segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Poesia Agora


Fiquei de fora Temer
quando almoçamos fora Temer
e levei um fora Temer
em Juiz de Fora Temer

Sigo mundo afora Temer
E do lado de fora Temer
ou de dentro pra fora Temer

serei um fora Temer da lei

Carolina Ferreira Bucek

Mary Days


Mais da metade
das mulheres que
moram nesta
metrópole maldita
mencionam
magistralmente
Mary Days.

Mágicos magos
madres mães
e madrastas
procuram ser
minimamente
Mary Days.

Os mafiosos
não matam mais.
Os militares mentem
o mandato e procuram
nas muvucas as mãos de
Mary Days.

Do alto das marquises
não cairiam os pré mortos
se os mesmos tivessem
conhecido a alegria de
Mary Days.

O próprio Maquiavel seria
menos maquiavélico
se tivesse conhecido
os pensamentos de
Mary Days.

maiô é mainstream
mas não nos moldes
do corpo de
Mary Days.
até as marcas da moda
venderiam mais se
colocassem na mídia
o rosto de Mary Days.



A Metamorfose é realmente
um bom livro
mas não tanto quanto
os meticulosos contos de
Mary Days.

O próprio mundo
seria mais mundo
se ao invés de mundo
se chamasse

— Mary Days.

Felipe Andrade

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Palíndromo


O demo, ah, é Temer, ele remete ao medo. 

Yassu Noguchi

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Benfeitoria - Essa rua

Essa Rua é um Ponto de Leitura na Rua Pedro Américo. Faz, desde 2009, ações de livro e leitura. Para isso disponibilizam uma biblioteca pública com mais de 2 mil títulos de diversos assuntos e autores, para crianças e adultos. Para empréstimos, consulta e pesquisa.

Além disso, oferecem oficinas de literatura: poesia e narrativas, agentes de leitura e contadores de histórias; oficinas de desenho, línguas e linguagens.

Provocam encontros, debates, rodas de leitura, e têm um cineclube, o Flor no Asfalto, que acontece mensalmente. Têm também um sebo e um brechó. E periodicamente fazem um sarau de roda com muita poesia.

Por isso, deixamos, desde já, um convite para visita à nossa Casinha PAz [Pedro Américo Zen] – como carinhosamente chamam a casa de 130 anos que ocupam no número 329 dessa rua.
 Mas, além do convite, estamos aqui para apresentar um novo projeto:

 Um projeto criado especialmente para a Rua Pedro Américo, com o objetivo de resgatar e registrar a nossa rua, suas histórias, sua arquitetura, seus moradores, sua história. E, principalmente, nosso desejo...

“E Se Essa Rua Fosse Minha?”

“se essa rua, se essa rua fosse minha...
eu mandava, eu mandava ladrilhar,
com pedrinhas, com pedrinhas de brilhantes,
para o meu, para o meu amor passar...”

A parlenda da infância nos inspira...  e se fosse...?

 É.

 O projeto “E Se Essa Rua Fosse Minha?” inclui oficina de fotografia e atividades de pesquisa, com encontros e bate-papo com os moradores. Reunido todo material, isso será apresentado para a comunidade em uma exposição fotográfica onde a rua Pedro Américo, no Catete, é o tema. Os arquivos das imagens ficarão disponíveis para visita a qualquer interessado através de publicação digital na internet e também no acervo físico na biblioteca do Ponto de Leitura Conto a Conto. O projeto tem como público-alvo os jovens e moradores da região.

 OFICINA – PESQUISA – FOTOGRAFIA – EXPOSIÇÃO – PUBLICAÇÃO – HISTÓRIA

O que você achou do projeto?

 A  idéia é boa?

Que tal apoiar está iniciativa?

Como?

Estamos participando dessa campanha junto com a Benfeitoria.

A Benfeitoria é um serviço de financiamento colaborativo.

O financiamento colaborativo é uma das formas mais eficientes de fazer acontecer projetos sociais e culturais, nos dias atuais. O valor de participação é livre e para alguns investimentos há, em sinal de gratidão e contrapartida, prendas como: colocar o seu nome ou a marca da sua empresa em todos os itens de divulgação e nas publicações do projeto até receber postais fotográficos exclusivos da exposição cujo tema será a rua Pedro Américo.

Acesse essa idéia:
benfeitoria.com/essarua

No endereço acima há fotos e um filme sobre o projeto e todos os detalhes e formas de participar dele conosco.


Ou você pode entrar em conato através do e-mail: contoaconto@gmail.com ou pelo telefone 998201043 [lucia]

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Just watch the show


The machine is connected to lie
How can speak without spying?
Lied as instinct, before thinking
Sweet look became evil eye.

Many masks. And she faceless
Many smiles. And she graceless
A sand castle or house of cards
Fleeting beauty, mind retarded.

Chained into words fragile
Caged birds, before agile
To tell the truth unbearable:
— Time passed. Is irreparable!

A draft of living dead

Just watch the show.

Deivison Souza Cruz

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Elvira


Elvira, moça tosca, moribunda mosca, lacraia furibunda.

Macia.

Mocreia olhuda e peituda.
Brinca de boneca na boleia entre as pernas dos
caminhoneiros putanheiros.

