sábado, 29 de novembro de 2025

O corte ao contrário


A medida que a cor se distanciava,
eu me tornei ausente.
Há tempos buscava o lado contrário do vazio,
o extremo vazado de mim,
há tempos não esperava o silêncio,
tão largo, tão amplo de leitura incompreensível.
Sem saber ao certo quem sou,
há tempos desejo o corte ao contrário:
o caminho inverso do pincel sobre a tela.
Então direi olhando para a noite
que nunca me viu adormecer:
Sou a leveza da quintessência branca,
a terceira margem do cinza negativo,
10 gramas da esquizofrenia do vermelho,
a mancha que mancha o olhar alheio,
eu sou a imaginação viva do preto sobre preto.


Mozileide Neri

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