sexta-feira, 15 de junho de 2018

Lançamento do livro "Há um colete salva-vidas embaixo do seu assento", de Ana Paula El-Jaick



quarta-feira, 13 de junho de 2018

Lançamento do livro "Tertúlia dos Vales", em Belo Horizonte



"Tertúlia dos Vales" é um livro organizado por Rafael Avelino com a obra de diversos autores do interior de Minas Gerais e feito com o objetivo de impulsionar a cultura e a arte nas regiões dos Vales do Muriqui e do Jequitinhonha. 

No dia 15/06 será a vez do lançamento ocorrer na cidade de Belo Horizonte. 

Poema de Diogo Silveira



Diogo Silveira

terça-feira, 12 de junho de 2018

Edição #39 do Plástico Bolha já está no site




Temos motivos para comemorar: o Plástico Bolha chegou em sua 39ª edição! São treze anos de história, muita energia e pessoas colaborando para tornar um jornal literário independente uma realidade no Brasil.

Você já pode conferir a nova edição no nosso site (em html e pdf): jornalplasticobolha.com.br

segunda-feira, 4 de junho de 2018

Maracatu



minhas lágrimas encharcam 
o solo árido do sertão
aqui minha dor tem som de zabumba
o resto é silêncio

Thaise Diaz

Lançamento do PB #39 em Juiz de Fora



Poesia numa hora dessas é um encontro informal de poetas, editores e leitores para lançar e apresentar livros, ler poemas e tomar cerveja no final da tarde de sábado.

• Lançamento da edição 39 do jornal Plástico Bolha.

 • Lançamentos das plaquetes "Duas vezes o sol", de Laura Assis (Aquela Editora), e "poemas da cor do sangue", de Lucas Viriato (edição do autor), e do romance "Há um colete salva-vidas embaixo do seu assento", de Ana Paula El-Jaick (Texto Território).

• Edições Macondo apresenta os livros "Amanhã alguém morre no samba", de Carla Diacov, "O dia do búfalo", de Matheus Hotz, e "Ao jeito dos animais caçados", de Otávio Campos.

• Leituras com as poetas Anelise Freitas, Fernanda Vivacqua e Marcela Batista.

09 de junho, sábado, a partir das 17 horas.
 

sexta-feira, 1 de junho de 2018

Carta de apresentação


Deixo de me existir
para me tornar
uma vaga
– ou nula – lembrança
na cabeça daqueles
que eu conheci;

daqueles que eu não soube amar;
dos amigos que eu não fiz;
dos que souberam de mim
e dos que eu não soube.

Adeus ao mendigo
que eu encontrei
pelado de graça
na avenida Lúcio Costa.

Verso bonito a deus,
um qualquer verso errante
como qualquer verso:
Cheguei, senhor.

Cheguei pleno de infelicidade
e de vontade de não ser homem;
não ser ninguém além
de um maquinário do tempo.

Dênis Rubra

quarta-feira, 30 de maio de 2018

Devir


não há outro sentido
  além deste
caminho
  no sentido exato
do que serei

Roberta Lahmeyer

terça-feira, 29 de maio de 2018

Rude destino



Por que você se cansa e se pergunta tanto
se tanto percebeu que já não vale a pena
você tentar viver, tentar achar encanto
num céu tão sem azul, em almas tão pequenas?

Por que você lamenta o fracasso de tudo
como se assim fizesse alguma diferença
e aos seus próprios problemas você fica mudo
e por não resolvê-los perde a própria crença?

Por quê? Qual a razão? Que inspiração te move?
Que lágrima sem termo tanto te comove?
Que vento há em você que nunca se aquieta?

Você não se responde, nem sequer entende
o porquê dos porquês, simplesmente se prende
a este rude destino de talvez ser poeta.
  
Kleiton Muniz

segunda-feira, 28 de maio de 2018

Lançamento de "Lendário Livro", da Rubra Editora



[De]composição do silêncio



I

Há lembranças que chegam com o silêncio – trazidas
pelos meus mortos que – volta & meia – se atrevem
em meu jantar

(sabemos – querida irmã – pois as deixamos esquecidas
dentro de nossos olhos & de nossos armários de incoerências).

