terça-feira, 25 de março de 2014

Até amanhã


amanhã tu vai. leva junto
teu romantismo frank booth
e dedo mindinho a única parte
em que sobra amor. queria aninha ficando
comigo e narrar melhor o vácuo nas garras
do namorado. problema é que aninha não curte
ser aninha. vai pra máquina do tempo ouvir
algum hit dos anos oitenta filme de terror em
dose dupla na apresentação do zé. queria comer
uma palavra sobre os exércitos do crack mas estou
pouco musical num mês tão engarrafado. os amigos
viajam por meses namoradas por milênios cachorros
pelos segundos em que o rabo não cansa tivesse eu
o fôlego dos psicopatas. os pastores dizem ô drummond
meu filho sai desse corpo que não te pertence que os poemas
desse moleque gabriel graças a jesus também não. minha parte
consciente fica ofendida e quer briga mas drummond
que é morto forte e rei não me dá bola. porra carlos.

fim de semana tu vai. com um facão debaixo do braço
e uma máscara de halloween pra dar susto em todo mundo
que todo mundo te incomoda demais. olha beleza sim
mas depois não me venha pedir receita de microondas
ou aquele disco emprestado. vai mesmo embora que deus
proteja. se for pra fazer o seppuku faz direito não faz
esguelha com os comprometidos anota o telefone de casa
não morde ninguém se te chamarem aceita tá com calma
que recusa pode ir sem sangue por favor tua memória
é mesmo uma bosta.

Gabriel Resende dos Santos

segunda-feira, 24 de março de 2014

Abraço a Praça



O jornal Plástico Bolha esteve presente no Abraço a Praça, que aconteceu no dia 21 de março, na praça XV de Novembro, no bairro de Marechal Hermes, Rio de Janeiro, em homenagem ao Dia Internacional da Poesia. Diversos autores do Brasil todo puderam enviar seus versos para a festividade e, literalmente, abraçaram a praça em nome da poesia e da conservação dos espaços públicos.

Veja mais fotos do evento aqui.

Obrigado ao pessoal do Poeme-se e à Su Noguchi! Parabéns pelo evento!!

Viver


Viver
é discutir o indiscutível
inadequado e lírico
inexata exatidão
rajada de impossível.

É se entrevar
manipular estorvos
e conquistar montanhas
passo a passo
tropeçar
e do tropeço refazer o espaço.

Viver é se afogar
e em fogo renascer
no berço brando do amor
e desse amor
tantas vezes morrer
quantas for dado.

Dada Amorim

Águas furtadas, exposição de Laura Erber




quinta-feira, 20 de março de 2014

Ajude o Arranco de Varsóvia


O grupo Arranco de Varsóvia pede ajuda via crowndfunding para lançar seu CD. O Arranco apresenta: Andrea Dutra, Cacala Carvalho e Elisa Queirós — grande amiga do Plástico Bolha! —  nos vocais e Paulo Malaguti Pauleira no vocal, piano e arranjos. Ajude o grupo através do link: http://catarse.me/pt/arranco

Os escritores sempre se enganam


Quando nasce um escritor? Seria no sentido literal da palavra, quando ele é expulso do útero de sua mãe e grita o mundo a plenos pulmões? Ou seria o contrário? O escritor nasce quando dá a luz a sua cria, sua criação, cuidadosamente organizada em folhas de madeira de reflorestamento prensadas e impressas com a ordem do caos de palavras que ele encontrou? Afinal, o escritor é cria ou criatura? É uma antítese de dois? Uma aberração contra a ordem natural do universo?

Faço perguntas, mas a verdade é que eu sei a verdade. Sempre considerei essas ponderações de suma importância, embora nunca tenha perdido a noite pensado sobre isso. A verdade foi iluminada na minha cara, me atingindo como uma bala bem no meio dos olhos. Eu me questionei: Como pude não ter visto isso antes? O qual cego pude ser ao fechar os olhos só porque estava escuro?

