segunda-feira, 26 de setembro de 2016

A Maga Marilia no Bioescritas


Nossa Rainha, a Maga Marilia Rothier, estará depois de amanhã, dia 28 de setembro, apresentando seu “De musas, monstros e fantasmas” no II Seminário Internacional dos Grupos de Pesquisa Bioescritas Biopoéticas, evento que ocupa a UNIRIO de 27 a 29 de setembro.

Não percam!


sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Poemas de mudança


Parte II:
foi quando desfiando o frango pra rechear o pastel
eu lembrei de um poema que você ia adorar
e fui buscar o livro e li pra você
porque estava mesmo com vontade de ler um poema bem bom pra você
daqueles que você diz caralho quando termino de ler
e você disse e perguntou quem escreveu
respondi e lembrei de umas vezes em que fiquei te olhando enquanto você dormia no meu colo
e esse foi um dos capítulos mais bonitos daquele nosso sábado de primavera
em que você quase me deixou sozinho naquele quarto
com minha arrogância minha solidão e mais um monte de lembranças rasgadas pelo chão
até que eu te contei aquilo que nunca havia contado pra ninguém
e falei de um jeito que não falo com ninguém
e você chorou e me beijou e me pediu pra te levar até a porta
e eu te levei e você ficou
e o caos daquele mudança continuou existindo a nossa volta
e a dor daqueles metros quadrados continuou doendo
centimeto por centimetro
e por mais algums vezes nós ainda choramos
por você quase ter ido embora
por eu quase ter deixado você ir embora
e principalmente por eu ter feito você querer ir embora
seria nossaa última lembrança naquele quarto
de tantas risadas e descobertas
mas você não foi e fizemos brigadeiro
mesmo com pouca manteiga e com a casa desmoronando
e eu pude através dos seus olhos enormes
que você estava realmente disposta a mudar comigo através dos tempos.

Geovani Martins

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Poemas de mudança


Parte I:

A mudança sempre espalha tudo e todos
 nós sabemos como machuca
ver nossas coisas espalhadas por além dos limites não estabelecidos
penduradas nos fios imaginarios das zonas desconhecidas
dói
como toda transformação deve doer
entretanto gosto muito de pensar que estaria morto
caso sentisse menos esperança do que qualquer tipo de sentimento
no que diz respeito à mudança.
Minhas histórias encontrando outras histórias
e novamente aquele riso de quem descobre o mundo de novo
na companhia de um semi desconhecido
ou velho amigo muito desconhecido
naquele momento
vamos ouvir canções
jogar baralho
dividir a mesma máquina de lavar
comer o arroz sem sal feito às gargalhadas
com alho e tempero pronto de alguma erva verde e fina
daí mostro um poema
ouço histórias da escola dos amores das avós
e é tudo mágico por ser novo e fresco
e um dia qualquer por algum motivo
vou chorar na frente destes já velhos novos companheiros
e depois contar uma piada
fazendo trocadilhos com palavras que acostumamos a usar
naquela semana
naquele mês
e aí que volto a desconhecer a mudança
afinal a vida sempre foi assim
rir
chorar
esquecer o sal do arroz
falar de literatura
deixar a louça acumular na pia
que pode entupir ou não
com o passar dos almoços e jantares
fumar cigarros na janela
e sobretudo existir
sentindo sem sentir
o movimento que faz a terra girar
- mudando mudando mudando -
a cada pedaço de segundo não registrado oficialmente
pelos relógios biológicos de nossos corpos-alma.

Geovani Martins

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Palavra Impressa na EAV


Está rolando um imperdível curso de comunicação em palavra impressa no Parque Lage. Ministrado por Domingos Guimaraens, Júlio Castro e Pedro Rocha, o curso tem tudo para ser um sucesso! Não perca essa oportunidade.


terça-feira, 20 de setembro de 2016

BOSQUE_puc cena experimental - O estranho mundo de Jack


Na próxima quinta-feira, dia 22 de setembro, primeiro dia do evento BOSQUE_puc cena experimental na PUC-Rio, o nosso querido Lucas Viriato fará a leitura do clássico de Tim Burton O estranho mundo de Jack, e de sua tradução originalíssima, lançada no começo deste ano pela Editora Cobogó. Ao fim da leitura, fará um bate-papo com o público sobre a tradução e sobre a sua experiência com esta obra.
O evento vai rolar no Decanato CTC, na PUC-Rio, às 16h. Não perca! 


segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Tentativas


Fiz uma ou duas escolhas erradas,
visando cem ou mil possibilidades de acerto.