Bêbada do bafo da boca de cobre e chumbo que fere com
bigodes espetados.
Finos feixes de fracas carnes e nervos gastos são perninhas
afiladas e laxos braços.

Pestanuda,
que assídua lágrima hesita lá e treme
antes de tombar no regaço.

João Luiz Azevedo

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Seminário Nacional Guimarães Rosa - PUC Minas


Inscrições abertas para o Seminário Nacional Guimarães Rosa, na PUC Minas, nos dias 10, 11 e 12 de novembro. Participe!

Saiba mais através do blog do seminário: 



segunda-feira, 25 de julho de 2016

Canto fúnebre e escalafobético


Quando atirastes em teu próprio crânio
e teus miolos se espalharam pelo chão,
pude ver os personagens dos teus escritos
levantarem-se lépidos e ganharem vida,
limpando, com displicentes piparotes,
restos de substância cinza e branca,
acopladas às tuas lindas roupas
e provenientes do teu cérebro esfacelado.

Quando atirastes em teu próprio crânio
e teus miolos se espalharam pelo chão,
pude ver os fatos e feitos dos teus estudos
(dos teus longos e exaustivos estudos)
alinharem-se bem perto do furo da bala
para, finalmente, poderem ser apreciados
e devidamente aquilatados
por toda a Humanidade.

Quando atirastes em teu próprio crânio
e teus miolos se espalharam pelo chão,
por via do rombo que te fez a bala de calibre grosso,
o sangue que jorrou da carne castigada
acabou por afogar teus clamores e tuas dores,
que permaneciam obscuros,
bem no fundo da ferida escarlate do teu cérebro.

Quando atirastes em teu próprio crânio
e teus miolos se espalharam pelo chão,
teus planos e teus sonhos afloraram à grande brecha
que a bala cavou no lado da tua cabeça
no afã de saírem todos de uma vez,
em louca revoada,
fugindo do catre em que estiveram confinados
durante toda a tua longa vida.

Quando atirastes em teu próprio crânio
e teus miolos se espalharam pelo chão,
a luz se apagou para sempre em teu olhar,
teus lábios se abriram num sorriso irônico,
e assim permaneceram engessados.

João Luiz Azevedo

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Em memória de Elaine Freitas


O Plástico Bolha acaba de ser informado sobre o falecimento da querida poeta Elaine Freitas. Professora, militante cultural, escritora e amiga do PB de longa data, foi participante assídua do Sarau Labirinto Poético de Lucas Viriato. Sua ausência será sentida assim como o foram seus poemas e sua importante voz.


Dentro da noite

Eu tenho todas as cores do entardecer
em pinceladas de céu
para inventar horizonte.

Olho a tela, crio o onde
de riso e mel,
arruda e dendê.

Eu sei o caminho porque vou com você
levando o tonel
com coragem da fonte.

Elaine Freitas


segunda-feira, 18 de julho de 2016

um corpo


O corpo quando morto
deixa de ser corpo
para ser corpo nulo.

Como um tiro
atirado no escuro.

No corpo haverá algo a mais
e no mais haverá um corpo a menos.

Um corpo quando morto
deixa de ser corpo
para ser lembrança.

e durará insípida
no tempo mínimo
de vida

das coisas.

Felipe Andrade

sexta-feira, 15 de julho de 2016

A Criatura, de Laura Bergallo




Uma aventura fascinante dentro do vídeo game: um gênio de 15 anos enfrenta sua criação num jogo sobre mitologia grega. Quem sairá vencedor?
 
Lançamento no dia 17/07, domingo, às 16h, na Livraria da Travessa Botafogo - RJ

Jogos virtuais já fazem parte da vida de jovens em todo o mundo e as tecnologias de criação de games ficam mais sofisticadas a cada dia. É o sonho de todo gamer imergir de corpo e alma dentro da história e vivenciar as aventuras do personagem que ele controla. Mas já imaginou se realmente pudéssemos nos transportar para dentro do jogo?

Em A criatura, da Escrita Fina Edições, a escritora Laura Bergallo traz uma história fantástica na qual nos apresenta o protagonista Eugênio Klaus, um adolescente de 15 anos, muito inteligente e muito arrogante, capaz de produzir jogos complexos que são sucessos de venda. E para testá-los, o rapaz cria um personagem virtual para ser seu adversário.

Esse é Loser, criado para disputar qualquer tipo de desafio com seu criador. Apesar do nome, ele não existe para perder, ele é programado para vencer em qualquer desafio, porém Eugênio sempre se sai melhor e se vangloria incessantemente disso.  Um dia, no entanto, Loser inexplicavelmente ganha vida e desafia Eugênio para uma disputa dentro do próprio computador.

O personagem virtual, cansado da tirania de Eugênio, lança a aposta: se seu criador o derrotasse, ele seria deletado para sempre, mas, se Loser vencesse, Eugênio teria que deixá--lo visitar o mundo real.

Com a ajuda de uma tecnologia inovadora, Eugênio viaja para o mundo virtual e fica frente a frente com sua criação. A partir daí, eles entram numa disputa para ver quem é o melhor num jogo que envolve a mitologia grega. Eles dão de cara com Zeus, Atena, Poseidon e enfrentam a temível Medusa, o feroz Cérbero e o poderoso Minotauro em seu labirinto.

