domingo, 26 de dezembro de 2010

Spyral-Man e Os Caracóis d Seus Cabelos (a lenda)

Lá na Costa de Walney Island, ali pelaquelas enseadas britânicas, surgiu o Spyral-Man, numa concha radial untada d grãos d areia ocres dourados platinando sob os caracóis dos cabelos das algas do mar, q dizem rolou da Grécia pra lá e graças a esta geograficidade geológica da alma q confundiu-se no Brasil os nomes e a pessoa mas é tudo uma coisa só Walney Island e o Spyral-Man da costa e na encosta com variantes na legenda podendo ter nascido noutras versões das coxas salubres do Oceano Índico nas fontes ricas em detalhes e córregos tudo original do triunfo no remoinho da encruzilhada dos destinos na hora do cio da pausa... God!!! Hora... Cio... Horácio, o sábio amigo do príncipe da Dinamarca, um viking latino q v espíritos, ouve as estrelas e sabe q o silêncio é tudo junto e depois do nada. Hora e cio. Hora, pausa e cio.

Breq.

Hot blue... rock d breq e blue d breq e breq de breq e blue d breq e rock quando reggae há pausa...

Foi Nostradamus quem deu uma baita atrasada na minha vida, filho da puta do Nostradamus. Porra, sou um cara q acredita nas coisas, eu sempre fui um acreditador, desde muito nas minhas giras no Walney Island até na carona de um Condor, com amor sempre fui um acreditador, e Nostradamus me fudeu, filho da puta! Porra! Desde sempre fui crescendo torto com aquela porra do Nostradamus na cabeça, q o mundo ia acabar pelos anos 2 mil, depois os especialistas começaram a divergir sobre o tema, foi uma porra de um monte de ilações dessa merda do Nostradamus no mundo, filho da puta do Nostradamus!

Tô falando mal do Nostra mas a praga maior são, foram e serão os istas nostros e outros damus derivados menores d grandes homens e existem alguns até com o nome de discípulos, o discípulo fulano d tal da corrente enferrujada da tendência retro d ciclano sem Tao, mas q não chega ao pés do... bom, deixa pra lá todos os istas, e vamos focar o caso no cartel dos nostradamistas, ô raça ruim parida da mesma santa puta mãe terra, caralho, paradoxo da porra! Mas eu fui mesmo atrasado pela profecia do bundão do Nostradamus e seus nostradamistas d merda q divulgavam com insistência mais q globalizada q no primeiro Rock in Rio haveria uma hecatombe mais q terrível, mais q final. Essa porra dessa profecia d merda me derrubou totalmente, eu tinha conseguido arranjar um trampo lá no Rock in Rio, mesmo na cruel dúvida hame-hamel’ética do ser ou estar no fim do mundo, eu descolei o trampo, mas na hora amarelei, larguei o lance. Meus amigos foram, minha mulher foi, todos foram, eu poderia ter ido, ganhando uma grana e mesmo assim com tudo em cima, fiquei em casa cagado, com a porra da hecatombe dos filhos das putas dos nostradamistas enfiada no rabo. Liguei a televisão, o Rock in Rio estava sendo transmitido pro mundo todo, quando Ney Matogrosso abriu seu coração e cantou da barra d jacarepaguá pra todo o universo “Desperta América do Sul”, eu fechei os olhos, ergui os braços certo d q o mudo ia acabar, mesmo. Já tinha acendido todas as velas e incensos e tava recolhido para a passagem, coisa séria, mas havia um conflito q começou a surgir no universo pluriverso musical das forças, o Ney Matogrosso começou a lutar com Nostradamus, sim, o Ney encarou o monstro, foi uma loucura o Índio Matogrosso contra a praga embolorada da idade média, e eu ali junto do Ney, vindo d Walney Island pra presenciar o fim do mundo pela Globo, ali estava num ap charmosamente esfarrapado da Visconde de Albuquerque no Leblon, apenas d olhos fechados rezando pro Ney vencer, e o Ney começou a dar um monte de porrada naquele cavaleiro sem cabeça e seu exército d vudus nostradamistas. Comecei acreditar com todo tesão q o Matogrosso ia vencer, ele vai vencer, vai vencer a profecia, pensei e falei baixinho, vai vencer a porra da profecia, e no meu coração q tava maior q o peito e ficava batendo assim, plummm, devagar e sempre macio num grande volume d som no infinito cósmico, ora achando q a América ia despertar pra sempre e q todos os espíritos aborígines originais dos xamãs da América nativa se levantariam e quando senti o estrangulamento do peso da caretice do fim do mundo crescendo pra cima do Ney, uma coisa fulgurante saltou do meu silêncio e saiu girando e spyralizando por sobre e pra dentro do palco do teatro d operações da guerra espiritual e foi quando os sem cabeça junto dos sem coração encurralaram o Ney, q eu o ajudei, não vou dizer o q fiz, por q foi muito pouco, mas foi uma ajudinha e o Ney fluiu mais ainda no caminho da luz e foi assim q aconteceu, só pode ter sido, é, e é isso aí, foi uma revoada de Bem-Te-Vis guerreiros da alma americana xamânica e vigorosa, q jogou fora o vudu do Nostradamus, e antes q o cu do pessimismo hecatômbico istista tragasse toda a nação d guaranis araucanos incas tupis, toda mistura homo afer niger com americanus rufus mais asiaticus luridos fundidos com europeus albus, antes q tudo isso fosse pro inferno entrando pelo cu rolo compressor do juízo final do Nostradamus fim do mundo, eu q na frente da televisão estava concentrado com toda fé, d olhos fechados orando pela vitória na luta espiritual, seguia quase sem forças em direção à gloria, mas o Ney cantava cada vez mais com alma e eu sentia toda a força do incompreensível da coisa em si e antes d abrir os olhos, já bem fraquinho, gritei porq eu não agüentava mais, não tinha fim aquilo, nem a porra do mundo acabava nem o Ney vencia e eu me acabava mais e menos e já tava entregue quando gritei: eu não sei porra nenhuma, caralho! Abri os olhos e chorei e depois sorri e depois ainda chorei e sorri ao mesmo tempo e segui errando um ser estar serestando até hoje, mas dia desses eu acerto o passo e aí vai ser foda, vcs vão ver.... Ó, t cuida com o Nostradamus, ele é um perigo esse filho da puta, e se ele aparecer na tua frente com aquela gangue infeliz d otários violentos da retaguarda, olha bem na cara do mal e diz assim pra ele: eu sou da mata atlântica, eu sou da floresta tropical, eu sou Xamã Xamante de Yvy-Marae e vou iluminar o novo mundo seu merda, e vai se fuder antes q eu me esqueça com toda essa tua turma d bundões q t cercam, bando d puxa sacos escrotos, e agora vê se não enche mais é o meu saco, porra, com essas bostas d profecias d merda, e dá um tempo, d uma vez por todas dá um tempo pra sempre, q eu vou fazer uma aula d Yoga, sacô? Melhor dizendo a Yoga vai me fazer, bye... ram... ram...