Usei mais palavras que devia,
tentando rimar,
e não cheguei nem perto.
Digo, me aproximei um pouco.
Afirmar assim fica mais correto.

Se o erro é o caminho à perfeição,
logo mais estarei certo.

João Victor M. R.

BOSQUE_puc cena experimental


Fazendo eco a toda a movimentação literária e artística que tem permeado o nosso mês de setembro, tem início esta semana a 4ª edição do queridíssimo BOSQUE_puc cena experimental, evento dos alunos de Artes Cênicas da PUC-Rio, que cresce e ganha mais peso a cada edição. 
O evento se dará entre os dias 22 e 30 de setembro, com a presença das mais diversas modalidades artísticas enfeitando e promovendo a integração do ambiente acadêmico, além da oportunidade de prestigiar nossos colegas. 

Acompanhe a programação na página oficial do evento: https://www.facebook.com/mostrabosque/?fref=ts


quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Textos de Floriano Romano


I

Esse homem que não acerta, "que não tem que" fazer nada,  escreve revive e repete os dados do seu inconsciente em um caderno de notas, sobrepondo nomes de pessoas, nomes de ruas, em pequenos espaços compartimentados (ele sempre escreve em cima de uma comoda de gavetas), esse louco lento produz teias de corda e monta quebra cabeças, assim como monta suas memorias; ele tece sua teia, sem saber se é real ou sonho o que vive, magnifico exemplo humano que não consegue ser desfigurado pelo tecnicismo heroico e superlativo. essa vida tosca, de andar a esmo em si, vivendo na revivência, só esse louco conhece; só ele relembra de que já passou por aquelas gavetas, buscando a saída, o estar aí dos loucos quando vem ao mundo, e que de tanto investimento já toma toda a sua vida, não sobra mais nada , na casa, no quarto, tudo é lembrança em movimento, calma nervosa, agitação. O coração distraído pelo delírio não bate, apreensivo, em resposta ao esquecimento. Mas o que ele esquecera? acelerado, foi do quarto ao refeitório para pensar algo, pensou que esquecera, mas iria mesmo assim, não conseguia lembrar do que esquecera antes no quarto, precisava pensar de novo, voltar pro quarto, pensar tudo outra vez até achar algo que não sabia ainda. Foi ao refeitório, a memória estava nele, precisava comer para ficar livre e voltar para o quarto. a hora de comer era boa, ele sempre achava algo. assim andando lembrou de um nome que não se vinculara a nada, mas anotou sobre outro na parte de baixo de uma folha do caderno de notas. depois daquilo ele trançaria e desmontaria a rede, faria de novo e poria outro nome.

II

Desconfiado de si mesmo, ele não se perdoava. Acreditava ser o último de uma linha, mas ela era tão antiga que não se recordava a que tradição se ligara. Decerto o tempo passara e agora se encontrava ali, sem saída, mas também ser saber o que seria uma saída para alguém como ele.
Caminhava passeando pela areia da ampulheta, enquanto esperava a recordação que perdera, ansioso para saber o que deveria acontecer em seguida, sono contínuo, sua própria assombração no tempo congelado. De repente percebera, ele não estava ali realmente, daí aquela palidez em todos, (ele), estava no sonho de outro, em um lugar entre os tempos. Precisava sair dali, ali não havia a massa do sonho, palpável como ele sabia, ir buscar seu próprio sonho, sair daquela mesma cena que sempre se repetia. Mas imóvel (sempre que concluía algo se sentia imóvel) ficou pasmo a esperar uma solução, que não viria.  A areia, ela sim era a saída, seguir a areia e seu deslocamento era estar do lado da física, ao menos era com certeza a única coisa que se movia por ali.
A poeira do movimento da ampulheta intoxicou o andante que fatigado parou de caminhar, deitou e dormiu. Acordou longe dali, em um lugar sem areia, sem nada. Impressionado com a vaziez do novo sonho em que caíra, levantou-se e pôs-se a andar para ver se reconhecia alguma paisagem que não fosse a escuridão. aturdido, pensante, atirou-se ao vazio e para sua surpresa não caiu em parte alguma. É que cair em um sonho é como subir, ambos são movimentos de voo, e prometem um espaço contínuo sem funduras ou completamente fundo para todos os lados, um falteixo onde é impossível virar-se para baixo, um espaço desejante e úmido, como o sorriso que se formara em seu rosto.

