sexta-feira, 29 de setembro de 2023
REFLEXOS
quinta-feira, 28 de setembro de 2023
quarta-feira, 27 de setembro de 2023
Um poema de Isabelly Gama
quando Ismália enlouqueceu pôs-se no mundo a viajar amarrou uma corda nos pés e foi do grand canyon se jogar de bungee jumping Isabelly Gama
terça-feira, 26 de setembro de 2023
CONTRIBUIÇÃO MILIONÁRIA?, de Zilka Vasconcelos
Botei maionese no doce de leite, E agora não querem que eu faça o sorvete. Zilka Vasconcelos
segunda-feira, 25 de setembro de 2023
TÁGIDE
Cantada pelo Poeta,
Nereida que nada no rio,
Desci da Espanha
Num caudal imenso
Até chegar ao mar de Portugal.
Sou uma tágide,
Ninfa do Tejo,
O meu desejo é inspirar o Poeta,
Dar-lhe som alto,
Sublimado,
Estilo solene
De quem toca com fúria
E sem pejo
Um saxofone de ouro.
Sou uma tágide
Ninfa do Tejo,
Vejo pinhais e carvalhos,
Montanhas pelas margens,
Passo por pontes,
Docas,
Paquetes
Até o estuário
Onde pássaros gigantes
Fazem ninhos
Em estranhos ramalhetes.
Sou uma tágide,
Ninfa do Tejo,
Noiva e sereia,
Rosa e areia,
Embora ninguém ouça minha voz
Latejo ainda,
Oculta em ondas
Como as naus e as caravelas
Que partiram
Rumo à foz.
Sou Tágide,
Ninfa do Tejo,
Consolidei tua obra, Poeta.
Raquel Naveira
domingo, 24 de setembro de 2023
Arte poética, de Alexandre Bruno Tinelli
É tempo de aprender
a dominar as cordas
que entrançam a luz
no limiar das horas.
É tempo de aprender
as cordas que me dominam
e de domar as horas
sob a luz da disciplina.
É tempo de aprender
para depois abrir mão
de cordas luzes e horas
que tocam meu coração.
sábado, 23 de setembro de 2023
Homenagem à Flora Diegues
Eu amo a Escola Parque.
sexta-feira, 22 de setembro de 2023
Fantasmas, um poema de Gabriel Harle
Braços abertos ao alcance de Morfeu.
Gabriel Harle
quinta-feira, 21 de setembro de 2023
3 TENTATIVAS DE 3 POETAS EM 3 VERSOS:
TENTATIVA 2- O QUE CHORA
Quatro horas nesse ônibus e eu aqui ainda escrevendo esse mesmo poema que não sai por mais que eu tente eu insisto que eu te amo mas meus poemas revelam que é mentira e eu ainda não acredito neles mas certamente eles sabem mais do que eu.
TENTATIVA 3- O QUE BEBE (ADENDO)
Escrevo este poema sem versos porque estou bêbado e nessa pequena — nesse pequeno guardanapo não cabem as divisões necessárias então melhor sacrificá-las. O sacrifício sempre cabe. Escrevo este poema sem versos porque preciso. Preciso escrever este poema porque — estou bebendo — estou bebendo — Estou bebendo pelo mesmo motivo que preciso escrever esse poema. Me convenci que preciso e sendo prec— me convenci que preciso e aqui estou, tornando minhas ideias sobre mim mesmo na realidade.
quarta-feira, 20 de setembro de 2023
Um texto de Isabelly Gama
terça-feira, 19 de setembro de 2023
O canto, um poema de Bruno Jablonski
como é lindo o bom canto
cantar bonito é uma escuta
Bruno Jablonski
segunda-feira, 18 de setembro de 2023
Cecília Meireles: uma análise de poemas selecionados de Viagem, por Tatiana Cavalcanti
CANÇÃO
Pus o meu sonho num navioe o navio em cima do mar;– depois, abri o mar com as mãos,para o meu sonho naufragar.Minhas mãos ainda estão molhadasdo azul das ondas entreabertas,e a cor que escorre de meus dedoscolore as areias desertas.O vento vem vindo de longe,a noite se curva de frio;debaixo da água vai morrendomeu sonho, dentro de um navio…Chorarei quanto for preciso,para fazer com que o mar cresça,e o meu navio chegue ao fundoe o meu sonho desapareça.Depois, tudo estará perfeito;praia lisa, águas ordenadas,meus olhos secos como pedrase as minhas duas mãos quebradas.
