quinta-feira, 11 de abril de 2019

o potencial do estrago


tu: ainda tão novo
já lâmina aguçada
(cega também: ao tempo
que vem depois do talho)
prenhe de tanta dor
que dentro de teus dedos
borbulha e se condensa
ávida por tornar-se
enchente

Thássio Ferreira




Thássio Ferreira é poeta, escritor e advogado. Nasceu em 1982, em São Gonçalo, cresceu em Niterói e passou posteriormente a morar no Rio de Janeiro. Lançou, em 2016, o livro de poemas (DES)NU(DO), pela Editora Ibis Libris.

quarta-feira, 10 de abril de 2019

FIM, poema de Pedro Du Bois


Imagem em que te enxerga
enquanto o dia não chega
porque o mundo acabou
antes da alba

remoças o corpo em que te vejo
na idade vulgar: carinho
com que te entrego
o mundo antes que acabe

recomeças a imagem
em passado tempo
de reflexo malfeito
e na poça d’água pisas
o barro molhado
de que serias feita

refazes o início
em renovada imagem e reflexo

o que vês te alucina: passas
pela estrada em que não chegas
que o mundo findou teu destino.

Pedro Du Bois

terça-feira, 9 de abril de 2019

Carnaval no Rio


De tempo em tempo me estranho. Deito no divã de Gabriela. Deito no silêncio e nas palavras que me compõem. Denuncio-me. Descubro o encoberto: por vezes não acompanhamos nossas próprias mudanças. Meu carnaval nem sempre vai coincidir com a agenda da cidade. O sagrado e o profano dançam em mim num ritmo particular. Meu corpo mudou. Minhas costas mudaram – as gorduras agora se acumulam nelas, e outros excessos também. Transitando entre intransponíveis e transposições, novo fim; novo começo. Rio. E penso se é escolha de Sofia transportar Francisco.

Renata Rosa



Renata Rosa é nossa colaboradora de Santa Cruz, Rio de Janeiro.

segunda-feira, 8 de abril de 2019

uma senhora em minha vida


ai Wanda, quanta vontade
volta,
me volta vasta, vazia
volta Wanda
me volta várias
me volta vaga
vem vulgar, vício e vulva
Wanda, volta!
vantajosa, voluptuosa, viúva
verdade e vassoura
me volte vil, vadia
vitoriosa
vespa vândala
volta, Wanda!

Kleber Bordinhão

Sarauzeiras Oníricas na FLIPORTELA


domingo, 7 de abril de 2019

Um haicai de Rodrigo Ribeiro



Vamos logo
Quanto mais tarde, mais caro
O psicólogo

Rodrigo Ribeiro



Rodrigo Ribeiro mora no Rio de Janeiro, tem 31 anos e escreve haicais.

sábado, 6 de abril de 2019

Lançamento de "Correspondência - Mário de Andrade e Alceu Amoroso Lima" na PUC-Rio


Seu Antônio


Todo dia quando acordo vou tomar um café no bar da esquina. Sempre um expresso duplo, daqueles de máquinas. É a primeira coisa que faço quando o dia começa, e só é um bom dia se eu tomar meu café.

Acontece que nesse bar que, como a poetisa Matilde Campilho chamou de “padaria fétida onde os notívagos encontram sua última dose”...isto é, quando, às 6 da manhã a padaria-bar abre as portas, os notívagos se encontram com os madrugadores, os que acordam cedo, e fazem a fila pra comer seu pão na chapa enquanto que os notívagos viram sua última gota de álcool que encontram entre o último bar que fechou e o primeiro a abrir as portas...

Nessa padaria fétida o primeiro a abrir as portas é Seu Antônio. Acho que Seu Antônio é português. Ele não fala muito. Pelo menos, não que os outros escutem...acho que fala de si para si.

Foi numa dessas madrugadas que reparei numa coisa. Se alguém chega muito agitado no bar, dando bom dia para todos numa alegria um pouco desmedida, como se fosse bom acordar três e meia pra trabalhar no calor de uma padaria do outro lado do mundo, Seu Antônio serve o café com uma resposta sussurrada: um simples, verdadeiro, e quase inaudível “vai tomar no cu”!


Bernardo Sá Earp



Bernardo Sá Earp é artista visual e está iniciando seu caminho na escrita. Estudou Filosofia na PUC-Rio e viu o Plástico Bolha nascer.

A Flipoços 2019 está chegando!


segunda-feira, 1 de abril de 2019

Sacrifícios


Amor. Desejo. Dificuldade. Desistência.

Um golpe certeiro. Apenas deixo a colisão tornar-se um rodeado de chamas, chamas que agora, me impedem de atravessar, sobrando apenas o mais profundo e também familiar, abismo.

A brasa consumiu.

Ainda quero continuar observando o caos que isso causou.

Preciso de água. Não. Um tsunami. Não preciso de nada mais.

Está cada vez mais denso e escuro.

O cheiro de putrefação vem de dentro. Dentro do meu íntimo. Do meu coração. Da minha essência em pedaços.

Você tem cola?

Yasmim Corsani

sábado, 30 de março de 2019

Série Banho I - Bruna Pelúcia




Série Banho I é uma das obras expostas em Oníricas, a exposição coletiva que estará na Sala José Cândido de Carvalho, em Niterói, entre os dias 13 de março e 13 de maio de 2019. Essa exposição, elaborada pela iniciativa Do Feminino na Arte, traz ilustrações que levam seu público a um mundo fantástico. Os espectadores podem se distanciar de suas realidades e se transportarem quadro a quadro para outras dimensões como lhe aprouverem.

Visitação: de 13 de março a 13 de maio de 2019
Segunda a sexta, das 9h às 17h
Local: Sala José Cândido de Carvalho
Endereço: Rua Presidente Pedreira, 98, Ingá, Niterói-RJ
Informações: (21) 2719-6939/ 2719-9900
Entrada gratuita

Mais informações: https://www.facebook.com/dofemininonaarte