A catarse veio enquanto eu lia. Era um livro pequeno, sujo, já velho, de título interessante e o mais importante, de segunda (ou terceira) mão. É bem sabido que os livros adquirem a sabedoria daqueles que o leem e sugam a daqueles que o escrevem. Pois bem, assim como a felicidade, a revelação vem de súbito, matando de susto os de coração frágeis. Quando me dei conta, havia resolvido um problema que desde muito me assaltava. Eu finalmente entendi o momento em que um escritor nasce.

É claro que minha experiência deve ser levada em conta, foi só quando percebi o que estava fazendo que o mistério foi resolvido. Vejam bem, abram os olhos e os ouvidos, fechem a boca e escutem: Os escritores sempre se enganam. Nunca veem o mundo com os olhos, mas antes com a mente. Criam situações e coordenam toda a história em suas cabeças de vento. As pessoas deixam de ser o que são e viram personagens cheias de nuances que não passam de farsas. Os lugares admitem novas interpretações e significados. Nem mesmo o voo de uma borboleta passa ileso pelos escritores (ah, eles adoram voos de borboleta, tão efêmeros e etc.)

Então veio o medo. Olhei o espelho e vi aquele moço, tinha os olhos nervosos, tinha a boca querendo mudar de lugar, e tinha um brilho cansado, meio capenga, sem rumo. Era um escritor. Eu finalmente me reconheci como um, e a primeira vista, não gostei muito do que vi.

Além de escritor, eu também tenho a ousadia de colocar as palavras no mundo e esperar que cada um se vire com elas. Pai irresponsável, eu sei. Nem todo escritor tem a coragem (seria burrice?) de infectar o mundo com sua esquizofrenia nervosa. A maioria simplesmente morre de implosão, os outros, como eu, de explosão.

Admito que o principal motivo que leva um escritor a de fato escrever, é a vaidade. Ela embriaga o ego com palmas e afagos. É a que adrenalina atingi os atletas, é o hormônio que sobe à cabeça no clímax sexual, é pura biologia.

Escrever, afinal de contas, é aceitar o animalesco. Se fantasiar de carnaval e viver quarta feira de cinzas.

Thiago Amorim

Vala



uma carne apodreceu escondida
na vala, cova úmida, onde
olhudos e frios
os sapos fodem

carcaça inflada
encalhada na terra
como desgraça e espera
das feridas abertas.

não há boca que denuncie
a cena. Grite o som
dos furos que
espalham a morte

falta socorro a justiça do
cheiro que suja a mata
a pele faz a casa dos ascos
queima e molha

orgânico
decompõe a mesa bandida
história sem saída, humana
perdida.

Hanna Halm

quarta-feira, 19 de março de 2014

Lançamento do livro "Arquivos pessoais"



Daqui a pouco acontecerá o lançamento do livro Arquivos Pessoais — reflexões multidisciplinares e experiências de pesquisa (FVG, 2014), organizado por Isabela Travancas, Joëlle Rouchou e Luciana Heymann, a partir das 19h, na Livraria da Travessa de Ipanema. 

Desencontros


A uma certa garota

Ó Tempo! Sábio Deus que me atordoas e mutilas!
Por que, Senhor dos Senhores, agora conheci a ela?!
Depois do alvo luar da noite que não perfila
Na aurora dos teus anjos o meu coração ao dela...

Por que Tempo?! Deus com sua etérea magia
Me abandonaste e no meu peito fizeste bater
Um Amor que ela nunca corresponderia
E nem na infinita eternidade há de corresponder?!

Por que a mim corres tão lentamente devagar?!
Por que, nesta angústia de sonho febril,
Há de no meu sangue fazer-se apaixonar
Um amor que para mim é tão triste e vil?!

Por que a mim negaste até o último suspiro?!
Por que na vida me mantiveste a viver?!
Se por ela o meu sonhar não mais miro
E por ela hei de existir no meu morrer!

Guilherme Ottoni

terça-feira, 18 de março de 2014

O incrível álbum de Picolina, a pulga viajante.



Lançamento do livro O incrível álbum de Picolina, a pulga viajante (Peirópolis, 2014), de Laura Erber e Maria Cristaldi. Dia 23 de março, às 16h, na Livraria da Travessa de Ipanema. Imperdível!!