Com a capa de estreia da promissora ilustradora Juliana Pegas e o design singular do Estúdio Versalete, A criatura leva o leitor a mergulhar nessa fascinante história e ainda o faz se posicionar a favor de um dos personagens antagônicos. E você? Por qual deles torcerá?



Trecho do livro
  
Assim que se viu sozinho, Eugênio tratou de encher até a boca o pote de água e a tigela de ração do Chip, pois desconfiava de que demoraria a voltar da aventura virtual em que ia se meter.

Depois foi correndo para o quarto, seguido de perto pelo cachorro. Estava ansioso para experimentar o Greeks. Ligou o computador e acionou o Loser, que logo apareceu na tela com aquele seu velho olhar gelado.

– Tudo pronto? Podemos começar?
– Está louco para se ferrar, não é? Olha que ainda tem tempo de desistir.
– Desistir de conhecer o mundo aí fora? Nem pensar. Eu quero muito essa chance.
– Bom, é você que tá escolhendo. Depois, não vale reclamar.
 
Com gestos lentos e coração acelerado, Eugênio enfiou num drive do computador o cd do cibertransporte e digitou a senha no teclado. Em outro drive introduziu o cd do Greeks e colocou o jogo para carregar. Em seguida, pôs o capacete e apanhou sobre a mesa o controle remoto.

– Está esperando o quê? – provocou Loser, notando a hesitação.
 
O garoto olhou para o personagem com desprezo e se ajeitou melhor na cadeira. Despediu-se de Chip, que o fitava com o olhar comprido, respirou fundo para tomar coragem e apontou o controle para a própria cabeça. Então apertou com firmeza o botão azul e a tecla trip.


A escritora

Amante da tecnologia, Laura Bergallo já publicou 23 livros em sua carreira (inclusive nos EUA e França) e já ganhou diversos prêmios, dentre eles um Jabuti em 2007 na categoria livro juvenil. Ela também é jornalista, publicitária e editora de publicações científicas.

Título: A criatura
 Escritora: Laura Bergallo
 Páginas: 128
 Dimensões: 14x21cm
 ISBN: 978-85-5909-002-4
 Preço: R$ 34,40
 Dimensões: 14x 21cm

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Serviço Lançamento:

Data: 17 de julho, domingo
Horário: a partir das 16h
Local: Livraria da Travessa Botafogo
End: Rua Voluntários da Pátria, 97 – Botafogo – Rio de Janeiro

Telefone: (21) 3195.0200

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Homo ex machina


O espaço acima da história,
a velocidade acima do tempo,
o ímpeto acima da memória.

Um corpo morto já não é gente.
Um corpo é agora
inenarravelmente apenas um corpo morto;
apenas um morto,
apenas um corpo,
apenas um pedaço de silêncio nos trilhos,
um negrume, um bloqueio
ao que está sempre livre
no ranger de dentes do tempo.

Um corpo morto esteve nos trilhos
sem nome ou expressão de fome.
Um corpo existiu nos trilhos trincados
até ser dilacerado
pela supremacia da máquina.
Um corpo esteve nos trilhos
até ser moído
pela supremacia do homem
sendo menos homem
e mais máquina.


Jenifer Saska

segunda-feira, 4 de julho de 2016

o centro do furacão


Gosto das rachaduras
na faixada dos prédios.

Das raízes da
árvore que destrói
a calçada.

Das pichações
atrás do banco do ônibus.

Gosto do adesivo
de prioridade que
descola da parede
opaca do metrô.

Da boca do lixo
e do bueiro entupido.

Do chiclete preso
ao mundo subversivo
embaixo da mesa de centro.

Gosto do centro oculto da Terra.
Gosto do centro oculto do outro.
Gosto do centro oculto do Centro
nos finais de semana.

Dos seus olhos
          das suas rugas
          dos seus pelos
cabelos desgrenhados
          dos seus gritos
          espirros
conversas aleatórias.

Até mesmo do cochicho daqueles
que hão de me empurrar
os ombros para trás
como uma onda de carne e ar
que me impede o futuro.

Escrevo sobre a cidade
porque não conheço o paraíso.

A parte mais calma do furacão

é o lado de dentro.

Felipe Andrade

segunda-feira, 27 de junho de 2016

A chuva amanhece em mim...


A chuva amanhece em mim
Em nós o dilúvio se perpetua pela eternidade:
Abracemos o pó
Sobre as coisas o pó do tempo
Sobre as casas o pó cimento
Sob a vida deixemos o rebento.
(Cada homem é uma ilha...)


Naufragados venceremos

Renan Leal

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Veias


Fomos golpeados
e apesar de esperarmos
doeu.

Sangramos
pelas veias abertas
do Brasil.



Yasmin Barros

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Origem


Sempre penso em deus
preso na vastidão
do negrume que há por trás dos céus;
penso em deus e faço notas
sobre o silêncio e a solidão.
Concluo mais ou menos
que deus é também um pedaço de breu,
de morbidez inefável.

Quando penso em deus,
breus e vastidões,
não consigo deixar de me perguntar
em que lugar do silêncio choviam estrelas
nas tuas primeiras horas.