III

Por vezes sentia-se como se fosse revirar-se. isso mesmo, revirar-se é ser do outro lado. Abrir-se, puxar a parte de dentro, como se desvira uma camisa, e pôr em cima o que estava encoberto, o outro lado. Ser assim, ficar desse jeito, seria mais fácil do que ter de se entregar todo o tempo. Como não se continha na sua intuitiva forma de se revelar completamente era melhor tomar uma atitude que o desgastasse menos. Sabia que revirado seria um, digamos assim, estranho com suas veias e músculos aparentes, (ossos ficariam no lugar) que as pessoas a princípio não saberiam como lidar com aquilo, mas achava também que havia um certo charme em ser o primeiro a tomar essa atitude. Sabia do seu temperamento e que as vezes exagerava, mas dessa vez não, estava convicto, era assim que viveria. Isso talvez mudasse a forma de lidarem com ele: tão completamente exposto, não haveria nada mais a explorar, não seria mais espoliado nem iludido, não haveriam negociações. Se ficassem chocados, não importava: melhor virado com o coração à mostra do que esconder os sentimentos profundos que possuía. a sua certeza faria daquele ato uma normalidade, isso é o que queria, viver sem dissimulação, mais do que nunca ser ele mesmo e, salvo um ou outro problema, mostrar o homem lindo que sentia ser por dentro e deixar de andar a esmo como fazia há séculos.

IV

A noite, ouvia aqueles sons e pensava: o que seria aquilo? não sabia mais como proceder com o dom da audição que recebera. De que servia ouvir aquilo tudo, se não podia separar e classificar cada um dos sons que existiam? o que ele ouvia era um contínuo caos de multiplicidades, não era algo linear, em sucessão. Para ele o mundo deveria ter outra sonoridade, onde as coisas se sucedessem lentamente e não viessem ao mesmo tempo, para que pudéssemos fazer uma escuta precisa de tudo. É claro que não importa o tempo para que cada um de nós, cada um dos bilhões de humanos, tivesse de gastar, isso não importa, mas sim o que viria depois disso, a capacidade de todos se entenderem, assim diria ele, a língua universal é o entendimento que surgiria do esforço de uma escuta total, interessada. Mas aquele zumbido múltiplo de todos os lados, onipresente e ubíquo não deixava que isso acontecesse, e ainda mais: aquela barulheira toda impedia que ele se concentrasse, daquela maneira nunca chegariam lá! deveriam suspender esse som ruidoso universal. Fazê-lo parar! até o som do big bang ainda estava lá vagando, não, isso não era necessário, mas sim, se todos concordassem em se ouvir, o entendimento que viria nos permitiria a arte do silêncio.

V

O mar selvagem o encantava. Suas vagas eram como lembranças se espatifando contra o fundo da sua mente. Sua força gigantesca o impressionava e ele se sentia renascer a cada vez que assistia uma tempestade. O perigo da morte, que gelava o sangue do mais bravio dos marinheiros para ele era um tônico estimulante. Esse era o momento em que mais (intensamente) vivia, quando se percebia abandonado pela sorte, vagando em um navio à beira da destruição. Os motivos para essa predileção pelo horror dos mares era simples. Fora criado em um ambiente de extrema delicadeza e cedo desenvolveu o desejo mórbido de uma vida perigosa. Sempre se viu enfrentando a morte, como forma de libertar-se das amarras que o tornaram covarde. Por isso se engajara naquela tripulação e embora não fosse absolutamente necessário, sempre o deixavam vir à proa assistir as tormentas que se sucediam naquele lugar infernal. Não tornara-se por isso mais valente, ainda congelava de medo, mas a sensação de renascer era mais forte, e agora que estava há tanto tempo no mar, aquilo o alimentava de esperança. Nunca pensou em chegar até o gelo, e nunca estivera tão seguro desde o dia em que se engajara no barco. Esperava pela sensação derradeira, pela hora em que se ajoelharia de pavor, certo do seu final. Qual seria a onda que devoraria a todos? o Kraken que daria fim a sua jornada? Esperava ansioso por esse encontro, sem o menor desejo de voltar. Pensava longamente sobre as profundezas e sentia o seu peito agitar-se como o mar, desejava-o mesmo tanto que não imaginava outra forma de viver que não aquela. A imagem do mar refletia profundamente na sua alma, e digamos assim, ele se sentia grato por isso.