Mas ainda há música



Durante uma semana rimos na mesma cama. Dormimos na mesma cama. Durante uma semana ele me fez acreditar que era o francês mais nordestino que eu conhecia com sua leveza de alma. No vento dos seus cabelos. No verde dos seus olhos. Com os momentos em preto e branco. Durante uma semana ficamos acordados na mesma cama e ele me disse ser filho de um pássaro quando enterrei os dedos nos cabelos dele como se fosse encontrar peixes. A torre Eiffel. O rio Sena. Labirintos. Durante uma semana tivemos tempo para cachaça e vinho e amigos e música alta. O girassol secou. Os grãos, todos, viraram pães e massas e tortas. Durante uma semana ele foi uma caixinha de ferro antiga de uma feira de antiguidade qualquer que guardei segredos e poemas e fósseis e marcas. Durante uma semana ele foi um encaixe perfeito na minha cama com seus amores formando e sua paisagem humana delirante. Não sei quantas semanas depois ele é como um barulho que vai sumindo ao longe e não se sabe precisar o momento exato em que se deixa de escutá-lo. Mas ainda há música.

Franck Santos


Franck Santos é leitor-colaborador do jornal Plástico Bolha da cidade de São Luís - MA. 

segunda-feira, 17 de março de 2014

De borracha


1
vagabundos nós:
classe meia boca, que
mediana
nunca foi atrapalhada
(nem atrapalhou)

vagabundo eles
de morar em favela são culpados

2
se a bala de borracha machuca
a morte,
que é de aço,

fere

3
na multidão insana
das palavras (ões)
alguns por cento doem

4
os suspeitos
morrem subindo a ladeira

5
agora, de vez,
o cala boca voltou

no morro
ele nunca calou

Ibrhaim Domingos


Um poema de Martha Lopes



uma casca de ferida 
tampa morta da dor 
agarra um fio de pele 
uma hora esconde
outra hora exibe
o que pulsa por baixo e por dentro de mim 

nessa dança mórbida 
de compasso de pele pendurada
o corpo sua uma gota
não de suor, mas de sangue
que escorre peito abaixo 
e me desenha caminhos 
rubros e imprevisíveis 

perdida nesses traçados 
descubro-me corajosa: 
com a força de um suspiro
e de um dedo indicador 
arranco a casca da ferida 

em um segundo acabo 
com tudo aquilo que baila  
a dor de uma valsa podre
e assim, renovada
invento outra levada 
para passos de cicatriz.  


Martha Lopes


Martha Lopes é leitora-colaborado do jornal Plástico Bolha da cidade de São Paulo - SP.

sexta-feira, 14 de março de 2014

Hoje é o dia nacional da poesia!



Hoje é o dia nacional da poesia, vamos comemorar e encher a cara de letrinhas!!

Mande seu texto para o jornal Plástico Bolha através do link: Envie seus textos

quinta-feira, 13 de março de 2014

Amizade


A minha amizade não exige
estarmos mais ou menos juntos,
ou bem longe ou mais perto.
E ao meu ou ao teu lado,
em idéias bem próximos,
nem um inteiro sorriso aberto.

Ou falar que estamos ótimos,
muito menos me dizer "certo".

A minha amizade não pede tanto,
quer o teu muito do muito pouco,
as com certezas das andanças.
Só espero as boas e más notícias,
e um colorido prato de lembranças.

Eu farei o mesmo num e-mail,
um arroba.com sem cobranças,
e pensarei que o importante
é que existamos um para o outro
nas viagens das caminhanças.

E assim vou, caro amigo,
rabiscando, andando, navegando.

Sei que andas no teu do sempre,
menos em terra e sorrindo voando,
planando sobre tais estranhas terras.
Eu sei, vejo, sou convencido e vidente.

Aceites minhas íntimas confidências:
quão bom seria se os múltiplos amores
fossem concertados na mesma afinação,
regidos pelas amizades sem exigências!

Os dicionários emagreceriam em leves,
seriam esquecidas tantas pejorativas ditas!
Não seriam mais lidas, entendes, percebes?
As tristezas, decepções, adeuses e partidas.

Em caso que não recebas meu e-mail,
confies e jamais penses e consideres mal,
recordas-te da minha repetida premissa.
Que a nossa amizade ri de um final.