Jenifer Saska

segunda-feira, 6 de junho de 2016

rotina


— A cama

Três corpos côncavos
deitados sobre a cama.
Ela Ele a Outra
a outra não está sobre a cama,
esta está dentro dele.

— A troca

Íris pupila o globo ocular
procurando um lar
no outro
o embate o encontro
a cara encarando
a retina convexa
do outro.

— Apocalipse

Três corpos mortos
deitados sobre a cama.
Três corpos mortos
vagando sabe-se lá onde.
Três corpos mortos
e mais nada.

Só o fim

e a falta dele.

Felipe Andrade

segunda-feira, 30 de maio de 2016

Surrealismo poético


Os relógios de Dalí
Diluiram na minha frente
Os ponteiros giram soltos
Veloz e precisamente

Vivo a sensação do tempo
Completamente afetado
No presente e no passado
Há um movimento parado

Preso na engrenagem solta
Sem estrutura na mente
No compasso, o passo rápido
Cada vez mais lentamente

Então vejo cães amarelos
Levando as torres do WTC
Macho e femêa, magrelos
Pessoas pagando para ver

Notebooks viram panquecas
Nas bordas da escrivaninha
Dois mouses na biblioteca
Concentrados, lendo Caminha

A fantasia surreal
Termina meio sem fim
E imagino ao natural

Livre dentro de mim

Deivison Souza Cruz

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Sem título


Em dia de sol
o que escorre
do corpo
é sombra.

Felipe Andrade

segunda-feira, 16 de maio de 2016

tá rindo de quê?


– para Chacal

o Rio de Janeiro continua lindo, e violento...
tem muito samba no pé, e dor de cotovelo...
a fantasia não mascara a realidade, de que a alegria virou alegoria...

no país do futebol, a corrupção é padrão FIFA...
a bunda é paixão nacional, e tá tudo mundo duro...
esse fogo no rabo, só pode dar merda...

tem tanta energia, mas falta luz...
já se foi a última gota d’água...
uma gelada não mata a sede, uma quentinha não alimenta a fome...

o pré-sal não tempera nem o churrasco…
a promessa de ontem ficou para amanhã...
se vendeu a preço de banana, só para pagar mico...

o milagre econômico só trouxe malogro…
a bolsa subiu, mas saiu do seu bolso...
de tanto dever, o Estado tá sem crédito...

o sistema de saúde tá doente...
as escolas apenas ensinam a ser mal-educado...
entre a ordem e o progresso, a nação perdeu a noção...

o palhaço foi eleito, e a festa acabou em pizza...
tirou tanta vantagem que levou à derrota…
o homem tá preso, enquanto o bicho tá solto...

a gente não se vê por aqui, muito menos se ouve...
domingão o cacete, planeta o caralho!!!
as redes sociais não tem saneamento básico...

o gigante acordou, e percebeu que era anão...
saiu do fundo do poço, e logo entrou pelo cano...
e aí... comeu, ou se fodeu???

acabou a farra, a gente tá ferrado...
pelo jeito, o jeitinho não deu...

o poema é piada! fala sério...

Gringo Carioca

segunda-feira, 9 de maio de 2016

Carta de Adeus


Me escreva uma carta de adeus
um bilhete de próprio punho
me deseje desejos genéricos
e me sopre um pouco de sorte
Nada além disso
Vire desmaterializado em história
lembranças que embaçam copos
Chegamos a ser mas não fomos
histórias a serem derramadas
pelas bocas dos outros
(desconhecidos)
Me escreva uma carta de amor passado
me negue os retratos e a divisão dos pratos
Chegamos a ser mais não fomos
Empurrão precipício abaixo
Coito interrompido
Vou adiante.
Te deixo uma poesia
um desejo de bom dia
e o iogurte que você gosta
que está na geladeira
Vou adiante.

Chegamos a ser mas não fomos.

Anaid Loup

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Secretaria de segurança pública


Tenho reunião
marcada
às 5 da manhã
nos confins do presídio federal de segurança máxima
da consciência.
Enquanto isso,
ela joga paciência,
com um baralho de cartas
marcadas.

Renan Leal

terça-feira, 26 de abril de 2016

Sem Censo


Basta!
Cantiga autocontida autorreferente por hora basta.
Os braços da terra sangram em sua reza ao astro tingido
Sangue do seio materno
O tambor sinaliza; Adrenalina
As armas estão postas e
Carne, unha, tinta.

Lama evita a rima obvia
O silencio constrange, Josué!
Chama o Chico e manda gritar:
“O metal pesado do Mangue invadiu o mundo! ”
Ainda segue o silencio de um Gutemberg deslinguado
Sem casco nem carapaça

Disfarça, liga o radio
Falso e hipotético futuro de sons.
O único que importa nos dias em que há sol
É o que morre em silencio
Hoje porem o mundo usa capuz

Olhos na criança
Com um bambolê no braço
Bambolê azul
Girando
Sem teto e sem deus ela vive
E já não tem credito na praça

Um mar de braços e círculos
Um ar rarefeito em que se respira facilmente
Sem colher de pau nas mãos
Somente os olhos abertos pro escuro

Tem remédio na prateleira e
Com uma simples receita
Pode-se dormir com os anjos
Uma existência coletiva numa chuva de pílulas.

