
Marcelo Diniz
Marcelo Labes
Marcelo Montenegro
Marcelo Moraes Caetano
Marcelo Pierotti
Márcia Wayna Kambeba
Márcio Batista
Marcio Junqueira
Marcio Muniz
Marcio Rufino
Márcio Simões
Marco Vasques
Marcos Bassini
Marcos Fabrício Lopes da Silva
Marcos Messerschmidt
Marcos Siscar
Marcus Groza
Marcus Vinicius Quiroga
Maria Cecilia Brandi
Maria Isabel Iorio
Maria Rezende
Mariana Botelho
Mariana de Matos
Mariana Felix
Mariana Paiva
Mariana Teixeira
Mariana Valle
Mariano Alejandro
Mariano Marovatto
Marilena Moraes
Marília Garcia
Marília Kubota
Marina Laurentiis
Marina Mara
Marina V. Medeiros
Mário Alex Rosa
Marisa Sevilha Rodrigues
Marize Castro
Marven Junius Franklin
Masé Lemos
Matheus José Mineiro
Matilde Campilho
Mauro Santa Cecília
Meimei Bastos
Mercedes Lorenzo
Mery Onírica
Michel Melamed
Mônica Menezes
Monique Nix
Mozileide Neri
Múcio Góes
Murilo Zatú
Mylle Silva
Natasha Felix
Nicolas Behr
Nícollas Ranieri
Nina Rizzi
Noélia Ribeiro
Nora Fortunato
Nuno Rau
Nydia Bonetti
Olga Savary
Omar Salomão
Ondjaki
Oscar Calixto
Osiris Roriz
Osmar Filho
Otávio Campos
Oziel Soares de Albuquerque
Paloma Roriz
Pat Lau
Patrícia Del Rey
Patrícia Lino
Patricia Porto
Paulo Cezar Santos Ventura 
Paulo D'Auria
Paulo Ferraz
Paulo Henriques Britto
Paulo Kauim
Paulo Lisérgico
Paulo Roberto
Paulo Soares
Pedro Craveiro
Pedro Lago
Pedro Rabello
Pedro Rocha
Pedro Stkls
Pedro Tostes
Petrônio Souza Gonçalves
Prisca Agustoni
Priscila Merizzio 
Rafael de Oliveira Fernandes
Rafael Magalhães
Rafael Zacca
Ramon Nunes Mello
Raphaela Ramos
Raquel Naveira
Raquel Nobre Guerra
Regina Azevedo
Regina Mello
Renan Inquérito
Renan Sanves
Renato Augusto Farias de Carvalho
Renato G. Furtado
Renato Gomez
Renato Mosci
Renato Rezende
Renato Silva
Renato Torres 
Reynaldo Bessa
Reza Lima
Ricardo Aleixo
Ricardo Domeneck
Ricardo Miranda Filho
Ricardo Silvestrin 
Roberta Estrela D'Alva
Roberta Lahmeyer
Roberto Dutra Jr.
Roberval Pereyr
Rodolpho Saraiva
Rodrigo Auad
Rodrigo Bodão
Rodrigo Mebs
Rodrigo Raro
Ronaldo Henrique Barbosa Junior
Rosália Milsztajn
Rosane Preciosa
Rosângela Muniz
Rose Dorea
Rubens Akira Kuana
Rubens Jardim
Rudinei Borges Caeiro
Ruy Espinheira Filho 
Salgado Maranhão
Salles
Sandra Fonseca
Sandro Sussuarana
Santiago Perlingeiro
Saulo Dourado
Seiji Nomura
Sergio Barcellos
Sergio Cohn
Sérgio Gramático
Sérgio Luz
Sergio Salles Oigers
Sérgio Vaz
Shala Andirá
Sheyla de Castilho
Sidney Machado
Silvia Castro
Simone de Andrade Neves
Simone Teodoro
Sinhá
Solange Casotti
Solange Firmino
Solange Valeriano Pinto
Sony Ferseck
Stefanni Marion
Sueli Rios
Susanna Busato
Suzana Rosa
Tainá Rei
Tânia Diniz
Tassiana Frank
tatiana do nascimento dos santos
Tatiana Pequeno
Tavinho Paes
Tazio Zambi
Tereza Seiblitz
Thais Linhares
Thiago Camelo
Thiago Diniz
Thiago E
Thiago Gallego
Thiago Lobão
Thiago Mourão
Thiago Saldanha
Thiago Soeiro
Tiago Rattes de Andrade
Ulisses Tavares
Úrsula Hartalian Lautert
Valciãn Calixto
Valeska de Aguirre
Vânia Osório
Vasco Cavalcante
Victor Colonna
Victor H Azevedo
Victor Heringer
Victor Rodrigues
Vinícius H. Masutti
Virna Teixeira
Vitor Paiva
Viviane Laprovita
Viviane Mosé
Vivien Kogut
Vlado Lima
W. B. Lemos
Walacy Neto
Waldecy Pereira
Waldo Motta
Wanda Monteiro
Wender Montenegro
Wilmar Silva de Andrade
Yasmin Barros
Yasmin Nariyoshi
Yasmin Nigri
Yassu Noguchi
Yolanda Soares
Ziul Serip
Zuza Zapata