José Américo


José Américo é leitor-colaborador do Plástico Bolha da cidade de Visconde de Mauá. 

Espadas


Badaladas ecoam nas paredes frias da pequena cidade de ladeiras. Velhas gordas com as cabeças cobertas por véus de renda preta se debruçam nas janelas. Homens e mulheres num mutismo absoluto arrastam seus sapatos nas calçadas, circundando a praça. Aos poucos, a banda triste se aproxima. Um homem quase nu, lanhado, pregado numa cruz é carregado no meio da rua por homens de capas roxas. As velhas, de lenço preto, estão por toda a parte, nas janelas, nas ruas, misturadas à multidão. Tenho medo. O que estão fazendo? Minha mãe me enche de respostas que não consigo entender, mas aceito-as. Por que não tiram o homem dali? O som metálico da matraca estala nos ouvidos e ecoa no silêncio. Sussurros. Cheiro acre de gente e velas. Quero ir embora. Tenho medo da jovem loura, bonita, de manto roxo e a espada cravada no peito.

Devo ter olhado muitas vezes para aquela imagem antes que eu pudesse formular pela primeira vez a pergunta.

– Mãe, o que é isso? Quem é essa mulher? Por que tem uma espada fincada no peito?

– É a nossa mãe do céu e a espada simboliza a dor que ela sente pela morte do filho que foi crucificado.

Ela contava sempre a mesma história, que me fascinava, num misto de piedade e medo. Mas o que me fazia repetir a mesma pergunta mil vezes, hoje sei, era entender por que as pessoas não tiravam a espada da mulher. Por que aquela adoração pelo sofrimento alheio? Foi assim que aprendi a temer a Deus. Minha noção de religião foi construída sobre as bases da igreja católica apostólica romana mineira.

Hoje entendo quem teve a idéia de simbolizar assim a dor. É, definitivamente, como sinto meu peito hoje – cravado por uma espada que ninguém tira. Por que não consigo arrancá-la? Exibem a santa com a espada para ensinar a sermos condescendentes com a dor. A santa e eu hoje somos a mesma pessoa. As espadas estão atravessadas no meu tórax e não sei como tirá-las. Não me ensinaram isso. A dor é para ser contemplada com resignação e respeito, aprendi.

Estou no centro do meu quarto, vestida com a mortalha roxa, com as lágrimas petrificadas no rosto e as espadas atravessadas. Doo inteira e não tenho força para mais nada, a não ser recolher-me ao meu imobilismo. Transformei-me na mulher horripilante de cera, com as espadas no peito e estou com medo de mim. Há uma procissão de velhas nesse quarto agora. Ouço seus passos arrastados, ouço as ladainhas, mas não enxergo ninguém. Não há rostos. Novamente não há rostos, mas sinto a presença das carpideiras chorando. (expiando os meus ou seus próprios pecados?) As beatas andam em círculo em volta de mim, da mulher dor, da Senhora das Dores. Por que essas loucas não arrancam minhas espadas e tratam das minhas feridas? Que prazer há nelas em adorar meu sofrimento? Hoje entendo a imagem horripilante da santa com a adaga cravada no peito e sua expressão resignada. Ela estava ali, sim, era para nos rogar uma praga: “Espere que um dia você também terá as suas espadas”.

Me lembrei da menina passeando com a mãe no Jardim Botânico. Ao avistar de longe a noiva tirando fotos, saiu correndo fascinada, gritando: “Mamãe, a Cinderela! Mamãe, a Cinderela!” Mas a noiva, tão ocupada com a sua própria fantasia, não teve nem um olhar para a menina. A criança ainda não sabe, mas a mulher atravessada pelas espadas é o futuro da Cinderela. Mas isso ninguém conta.

Júnia Azevedo

quarta-feira, 12 de março de 2014

Díade (ou Lacaniana II)


Seria a realidade intocável
inalcançável?