II

A solidão chega pelos espelhos cavos & em nuances
doentias que se decompõem na bruma
& nos brincos-de-princesa.

III

É madrugada agora!
Sentado no alpendre do apartamento fico a ver navios

(lembrando deusas – travestidas de brisa
dimanando [esplêndidas] pelo rio).

IV

Meu pai dizia
que a morte desce dos quadros distendidos em
paredões  de envelhecidos casarios portugueses
doBoulevard Castilho França
& evaporam [solenes] defronte ao Solar da Beira.

(assim – cara irmãzinha – adormeço
para ver se os querubins sobrevoam minha cabeça
de pedra).

Marven Junius Franklin

domingo, 27 de maio de 2018

Dentro da noite veloz



Dentro da noite veloz
Ergo rima sobre rima.
Ninguém ouve a minha voz
Com o silêncio por cima.

De noite, tudo se cala.
Mas a voz do coração ,
Como um incenso, trescala
Fragrâncias de solidão.

E esta lâmpada sombria,
De olhá-la a pontos de cruz,
O Alfaiate da Agonia
Cose o vestido da luz.

Por tantas horas cismando
( A noite esmaece, sutil...)
E o sol vem desabrochando
Como uma rosa em Abril...

Decerto as rimas deixei
No seio da madrugada.
Tanto co´os olhos sonhei:
- Na folha não restou nada!

Quintiniano

sábado, 26 de maio de 2018

Simplesmente ideias


É à noite que elas surgem. Naquela hora em que deito a cabeça no travesseiro e espero o sono chegar. Quando fecho os olhos, elas se formam como nuvens no meu pensamento. Nuvens cheias, pesadas, verdadeiras Cumulus Nimbus anunciando a tempestade. Aí, me dou conta que enquanto minha cabeça está no céu, meu corpo está quente debaixo do edredom.

Dizem que as ideias devem ser capturadas antes que fujam. Mas quando se está deitado no fim do dia, essa tarefa fica um pouco difícil. Então lá vem elas!! E a imagem das nuvens cinzentas, de repente, se modifica para milhos que estouram e viram pipocas: uma, duas, três... ploc, ploc, ploc... E uma pequena luta se inicia: “Levante! Levante! Corra! Pegue um papel e uma caneta para anotar antes que elas desapareçam.” E repito: “Corra, Maria! Corra! Levante! Levante! Amanhã elas não estarão mais aí!! Rápido, rápido!! Elas são ligeiras e escapam da mão feito areia fina.”

Não adianta. O corpo cansado vence. Afinal, já estou deitada e acomodada entre as almofadas. A cama já está aquecida. Tá tudo tão escuro, silencioso, calmo e meus olhos estão ficando pesados. Já sinto os sinais do sono e meu raciocínio está mais lento. E assim, com que para me confortar, tenho um último pensamento antes de finalmente adormecer: “Ah, são só ideias. Amanhã eu as anoto!” 

 Priska Fernandes

quinta-feira, 24 de maio de 2018

A esquecida



Sempre impliquei. Isso lá é hora de conversar? E aos gritos? Por que me acordam tão cedo, como um reloginho, dia após dia?

Quanta falta de educação! Não conseguem gritar mais baixo? Não, acho que não, não é de sua natureza.

Reclamei por muito tempo do alarido porque, afinal, não preciso – e não quero −levantar junto com o sol. Não me importa se esquentou no norte, se vai chover no sul ou se a água da lagoa, antes gelada, agora sofre com a poluição e parece que saiu do aquecedor. É esse o assunto permanente.

No entanto, desde que passei a fotografar e a filmar os biguás, comecei a admirar a organização do grupo, os voos em “V”, poupando energia, a liderança revezada. Além do balé que enfeita o céu.

Pois apresento a vocês “A esquecida”.  Aposto que é fêmea a ave que abandona a turma. Uma desertora? Ou será que esqueceu alguma coisa? De fechar a janela?  De apagar o fogo? Dê o seu palpite e entenda, depois do inevitável sorriso, por que fiz as pazes com os biguás... que continuam me acordando, mas agora não me queixo mais. 

