terça-feira, 25 de março de 2014

Sarau "Da boca pra fora"



Em sua primeira edição de 2014, o sarau "Da Boca Para Fora" homenageará o poeta Manoel de Barros.

Os convidados desta edição serão os poetas João Pedro Fagerlande, Lucia Helena Ramos, Rodrigo Santos e Romulo Narducci.

O evento terá micorofone aberto no final. Traga seus poemas!

Leia mais informações sobre o evento na página do facebook: https://www.facebook.com/events/741992982486854/747103775309108/?notif_t=plan_mall_activity

Até amanhã


amanhã tu vai. leva junto
teu romantismo frank booth
e dedo mindinho a única parte
em que sobra amor. queria aninha ficando
comigo e narrar melhor o vácuo nas garras
do namorado. problema é que aninha não curte
ser aninha. vai pra máquina do tempo ouvir
algum hit dos anos oitenta filme de terror em
dose dupla na apresentação do zé. queria comer
uma palavra sobre os exércitos do crack mas estou
pouco musical num mês tão engarrafado. os amigos
viajam por meses namoradas por milênios cachorros
pelos segundos em que o rabo não cansa tivesse eu
o fôlego dos psicopatas. os pastores dizem ô drummond
meu filho sai desse corpo que não te pertence que os poemas
desse moleque gabriel graças a jesus também não. minha parte
consciente fica ofendida e quer briga mas drummond
que é morto forte e rei não me dá bola. porra carlos.

fim de semana tu vai. com um facão debaixo do braço
e uma máscara de halloween pra dar susto em todo mundo
que todo mundo te incomoda demais. olha beleza sim
mas depois não me venha pedir receita de microondas
ou aquele disco emprestado. vai mesmo embora que deus
proteja. se for pra fazer o seppuku faz direito não faz
esguelha com os comprometidos anota o telefone de casa
não morde ninguém se te chamarem aceita tá com calma
que recusa pode ir sem sangue por favor tua memória
é mesmo uma bosta.

Gabriel Resende dos Santos

segunda-feira, 24 de março de 2014

Abraço a Praça



O jornal Plástico Bolha esteve presente no Abraço a Praça, que aconteceu no dia 21 de março, na praça XV de Novembro, no bairro de Marechal Hermes, Rio de Janeiro, em homenagem ao Dia Internacional da Poesia. Diversos autores do Brasil todo puderam enviar seus versos para a festividade e, literalmente, abraçaram a praça em nome da poesia e da conservação dos espaços públicos.

Veja mais fotos do evento aqui.

Obrigado ao pessoal do Poeme-se e à Su Noguchi! Parabéns pelo evento!!

Viver


Viver
é discutir o indiscutível
inadequado e lírico
inexata exatidão
rajada de impossível.

É se entrevar
manipular estorvos
e conquistar montanhas
passo a passo
tropeçar
e do tropeço refazer o espaço.

Viver é se afogar
e em fogo renascer
no berço brando do amor
e desse amor
tantas vezes morrer
quantas for dado.

Dada Amorim

Águas furtadas, exposição de Laura Erber




quinta-feira, 20 de março de 2014

Ajude o Arranco de Varsóvia


O grupo Arranco de Varsóvia pede ajuda via crowndfunding para lançar seu CD. O Arranco apresenta: Andrea Dutra, Cacala Carvalho e Elisa Queirós — grande amiga do Plástico Bolha! —  nos vocais e Paulo Malaguti Pauleira no vocal, piano e arranjos. Ajude o grupo através do link: http://catarse.me/pt/arranco

Os escritores sempre se enganam


Quando nasce um escritor? Seria no sentido literal da palavra, quando ele é expulso do útero de sua mãe e grita o mundo a plenos pulmões? Ou seria o contrário? O escritor nasce quando dá a luz a sua cria, sua criação, cuidadosamente organizada em folhas de madeira de reflorestamento prensadas e impressas com a ordem do caos de palavras que ele encontrou? Afinal, o escritor é cria ou criatura? É uma antítese de dois? Uma aberração contra a ordem natural do universo?

Faço perguntas, mas a verdade é que eu sei a verdade. Sempre considerei essas ponderações de suma importância, embora nunca tenha perdido a noite pensado sobre isso. A verdade foi iluminada na minha cara, me atingindo como uma bala bem no meio dos olhos. Eu me questionei: Como pude não ter visto isso antes? O qual cego pude ser ao fechar os olhos só porque estava escuro?