ACEITAÇÃO
É mais fácil pousar o ouvido nas nuvense sentir passar as estrelasdo que prendê-lo à terra e alcançar o rumor dos teus passos.É mais fácil, também, debruçar os olhos no oceanoe assistir, lá no fundo, ao nascimento mudo das formas,que desejar que apareças, criando com teu simples gestoo sinal de uma eterna esperança.Não me interessam mais nem as estrelas, nem as formas do mar,nem tu.Desenrolei de dentro do tempo a minha canção:não tenho inveja às cigarras: também vou morrer de cantar.
Tatiana Cavalcanti
joão
Volte lá e diga a João que lhe corto o pinto se me trair e
eu ficar sabendo. Mas só se eu ficar sabendo. Que se vire
pra esconder seus desatinos.
Ana Elisa Ribeiro
domingo, 17 de setembro de 2023
Distrito Federal
ainda há galhos tortos de serrado
onde se tornou concreto
o traço arquitetônico deste plano piloto
não sei onde vi o nordeste
não no barro vermelho Taguatinga
não no ar áspero cortando narinas
talvez no esquecimento
Adriano Lobão Aragão
sexta-feira, 15 de setembro de 2023
Mar
A forma quase hipnótica do encaracolar das ondas respinga gotículas de algo momentaneamente grandioso. Girando, engolindo tudo para si. Um redemoinho espiral, assustador e natural. Se Machado temia a indagável ressaca, quem sou eu para não ouvi-lo?
Olho em volta. Como se a imensidão já não fosse solitária o suficiente, pequenos borrões mostram o que os olhos não enxergam com nitidez. Talvez não seja tão solitário. E como o estatelar de um vidro, o ciclo recomeça. A espuma chega com o quase tilintar do resto de pélago e mostra a doçura dos pequenos chiados. Apaixonantes e inegáveis. E quem dera eu pudesse ser a própria ressaca. Recomeçar a cada batida na areia, engolir e atrair tudo para mim.
quinta-feira, 14 de setembro de 2023
TUCANO
Os pais:
Uma briga como todas as outras que
não acabam até que uma das nossas
crianças apareça. Daí, nos amamos
e é uma delícia como sempre é.
As filhas:
E aí eles levam a gente pra passear
e ver os bichinhos e as árvores.
Os passarinhos que brincam nas árvores
que a gente olha quando vai passear.
Os passarinhos voam e cantam
mas logo acima os tucanos
se jogam de rasante atacando
os passarinhos que gritam se desesperando,
agora eu entendi porquê o tucano tem esse bico.
É pra matar os outros bichos. Tão lindo. Colorido.
José Bial
quarta-feira, 13 de setembro de 2023
Um poema de Isabelly Gama
cavo no fundo de mim mesma as palavras como uma mina de dicionários próprios a ser explorada
encontro vocabulários brutos
garimpo as melhores sílabas
prontas pra uma métrica sem ritmo vasculho as palavras inventadas as locuções desregradas
o verso inexistente
escavo
perfuro
raspo as paredes de mim
me arranho na esperança de ter uma mísera poesia debaixo das minhas unhas
Isabelly Gama
terça-feira, 12 de setembro de 2023
PRÊT-À-PORTER, um poema de Zilka Vasconcelos
Crocodilai-vos, tristes lagartixas, Proporcionando bolsas às madames. Zilka Vasconcelos
segunda-feira, 11 de setembro de 2023
Depois da Primavera, de Guilherme Freire
Guilherme Freire
domingo, 10 de setembro de 2023
exemplo, quarteto de Lucas Viriato
esse exercício me parece fácil
e tem quem ache que ficou difícil
mas que fuzila como faz um míssil
Lucas Viriato
sábado, 9 de setembro de 2023
Biodiversidade, de Paulo Henriques Britto
Há maneiras mais fáceis de se expor ao ridículo,
que não requerem prática, oficina, suor.
Maneiras mais simpáticas de pagar mico
e dizer olha eu aqui, sou único, me amem por favor.
Porém há quem se preste a esse papel esdrúxulo,
como há quem não se vexe de ler e decifrar
essas palavras bestas estrebuchando inúteis,
cágados com as quatro patas viradas pro ar.