Marilena Moraes



terça-feira, 22 de maio de 2018

Elegia à Guerra


Inda que te elejam o senhor de muitos destinos
Duma nação eleito o filho
Inda que sejam teus o fruto e a terra por onde caminhas e plantas
A fome esposou-te

Inda que sob o certame de nenhuma bandeira
Inda que beijes a minha mão esquerda
Confrontarás a cadela no cio

Inda que de sangue esteja vermelho o leito de teus rios

Inda que o soldado impunhe sobre a tua cabeça a baioneta
Inda que tua mão lavore
Inda que o revoar do bando doire
Inda que sobre a tua bandeira tenhas a batuta

Inda que sob a luz dum céu de brigadeiro
a haste tremule

Inda que achaquem tua mão sobre o batismo
Inda que revoltoso o teu estômago vazio
Inda que declames à pedra no caminho
Inda que no rio Vermelho haja regozijo

Inda que d'alma a sincopada rebente num sorriso
Inda que sangrem as tuas bochechas por bruxismo
Inda que te tornes homem dado aos sofismos

Inda que logre a ocra porta entreaberta

Inda que rogues por minha culpa
Inda que me outorgues teu juíz
Inda que balances nos quadris duma meretriz

Serás isto ou aquilo
Poeira ou pó imaterial
Revés esquecido
Matéria morta à terra devolvida
para findar o ciclo.

Antonio Marcos Abreu de Arruda

segunda-feira, 21 de maio de 2018

Maio em Revolução



Aos vinte anos, um estudante caminha até a faculdade para cumprir com suas matérias regulares. Faz filosofia e participa das reuniões com diferentes grupos no campus de uma universidade. Entusiasmado, discute com seus colegas a situação política, econômica e social do momento. Nos intervalos das aulas, carrega um punhado de livros debaixo dos braços e os lê. Tem confiança em suas virtudes e no que fala, como por exemplo, quando propões soluções para a situação incerta do país em que vive. Não aceita a instauração do tédio, do silêncio e do ódio. Busca, junto aos outros estudantes, as respostas para diminuir as injustiças sociais.

Mas há momentos em que tudo muda. Como na primavera, a inspiração floresce em todos os cantos e pessoas. Um sentimento de esperança, em meio a um clima acinzentado de um regime político retrógrado, é tudo que um idealista deseja. Com intuição, esses farejadores conseguem enxergar um novo tipo de tempo. Atos e falas se tornam ferramentas e aqueles que não tinham suas vozes escutadas, agora dominam o palco político. O intenso agora preenche a vida de um jovem e de toda uma geração. A revirada do tabuleiro político é tão rápida, que se demora anos para entender suas consequências e efeitos.

Esse mesmo estudante também percorre as ruas. Deseja e luta por mudança. Entende que a filosofia precisa estar presente nas atitudes e dentro das manifestações. As palavras têm poder. Quando elas são direcionadas aos governantes, em voz alta pelo povo, possuem um valor ainda maior. Não é muito difícil imaginar um jovem sonhar com transformações. Mais fácil, quando se vive em uma sociedade estagnada de um governo repressor. São nesses lugares que nascem o desejo da liberdade. De criar planos para concretizar ideias em benefícios coletivos. De acreditar que ainda há pessoas que pensem assim. Mas a Academia é um lugar pequeno para caber ideias revolucionárias. Há momentos em que as palavras se acumulam em um espaço muito pequeno. Palavras também precisam de escape. As represálias só fazem sua força se acumular. E então elas invadem todos os territórios. Mas são as pessoas, como esse e tantos outros estudantes, que irão levá-las para a rua.