VI
Andava e pensava, andava e pensava, precisava envelhecer, esse era o problema, o tempo não passava para ela, e portanto nunca sentira o medo de morrer como os outros. Não que reclamasse, no começo até gostava da sensação de eternidade. Era bastante bela e sabia disso, mas logo foi se cansando, por não ter com quem dividir o seu segredo. Afinal que importância havia em ver a todos cansados pela velhice e ela inteira e viçosa, com um vigor supreendente? Teria de começar a vida de novo, para sempre buscando uma geração que a acompanhasse, até que estes também se fossem, e então recomeçar. Os amores que tivera, deixara-os para trás, a desigualdade da convivência não permitia, também seus amigos mais fiéis, esses eram os mais difíceis de deixar, terminaram por perder a confiança nela até que por fim decidiu se afastar de todos, não para sempre, mas porque precisava dedicar um pouco do seu tempo a encontrar novos amigos que a amparassem com sua ingenuidade, que compreendessem seus anseios, que dessem a ela de novo a sensação de inexperiência, a coragem que só os jovens possuem. Sair pela estrada, perder-se no mundo, ela fingia tão bem que não conhecia essa sensação que parecia mesmo cheia de dúvidas, apenas uma hora do dia ela se traía, quando o sol se punha e  seus olhos demonstravam sua melancolia.

VII


Correndo, correndo e voltando, indo e voltando, era assim que sonhava. Sempre e sempre o mesmo. A bola vinha, fiel aos seus pés e ele arrancava com ela até o limite da grande área, via a expressão de pavor, se lembrava do pavor do zagueiro na hora em que passava, isso já conhecia, quando arrancava já estava a esperar pelo desmoronar da zaga, o goleiro, este era o último, via a sombra do goleiro, ele já sabia, bastava tocar a bola do outro lado, bola em um canto o goleiro no outro,  mas isso sempre passava, sempre acordava antes, nunca conseguia encerrar, nunca tocava nela, era tão dócil e agora lhe fugia, seu pé esquerdo chegava cada vez mais perto, estava a menos de milímetro e então acordava. Lembrava da última imagem do seu sonho, todos no chão, a defesa vencida, o seu pé a buscar a bola, ele era o jogador, daria o toque final, ele era o canhoto, imprevisível, surpreendente, impulsivo, ia fazer o gol, sentia a velocidade do seu corpo driblando outro corpo, o suor na camisa, era o jogador, e então acordava como se dormisse, sem saber o porque, nem se era o real, apenas sabia que estava preso em um eterno despertar daquele sonho.

Floriano Romano

terça-feira, 13 de setembro de 2016

4 por cabeça: festival de compositores (2ª edição)




O 4 por cabeça: festival de compositores chega à sua 2ª edição, dia 22 de setembro, às 20 hrs, no Teatro Sergio Porto.

O esquema é o mesmo: 6 artistas, sem banda, 4 músicas por cabeça. A intenção permanece: apresentar música boa; misturar galeras; estabelecer referências em comum; abrir caminhos; instigar diálogos (cada dia mais necessários).

Nesta edição se apresentam: Bel Baroni (Xanaxou), Zé Ibarra (Dônica), Raquel Dimantas (Nitú), Marcelo Callado (banda Cê, Meu trabalho Hans-Solo vol.2), Gabi Mariquito e Rudah Guedes (Os Dentes).

O valor do ingresso será de 15R$, e a bilheteria, dividida igualmente entre os envolvidos, músicos e equipe (o que dá por volta de 1R$ por ingresso pra cada). No dia, ainda estará a venda o poster da edição, pra quem curtiu e quiser levar pra casa.


Quem assina a arte é o Daniel Rocha; as filmagens, Bruna Moraes, Lucas Cunha e Pedro Duarte Waddington; Yulli Nakamura na fotografia; Gabriel Lessa na contenção; e eu, Santiago Perlingeiro, assumo a (ir)responsabilidade pelo acontecimento, tendo por braço direito (e esquerdo!) o camarada Gus Levy.