Então essa fala esquisita, aparentemente anárquica,
de repente é mais que isso, é uma voz, talvez,
do outro lado da linha formigando de estática,
dizendo algo mais que testando, testando, um dois três,
câmbio? Quem sabe esses cascos invertidos,
incapazes de reassumir a posição natural,
não são na verdade uma outra forma de vida,
tipo um ramo alternativo do reino animal?
sexta-feira, 8 de setembro de 2023
Dois decassílabos de Vicente Valle
Hoje te falo, guarani destróier
Vicente Valle
quinta-feira, 7 de setembro de 2023
GAZAL PARA NASRIN SOTOUDEH
A terra amarela que viaja até aqui.
Através de filmes que não poderiam existir.
De onde vieram os maiores poetas Abbas, Mohsen, Jafar Panahi.
Com poucos recursos e muitos motivos se filmam nos outros e falam de si.
Cultura tão parecida e distante intimidades, desejos e vidas que assisti.
Rostos tão brasileiros e morenos Iranianos, Turcos e Árabes que parecem daqui.
E que todos assistam Táxi Teerã e conheçam de perto a Nasrin
para sentir a tragédia que está se anunciando…
Sua prisão trágica que não podemos silenciosamente assistir.
José Bial
Na foto, Nasrin Sotoudeh, advogada de direitos humanos iraniana.
quarta-feira, 6 de setembro de 2023
Dia D
até aquele dia eu
ouvia a primavera no vento
podia saborear a cor das abelhas
sabia falar a língua dos mares
até aquele dia
até aquele dia que eu tateei
na minha própria voz
o mar no céu
em uma tempestade desesperada
de um nativo que tá sendo invadido
por dentro
como o mar não me avisou?
até aquele dia…
que eu ia perdendo os sentidos
e o sentido da vida que agora era…
de um nativo que agora sabe que
é perigoso dançar debaixo das noites
justamente nas noites que
eram tão claras! e não são mais claras
estão tão escuras
como o mar não me avisou
que eu ia perdendo o cheiro das coisas
que eu ia perdendo o cheiro do ar
sem respirar
como o mar não me avisou
que eu ia me acabar em mar
que eu ia me acabar em nada
sem saber nadar Isabelly Gama
terça-feira, 5 de setembro de 2023
Um poema de Milena Marques
E sem choro.
Inchaço, frieza e roxo
como adorno.
Primavera por um cordão virou outono.
Desesperada suavemente arrancou o abrupto
cordão característico a nativo de útero.
E as mães de natimortos, eternamente, abandono.
Enquanto a placenta anoitece com o sangue se pondo.
De todas as noites, essa costura
para sempre o sonho.
Do meu filho só ficou, justamente, os pontos. Milena Marques
segunda-feira, 4 de setembro de 2023
contos dum canto
a casa comprei
com as lembranças acumuladas
nada que não sei
seixa as paredes amargas
a dívida eterna
de lhe entrar sem seres minha
a dividida e terna
face que encarnas sozinha
vinte contos eu gastei
sem pensar nos dividendos
nas portas que arranquei
pelas têmporas ardendo
imponderáveis desejos
de aproveitar o dia
insuportáveis lampejos
mundo: porcelana fria
Luisa Issa
domingo, 3 de setembro de 2023
Orvalho
Nada melhor
que uma manhã nublada
de domingo
de madrugada chuvosa.
Folhas com restos d'água
molham o papel:
gozo que escorre lento
pelas pernas e pelos — fel.
Marcela Sperandio
sábado, 2 de setembro de 2023
5° episódio do podcast sobre Darcy Ribeiro
LANÇAS
Pus uma lança na lua, bem cravada:
A de etnólogo, doutor de indianidades.
Uma segunda lança lancei. Lá está,
Trêmula, pregada na primeira: a de educador.
Outra lança, ousado, atirei, valha-me Deus,
acertou: a de político reformador.
Louco, mais uma lança atirei aos céus,
Querendo glória. Lá está vibrando: romancista sou.
Agora, temerário, essa quinta lança disparo
Para voar, querendo acertar: a de poeta.