Breq... hot blue... rock d breq e blue d breq e breq de breq e blue d breq e rock quando reggae há pausa... aéióuom... Sou Spyral-Man, and you? Índio! Angel! Eu vou t abraçar... tudo mais é o silêncio, hora e cio.


Walney Costa

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Neste Natal, nada de Papai Noel no Blog do Bolha. Quem vem fazer uma visita aqui é Syral-Man e seus textos delirantes. Obra da mente inquieta de Walney Costa.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Poeta alternativo, de Leandro Jardim

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Dispensou parentescos,
parênteses, digressões
e outras figuras grotescas.

Foi, qual tatuador,
escrever entre as pernas,
cavernas situavam-no melhor.

Chegou a sua obra prima,
o orgasmo
de uma rata de livraria.

Leandro Jardim

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Leandro Jardim já publicou dois poemas no jornal Plástico Bolha. Ontem, ele foi um dos convidados do quadro Espaço Plástico Bolha, do CEP 20.000, onde leu poemas do seu novo livro: Os poemas que não gostamos de nossos poetas preferidos (e outros exercícios ensimesmados), lançado pelo selo Orpheu da Ed. Multifoco. Quem quiser ler mais, pode entrar no seu blog Flores, Pragas e Sementes.
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quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Lançamentos da EdUERJ nesse Sábado!

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Lançamento do livro de Fred Coelho sobre Hélio Oiticica e dos livros da coleção Ciranda da Poesia, com livros de poetas, sobre outros poetas!
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quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

"Ou não..." Contra cultura, poesia e música!

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Recuperando o espírito beat das leituras poéticas unidas à música, “Ou não...” faz um passeio não linear, e descompromissado pelo universo da contracultura, partindo de precursores beatniks (como Allen Ginsberg, Jack Kerouac e Gary Snider) passando por Torquato Neto e poetas da poesia marginal dos 70, (Leminski, Chacal, Leila Micolis e Marta Medeiros) e desembarcando em JF, em pleno Kaos do terceiro milênio com textos do poeta André Monteiro, que também divide as leituras com Bruno Tuler, Edwald Winand, Edson Leão e a atriz Livia Gomes.
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Costurando esse “sarau underground”, canções brasileiras que puseram o pé na estrada em meio à ditadura, ao “desbunde”, à descompressão do corpo e do espírito via sexo, política, drogas e rock n’ roll. Tropicalistas, Clube da Esquina, nordestinos... Malditos,...ou não...
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Fechando o ritual, mais uma dose de rock e canções setentistas em versões acústicas com a FANTÁSTICA BANDA INVISÍVEL.
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Juliana Caymmi: "Para dançar a vida"

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domingo, 5 de dezembro de 2010

Reflexão n° 2 — um poema de Danilo Diógenes

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Uma voz que é minha transfere-se

Para outro, melhor receptáculo.

Decerto porque onde sou escuro

O outro resplende sua luz e sua

Gnose de oráculo. Onde encerro

O outro continua; e comunica

As novas pelas quais o mundo

Se organiza em marcha.

Somos distintos, contudo iguais.

Pois onde eu amo o outro sacrifica

O seu muito maior amor em busca

Do pouco amor que eu sinto

E da luz minha, que a sua ofusca.

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Danilo Diógenes
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terça-feira, 30 de novembro de 2010

RISCO: Domingos Guimaraens no Sérgio Porto!

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Abertura da exposição do nosso amigo de Bolha, Domingos Guimaraens, quinta-feria, no Sérgio Porto. Apareçam!
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domingo, 28 de novembro de 2010

Lançamento dos novos livros da editora Circuito

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Lançamento dos livros dos amigos de bolha Augusto Guimarães Cavalcanti e Ana Salek: quarta-feira no Planetário. Todos lá!.
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sábado, 27 de novembro de 2010

Lançamento do novo livro de Leandro Jardim

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Lançamento do livro do nosso amigo de bolha Leandro Jardim. Quinta-feira, na Lapa!
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quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Lançamento de "A lua depois do gravador"

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Lançamento do livro de nossa amiga de bolha Simone Magno, na próxima segunda-feira, dia 29, a partir das 19h, em Botafogo
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terça-feira, 23 de novembro de 2010

Lançamento: Não foi por acaso, de Sueli Rios

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É na próxima segunda, 29 de novembro o lançamento do livro de contos "não foi por acaso" da nossa amiga de bolha Sueli Rios. Será na Livraria da Travessa em Ipanema, a partir das 19h.
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domingo, 21 de novembro de 2010

CEP20000: Cariri, Plástico Bolha e Numa Ciro!

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ESPAÇO CULTURAL SÉRGIO PORTO

(Rua Humaitá, 163 – fundos)

Quarta, 24 de novembro – 20:30 – 5 reais

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Relançamento de Antologia de prosa Plástico Bolha

(leitura de contos por Alice Sant’Anna, Chiara di Axox e Lucas Viriato)

Plástico Bolha apresenta: Numa Ciro

(A diva do Sertão, a Feira de Campina, a Providência Divina!)