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Monique de corpo e poesia




Quem a vê assim andando, nunca diria “é poeta! ”. Mal sabem que ali eles não estão vendo mulher, nem roupa nem nada. Senão corpo e poesia. Se de alma é munido o homem, então Monique por dentro o corpo tem poesia a correr pelas veias, a tencionar os músculos, a expirar para fora dos pulmões.

Ela peregrina de sarau em sarau. Sua “obra” não está imortalizada em folhas de papeis com belas capas. Sim! Aquelas a envolver como mortalha todo escritor que se deu por conhecido ou famoso – sentença de morte! Já como a Noite, se despe em cada verso, chegando ao cabo de si mesma; sem roupa, sem rosto, sem carne... só um punhado de versos ereto no palco e microfone na mão.

Ela não fala dos amores, do belo, de outrora.... Pelas suas palavras gritam todos os órgãos, todas as mulheres, todas as crianças. E mais mulheres e mais crianças do que se pode contar. Na sua boca quem está gritando é o povo, é a vontade de mudar, é a inquietude, a insônia. Ela não é clássica, ela tem classe: a classe do povo que quer falar e não consegue. Ela desatou as amarras do dodecassílabo, do jâmbico e do soneto. Morte aos clássicos! Não precisa deles. Ela tem tudo o que precisa na inconformidade, outro nome para a sua escola. 

“Que ninguém lhe dê piedosas intenções, ninguém lhe peça definições...” (Cântico Negro - José Régio) Monique tem esse cântico negro engasgado na garganta. Não, ela não vai por aí...

Nesse espetáculo da vida, ela atua do momento em que desperta até a hora que vai dormir, seu palco começou no útero e terminará na cova. Se um dia fores ver Monique declamando, não é uma mulher com o microfone, é Deus falando defronte.

Há aquelas que escolhem seguir parâmetros, Monique jamais os segue. E nesse grande teatro, umas escolhem deixar o palco e sair para a morte, Monique escolheu abaixar a cortina e sair para a vida.

Iuri Mello

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Rainha de Maio


Sou todas as manhãs do mundo
A mãe, suas lágrimas, sorrisos e amores
Sou terra fértil, sou alma livre
Caminhando no jardim das delícias
Nadando em rio limpo
Sou mulher
Espelho e poesia do mundo
Heroína de mim mesma.


Ilma Pessoa

domingo, 23 de abril de 2017

A SÓS – POEMA EMBOLADO


SE FOR
Amor tem que ser a dois
DUETO
em solo
VIBRANTE
e inteiro
CANTO
lírico e trovão
PRIMAVERA

outonal

Ilma Pessoa

sábado, 22 de abril de 2017

Desafio: sem letra u


Cadeira com encosto

avezei-me em viver
com essa dor latente
que va-ga-ro-sa-men-te
me declina.

Araújo

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Desatino


Sinto o bom dia leve da Brisa
Que diz que de mim faz cobiça 
Me tomas de leve atino
Penso em você. Desatino.

Deságuo no mar das tuas curvas
Da mesma primeira e ultima
Me aqueço com o calor dos teus poros
E inevitavelmente não para de olhar-te nos olhos.

Os olhos que já me prenderam
E as lagrimas que deles desceram
Disseram que de alegria saltaram
E pro doce amor me levaram

Atiro-me sem medo, como quem se joga no mar
Atiro-me em ti, como quem não quer mais voltar
Atiro-me sem paraquedas
Atiro-me para quedas.


Jamile Cazumbá

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Desmaterializar-se


(Som do vento)
sopro do mundo
os orvalhos caem levemente das folhas,
Caem lentamente das suas pálpebras
(Som de pingo d’agua)
pinga nas terras firmes
onde semeei.

Se enraíza
se alimenta dos teus próprios adubos
mas cresce,
cria galhos
e folhas
e flores
e frutos.
E se desmaterializa.

Te sinto, mas não te palpo,
não cabes em minhas mãos.

És a fresca que surpreende e refresca no meio do dia.

o pássaro que me visita nas manhãs
Me canta, me encanta
te alimentas
e voa. 

Me apaixono todos os dias, quando tu se vai.