É isso, até mais ver!

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Do desejo feminino


"Um dia um sujeito disse:
"Cidadão é aquele que fala e
mulher não pode ter opinião!
Conhecimento não é necessidade,
é desejo." "
Não podes opinar!
Não podes conhecer...
Não saberás desejar plenamente!
Cortar-te-ei teu mais forte desejo!
Desejas, acaso, conhecer corpos celestes?
Pensas conhecer para tocar as estrelas?
Toques apenas teu corpo e te limites a isto!
Um dia tu envelhecerás e, com teu corpo,
um desejo inexistente!
Nada verás, mutilarei teus olhos!
Nada verás que eu já não tenha visto!
Não ouses opinar!
Não ouses conhecer nada fora de teu corpo!
Mutilarei teu corpo, teu prazer, tua mente!
Mutilarei teus pés com meus próprios dentes.
Que teus pés delicados
desconheçam teu chão!
Porque em nada opinas,
nem tens instrução!
Mas, que teimosa és tu!
Já te pisei os sonhos
estendidos em meu tapete!
Tapas levaste da vida.
Vida que já perdeste!
O que ainda queres, mulher?
Que ousas, ainda dizer?
Tens direito a um último desejo
antes de morrer!
Quero tocar as estrelas, o firmamento!
Quero as chuvas, as cinzas e o vento.
Quero o chão, quero cimento!
Quero conhecer.
Conhecimento!
Quero o desejo que não morre com o tempo.
Conhecer aquilo que não só o meu corpo.
Porque sou mulher (e não um lamento).
Porque sou mais que ventre e mais que rebento!
Porque sou eu mesma o meu próprio fomento!
Conhecimento é desejo!
Não me roubes meu momento!
Não quero tocar só o meu corpo!
Quero o meu pensamento!
Os meus olhos e a minha mente.
O desejo que é permanente!
(o meu desejo mais ardente)
E para eu cantar meu canto,
não preciso criar evento.
Não preciso colocar manto.
Não preciso estar ao relento.
Quero adubar meu solo,
com meu próprio excremento.
Ser minha arte a palavra escrita.
E sem ressentimento.
Cantar porque desejo.
Não quero falecimento.
E, agora, dê-me licença,
que estás no meu assento.
Quero só ser!
Ser só.
Eu.
O meu instrumento.

Raquel Scarpelli

Kalu Coelho e Paloma Roriz na Casa Benet Domingo


Convidamos a todos para a apresentação de Paloma Roriz — poeta, música, companheira e autora do Plástico Bolha —, ao lado da compositora e violonista Kalu Coelho. Será na Casa Benet Domingo, Urca, Rio de Janeiro, dia 17 de setembro de 2016. Com músicas autorais, o show ainda contará com participações especiais de Gretel Paganini, Aline Gonçalves e Ilessi.

Mais informações no Flyer abaixo.


sábado, 10 de setembro de 2016

VIII Prêmio Paulo Britto de Prosa e Poesia



O VIII Prêmio Paulo Britto de Prosa de Poesia está com inscrições abertas até o dia 26 de setembro.

O concurso visa estimular a escrita literária dos alunos e, além disso, presta homenagem a um dos professores mais reconhecidos do Departamento: Paulo Henriques Britto.

Não perca tempo!
Para saber mais informações, acesse o blog do PET:


sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Dois poemas de Gabriel Dias


(I)
Você chega
e eu escondo tudo
que no fundo
quero que ache
meu caderninho
enquanto só vou
ao banheiro.

____________________

(II)
fica à vontade
só vou ao banheiro
(tomara que fique
à vontade e mexa
nas coisas da
nossa futura
casa)

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Lançamento do livro Não, poemas de Bruna Mitrano


A Editora Patuá convida a todos para o lançamento do livro Não, poemas de Bruna Mitrano.

O evento será realizado no dia 14 de setembro (quarta-feira) a partir das 19h no Glicerina - Rua General Glicério, 445, loja C - Laranjeiras-RJ.

A entrada para o evento é gratuita e o exemplar estará à venda por R$ 38,00 (pagamento em dinheiro).