O Cariri é aqui

(uma compilação das apresentações do CEP no Crato)

apoio

Prefeitura do Rio

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Jornal Plástico Bolha chega ao Cariri!

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Eis que o Plástico Bolha, cabra da peste, finalmente invadiu o nordeste. A convite do mestre Chacal, o Plástico Bolha se juntou a turma do CEP 20.000 e foi participar da Mostra SESC Cariri de Cultura 2010. Foram mais de 1000 exemplares distribuidos aos participantes da mostra, entre o público e outros artístas.
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Todas as noites na Praça da Sé da cidade do Crato, a turma de poetas do CEP (Chacal, Pedro Rocha, Domingos Guimaraens, Mariano Marovatto, Lucas Viriato, Ângela Câmara e Gabriel Fomm) se juntava aos locais para um evento de loucuras, com muita música, performance e literatura.
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Nossos agradecimentos ao CEP, ao SESC, Chacal, Ieda Magri, Dani de Jadi, Ulisses Germano, Josenir Lacerda, Bastinha, Luciano Carneiro, Claudio Reis, Cláudia Rejane, Gleyson, Bitu, Ermano Moraes, Ítalo, Edésio Batista, Shivan, Sara, Mariell Lima, Janaina e Jaqueline e todo o povo cratense. Até a próxima!

Por conta dessa viagem, o Blog do Bolha andou meio parado. De volta ao Rio, retomamos nossos trabalhos.
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quarta-feira, 10 de novembro de 2010

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Vencedores do Prêmio Paulo Britto 2010

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Veja quem foram os vencedores do Segundo Prêmio Paulo Britto de Prosa e Poesia. Em breve os textos estarão publicados aqui, no Blog do Bolha.


Poesia:


1. “Potência de Fênix” de Marcelo Moraes Caetano

2. “Catarata” de Sofia Vaz Rabinowitz

3. “Poesia em crise” de Luíza Provedel Martins Moreira


Prosa:


1. “Casa dos desejos" de Mariana de Almeida Moura Milani

2. “Chucrute & bronze” de João Artur da Silva de Souza

3. “Domingo” de Marcelo Cassar Magdalena

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Show Lagrima Flor no Teatro Odisséia

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terça-feira, 2 de novembro de 2010

METONÍMIAS — poema de Gab Marcondes

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Enfio a carapuça
fetiche ou feitiço?
improviso de cor
ação

provo por pro
vocação

como por con
sentimento

minto por des
ilusão
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Gab Marcondes
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segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Das partes (ou o exercício de forjar intratextualidades), de Angeli Rose

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Não resisti por muito tempo à agitação dos meus sentidos. Ao chegar, derramei uma torrente de lágrimas. Minha casta companheira, que não estava tranquila quanto às ideias que me ficariam desta aventura, não me largava. Ela procurou me persuadir de que os homens tinham sempre a curiosidade de sondar até que ponto uma moça com quem eles visam se casar conhece os prazeres do amor. A conclusão desse belo raciocínio foi que a prudência poderia ter me levado a fingir mais ignorância e que ela via com tristeza que a minha vivacidade talvez me fizera perder a minha fortuna. Você insiste muito em recordar as minhas observações a propósito da sua personalidade ainda não desenvolvida, da necessidade para você de desenlear o seu verdadeiro ser, etc... — "É que você é predestinada". Aí, ficou muito complicado pra ele me explicar o que é predestinada. Eu pedi pra ele me escrever essa palavra pra eu por aqui no caderno, ele escreve, mas a coisa de predestinada é mais ou menos assim: uns nascem pra ser lambidos e outros pra lamberem e pagarem. Aí, eu perguntei por que quem lambe é que paga, se o mais gostoso é ser lambido. Então ele disse que com gente grande os dois se lambem e tem até gente que não paga nada pra ser lambido. Alguns instantes depois, ambos tomaram o caminho de casa. Eu os segui por uma alameda coberta. Não fiquei mais de um instante no meu quarto, para trocar de roupa e, logo em seguida, dirigi-me ao aposento da Sra. C... Tentei explicar que era tudo um sonho, só uma vontade de, mas a mulher invocou e começou a falar sem parar: que ela que já teve outro homem que era muito rico e que esse homem queria que ela tivesse imaginação, imagina, ela! Retirei-me para o meu quarto, com a imaginação impressionada pelo que acabara de ouvir, mas muito mais afetada pela ideia da amável serpente do que pela das reprimidas e das ameaças que me fizeram quanto a ela. Contudo, executei de boa fé o que prometera: resisti aos esforços do meu temperamento e me tornei um exemplo de virtude. Tudo isso me parece terrivelmente difícil e complicado; procuro o fio da meada, mas não sei encontrar nem estou certo de que o encontrarei.

(excertos de: Cartas do Cárcere, Antonio Gramsci; Teresa filosófica, Anônimo do Século XVIII; e O caderno de lori lamby, Hilda Hilst)
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Angeli Rose
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Angeli Rose é Doutora em Letras e Mestre em Educação. Mantem o blog http://www.myspace.com/dangelex sobre criação, estética, educação entre outros temas. Este é seu primeiro texto no Plástico Bolha.
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sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Lançamento do livro do PB — quinta-feira!

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Na livraria Ponte de Tábuas: rua Jardim Botânico, 585 - às 19:30

Até lá!
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quinta-feira, 28 de outubro de 2010

as considerações, um texto de Carlos Gomes

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as considerações sobre essa passagem conturbada do tempo que acelera de modo não sincronizado as batidas descompassadas de alguma parte confusa de outra parte de qualquer outra sensação que vaga que vaga que vaga, a tentativa dissimulada de poema ainda é possivelmente a minha única motivação sincera nesses meses em que os filhos foram por aquela porta nunca trancada, que chaves, meu deus, que chaves?
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Carlos Gomes
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Carlos Gomes é nosso leitor do Recife e prepara sua estreia literária com o livro corto por um atalho em terras estrangeiras. Envie também o seu texto para jornalplasticobolha@gmail.com.
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Café com Letras: Ondjaki e Roger Mello na UERJ

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segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Plástico Bolha no CEP 20000 — HOJE!!!