Alex Maniezo

segunda-feira, 25 de abril de 2016

What's in a date?


“Romeu! Romeu! Por que há de ser Romeu?
Renega teu pai e recusa teu nome,
ou, se não quiseres, jura somente que me amas
e não serei mais uma Capuleto.
[...]
É só o seu nome que é meu inimigo.
Mas você é você, não é Montéquio.
Afinal, o que é um Montéquio? Não é pé, nem mão,
nem braço, nem rosto, nem parte alguma
pertencente a um homem. Toma outro nome!
O que há num nome? O que chamamos rosa
teria o mesmo cheiro com outro nome.
E assim, Romeu, chamado de outra coisa,
continuaria sempre a ser perfeito
com outro nome. Romeu, deixa esse nome.
E em troca dele, que não faz parte de ti,
toma-me a mim, que já sou toda sua.”
(Romeu e Julieta, ato II, cena ii – William Shakespeare. Edição: Ana Flávia Barbosa)

“Numa aldeia da Mancha, de cujo nome não quero me lembrar, não faz muito tempo vivia um fidalgo desses de lança no cabide, adarga antiga, pangaré magro e galgo corredor. (...) Nosso fidalgo beirava os cinquenta anos. Era de compleição rija, seco de carnes, rosto enxuto, grande madrugador e amigo da caça. Dizem que tinha por sobrenome Queixada, ou Queijada, que nisso há desacordo entre os autores que escreveram sobre o caso, embora por conjecturas verossímeis se entenda que se chamava Quixana. Mas isso pouco importa para nossa história: basta que em sua narração não se saia um ponto da verdade.”
(Dom Quixote de la Mancha, pág. 61 –Miguel de Cervantes. Tradução: Ernani Ssó)

O que há num nome? Se a rosa teria o mesmo perfume com outro nome, se Romeu poderia ainda ser perfeito sem se chamar Romeu, e se Dom Quixote pode ser Quixote, ainda que antes fosse Queixada, ou Queijada, ou Quixana, de que serve um nome?
            Shakespeare e Cervantes foram ambos alvos de teorias conspiratórias. As acusações sugeriam inexistência, falsidade ideológica, fraude, ou qualquer uma dessas coisas que o ser humano trata de inventar para duvidar de seu passado.
            O cúmulo disso que gosto de chamar de piração conspiratória veio quando alguém decidiu declarar que Shakespeare e Cervantes eram a mesma pessoa. Certamente um gênio sem igual, capaz de dominar o inglês, o espanhol, o latim e um bocado de francês com mestria suficiente para, sozinho, produzir pelo menos 58 peças, 156 sonetos, 2 poemas narrativos, 9 novelas, um número desconhecido de poemas, registrar mais de 2.000 palavras da língua inglesa, além de lutar uma batalha em Lepanto e ser, por mais de 450 anos, símbolo nacional de dois países ao mesmo tempo. Para uma teoria tão completamente alucinada, logicamente o argumento fundador deveria ser muitíssimo forte, não? Claro que era: ambos morreram no mesmo dia – 23 de abril de 1616.
O que os fundadores da piração conspiratória esqueceram de levar em conta é que, naquela época, o calendário vigente na Inglaterra não era o gregoriano, mas sim o juliano. A morte de William Shakespeare, portanto, hoje celebrada no dia 23 de abril – junto com seu aniversário – teria, na realidade, ocorrido no dia 03 de maio. A de Miguel de Cervantes, por sua vez, parece ter acontecido no dia 22 de abril, e só foi registrada no dia 23 porque essa foi a data de seu enterro. Por fim, o mais provável é que a data que hoje usamos para celebrar os dois autores não seja, na realidade, a data de morte de nenhum deles.
            Mas o que há numa data? O dia 23 de abril o mesmo valor teria se não fosse, na verdade, a data de óbito de nenhum dos dois. Afinal, faz tanto tempo que decidiram celebrar ambos os autores nesse dia que não faz nem sentido tentar contradizer – aliás, nada melhor para dois questionadores dos limites entre realidade e ficção, loucura e sanidade, do que uma data real que na verdade é ficcional.
Tentar deslocar cada autor para a sua data original espalharia muito as atenções. Tudo perderia força. Parece ter havido um grande (e muito valioso) esforço universal para centralizar num só dia a memória do auge da humanidade. Não importa se dizem por aí que foi 22, ou 03, e que nisso haja desacordo entre os autores que escreveram sobre os casos. Por conjecturas verossímeis, se entende que tenha sido o dia 23 de abril, e pouco importam os outros debates para a nossa história: basta que em sua narração celebremos The Bard e El manco de Lepanto.

Yasmin Barros

sábado, 23 de abril de 2016

Entrevista com o professor Leonardo Bérenger - 400 anos da morte de William Shakespeare


(por Yasmin Barros)

23 de abril de 1616. Nesse dia, as artes perdiam duas de suas figuras mais transformadoras. Símbolos nacionais da Inglaterra e da Espanha e eternos habitantes do imaginário popular ocidental, completam hoje 400 anos de morte o dramaturgo, ator e poeta inglês William Shakespeare e o romancista, dramaturgo e poeta espanhol Miguel de Cervantes.
Entendendo que não poderíamos nos omitir neste dia de celebrações, realizamos uma entrevista com o professor Leonardo Bérenger, um dos maiores estudiosos de Shakespeare do Brasil, professor da cadeira de Literatura Inglesa da PUC-Rio. Os registros dessa entrevista você confere abaixo.

