segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Três semanas na Venezuela: Diário de uma carioca na República Bolivariana, por Júnia Azevedo.


"Em maio de 2017, saí do Rio com destino à Venezuela, como colaboradora para uma série de matérias para um jornal espanhol. A ideia era apoiar um jornalista que cobria temporariamente o país. Do Rio voei até a Cidade do Panamá e, de lá, para Caracas, num voo da empresa venezuelana Santa Bárbara – nome no mínimo curioso para uma companhia aérea. Entrei irritada no avião, pois queriam me cobrar 90 dólares (o voo havia custado 100) porque meus dados estavam errados na reserva feita pela internet (em lugar do nome estava o sobrenome e vice-versa). Tive que protestar bastante e fazer um drama para que me deixassem embarcar sem pagar a multa. Já havia sido muito difícil comprar a passagem, considerando que as companhias aéreas bolivarianas não constam dos populares guias de viagem que pipocam no Google. Aparentemente, o mercado de turismo chavista está protegido contra as onipresentes Expedia (EUA), Kayak (EUA), Decolar (Argentina), Submarino (Brasil), Viajanet (Brasil)..."

Para acessar o diário da nossa colaboradora Júnia Azevedo e ler mais sobre um relato pessoal escrito da forma mais isenta possível, segundo a própria autora, fugindo da "informação" coalhada da grande mídia, clique no link https://midiaindependente.org/?q=node/346

Para um resumo do diário, clique no link http://jornalggn.com.br/noticia/tres-semanas-na-venezuela-i-diario-de-uma-carioca-na-republica-bolivariana-por-junia-azevedo

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quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Como dizer


Como dizer que é noite
se dentro de mim é dia
como dizer do frio
se dentro de mim é fogo
como dizer não sei
se dentro de mim eu sei
como dizer de ti
se dentro de mim sou eu

Rosália Milzstajn

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Lançamento do livro Paisagem interior, de Marcos Vinícius Almeida


O lançamento do livro acontece em São Paulo, na Livraria Patuscada, em Pinheiros, no dia 18 de agosto, a partir das 19:00. Também será lançado em Luminárias, no interior de Minas, na Casa da Cultura, no dia 20 de agosto, a partir das 17hs.

Título: “Paisagem interior”, contos
Editora: Penalux
Autor: Marcos Vinícius Almeida
Páginas: 110 páginas,
Preço: R$ 35
Disponível em:


Paisagem interior
Marcos Vinícius Almeida
Por Annita Costa Malufe

Este conjunto de contos parece contradizer certas ideias frequentes em nosso tempo:todas as histórias já foram contadas, não há mais espaço para se narrar, estamos fadados a narrativas fragmentadas, a fatos que perderam qualquer sentido comunitário (como primeiramente previu, talvez, Walter Benjamin)... Ainda bem que, vez por outra, alguns escritores não se conformam com isso e retomam o hábito ancestral da narrativa, devolvendo-nos, renovado, o prazer da simples escuta de uma história.             

No caso dos narradores deste Paisagem interior, a proximidade do tom do contador de causos: figura típica dos interiores de nosso país, sobretudo de Minas Gerais, de onde vem o autor. O contar por contar, pelo mero prazer de desenrolar uma história, muitas vezes apelando a detalhes insignificantes, seguindo sempre o andamento da fala. A oralidade se faz forte nessa escrita, e o leitor se põe de fato a ouvir o texto, que se transforma em um fluxo oral extremamente fluente e bem construído – muitas vezes a partir de um competente uso do discurso indireto livre.

Tal traço não indica, contudo, um parentesco direto com Guimarães Rosa. Ao contrário, mais próximo de escritas como as de Thomas Bernhard, William Faulkner ou AntonioTabucchi (autores em que a oralidade assume a frente), os contos de Marcos Vinícius Almeida são povoadosde narradores e personagens urbanos, moradores das pequenas (quando não minúsculas) cidades brasileiras, e que nos são revelados com uma linguagem direta, extremamente contemporânea, sem pretensos regionalismos atualizados ou mimetismos roseanos.

Vale observar que a Paisagem interior, aqui, poderia ser também ado interior, do Brasil, para além de uma remissão mais imediata ao íntimo, dos personagens ou do próprio autor. Interessante é notar que o título bem expressa o movimento presente nas narrativas: os lugares por elas trazidos, mais do que simples cenários externos, são reveladores de qualquer coisa de interior, de interno, aos personagens.

Esse jogo entre paisagens interior e exterior, do espelhamento mútuo entre dentro e fora – que nos lembra o poeta Fernando Pessoa e sua teoria da sensação – faz a riqueza desses pequenos causos, em que uma aparente mera descrição de uma tempestade, de um jogo de futebol ou de um corpo morto de um homem sendo salvo por outro, é carregada de afetos e reflexões existenciais. Tudo com muita sobriedade e às vezes humor. É através de imagens muito concretas e sensoriais que somos levados ao interior das personagens, que pode ser, no limite, o interior de nós mesmos, leitores.


Seria impossível falar desses contos sem notar, como insistia Júlio Cortázar, a proximidade entre os gêneros conto e poesia. Para além do ritmo certeiro, asutileza e atenção sensível às minucias fazem não somente a riqueza, mas também a maturidade do olhar do autor, que embora tenha reunido pela primeira vez seus contos em um livro, está longe de poder ser considerado um estreante.