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ESPAÇO CULTURAL SÉRGIO PORTO

(rua humaitá, 163 – fundos)

quarta, 27 de outubro – 20:30 – 5 reais.

DOMINGOS GUIMARAENS

MARIANO MAROVATTO

GABRIELA MARCONDES

MARCELO SORRENTINO

ANDRÉ CAPILÉ

AUGUSTO GUIMARAENS

MÁRIO CASCARDO

ESPAÇO PLÁSTICO BOLHA

AVE MARIA: ENCARNAÇÃO DA POESIA

MAURO REBELLO, MILLA TALARICO,

DADO AMARAL E LUCAS VIRIATO

ARTES CÊNICAS DA PUC

DIREÇÃO: CAÍQUE BOTKAY

CONVIDADOS SURPRESA

CEP 20.000, A POESIA

PROPRIAMENTE DITA

cepgalinha.jpg

apoio

Prefeitura do Rio

E AINDA:

Lançamento da Antologia de Prosa

do Plástico Bolha

Dia 4 de Novembro

19:30

Livraria Ponte de Tábuas

R. Jardim Botânico, 585

201 — peça teatral no Sérgio Porto

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quarta-feira, 20 de outubro de 2010

APARTAMENTO (Natureza-morta), um poema de Victor Heringer

Ludo-
-casa se desloca em blocos.

Os dados na mesa -- herança dos
lados que assumi -- dão sempre ímpar.
É assim que se decide o chão.

Sapatos & chinelos nus
fazem os passos de quem os estacou ali
e foi dançar sozinho (o mesmo de sempre:
dois pra lá pelas uvas, pão e café amargo;
dois pra cá pela rotineira qualquer coisa).

O pó acumulado no canto (em afinações
de escombro -- memento homo,
quia pulvis es) diz que tudo está bem.
Que a ordem é de queda e reentrâncias:
a quarta dimensão é a solidária gravidade.

Só as paredes são felizes,
desmoronadiças, em ânsias de cubismos.
Cada toque em seus interruptores é preparação
para o tombo. Baixo meretrício
violado por dedos de luz última.

E o teto debatendo a retirada possível.

Victor Heringer

domingo, 17 de outubro de 2010

Transtorno obsessivo compulsivo, por Mia Vieira

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A estrofe transtorna o vento do sono
Encanta o mistério sem calma dos rumos
...
Amoral, esta inércia periódica
Sem tempo, este espaço é catástrofe
No devaneio fúnebre, em que o sonho contorço
Registro o encontro no agora
Esmago o continuo a pressa
Libertino em cadência

A esperar, enferrujo o âmago selva
Sangra coragem a carne
Perpetuando-se pedras
Torno-me
estranha do caos e ausências

Pelas pérolas brutas
Escorrem sílabas
Agonizam rimas
Do meu corpo em consumo
Orgasmo o tédio em tudo.

Mia Vieira

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quinta-feira, 14 de outubro de 2010

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Surdos de Arrombalândia, por Gabriel Matos

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Uma festa divertidíssima. Uma finesse. Uma educação. Eu queria que vocês pudessem escutar o silêncio que eu presenciava ali. As mãos mais falantes que eu já conheci. As gargantas mais silenciosas que eu já ouvi. As gargalhadas mais ruidosas e interessantes que eu já ouvi. Gente fina e civilizada é outra coisa. Não é que nem eu e outros aí, que nos proclamamos Homens de/a Cultura mas temos abobrinha e outras agriculturas no cérebro. ó! Que saudade.
No meu último sonho, havia um horário eleitoral surdo.
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— Instalamos dezenas de telefones públicos para os deficientes auditivos — diz o Tucano.
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— Instalamos closed caption em todas as novelas mexicanas — vocifera a Macaca, ou melhorzíssimo, o Macaco-Fêmea.
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— Instalamos uma lei onde todas as empresas de telefonia móvel terão de estar lançando aplicativos para amparar os portadores de deficiência física, visual, sonora, olfativa e gustativa — proclama a Baleia Azul.
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O despertador de luzes coloridas... dESperTA. Acordo. Graças ao meu Papai Noel, em cujo sapatinho havia uma nota. Não foi sonho; foi uma aparição demagógica. Obrigado, Bom Velhinho.
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Eu queria uma festa. Uma festa divertidíssima, com nuvens de algodão-doce. Um templo de surdos-mudos onde eu pudesse moodar o mundo e suas onomatopeias. Vou me candidatar à lista do SurdosOL, a rede social de surdos On-Line, e prometer uma educação de fato inclusiva, onde os ouvintes se incluam num mundo irado que nem o dos surdos.
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Um cachorro-quente, por favor.
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quarta-feira, 6 de outubro de 2010

caymmi revisited — poema de Fred Coelho

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O mar não quebra na praia.
Quebra dentro da minha cabeça.
A onda explode em meu peito-pulmão
E sorrindo solto a fumaça:
Verão.

O Corpo
Perfeito se estica
E a linha da pipa
Realça os contornos,
Adornos de morros:
Granito que grita.

O mar
Quando quebra na praia
É um mito.
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Fred Coelho
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Nosso amigo Frederico Oliveira Coelho é doutor em Literatura pela PUC-Rio, trabalha no MAM e já publicou diversos textos no Plástico Bolha, entre eles o Manifesto Sampler e um texto sobre o negro na música brasileira para a coluna Por dentro do tom, organizada por Santuza Cambraia Naves. Agora ele também estreia na poesia, aqui no Blog do Bolha e com outro inédito na edição #29.
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terça-feira, 5 de outubro de 2010

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Antes de você acordar, por Ivan Cunnha

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Antes de você acordar
Queria poder fechar os olhos
E cair
Antes de você acordar
Queria ser Deus
E arder

Antes de você acordar
Queria engolir minha paz
E soltar bombas

Antes de você
Seria mais fácil não ser
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Ivan Cunha
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Revista Escrita - número 11

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Uma nova edição acaba de ser lançada, com artigos, resenha e conto dos alunos de pós-graduação em letras da PUC-Rio e de outras universidades.