A catarse veio enquanto eu lia. Era um livro pequeno, sujo, já velho, de título interessante e o mais importante, de segunda (ou terceira) mão. É bem sabido que os livros adquirem a sabedoria daqueles que o leem e sugam a daqueles que o escrevem. Pois bem, assim como a felicidade, a revelação vem de súbito, matando de susto os de coração frágeis. Quando me dei conta, havia resolvido um problema que desde muito me assaltava. Eu finalmente entendi o momento em que um escritor nasce.

É claro que minha experiência deve ser levada em conta, foi só quando percebi o que estava fazendo que o mistério foi resolvido. Vejam bem, abram os olhos e os ouvidos, fechem a boca e escutem: Os escritores sempre se enganam. Nunca veem o mundo com os olhos, mas antes com a mente. Criam situações e coordenam toda a história em suas cabeças de vento. As pessoas deixam de ser o que são e viram personagens cheias de nuances que não passam de farsas. Os lugares admitem novas interpretações e significados. Nem mesmo o voo de uma borboleta passa ileso pelos escritores (ah, eles adoram voos de borboleta, tão efêmeros e etc.)

Então veio o medo. Olhei o espelho e vi aquele moço, tinha os olhos nervosos, tinha a boca querendo mudar de lugar, e tinha um brilho cansado, meio capenga, sem rumo. Era um escritor. Eu finalmente me reconheci como um, e a primeira vista, não gostei muito do que vi.

Além de escritor, eu também tenho a ousadia de colocar as palavras no mundo e esperar que cada um se vire com elas. Pai irresponsável, eu sei. Nem todo escritor tem a coragem (seria burrice?) de infectar o mundo com sua esquizofrenia nervosa. A maioria simplesmente morre de implosão, os outros, como eu, de explosão.

Admito que o principal motivo que leva um escritor a de fato escrever, é a vaidade. Ela embriaga o ego com palmas e afagos. É a que adrenalina atingi os atletas, é o hormônio que sobe à cabeça no clímax sexual, é pura biologia.

Escrever, afinal de contas, é aceitar o animalesco. Se fantasiar de carnaval e viver quarta feira de cinzas.

Thiago Amorim

Vala



uma carne apodreceu escondida
na vala, cova úmida, onde
olhudos e frios
os sapos fodem

carcaça inflada
encalhada na terra
como desgraça e espera
das feridas abertas.

não há boca que denuncie
a cena. Grite o som
dos furos que
espalham a morte

falta socorro a justiça do
cheiro que suja a mata
a pele faz a casa dos ascos
queima e molha

orgânico
decompõe a mesa bandida
história sem saída, humana
perdida.

Hanna Halm

quarta-feira, 19 de março de 2014

Lançamento do livro "Arquivos pessoais"



Daqui a pouco acontecerá o lançamento do livro Arquivos Pessoais — reflexões multidisciplinares e experiências de pesquisa (FVG, 2014), organizado por Isabela Travancas, Joëlle Rouchou e Luciana Heymann, a partir das 19h, na Livraria da Travessa de Ipanema. 

Desencontros


A uma certa garota

Ó Tempo! Sábio Deus que me atordoas e mutilas!
Por que, Senhor dos Senhores, agora conheci a ela?!
Depois do alvo luar da noite que não perfila
Na aurora dos teus anjos o meu coração ao dela...

Por que Tempo?! Deus com sua etérea magia
Me abandonaste e no meu peito fizeste bater
Um Amor que ela nunca corresponderia
E nem na infinita eternidade há de corresponder?!

Por que a mim corres tão lentamente devagar?!
Por que, nesta angústia de sonho febril,
Há de no meu sangue fazer-se apaixonar
Um amor que para mim é tão triste e vil?!

Por que a mim negaste até o último suspiro?!
Por que na vida me mantiveste a viver?!
Se por ela o meu sonhar não mais miro
E por ela hei de existir no meu morrer!

Guilherme Ottoni

terça-feira, 18 de março de 2014

O incrível álbum de Picolina, a pulga viajante.



Lançamento do livro O incrível álbum de Picolina, a pulga viajante (Peirópolis, 2014), de Laura Erber e Maria Cristaldi. Dia 23 de março, às 16h, na Livraria da Travessa de Ipanema. Imperdível!!

