quinta-feira, 27 de julho de 2017

Rede


Teu corpo despejado em mim,
me enrosco toda em ti...

No balanço lento das tuas curvas
e no ritmo desse vai e vem,
te aconchego que nem concha.

Eu, casulo,
te envolvo borboleta.

Dentro de mim, entregue,
não pense, descanse
e esqueça o resto

Sinta a brisa que te venta o rosto,
o toque macio que te encosta a pele,
meu embalo pendulado,
o canto gemido dos meus ganchos enferrujados.

Vem que eu te quero todo, moço...

Deite no meu colo largo de lua crescente,
que eu me rendo.

Helena Lima

segunda-feira, 24 de julho de 2017

estética


pensando cá com meu robe sem botões
o que eu queria
era fazer um livro todo de gravuras
um poema prenhe de mentiras
um verso plástico como um ovo


Ledusha

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Secretaria municipal de transporte urbanos


a diferença entre 347
o 346
é uma questão
de (h)uma(u)nidade.

Flávio Machado

segunda-feira, 10 de julho de 2017


Os que só tragam com filtro. Os que conduzem a dança. Os de papo requentado. Os que espalham o conflito. Os grosseiros de foulard. Os que fazem as cutículas. Os que têm presas no olhar. Os prósperos despreparados. Os que vão lamber o limbo. Os belos atormentados. Os previsíveis sem sal. Os ternos de abraço manso. Os que usam o saber como arma de poder. Os que citam sem parar. Os que gostam de mulheres. Os que gostam das mulheres. Os mitos desamparados. Vampiros por trás de lentes. Os que só querem mamar. Os que portam falos bélicos. Os marinheiros sem mar. Os que nos devolvem o riso. Sensíveis sem onde morar. Os que decifram. Os que devoram. Casados infantilizados. Os que consertam cadeiras. Os indeléveis carnais. Os de coração falido. Raros sexys calados. Os gananciosos banais. Marxistas que espancam mulheres. Os que se desmancham no ar.


Ledusha