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Neste número:

LITERATURA

. Kelvin dos Santos Falcão Klein (UFRGS)
Ficção como suplemento da história e voz do corpo: O caso Herta Müller

. Carla Victoria Albornoz (PUC-Rio)
Infância roubada: Os meninos-soldado a partir de uma leitura de Feras de lugar nenhum de Uzodinma Iweala

. Julieta Yelin (UNR-Argentina)
Escribir animales: Sobre las pequeñas prosas zoológicas de Juan José Arreola y João Guimarães Rosa

. Livia Grotto (Unicamp)
A segunda história de Respiración artificial

. Carolina Donega Bernardes (UNESP)
Entre a autoria e a redenção: Abordagens críticas acerca de Nikos Kazantzakis

. Maximiliano Linares (UNR - Argentina)
Por uma antropofagia contrapunteada: Oswald Transculturado

. Paula Aguilar (UNLP - Argentina)
Ciudad Letrada y dictadura: Los espacios em Nocturno de Chile, de Roberto Bolaño

. Milena Mulatti Magri (UNESP)
Revisão da história e testemunho no conto “Os sobreviventes”, de Caio Fernando Abreu

. Tiago Leite Costa (PUC-Rio)
Autonomia ou engajamento: A função da arte em Walter Benjamin e Nelson Rodrigues

. Isabel C. F. Auler (PUC-Rio)
As memórias de Carlos Lacerda: “só sei que não vou por aí”

. Maria Alessandra Galbiati (UNESP)
Consciência literária e posicionamento político no processo de composição de The voyage out, de Virgina Woolf

LINGUÍSTICA

. Marcia Vieira Frias (PUC-Rio)
Auto-retrato do presidente Lula: Narrativas pessoais com estratégia de construção de identidades em discurso político

. Bruno Bimbi (PUC-Rio)
Em torno da palavra matrimônio

. Cloris Porto Torquato (Unicamp)
Políticas lingüísticas, linguagem e interação social

. Janete Maria De Conto (UFSM)
Atores sociais e ações sociais em crime infame: Sobrevivi... posso contar

. Cinara Monteiro Cortez (PUC-Rio)
Gêneros e PCNS: Uma reflexão sobre os pressupostos teóricos e práticas pedagógicas no ensino da língua portuguesa

. Hellen Cristina Picanço Simas (UFPB), Regina Celi M. Pereira (UFPB)
Desafios da educação escolar indígena

RESENHAS
. Luciana Tiscoski (UFSC)
Personalidades postiças do eu: Uma leitura da Falsa memória, de Silviano Santiago

VERSO E REVERSO
. Davi Pinho (UERJ)
The Flowered Apron
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domingo, 3 de outubro de 2010

Evento Turbilhão Poético em Laranjeiras!

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Eleição — por Gustavo Paes

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X X X X X X X X X 1
Vote em mim! Não tenho voto nenhum,
Pois não sou um candidato comum!

X X X X X X X X X 2
Vote em mim! E se me esqueça depois...

X X X X X X X X X 3
É pela primeira e última vez...

X X X X X X X X X 4
Vote em mim! Eu já fiz muito teatro!

X X X X X X X X X 5
Já que não minto, pelo menos brinco...

X X X X X X X X X 6
Vote em mim! Eu nunca fui de xadrez!

X X X X X X X X X 7
Eu darei, de graça, videocassete...

X X X X X X X X X 8
(Quem não votar em mim eu só açoito...)

X X X X X X X X X 9
Só não faço chover onde não chove!

X X X X X X X X X 0
Ó, “mas era feita com muito esmero
Na rua dos bobos, número zero”!
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Gustavo Paes
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sábado, 2 de outubro de 2010