Todos já passaram por um sentimento de anseio ao desconhecido, nas vésperas de um marco histórico. Em algumas épocas, acordar significa presenciar e participar desse momento. Assim como ficar parado pode significar um ato político. Alguns poucos grupos tomam as primeiras atitudes para desencadear movimento. O recuo é transformado em contra-ataque. No começo são poucos e então, como a concretização de um imaginário comum, a força das pessoas aumentam e se espalham. Mais pessoas começam a se concentrar nas ruas em poucos dias. É mais rápido do que se pode prever. A sensação é de que nada está ao controle. Os governantes estranham e os jovens ocupam as ruas, os discursos, a mídia. A história se revela no presente. É o chamado de Kairós, o deus do tempo oportuno, para a experiência desse momento decisivo. Quando se quer salvar o mundo, não se pode deixar a espessura desse tempo desvanecer. É necessário ir até as barricadas, onde as peças do jogo se movimentam.

O estudante abaixa a cabeça, tem gritaria vindo de todo lugar. Tem polícia na rua, mais gente do que o normal. Quando levanta o olho, são mais pessoas correndo e se atropelando no recuo. Há suor nos rostos, os barulhos de explosões ao fundo continuam altos. Alguns preferem correr até um lugar mais seguro. Mas outros estão na rua para enfrentar o establishment. Carregam cartazes e esbravejam canções antitotalitárias. A anarquia, liberdade e esperança são sentimentos compartilhados pelos protagonistas desse grande ato.

Pedras são atiradas e novas vidraças quebradas, às vezes, até de grandes bancos e comércios. Pneus incendiados, muita fumaça, mais do que o suportável. E as vozes das pessoas. O caos vigente seria chamado de saudável por esse estudante, ainda desconhecido de todos. A resposta, explosão de gases, o enfrentamento de cacetetes e pedras, a violência estatal e um corte acima do olho direito. Sangue e sujeira se misturam na confusão. Os estrondos parecem estar mais perto. O chão treme. O calor do fogo queimando os carros em ruas antes pacificadas. De olhos fechados pela dor do corte, a vida o transforma. Apesar de não poder ver, aquele estudante sente a história acontecer em sua pele.

Assim como em um doze de Maio qualquer e violento, a Nouvelle Vague é esquecida nas ruas da França de 1968. Nos arredores da Universidade de Sobourne, em Paris, algumas pessoas aprenderam a carregar a esperança desse mês simbólico. Maio de 1968 ficaria marcado como o período em que os jovens universitários franceses saíram às ruas e decretaram dias de desordem e anseio de mudanças no regime político.

Três décadas depois, aquele estudante está agora em um procedimento cirúrgico, no Timor Leste. Seus cabelos já estão mais grisalhos. A voz, que apesar de mais cansada, está firme e amena. A esperança interna, entretanto, permanece como se ainda fosse jovem. Mas são pelos seus olhos, que se torna possível ver toda a história internacional da segunda metade do século XX. A cirurgia de recuperação seria necessária no olho levemente ferido, lembrança de seus anos de protestos na juventude.

O olho era de Sérgio Vieira de Mello. Um diplomata da Organização das Nações Unidas respeitado pela sua carreira internacional. Acostumado a lidar com situações complexas, envolveu-se em diversas missões da história mundial recente. Alguns deles, como negociar com o grupo terrorista Khmer Rouge no Cambodia, servir a Força Interina da ONU no Líbano como conselheiro político, lidar com refugiados após a guerra civil em Ruanda, entre outros cenários.

Em outubro de 1999, Sérgio se tornou o representante máximo da Administração Transitória das Nações Unidas no Timor Leste (UNTAET). Tarefa encarregada pelo então secretário-geral da Organização das Nações Unidas, Kofi Anaan. Tanto tempo depois, o experiente diplomata brasileiro estaria em uma posição diferente daquela que se encontrava, quando ainda era um jovem estudante de filosofia em Sobourne.

A chama que foi acesa em Maio de 1968 ainda permaneceria motivando Sérgio a superar novos desafios e a lutar contra injustiças sociais. Mas agora seu cargo correspondia ao equivalente a um Chefe de Estado de um governo transitório. Seu objetivo era guiar o processo para a independência do que seria um dos mais jovens países do mundo. A chance de uma população conseguir almejar sua liberdade pesava em suas costas. Assim como a possibilidade da estagnação e do fracasso da missão. Algo desse porte nunca tinha sido completado na história da Organização das Nações Unidas. O intenso agora recomeçaria mais uma vez.

Bruno Justino