Amigos e leitores de qualquer cidade do país que realizarem a compra antes do lançamento receberão o exemplar autografado após o evento. Imperdível!

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Poesia Agora


Fiquei de fora Temer
quando almoçamos fora Temer
e levei um fora Temer
em Juiz de Fora Temer

Sigo mundo afora Temer
E do lado de fora Temer
ou de dentro pra fora Temer

serei um fora Temer da lei

Carolina Ferreira Bucek

Mary Days


Mais da metade
das mulheres que
moram nesta
metrópole maldita
mencionam
magistralmente
Mary Days.

Mágicos magos
madres mães
e madrastas
procuram ser
minimamente
Mary Days.

Os mafiosos
não matam mais.
Os militares mentem
o mandato e procuram
nas muvucas as mãos de
Mary Days.

Do alto das marquises
não cairiam os pré mortos
se os mesmos tivessem
conhecido a alegria de
Mary Days.

O próprio Maquiavel seria
menos maquiavélico
se tivesse conhecido
os pensamentos de
Mary Days.

maiô é mainstream
mas não nos moldes
do corpo de
Mary Days.
até as marcas da moda
venderiam mais se
colocassem na mídia
o rosto de Mary Days.



A Metamorfose é realmente
um bom livro
mas não tanto quanto
os meticulosos contos de
Mary Days.

O próprio mundo
seria mais mundo
se ao invés de mundo
se chamasse

— Mary Days.

Felipe Andrade

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Palíndromo


O demo, ah, é Temer, ele remete ao medo. 

Yassu Noguchi

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Benfeitoria - Essa rua

Essa Rua é um Ponto de Leitura na Rua Pedro Américo. Faz, desde 2009, ações de livro e leitura. Para isso disponibilizam uma biblioteca pública com mais de 2 mil títulos de diversos assuntos e autores, para crianças e adultos. Para empréstimos, consulta e pesquisa.

Além disso, oferecem oficinas de literatura: poesia e narrativas, agentes de leitura e contadores de histórias; oficinas de desenho, línguas e linguagens.

Provocam encontros, debates, rodas de leitura, e têm um cineclube, o Flor no Asfalto, que acontece mensalmente. Têm também um sebo e um brechó. E periodicamente fazem um sarau de roda com muita poesia.

Por isso, deixamos, desde já, um convite para visita à nossa Casinha PAz [Pedro Américo Zen] – como carinhosamente chamam a casa de 130 anos que ocupam no número 329 dessa rua.
 Mas, além do convite, estamos aqui para apresentar um novo projeto:

 Um projeto criado especialmente para a Rua Pedro Américo, com o objetivo de resgatar e registrar a nossa rua, suas histórias, sua arquitetura, seus moradores, sua história. E, principalmente, nosso desejo...

“E Se Essa Rua Fosse Minha?”

“se essa rua, se essa rua fosse minha...
eu mandava, eu mandava ladrilhar,
com pedrinhas, com pedrinhas de brilhantes,
para o meu, para o meu amor passar...”

A parlenda da infância nos inspira...  e se fosse...?

 É.

 O projeto “E Se Essa Rua Fosse Minha?” inclui oficina de fotografia e atividades de pesquisa, com encontros e bate-papo com os moradores. Reunido todo material, isso será apresentado para a comunidade em uma exposição fotográfica onde a rua Pedro Américo, no Catete, é o tema. Os arquivos das imagens ficarão disponíveis para visita a qualquer interessado através de publicação digital na internet e também no acervo físico na biblioteca do Ponto de Leitura Conto a Conto. O projeto tem como público-alvo os jovens e moradores da região.

 OFICINA – PESQUISA – FOTOGRAFIA – EXPOSIÇÃO – PUBLICAÇÃO – HISTÓRIA

O que você achou do projeto?

 A  idéia é boa?

Que tal apoiar está iniciativa?

Como?

Estamos participando dessa campanha junto com a Benfeitoria.

A Benfeitoria é um serviço de financiamento colaborativo.

O financiamento colaborativo é uma das formas mais eficientes de fazer acontecer projetos sociais e culturais, nos dias atuais. O valor de participação é livre e para alguns investimentos há, em sinal de gratidão e contrapartida, prendas como: colocar o seu nome ou a marca da sua empresa em todos os itens de divulgação e nas publicações do projeto até receber postais fotográficos exclusivos da exposição cujo tema será a rua Pedro Américo.