O Começo do Fim, texto de Carla Mühlhaus

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Li no jornal outro dia que o filósofo italiano Giorgio Agamben acredita que, para enxergarmos o presente, não podemos estar totalmente imersos nele. Não sei se é preciso ser filósofo para saber disso. Hilda Hilst e Duchamp também sabiam essa como ninguém. Eu não sou artista nem filósofa e nem muitas outras coisas, mas confesso que já desconfiava. Não podíamos passar sem essa piada, não seria coerente. Nossos roteiristas são muito criativos e se entediam facilmente. A vida precisa ser mais difícil.
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Devo seguir na contramão do italiano, no entanto. Decidi mergulhar no presente e tentar entendê-lo, tarefa que foi sempre muito difícil. Principalmente lendo os jornais todos os dias pela manhã, misturando cafeína com o chumbo das manchetes chicletes. Manchete chiclete é aquela que faz uma pastinha puxa-puxa com o cérebro e nos dá de aperitivo o gostinho de saber do que se trata. Mas a comida é sempre falsa, não tem nada de autêntico e ainda corrói os dentes por dentro sem que a gente perceba – quando menos se espera, comendo um trivial pãozinho pela manhã, eles caem sem a menor cerimônia. E antes de você se desdentar é um tal de kani se fazendo de lagosta, jaca virando estrogonofe de frango e tantas outras contrafações que vocês não seriam capazes de imaginar. Essa do estrogonofe de jaca é coisa de vegetariano e as intenções são até boas, mas vai dizer isso para o estômago.
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Vejamos. Li também que um historiador inglês disse que, a não ser que mudemos algumas coisas, estaremos no Começo do Fim. Não sei bem de que coisas ele estava falando, mas sem dúvida o aquecimento do planeta devia estar incluído. Ao que tudo indica nossas próximas gerações vão viver num grande e redondo microondas, portanto a preocupação me parece legítima.
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Também houve quem dissesse que vivemos uma época de indiferença em relação ao pensamento. É que a velocidade da revolução tecnocientífica é tão grande que o pensamento simplesmente não consegue acompanhar as transformações. Isso é o que sempre digo quando querem me empurrar uma novidade tecnológica. Quando finalmente consigo ler o manual e aprender as funções básicas do novo e milagroso aparelho-feito-para-facilitar-a-vida, ele já está obsoleto há tempos. Então sobra o problema do descarte, de onde jogar fora bateria. E ninguém diz como varrer os neurônios que vão caindo pela casa. Esses ficam lá, grudados no rodapé, pedindo um aspirador de última geração, daqueles que desintegram os ácaros e de brinde esterilizam sua aura. Custam 5 mil reais, podem ser pagos em dez prestações e você ainda concorre a uma expedição antropológica a uma comunidade Amish.
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Tive um professor que dizia estarmos vivendo uma época de puro empilhamento de objetos. Ele disse isso há mais ou menos uma década, então é plausível acreditar que hoje o empilhamento cutuque a estratosfera. Lembro de um romance que li na adolescência e do qual não recordo o título (esses são os que mais ficam): era a história de uma mulher que queria largar tudo, família e mobília. Num desejo irrefreável de viver apenas com o peso de uma mala de mão, ela passava os dias colocando as cadeiras da sala de jantar na calçada, com a esperança de a coleta levá-las. Nunca manifestei tanta solidariedade por um personagem. Eu era só uma adolescente cheia de espinhas mas sabia exatamente o que aquela mulher estava sentindo. Não me lembro, mas quando acabei de ler o livro devo ter arrumado o meu quarto. Devo ter jogado muita coisa fora, mas a vontade mesmo era de que tudo evaporasse no espaço. Minha mãe deve ter ficado feliz e concluído que eu estava amadurecendo. De certa forma ela tinha razão. Sobrou-nos isso de muito humano: ainda é com angústia que amadurecemos.
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Minha angústia é razoável e portanto imagino que minha idade interna esteja pra lá dos 50. Camuflada no corpinho que ainda resiste nas aulas de yoga está uma velha encarquilhada, enrugada e rabugenta. Dizem que os idosos acordam cedo, mas essa velha acorda tarde e mal. Ao meio-dia ainda está ruminando as manchetes. Um problema esse das manchetes. Foi por isso que ela decidiu largá-las e estudar outras fontes. Foi aí que ela começou a vasculhar melhor o presente. Pobre velha.
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Antes disso, antes de arranhar a garganta: quando percebeu que o poder das manchetes era algo tóxico, como os psicólogos americanos adorariam falar, pensou num experimento social. Ligou para um amigo diretor de TV e sugeriu que dois voluntários, alfabetizados mas não muito cultos, mundanizados mas nem tanto, atentos mas não alertas, topassem a seguinte experiência: que viessem para a cidade grande e ficassem sozinhos, cada um numa casa, por um mês. O voluntário 1 teria à disposição, como fonte de leitura e portal para o mundo, apenas um determinado jornal. O voluntário 2 não teria acesso a esse jornal, mas poderia usufruir de revistas culturais, artigos científicos e o melhor da literatura brasileira. A idéia inicial proibia a televisão mas como a idéia estava sendo passada a um diretor de TV, a velha achou por bem incluí-la na rotina. Duas horas de televisão liberadas por dia, desde que fossem cumpridas as duas horas de leitura obrigatórias. A escolha do que ler era livre: o 1 poderia escolher qualquer seção do jornal, enquanto o 2 poderia escolher qualquer livro, revista ou artigo. Cumprida a única obrigação do dia, ambos eram liberados para sair às ruas e conhecer a cidade. Também seria permitido conversar com quem bem quisessem. Ao final do dia, eles dariam suas impressões. E assim seria possível comparar as diferenças de visão de mundo entre o voluntário dependente das manchetes e o voluntário de repertório mais generoso.
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A idéia foi considerada esdrúxula, o amigo diretor de TV nunca mais convidou a velha para seus aniversários na cobertura e ela nunca pôde saber qual seria o resultado do experimento. Mas tinha a certeza de que seria o melhor BBB de todos os tempos.
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Carla Mühlhaus
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quarta-feira, 29 de setembro de 2010

TRANSBORDAMENTO — um poema de Roberto Corrêa dos Santos

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para o amigo Alberto Pucheu
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Não, não sai do poço a ideia.
Sábado, novembro, mil novecentos e noventa e cinco, morre, morre Deleuze.
Não, não se rompem o saber ou o movimento.
Seguem curvas os surfistas.
Doubles de interiores e exteriores.
Twistes e carnes para além dos corpos.
Ondas já antes e antes, e entre.
Deixar-se por elas agarrar-se.
Ido o mestre do surfe e do oceano, surfam aqueles sob o sol.
Face aos jovens em águas, ansiedade leve e júbilo.
Matéria e ritmo, outra maneira de pensar ali.
Frente a eles, disse o Surfeur, a filosofia está em causa.
Então porque esteve o rosto sorridente e a voz rouca, soube, de imediato soube.
Uma profundidade real na face sob ventos.
Correspondências há.
Que escrevam os que surfam.
Valham-se da arte dessa resistência.
Uma saúde precária naquele quase fim de hora? Não.
Ondas de Aquitânia tocam o apartamento em Paris.
Alguns números de Surf Session, Surfer's Journal .
Deluze lê e ri.
A cama do hospital navega.
Sonha-se com as velocidades por sobre azuis e verdes líquidos.
Tombam os organismos, jamais a vida.
E um homem, maravilhosamente exagerado na imanência do mundo, dorme.
Ondas e páginas, ondas em páginas.
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Roberto Corrêa dos Santos
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segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Poesia Brasileira: Processos e Percursos

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Poesia Brasileira: 1980 - 2010
Processos e percursos


Local: Auditório Pe. Anchieta (PUC-Rio)
Data: 29 e 30 de setembro de 2010
Horário: 14:00 – 18:30

Concepção e Coordenação Geral:
Júlio Diniz e Paulo Henriques Britto

Objetivo principal:
O Seminário Poesia Brasileira – 1980-2010. Processos e percursos pretende discutir tendências e transformações da poesia brasileira nas últimas três décadas, pensando a sua produção em diálogo com as tradições que a antecederam. Para que a discussão seja mais ampla e produtiva, convidamos poetas, pesquisadores, professores e críticos para debater a questão a partir de distintas percepções e leituras. Em diálogo com os críticos, os poetas convidados deverão refletir sobre seu próprio trabalho em relação ao de seus contemporâneos e ao dos poetas das gerações anteriores que são, a seu ver, os mais relevantes para uma compreensão do momento presente.