Darcy Ribeiro
Limerick 1
Havia um bêbado lá na Taquara
que só saía dos bares na marra
e foi jogar sinuca
mas sem taco nem cuca
baixou as calças e usou sua vara.
sexta-feira, 1 de setembro de 2023
Equinócio de Primavera
Em Dublin, Cian e Saoirse encontram-se diante do regato num arvoredo. Longos e fartos cílios descortinam os olhos cor-de-esmeralda da jovem irlandesa, que se despede do rapaz sardento com um beijo. A garota de cabelos cor de cobre corre pelo atalho do bosquedo, onde um esquilo passa ligeiro e aparece do outro lado de um tronco musgoso. O tram anuncia a sua chegada sonora sobre os trilhos, enquanto os passageiros a bordo escutam: Balally / Baile Amhlaoibh. A ruiva de rosto corado desce rápido pelos degraus que ressoam o toc, toc, toc do salto discreto de seus sapatos envernizados. As suas pernas cobertas com meias três quartos apressam-se, após o último toque de partida. A saia xadrez de Saoirse drapeja ao vento e por um triz não fica presa entre as portas. Em seus fones de ouvido, ela está escutando Beautiful Day. As estações vão passando, pessoas entram e saem até o destino final anunciar em inglês e gaélico irlandês: St. Stephen’s Green / Faiche Stiabhna. Todos descem. Os tons crepusculares estão se recolhendo. Partindo de Dún Laoghaire, um nativo de olhos azuis cerúleos entra no trem interurbano, carregando um Ulysses. Entre o polegar e o indicador há muitas páginas já lidas. Finalmente, o leitor sossega os dedos no marcador do livro e reinicia sua jornada dublinense. Já está quase anoitecendo, quando Cian desce ao ouvir: Dublin Pearse / Stáisiún na bPiarsach. O clima noturno está cada vez mais aprazível. Enquanto para uns os momentos de shenanigans estão apenas começando, outros se despedem da cantoria celta, sonhando com as horas de luz solar que estão por vir. Em todo caso, amanhã haverá outra noite de Whisky in the Jar. Alice Osti
quinta-feira, 31 de agosto de 2023
Noite, um poema de Letícia Simões
Letícia Simões
quarta-feira, 30 de agosto de 2023
Um poema de Carlos Andreas
Quero um emprego, uma bolsa de estudos
Sou um Olmeca faminto nas matas do Tinguá
Vou beber cachaça em Santo Amaro ou no Kuwait
Carlos Andreas
terça-feira, 29 de agosto de 2023
FLOR DA IDADE
Homem que chora vira
Daniel Viana
segunda-feira, 28 de agosto de 2023
Multidão
Livre para descobrir que a noite é um lago,
Televisão para assistir estrelas.
Augusto de Guimaraens Cavalcanti
domingo, 27 de agosto de 2023
sábado, 26 de agosto de 2023
Um poema de Masé Lemos
Minha bisavó materna dizia:
Masé Lemos
sexta-feira, 25 de agosto de 2023
quinta-feira, 24 de agosto de 2023
4° episódio do podcast sobre Darcy Ribeiro

Dianoia, um poema de André Vinicius Pessôa
quarta-feira, 23 de agosto de 2023
epilepsy is dancing, poema de Tatiana Pequeno
meu pai alegre sua mão tremendo fingindo ser maestro alguma
[música
[seguidamente para o alto onde vibra o pó enigmático da luz)
Tatiana Pequeno
terça-feira, 22 de agosto de 2023
CAFÉ DA MANHÃ
— Mãe, como chama quando
Daniel Viana
segunda-feira, 21 de agosto de 2023
SERTRANSNEJA BALAIEIRA
Travesti que é balaieira
Roda no maracatu
e resiste com o corpo do balaio
Na flor do caju
Travesti é ser vivente
da sobrevida no sertão
enfrentar ódio indolente
é mais que aperreio, bala e facão
Foram chamar as trava da peste
Que é que há se eu vim do nordeste
eu vim de lá
eu vim de lá,
Roda balaieira
Vai rodando sem parar
Vai rodando no balaio
Na flor do maracujá
Axé maracatu elétrico
Axé meu povo nagô
Axé as trans de Aracatiaçu
Dança dança meu amor
Tertuliana Lustosa e Wescla Vasconcelos
domingo, 20 de agosto de 2023
haicai semiárido, um poema de Thais Vicente
louvável é a chuva
Thais Vicente
sábado, 19 de agosto de 2023
Oráculo, um poema de Alzira Umbelino
Ainda que na contramão do mundo
para os passos do herói nada de sortilégio
Um minotauro em seu trono
mais que labirinto mais que olimpo
no pergaminho do tempo
Alzira Umbelino
sexta-feira, 18 de agosto de 2023
Um poema de Paula Reis Vianna
musguinhos são os cabelos da rocha
Paula Reis Vianna
quinta-feira, 17 de agosto de 2023
3º episódio do podcast sobre Darcy Ribeiro

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