Após 400 anos de seu falecimento, Shakespeare continua imortal. A que se deve a eterna necessidade de voltar às suas obras, estudá-las, debater e refletir sobre elas?

É uma obra com muitos níveis de leitura. Sempre há algo que possa ser revisto, revelado. Sem contar que uma obra tão longeva, capaz de cruzar toda a Era Moderna e a Era Contemporânea e completar 400 anos de existência, não é lida da mesma forma, por questões de tempo e de lugar. O cânone shakespeariano não é recebido no Brasil da mesma forma que ele é recebido no Japão, nem da mesma forma que ele é recebido na Inglaterra. Tudo isso são variantes, formas de olhar para aquela obra, e essas formas de olhar é que estão sempre alimentando os estudos shakespearianos. Além disso, várias são as formas de experiência do texto shakespeariano: como literatura, através da leitura; como teatro, através da performance; pela porta da adaptação – para o cinema, para os quadrinhos, para mangá, para cordel... Tudo isso vai alimentando essa teia de conhecimento que é o campo dos estudos shakespeariano, a necessidade de se estudar a cultura que produziu essa obra, o início da Era Moderna inglesa. Shakespeare nasce em 1564 e morre em 1616, então vive a virada do século XVI para o século XVII, uma época de profunda transformação na Inglaterra, na Europa, no mundo como um todo. Toda uma nova cosmografia, a “descoberta” da América, a Reforma Protestante – tudo isso tem que ser levado em consideração quando se vai falar de Shakespeare. A cultura que o produziu. Então, a necessidade de se estudá-lo é imensa.

Ainda que falassem do período em que foram escritas, o período elisabetano, as peças shakespearianas parecem sempre atuais. Não importa a época e o lugar onde são lidas, sempre despertam conexões e parecem espelhar o que se vive. Você acha que isso se deve a alguma capacidade atemporal da obra do Bardo, ou que o mundo, em suas questões essenciais, pouco mudou nos últimos 400 anos?

Bom, essa é a característica do grande clássico. Todo grande clássico sempre diz muito para quem lê, seja esse “quem lê” um leitor do século XVII, do século XVIII ou do século XXI. No caso especificamente da obra shakespeariana, existem sim, a meu ver, pontos de aproximação entre a cultura elisabetana e a cultura contemporânea – uma época de profundas transformações, de quebra de paradigmas religiosos, morais, científicos, de grandes ambivalências, contradições, paroxismos. Há algo que aproxima a experiência do gênero como fluido – algo que para os elisabetanos estava personificado na própria figura da Rainha Elisabete I, uma monarca que se apresentava à sociedade de uma forma um pouco andrógena, tentando transpor um discurso patriarcal que não via numa mulher a competência e a habilidade para a governança, e ela a partir disso construiu uma imagem e uma ambivalência de gênero. Pensando no palco, a própria figura do boy actor... Isso também é uma coisa que é tão nossa, tão contemporânea.

Já mais de uma vez seus alunos te ouviram dizer que nunca fomos tão elisabetanos. Quais relações existem entre a Inglaterra do século XVI com o Brasil do século XXI que te levam a essa reflexão?

Nós nunca fomos tão elisabetanos por causa disso que eu falei anteriormente, mas mais além. Você vê que os conflitos de poder, por exemplo, que Shakespeare coloca no Júlio César, os perigos do mau governo, isso é uma coisa tão forte na obra shakespeariana e tão patente na nossa vida, se você pensar no contexto brasileiro de agora. A consciência que Shakespeare tinha dos efeitos nocivos do mau governo, isso é tão claro para nós que somos brasileiros, sobretudo por toda a crise política que estamos passando. O perigo de um poder que fica pulverizado na mão de vários, o lugar do poder como um lugar vago, como isso é perigoso, como dá margem a usurpadores, a golpes, a oportunistas, a aventureiros. O Júlio César fala tanto disso – o mau governo e o governo fraco são socialmente muito perigosos. No Ricardo II isso também fica muito claro, no Henrique VI isso é muito debatido, esse perigo do governo fragilizado, como ele fica vulnerável. As contradições que nós carregamos estão muito no Shakespeare.

Você acha que essas relações, se divulgadas, podem levar o público a procurar mais a obra shakespeariana, numa busca de maior compreensão da nossa situação atual?

Sem dúvida. Se as aproximações entre a cultura elisabetana, a cultura que produziu a obra shakespeariana, e a contemporaneidade são divulgadas para o estudante, o estudioso, o espectador, o leitor, isso sem dúvidas fomenta a leitura e a apreciação, a fruição da obra do Shakespeare, claro. A pessoa começa a construir sentidos que dizem respeito à sua realidade, a si mesmo, embora eu ache que isso aconteça mesmo que você não alerte, mesmo que a pessoa não assista a uma aula, uma palestra ou leia um livro. Ela vai se ver porque essa é outra grande característica do clássico, decorrente da já mencionada capacidade de se atualizar. Ela se dá justamente porque existe essa facilidade do espectador ou do leitor em se identificar com aquilo que ele está lendo ou assistindo – a partir disso, o texto se atualiza, se contemporaniza ao leitor ou ao espectador.