Programação:

29/09/2010 – quarta-feira

14:00 – 15:30
Mesa 1
Antônio Cícero
Eucanaã Ferraz
Ana Cristina Chiara
Mediação: Júlio Diniz

Intervalo

16:00 – 17:30
Mesa 2
Marcos Siscar
Marcello Sorrentino
Maria Lúcia Camargo
Mediação: Paulo Henriques Britto

18:00 – 18:30
Leitura de poemas dos seguintes autores:
Alice Sant'Anna
Ismar Tirelli Neto
Victor Heringer
Mariano Marovatto
Lucas Viriato


30/09/2010 – quinta-feira

14:00 – 15:30
Mesa 3
Heitor Ferraz
Fabrício Carpinejar
Alexandre Faria
Mediação: Ericson Pires

Intervalo

16:00 – 17:30
Mesa 4
Claudia Roquette-Pinto
Carlito Azevedo
André Monteiro
Mediação: Célia Pedrosa

18:00 – 18:30
Leitura de poemas dos seguintes autores:
Augusto de Guimaraens
Beatriz Bastos
André Capilé
Domingos Guimaraens
Dado Amaral
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domingo, 26 de setembro de 2010

Carroceiro — um poema de Raquel Naveira

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O carroceiro,
Homem-cavalo,
Puxa a carroça pela rua;
Será que dá dinheiro
Esse monturo de plásticos,
Papeis,
Cacos
E sucatas?

O carroceiro,
Cavalo-homem,
Chafurdou lixeiras,
Caçambas,
Em busca de metais,
Latas,
Restos de carros alegóricos,
Criou um mundo brasileiro
Que carrega às suas costas.

Lá vai o carroceiro,
Trotando,
Subindo ladeira,
Passando entre os carros;
Os olhos ardem,
O estômago pesa,
Engole fumaça,
Tudo nebuloso
Em meio ao chuvisqueiro.

Lá vai o carroceiro:
Bermuda,
Boné,
Camisa xadrez
Colada ao corpo;
Mal-estar
De viver assim,
Preso por ferros
A uma carroça,
Seu cativeiro.

Lá vai o carroceiro:
Dor nas pernas,
Nos joelhos,
Caminha rumo à favela,
Cortada por trilhos,
O trem passa,
As garrafas tremem,
Seu destino é de andadeiro.

Lá vai o carroceiro:
Empapado de suor
E gotas de esperança,
Logo virá a noite,
Quente,
Cheia de mosquitos
E sonhos de cachaceiro.

Lá vai o carroceiro,
Entre os entulhos
Esconde a faca,
A foice,
Porque há de se defender
Dos roubos,
Das armadilhas
Dos embusteiros.

Lá vai o carroceiro,
Disputa espaço
Entre as buzinas e as guinadas,
Ouve estranhas risadas
Que sobem dos bueiros.

Lá vai o carroceiro
Entre luzes
E gases,
O cheiro é acre
E escorre óleo no aguadeiro.

Alguém quase o atropela,
Xinga-o de maconheiro,
Ele cospe saliva verde,
Rumina a tristeza:
De quem será herdeiro?
Do homem?
Do cavalo?
Do tráfico negreiro?

Puxa carroça,
O carroceiro.
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Raquel Naveira
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sábado, 25 de setembro de 2010

A pequena chama — poema de Juana de Ibarbourou traduzido por Miguel Del Castillo

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Eu sinto um amor selvagem pela luz.
Cada pequena chama me encanta e me ultrapassa.
Não é cada lume um cálice que conduz
O calor das almas que encontra em sua jornada?

Algumas são pequenas, azuis, tremelicantes,
Iguais às almas taciturnas e bondosas.
Outras são quase brancas: lírios fulgurantes.
Outras, quase vermelhas: espíritos de rosas.

Respeito e adoro a luz como se fosse inteira
Uma coisa viva, que sente, que medita,
Um ser que nos contempla, transformado em fogueira.

Assim, quando morrer, hei de ser, a seu lado,
Uma pequena chama de doçura infinita

Em suas noites longas de amante desolado.
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Juana de Ibarbourou
("La pequeña llama", in Lenguas de diamante. Montevidéu, 1919.)
Tradução de Miguel Del Castillo
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Juana de Ibarbourou (1892-1979) foi uma poeta uruguaia incrível. Começou a publicar seus poemas apenas com 16 anos de idade, antes de se começar a falar em modernismo aqui na América do Sul. Embora sua poesia seja composta de sonetos, versos com métrica e rimados, Juana influenciou muito sua geração e seus sucessores, não apenas no Uruguai, mas em todo continente e na Espanha. O desnudamento sincero da alma — muito além de fórmulas prontas e pastelões — impressiona, ainda mais vindo de uma mulher naquela sociedade. Suas obras completas já foram editadas três vezes na Espanha pela Aguilar, e ainda assim Juana nunca foi traduzida no Brasil. Abaixo, o soneto original:
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La pequeña llama

Yo siento por la luz un amor de salvaje.
Cada pequeña llama me encanta y sobrecoge.
No será, cada lumbre, un cáliz que recoge
El calor de las almas que pasan en su viaje?

