A pata peluda
nas lombadas amarelas
duma carambola
Prazer, sou um ateu praticante mesmo não sendo nada crente As palavras do livro me encantam as reconheço como documento e canto um ateu de valores protestantes duma generosidade gigante que conhece o poder de uma cerveja e não tem medo de quem o serpeja se considera um cristão praticante que mesmo sem acreditar em Deus era um homem livre humilde diante da ignorância perante o importante essa singularidade dançante que é sempre impossível de tocar José Bial Na foto, o físico e matemático inglês Freeman Dyson, estudioso da eletrodinâmica quântica.
numa rua pequena em botaf—
fogo de manhã eu caminhava em direção a—
a um sebo que eu já conhecia e ti—
tinha esquecido
me encontrei já dentro sem perce—
ceber um li— livro em minhas mãos que já estava aberto e—
e as lágrimas da página
não
se anunciavam como
antigas ou minhas
não to— toquei pra ver—
to—
toquei pra ver se estavam secas. José Bial
Os pais:
Uma briga como todas as outras que
não acabam até que uma das nossas
crianças apareça. Daí, nos amamos
e é uma delícia como sempre é.
As filhas:
E aí eles levam a gente pra passear
e ver os bichinhos e as árvores.
Os passarinhos que brincam nas árvores
que a gente olha quando vai passear.
Os passarinhos voam e cantam
mas logo acima os tucanos
se jogam de rasante atacando
os passarinhos que gritam se desesperando,
agora eu entendi porquê o tucano tem esse bico.
É pra matar os outros bichos. Tão lindo. Colorido.
José Bial
José Bial
Na foto, Nasrin Sotoudeh, advogada de direitos humanos iraniana.
TENTATIVA 2- O QUE CHORA
Quatro horas nesse ônibus e eu aqui ainda escrevendo esse mesmo poema que não sai por mais que eu tente eu insisto que eu te amo mas meus poemas revelam que é mentira e eu ainda não acredito neles mas certamente eles sabem mais do que eu.
TENTATIVA 3- O QUE BEBE (ADENDO)
Escrevo este poema sem versos porque estou bêbado e nessa pequena — nesse pequeno guardanapo não cabem as divisões necessárias então melhor sacrificá-las. O sacrifício sempre cabe. Escrevo este poema sem versos porque preciso. Preciso escrever este poema porque — estou bebendo — estou bebendo — Estou bebendo pelo mesmo motivo que preciso escrever esse poema. Me convenci que preciso e sendo prec— me convenci que preciso e aqui estou, tornando minhas ideias sobre mim mesmo na realidade.