Acesse essa idéia:
benfeitoria.com/essarua

No endereço acima há fotos e um filme sobre o projeto e todos os detalhes e formas de participar dele conosco.


Ou você pode entrar em conato através do e-mail: contoaconto@gmail.com ou pelo telefone 998201043 [lucia]

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Just watch the show


The machine is connected to lie
How can speak without spying?
Lied as instinct, before thinking
Sweet look became evil eye.

Many masks. And she faceless
Many smiles. And she graceless
A sand castle or house of cards
Fleeting beauty, mind retarded.

Chained into words fragile
Caged birds, before agile
To tell the truth unbearable:
— Time passed. Is irreparable!

A draft of living dead

Just watch the show.

Deivison Souza Cruz

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Elvira


Elvira, moça tosca, moribunda mosca, lacraia furibunda.

Macia.

Mocreia olhuda e peituda.
Brinca de boneca na boleia entre as pernas dos
caminhoneiros putanheiros.

Bêbada do bafo da boca de cobre e chumbo que fere com
bigodes espetados.
Finos feixes de fracas carnes e nervos gastos são perninhas
afiladas e laxos braços.

Pestanuda,
que assídua lágrima hesita lá e treme
antes de tombar no regaço.

João Luiz Azevedo

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Seminário Nacional Guimarães Rosa - PUC Minas


Inscrições abertas para o Seminário Nacional Guimarães Rosa, na PUC Minas, nos dias 10, 11 e 12 de novembro. Participe!

Saiba mais através do blog do seminário: 



segunda-feira, 25 de julho de 2016

Canto fúnebre e escalafobético


Quando atirastes em teu próprio crânio
e teus miolos se espalharam pelo chão,
pude ver os personagens dos teus escritos
levantarem-se lépidos e ganharem vida,
limpando, com displicentes piparotes,
restos de substância cinza e branca,
acopladas às tuas lindas roupas
e provenientes do teu cérebro esfacelado.

Quando atirastes em teu próprio crânio
e teus miolos se espalharam pelo chão,
pude ver os fatos e feitos dos teus estudos
(dos teus longos e exaustivos estudos)
alinharem-se bem perto do furo da bala
para, finalmente, poderem ser apreciados
e devidamente aquilatados
por toda a Humanidade.

Quando atirastes em teu próprio crânio
e teus miolos se espalharam pelo chão,
por via do rombo que te fez a bala de calibre grosso,
o sangue que jorrou da carne castigada
acabou por afogar teus clamores e tuas dores,
que permaneciam obscuros,
bem no fundo da ferida escarlate do teu cérebro.

Quando atirastes em teu próprio crânio
e teus miolos se espalharam pelo chão,
teus planos e teus sonhos afloraram à grande brecha
que a bala cavou no lado da tua cabeça
no afã de saírem todos de uma vez,
em louca revoada,
fugindo do catre em que estiveram confinados
durante toda a tua longa vida.

Quando atirastes em teu próprio crânio
e teus miolos se espalharam pelo chão,
a luz se apagou para sempre em teu olhar,
teus lábios se abriram num sorriso irônico,
e assim permaneceram engessados.

João Luiz Azevedo

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Em memória de Elaine Freitas


O Plástico Bolha acaba de ser informado sobre o falecimento da querida poeta Elaine Freitas. Professora, militante cultural, escritora e amiga do PB de longa data, foi participante assídua do Sarau Labirinto Poético de Lucas Viriato. Sua ausência será sentida assim como o foram seus poemas e sua importante voz.


Dentro da noite

Eu tenho todas as cores do entardecer
em pinceladas de céu
para inventar horizonte.

Olho a tela, crio o onde
de riso e mel,
arruda e dendê.

Eu sei o caminho porque vou com você
levando o tonel
com coragem da fonte.

Elaine Freitas


segunda-feira, 18 de julho de 2016

um corpo


O corpo quando morto
deixa de ser corpo
para ser corpo nulo.

Como um tiro
atirado no escuro.

No corpo haverá algo a mais
e no mais haverá um corpo a menos.

Um corpo quando morto
deixa de ser corpo
para ser lembrança.

e durará insípida
no tempo mínimo
de vida

das coisas.

Felipe Andrade