Quais são as suas expectativas para os próximos anos, a partir dos eventos e da divulgação dos 400 anos da morte de Shakespeare?

Eu acho que o Shakespeare vai ser cada vez mais centralizado no cânone literário mundial. Aqui no Brasil ele vem ganhando força como campo de estudo. Pensando na própria PUC, o interesse que o Shakespeare desperta nos alunos vem sendo cada vez maior. Mas não só na PUC. Falando aqui do contexto do Rio de Janeiro, temos a professora Fernanda de Medeiros na UERJ, a professora Marlene Soares dos Santos e o professor Roberto Rocha na UFRJ. Estendendo para todo o Brasil, temos a Professora Liana, no Paraná, acompanhada por um grupo grande; a Professora Aimara e um grupo de estudiosos em Minas Gerais; O CESH (Centro de Estudos Shakespearianos), no qual eu hoje em dia ocupo a função de coordenador de pesquisa, cada vez mais atuante, promovendo mais eventos... Eu acho que a perspectiva é muito profícua para o Shakespeare no mundo, e no Brasil em especial. Então as minhas expectativas são muito positivas, muito otimistas para a obra do Shakespeare. Acho que as pessoas têm se interessado mais por ele, seja no mundo acadêmico, seja no mundo daquilo que a gente chama de “leitor comum”, e no mundo artístico. Shakespeare vem sendo mais montado do que era uns anos atrás aqui no Brasil. Ele vem sendo mais adaptado para outros meios culturais. A obra do Shakespeare tende a se popularizar.

Hoje é também aniversário de 400 anos da morte de Miguel de Cervantes, autor da aclamadíssima obra O engenhoso fidalgo Dom Quixote de La Mancha. Ainda assim, as celebrações a Shakespeare são inegavelmente maiores e mais significativas. O que, na sua opinião, causa essa importância tão maior dada ao Bardo?

Eu consigo pensar em algumas determinantes. O primeiro aspecto é claro que é a dominação da cultura anglófona no mundo como um todo. Shakespeare é um autor inglês, e a língua inglesa é a língua franca da contemporaneidade. Então, evidentemente que ser um produto de uma cultura anglófona é sempre uma força, um músculo altamente propulsor da popularização de uma obra, de um autor. Outro aspecto foi o uso que foi feito do Shakespeare durante o imperialismo britânico do século XIX na conquista de territórios pela África, pela América Central, pela Ásia, em que Shakespeare era levado como uma bandeira da civilização. Os ingleses chegaram à Índia, dominaram, e ensinavam, liam, produziam Shakespeare. Ele era usado como símbolo de uma europeização daqueles povos considerados selvagens, primitivos, com uma cultura que não tinha o menor valor e que deveria ser substituída por uma cultura outra. O terceiro grande aspecto eu penso no cinema. Se o cinema deve muito a Shakespeare, Shakespeare também deve muito ao cinema pela popularização de sua obra. A quantidade de adaptações cinematográficas da obra shakespeariana é incalculável, desde o tempo do cinema mudo, desde o nascimento do cinema. E o cinema é um produto que se espalha mundo afora, consumido pelas mais diferentes culturas. Então Shakespeare realmente ganhou o mundo, ele é um autor global.

Quais são os eventos mais esperados dentro das celebrações dos 400 anos?

Além daquilo que nós já tivemos – a Mostra Bosque, na PUC, que teve por tema os 400 anos da morte do Shakespeare –, temos vários eventos agendados. Pensando nos mais imediatos, há, por exemplo, um evento na Biblioteca Nacional, agora nos dias 10 e 18 de maio. Teremos também as Jornadas Shakespearianas, um evento interinstitucional entre a UERJ, que vai acolher o Shakespeare no dia 7 de junho, a PUC, que vai acolhê-lo no dia 14 de junho, e a UFRJ, que vai acolhê-lo no dia 22 de junho, com a presença de outros pesquisadores de outros lugares do Brasil, além de escritores que trabalharam com adaptações do Shakespeare, como o Rodrigo Lacerda. No segundo semestre a gente tem uma outra Jornada, mas essa na USP. Vale também lembrar dos lançamentos de livros – o livro sobre comédias shakespearianas, da professora Marlene Soares dos Santos; um livro que ela e eu estamos organizando sobre tragédias; a reedição do livro Shakespeare sob múltiplos olhares, organizado pela professora Liana Leão, da Universidade Federal do Paraná. Há vários eventos, e vale a pena estar atento a todos, porque todos foram pensados com muito carinho para o público brasileiro e principalmente para o estudante.

sábado, 16 de abril de 2016

Plástico Bolha contra o golpe


O Plástico Bolha apoia todas as manifestações contra o golpe de Estado em processo no Brasil. 