O sentir dos olhos, cheiros, tatos
são letrinhas como eu e você
se misturam e dançam pensamento
formando poças de palavras
de legível sentimento

Como posso dizer que é real
sem decifrar as estrelas
sem ver os símbolos das nuvens?
sentir é ler escrituras
 (nas entranhas, xilogravuras)

Nessa díade
um e outro em comunhão
frio e calor luz e escuridão
desejo e objeto

nossa realidade
está no alfabeto

Fernando Del Mando Lucchesi

Arte visual de Gringo Carioca



Gringo Carioca.


Gringo Carioca tem outras artes no blog do Plástico Bolha, e participou do Desafio Poético da edição #28 do jornal. 

terça-feira, 11 de março de 2014

Virado à Paulista


Eu desejei me perder nas suas curvas
E saciar-me com tua beleza
Os seus céus cor de prata, cegam minha visão ensolarada.

Parado no farol, só vejo a alegria dessa vida corrida
Tuas praças, parques, bares tudo vibra
As pessoas que aqui moram tem por tí, amor sem fim

Tua comida, tua bebida, tuas melodias
Alimentam a imaginação de quem passa
E é a praia dos que se aventuram por tuas ideias.

És tu São Paulo, terra de música, de poesia e alegria
Chorinho e cerveja na mesa do bar
Flauta e violão pro teu povo cantar.

Marina Stela

Um texto de Carolina Leta


silêncio.

no teatro, em tempo de espetáculo, logo abaixo à superfície, nos dias. lhe sou serviente: me deixo calar. não tenho interesse em falar e a ânsia me acomete cada vez menos. os diálogos que tive pela pele, através dos gestos, ali, pelo externo da retina me botaram cara a cara com o que existe, com um indizível acolhedor que fazia pregar por adoção. as palavras são nomes vazios, hordas de letrinhas tapeando no céu da boca de cada um. estão ali obviezando. já não tivemos o suficiente? intrusas de festa, estávamos seguindo bem sem elas: a passos sensíveis, em caminhos de percepção, vagando no sentir de um outro. outros. em misturas intermitentes. lavagens de água e vento.

uma palma da mão de temperatura morna alça vôo à testa ou à face corada e o mundo inteiro reside ali. tudo em volta é estátua ou movimento passageiro, paisagem distante. um corpo deitado no chão e uma música em bom tom me deixam de estômago cheio. você não existe, as paredes não existem, toda minha vida se esvai entre cada corda do fado. E toda uma beleza, uma força tão cinza e emocionada que entra por  mim, transforma sangue, veia, orgãos em matéria da mesma qualidade: faz de tudo miséria transparente. um choque em série de calmaria triste e frenesi palpitante, quem chegou? o espanto segue contínuo: como é bonito! queria viver disso, de sensação sem peso, cabeça inativa: o instante, aquele único, me parece traduzir toda a cultura, sociedade, sentimentos, sensações, horrores, loucuras, prensados em segundos. eles fecham meus olhos e de repente estou azul. logo depois branca. se deixar colorir é dos primeiros estágios assim que se para de vomitar palavras. engulo-as; faço delas resto de mim.

se te dirijo a palavra é porque os sentidos encolheram.

mas se te enxergo, perceba, meus olhos me jogam nua à você.

Carolina Leta

segunda-feira, 10 de março de 2014

Ricardo Sternberg lança novo livro



Autor de The invention of Honey, Map of Dreams e Bamboo Church, e entrevistado da última edição do jornal Plástico Bolha, Ricardo Sternberg lança o livro Some Dance (McGill - Queens University Press, 2014), na cidade de Toronto - Canadá. 

Ponto de cruz


choro
a erosão
do tempo
traçado
em ravinas

sei do que é
deserto:
o caminho
do homem

a vida é trama
dedicada à seca

entrelaçam-se 
desmandos
desenganos
desenredos

no horizonte
de esperas
o sertão bordado
de mandacarus

escrevo meu rumo
no ponto de  cruz

Jorge Ventura

domingo, 2 de março de 2014

Um poema de Adridous


Haverá um tempo de linhas imprecisas
onde não importa a princípio e a saída
e tudo se arranjará tão bem
como num embrulho de quereres
amplo e desorganizadamente eficaz.
O outro será descomplicado como você
qualquer outro será o seu amor
como num bloco de carnaval
sem interrupções
sem marasmos
apenas essenciais estripulias

Adridous