Mas ainda há música



Durante uma semana rimos na mesma cama. Dormimos na mesma cama. Durante uma semana ele me fez acreditar que era o francês mais nordestino que eu conhecia com sua leveza de alma. No vento dos seus cabelos. No verde dos seus olhos. Com os momentos em preto e branco. Durante uma semana ficamos acordados na mesma cama e ele me disse ser filho de um pássaro quando enterrei os dedos nos cabelos dele como se fosse encontrar peixes. A torre Eiffel. O rio Sena. Labirintos. Durante uma semana tivemos tempo para cachaça e vinho e amigos e música alta. O girassol secou. Os grãos, todos, viraram pães e massas e tortas. Durante uma semana ele foi uma caixinha de ferro antiga de uma feira de antiguidade qualquer que guardei segredos e poemas e fósseis e marcas. Durante uma semana ele foi um encaixe perfeito na minha cama com seus amores formando e sua paisagem humana delirante. Não sei quantas semanas depois ele é como um barulho que vai sumindo ao longe e não se sabe precisar o momento exato em que se deixa de escutá-lo. Mas ainda há música.

Franck Santos


Franck Santos é leitor-colaborador do jornal Plástico Bolha da cidade de São Luís - MA. 

segunda-feira, 17 de março de 2014

De borracha


1
vagabundos nós:
classe meia boca, que
mediana
nunca foi atrapalhada
(nem atrapalhou)

vagabundo eles
de morar em favela são culpados

2
se a bala de borracha machuca
a morte,
que é de aço,

fere

3
na multidão insana
das palavras (ões)
alguns por cento doem

4
os suspeitos
morrem subindo a ladeira

5
agora, de vez,
o cala boca voltou

no morro
ele nunca calou

Ibrhaim Domingos


Um poema de Martha Lopes



uma casca de ferida 
tampa morta da dor 
agarra um fio de pele 
uma hora esconde
outra hora exibe
o que pulsa por baixo e por dentro de mim 

nessa dança mórbida 
de compasso de pele pendurada
o corpo sua uma gota
não de suor, mas de sangue
que escorre peito abaixo 
e me desenha caminhos 
rubros e imprevisíveis 

perdida nesses traçados 
descubro-me corajosa: 
com a força de um suspiro
e de um dedo indicador 
arranco a casca da ferida 

em um segundo acabo 
com tudo aquilo que baila  
a dor de uma valsa podre
e assim, renovada
invento outra levada 
para passos de cicatriz.  


Martha Lopes


Martha Lopes é leitora-colaborado do jornal Plástico Bolha da cidade de São Paulo - SP.

sexta-feira, 14 de março de 2014

Hoje é o dia nacional da poesia!



Hoje é o dia nacional da poesia, vamos comemorar e encher a cara de letrinhas!!

Mande seu texto para o jornal Plástico Bolha através do link: Envie seus textos. 

quinta-feira, 13 de março de 2014

Amizade


A minha amizade não exige
estarmos mais ou menos juntos,
ou bem longe ou mais perto.
E ao meu ou ao teu lado,
em idéias bem próximos,
nem um inteiro sorriso aberto.

Ou falar que estamos ótimos,
muito menos me dizer "certo".

A minha amizade não pede tanto,
quer o teu muito do muito pouco,
as com certezas das andanças.
Só espero as boas e más notícias,
e um colorido prato de lembranças.

Eu farei o mesmo num e-mail,
um arroba.com sem cobranças,
e pensarei que o importante
é que existamos um para o outro
nas viagens das caminhanças.

E assim vou, caro amigo,
rabiscando, andando, navegando.

Sei que andas no teu do sempre,
menos em terra e sorrindo voando,
planando sobre tais estranhas terras.
Eu sei, vejo, sou convencido e vidente.

Aceites minhas íntimas confidências:
quão bom seria se os múltiplos amores
fossem concertados na mesma afinação,
regidos pelas amizades sem exigências!

Os dicionários emagreceriam em leves,
seriam esquecidas tantas pejorativas ditas!
Não seriam mais lidas, entendes, percebes?
As tristezas, decepções, adeuses e partidas.

Em caso que não recebas meu e-mail,
confies e jamais penses e consideres mal,
recordas-te da minha repetida premissa.
Que a nossa amizade ri de um final.

José Américo


José Américo é leitor-colaborador do Plástico Bolha da cidade de Visconde de Mauá.