A deposição de um governante legitimamente eleito sem fundamentos legais é, sim, um golpe. Sabemos como essa palavra é evitada, mas nós não vamos recorrer ao erro de chamar um golpe de "revolução", como em 1964, ou de impeachment, simplesmente porque esta palavra está carregada de autoridade constitucional num momento em que a constituição está sendo driblada.

O Plástico Bolha, na esperança de uma ampla tomada de consciência e atitude por parte da população - mas também dos políticos envolvidos no esquema - se despede.

Até amanhã, nas ruas.

Tribos - Plástico Bolha


Terça-feira, no BOSQUE_puc cena experimental (maior evento cultural da PUC-Rio, hoje em sua terceira edição), haverá um bate-papo chamado "Tribos - Plástico Bolha", em que a equipe do jornal discutirá poesia, arte, o projeto e planos abertamente com quem quiser aparecer. Ao final, haverá uma sequência de leituras de poemas publicados ao longo dos 11 anos de existência do jornal.



A tribo se instalará no Anfiteatro Junito Brandão a partir das 17:00 do dia 19 de abril, terça-feira.
Participantes:
Lucas Viriato (fundador e diretor)
João Moura Fernandes (editor)
Yasmin Barros (coordenadora)
Rodrigo Auad Romano (saraus e eventos)

Confira a programação completa da mostra BOSQUE através do link:
https://www.facebook.com/events/595007694014799/

sexta-feira, 15 de abril de 2016

Poema de Caio Moura


Amputate me, Adulterate me, Assassinate me
Bate me, Bake me, Banquet me
Capitulate me, Consumate me, Coagulate me
Date me, Daze me, Dehydrate me
Elate me, Eviscerate me, Eliminate me
Faze me, Fake me, Fuck me
Graze me, Grate me, Get me
Hate me, Hacke me, Hibernate me
Immigrate me, Immolate me, Incinerate me
Jubilate me, Junk me, Jail me
Kiss me, Keel me, Kill me
Laminate me, Lapidate me, Legalize me
Macerate me, Make me, Maculate me
Nominate me, Numerate me, Negotiate me
Opiate me, Overdose me, Occupy me
Pervade me, Perforate me, Prevaricate me
Quake me, Quiet me, Quit me
Rape me, Rake me, Rip me
Save me, Shake me, Strangle me
Take me, Triturate me, Taste me
Ulcerate me, Understate me, Understand me
Venerate me, Violate me, Vegetate me
Wake me, Wave me, Waste me
X-me, X-me, X-me
Yank me, Yacht me, Yellow me
Zone me, Zigzag me, Zip me

Caio Moura

quarta-feira, 13 de abril de 2016

Miniode a estes: vozes, voláteis.


Quando presto caminho
entre hortas de esmeralda e ferro 
entes de toda uma vida,
cerram-me os passos e vão.

Estes que falam de teus olhos brancos
Estes que me falam de tua carnadura macia, 
Levam na espádua um novelo

De tempo

espaçado entre teus membros
de cristal sanguíneo.

E horas há que o verde se desprende do limbo
antevendo a madureza da queda,
correndo entre teus dentes de água
e em teu sorriso, torso de cisne,
relembra os gomos de céu e sonho matutino.

Entes de toda uma vida.
E esta porção de choro, lida
sobre a copa lodosa
de um dedo lunar.

Há ali um parado excelente
reduzindo a vozes

a estrada perecível
de areia batida e coro de treva.

Há sementes de corpo
na flor cinza amara

A germinar rios de queratina.
E há na mão que expulsa

O cordão que dilata inda úmido
de susto. Veste o cílio
dos que de esguelha observam;
e vazado se elide
com um maço ígneo de pensamento

a ver pedaços de aurora. 

Heitor de Lima

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Poema de Felipe Andrade


Do centro de deus
  o mundo
e do centro do mundo
  a mulher
e do centro da mulher
   a mulher e a mulher e a mulher

e do centro da mulher
o primeiro homem
ser besta e inútil
correndo no roseiral
ferindo-se nos espinhos

E grunhindo
   grunhindo...
   grunhindo...

É no ferir e no grunhir
que o homem está vivo
 vivo no outro
     e no outro
     e no outro

     tão besta e inútil quanto.

Felipe Andrade

sexta-feira, 8 de abril de 2016

Susto


Um peixe que é peixe vivo
se livra, escapa do signo.
Salvo do céu, do zodíaco, 
parte num aquário sem vidro.
E nada, por nada,
esquecido: quem foi
a linda deusa afoita,
a sua sombra entre os astros?
Áspera água onde a sorte é deslizar.
O seu perigo bíblico é
quem quer multiplicar
sua morte marinha,
sua carne sem espinha
e replicar seu clone
como chapéus de cônego.
Um peixe é um peixe.
Em inglês se diz fixe
mas não quer dizer
que dizendo existe.
Bárbaro que a grega 
que vê perde a fala.
Palavra: não chega
mas se calhar resvala.
O peixe vazio imita o infinito.
Com a prata da escama
é que é mais bonito!
Não pisca o olho místico,
um asterisco sem nota.
Ser político não dorme
e quer outros em volta.
Na luta sem dupla
sente: não tem mãos
- ai que susto agora! -
mas não o apanharão.
São surpresas os riscos
neste oceano impreciso
onde um peixe vive,
resiste e é só isto:

Durval de Barros