Jamile Cazumbá

sexta-feira, 24 de março de 2017

Lançamento de Nepal Legal e Índia Derradeira


É na próxima segunda-feira o lançamento dos livros Nepal Legal e Índia Derradeira, de Lucas Viriato, editor do Plástico Bolha. Venham conferir essa aventura pelo Oriente em 2 livros de 108 fragmentos poéticos cada!

Dia: 27/03/2017
Horário: 17:00 a 01:00
Endereço: Ettore Cucina Italiana — Avenida Armando Lombardi, 800, Lojas C/D/E — Condado dos Cascais, Barra da Tijuca — Rj


segunda-feira, 20 de março de 2017

domingo, 12 de março de 2017

desejo


eu mato o desejo
ou ele me mata?
me maltrata
me arrebata
me desgraça
me arregaça
e embaraça
meu cabelo e o meu ser

eu sinto o desejo
ou ele me sente?
que de frente
de repente
vem, me rende
me apreende
e a cabeça
se arrepende
ao notar o que pensou

mas se foge
já me fode
porque volta
com mais força
e me força
me destroça
e me deixa abandonada

largada
envergonhada
mas talvez não saciada
e talvez
sem solidez
perco minha lucidez

e corro
e morro
e vivo
e revivo
e volto
e me revolto
pelo desejo no meu ser

mas se afasto
e te afasto
junto a isso te puxo
e sussurro
e me assusto
com o que fui capaz

e me perco
e me acho
junto a um emaranhado
de prazer
e embaraço
com as roupas
no chão

e os dedos
me penetram
como o pensamento
e são você lá dentro
e me fazem gemer
e eu grito de prazer

e depois que tudo acaba
e me resta pura culpa
no desejo que sepulta
a minha moralidade
sobra apenas a verdade:

me culpar por te desejar
não me faz desejar menos

Yasmin Barros

sexta-feira, 10 de março de 2017

intelectuaisativistashipócritas ?


Bem alimentados, esperamos
que cedam
que cheguem
que relevem
que nos vejam
e lutem
por eles, por nós.
E "bem alimentados" continuamos.

Camila Araújo

segunda-feira, 6 de março de 2017

Poesia Agora na Caixa Cultural de Salvador


O Plástico Bolha, com grande alegria, apresenta aos seus leitores a exposição Poesia Agora, que se prepara para a sua segunda exibição em menos de dois anos. É para nós razão de muito orgulho ver os resultados alcançados pelos nossos 11 anos de pesquisa poética apresentado em tão grande estilo para o público. Quem assina o projeto tipográfico é o cenógrafo André Cortez.

Poesia Agora, juntando mais de 300 poetas da atualidade em uma exposição interativa onde a democratização da poesia e da escrita estão em primeiro plano.

Agora, depois do triste incêndio no Museu da Língua Portuguesa, e nos tempos difíceis que vivemos, é com muita felicidade que a Bahia nos deu o chamado e a oportunidade para voltar com a exposição em grande estilo na Caixa Cultural de Salvador.

A abertura será no dia 14, terça-feira, às 19h, com um sarau juntando diversos poetas da cena local e alguns que vão especialmente para a ocasião. A exposição ficará aberta ao público até 28 de maio.

Convidamos a todos para estar presente nesse momento tão importante para a tribo dos poetas!


Textura: pequena feira de impressão e literatura


Alô, internautas mineiros! A feira Textura: pequena feira de impressões e literatura apresenta sua proposta para promoção da literatura e das artes impressas em papel e em outros suportes. O evento, pensado pela Impressões de Minas Editora e pelo Agosto Butiquim, mescla publicações independentes a outros objetos que tragam atrelados a si a literatura em seus diferentes suportes. O objetivo é abrir espaço para que editores, artistas e designers locais mostrem seu trabalho, contribuindo para a aproximação das linguagens literárias e das editoras independentes à gastronomia, às artes plásticas e a outros modos de colocar o texto em prática.


domingo, 5 de março de 2017

Poema 22 de Rodrigo Brito


Desliguei todas as vozes
apaguei todas as luzes
A escuridão é a outra parte de mim

O silêncio
fumará as dores


Rodrigo Brito

quinta-feira, 2 de março de 2017

Oficina de Poesia no Parque Laje por Domingos Guimaraens e Pedro Rocha


Oficina de poesia no Parque Lage ministrada por Domingos Guimaraens e o poeta Pedro Rocha.
Informações na filipeta eletrônica abaixo e no link http://eavparquelage.rj.gov.br/poema-potencia/

Há vários tipos de bolsa, desde as destinadas a estudantes de letras às destinadas a alunos da PUC-Rio, escolas e universidades públicas. Confira o regulamento de bolsas neste outro endereço: http://eavparquelage.rj.gov.br/inscricoes/bolsas/ 

 As inscrições estão abertas.