Hay unas pequeñitas, azules, temblorosas,
Lo mismo que las almas taciturnas y buenas.
Hay otras casi blancas: fulgores de azucenas.
Hay otras casi rojas: espíritus de rosas.

Yo respecto y adoro la luz como si fuera
Una cosa que vive, que siente, que medita,
Un ser que nos contempla transformado en hoguera.

Así, cuando yo muera, he de ser a tu lado,
Una pequeña llama de dulzura infinita
Para tus largas noches de amante desolado
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quarta-feira, 22 de setembro de 2010

2º Prêmio Paulo Britto de Prosa e Poesia

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O Prêmio Paulo Britto de Prosa e Poesia criado em 2009 chega à sua segunda edição. Como parte da programação da IX Semana de Letras da PUC, intitulada “Corpo, voz e estrutura em sala de aula e no palco", este concurso contempla os seguintes gêneros literários: CONTO, CRÔNICA e POESIA. Poderão participar estudantes de graduação e pós-graduação de toda a comunidade PUC-Rio.

INSCRIÇÕES

As inscrições serão realizadas até o dia 27 de setembro de 2010. O tema é livre e cada autor poderá submeter somente um texto por categoria. As categorias são: CATEGORIA PROSA (CONTO E CRÔNICA) e CATEGORIA POESIA.

Os textos devem ser inéditos e escritos em língua portuguesa, digitados em papel tamanho A4, em apenas uma das faces do papel e com as seguintes características:

PROSA: Os autores deverão utilizar fonte Times New Roman tamanho 12, com espaçamento 1,5 entre as linhas e todas as margens medindo 3 cm. Os contos não poderão ultrapassar o limite de 4 (quatro) páginas.

POESIA: Os autores poderão utilizar qualquer tipo de fonte, diagramação e espaçamento, desde que o texto não ultrapasse o limite de 2000 caracteres (sem considerar os espaços em branco).

É obrigatório o uso de pseudônimo, que deverá constar ao final do texto. Os textos inscritos nas CATEGORIAS PROSA E POESIA devem ser apresentados em 4 (quatro) vias cada.
Os autores que optarem por concorrer nas duas categorias deverão fazer a sua inscrição de forma independente, em envelopes diferentes. Os textos deverão ser entregues em um envelope grande e lacrado, identificado na frente com o nome do Prêmio e a categoria (PROSA ou POESIA). Dentro deste envelope os concorrentes deverão enviar um envelope menor, também lacrado, identificado na parte externa com o título do trabalho e o pseudônimo utilizado. O envelope menor deverá conter a ficha de inscrição como disposta no Anexo I, ao final do Edital. Não serão aceitos textos enviados por e-mail. As inscrições serão feitas somente no Departamento de Letras, no seguinte endereço:

PRÊMIO PAULO BRITTO DE PROSA E POESIA

Rua Marquês de São Vicente, 225
Edifício Padre Leonel Franca. 3º andar.
Gávea – Rio de Janeiro

PREMIAÇÃO

A ser divulgada.

PUBLICAÇÃO DOS TEXTOS FINALISTAS

Os textos finalistas serão publicados imediatamente no blog do Jornal Plástico Bolha e, assim que possível, no formato impresso em uma edição do Jornal Plástico Bolha. Os autores premiados com a publicação de seus textos deverão assinar um termo autorizando a publicação nos referidos blog e jornal e cedendo os direitos autorais para esta edição. Os direitos não são exclusivos e os autores ficam livres para publicar esses textos onde desejarem após a divulgação do resultado.

Outros itens poderão ser acrescidos à premiação, a critério dos organizadores do Prêmio e de eventuais parceiros ou patrocinadores.


COMISSÃO JULGADORA

Os textos inscritos serão avaliados por uma comissão formada por três professores do Departamento de Letras e por dois alunos bolsistas do PET-Let. A comissão é soberana e suas decisões são irrecorríveis, podendo inclusive decidir por não premiar os trabalhos inscritos.

RESULTADO

Os autores finalistas nas duas categorias serão comunicados até o dia 22 de outubro para que possam confirmar sua presença no local da premiação, que será realizada no encerramento da IX Semana de Letras, dia 28 de outubro de 2010.

DISPOSIÇÕES GERAIS

As inscrições implicam em plena concordância com os termos deste regulamento. Estão impedidas de concorrer pessoas diretamente envolvidas com a organização da IX Semana de Letras e com a organização do Prêmio este ano. Os inscritos que não atenderem às especificações deste regulamento serão desclassificados. Os textos enviados não serão devolvidos.
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terça-feira, 21 de setembro de 2010

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Viagem sonora — poema de Carolina Sims

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No dilúvio de águas frias,
Dançavam as medusas-da-lua, poetisas,
Leves em simetria radial,
Desiludidas em tamanho
Transbordamento.
A água longa que delas brotava,
Como lágrima desgarrada dos olhos,
Compunha poesias em meu mar infiltrado.
Que vendaval aquático percorre seus corpos
Transparentes;
Suas coroas de tentáculos prateados?
Somente sinos e estrelas cadentes,
Perfuravam suas rimas aquáticas.
Maré alta...
As medusas rasas, profundas, líricas,
Costuravam-se ao canto do mar, sem intento.
Sozinhas no burburinho do mar,
Entre peixes brilhosos e corais estrelados...
Na demasia de meu pensamento.
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Carolina Sims
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terça-feira, 14 de setembro de 2010

Mineirocarioca: Jornal Plástico Bolha em JF!

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Plástico Bolha fotografado por Thais Thomaz no Eco-Performances Poéticas de Juiz de Fora.
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sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Alguns versos por Ricardo Fernandes

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Não me embriago por incapacidade física
Não me incluo, por incapacidade ideológica
Reconheço na indignação, o cedro.
Na consciência, uma coroa.
O sentido é uma batalha.
A glória é parir o amor.
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Ricardo Fernandes
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segunda-feira, 6 de setembro de 2010