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segunda-feira, 26 de julho de 2010
domingo, 25 de julho de 2010
Dia nacional do escritor no Planetário do Rio!
Hoje, o jornal Plástico Bolha foi convidado a participar das comemorações pelo Dia Nacional do Escritor, no Planetário do Rio, como parte do evento Planetário Social. Representaram o jornal os autores Alice Sant'Anna, Camila Justino, Lucas Viriato e Mariano Marovatto. Foi um papo muito agradável e descontraído, onde a plateia demonstrou bastante interesse pelos livros, a leitura e o mundo literário. Cada um falou um pouco de sua breve trajetória como escritor e, em seguida, foi a hora da leitura de alguns poemas de nossa autoria. Ao final, as perguntas e o tradicional sorteio dos livros, alegria das crianças de todas as idades. Depois, indo embora pela Gávea, o ônibus que levava nossa ávida plateia de volta para casa, cruzou conosco na rua com todos acenando afetuosamente, com Plástico Bolhas e nossos livros nas mãos, gerando uma sensação de reconhecimento muito inusitada nos quatro jovens escritores. Agradecemos ao Planetário do Rio pelo convite.
Desafio Poético: "amores vagos" em poema!
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Seguindo a filosofia do novo selo, o Plástico Bolha vai dar uma estilingada e escolher dois poetas para receber AMORES VAGOS, que, em quatorze contos, fala de encontros e desencontros, chegadas e partidas, de amores ácidos e cortantes, mas também de doçura e aconchego. Basta enviar seu poema sobre o tema para o e-mail do jornal. Escolheremos dois premiados, que ganharão exemplares do livro, se comprometendo a não quebrar a corrente, fazendo o livro circular, numa ciranda sem fim.
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Teclem com vontade, estilinguem livremente. Afinal, amor nem sempre rima com dor... e um vago amor pode se tornar preciso e verdadeiro.
sexta-feira, 23 de julho de 2010
Amores Vagos — um livro de mão em mão
.Essa é a proposta de um grupo de escritores, que escolheram para seu projeto o nome estilingues. O primeiro livro, Amores Vagos, estará à disposição dos leitores em várias pousadas da FLIP deste ano.
A ideia de que cada leitor passe adiante seu exemplar, promovendo a leitura, se assemelha à dos movimentos Fureur de Lire, na França, ou bookcrossing, criado por um americano, e que acaba de desembarcar na Espanha: os livros são deixados em um lugar público, um vagão de metrô, uma lanchonete, uma loja, para que outras pessoas deles desfrutem.
Está prevista a distribuição de Amores Vagos em diversos eventos literários pelo Brasil afora, em universidades, e onde mais surgirem leitores interessados.
O grupo, formado em uma oficina literária, nos anos 1980, no Rio de Janeiro, publicou A palavra em construção, coletânea de contos, em 1992; em projetos individuais, Cristina Zarur, Miriam Mambrini, Marilena Moraes, Nilma Lacerda, Vânia Osório, Sônia Peçanha e Alexandre Brandão garantiram boas críticas e alguns prêmios.
quarta-feira, 21 de julho de 2010
segunda-feira, 19 de julho de 2010
Concessão, um texto de Marcus Paulo Eifflê
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A desigualdade nas interpretações será sempre um motivo de discussão. Isso é bom para programa esportivo. Tudo tem pontos de vista diametralmente opostos. Diz a regra da manutenção duradoura para um casal que intencione atravessar discordâncias que ele não pode ter tantos pontos de vista dessemelhantes manifestos gratuitamente, ou isso encurtará a vida útil da união. Às vezes, o melhor mesmo, pro bem da estabilidade do matrimônio, há quem diga, não eu, que o melhor é fazer vista grossa. Em certas ocasiões. Cada um faz a concessão que achar que aguenta.
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— Diz qualquer coisa.
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— Dizer o quê?
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— Diz que é um idiota.
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— Eu não sou um idiota.
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— Diz que vacilou.
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— Você já devia ter aprendido que as coisas não são preto no branco.
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— Eu quero que você vá colorir o quadro no tribunal, então.
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— Precisa tanta incompreensão?
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— Sai daqui, sai. Vai prum hotel. Qualquer lugar.
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— Esse apartamento é meu.
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— Não durmo com você nesta casa.
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— Fica acordada. Você não tem insônia?
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— Diz que vacilou, pede o meu perdão...
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Ele se repôs na pose, como se cedesse no seu orgulho:
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— Você me perdoa se eu disser?
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— Eu digo o que eu achar melhor.
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— Que loucura.
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— Se desculpa, fala alguma coisa do coração, pelo amor de Deus.
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— Perdão. Mas com reservas.
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— Que reservas, seu canalha?
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E ele abre os braços, dramaticamente:
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— Era virtual!
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Marcus Paulo Eifflê
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quinta-feira, 15 de julho de 2010
Azul-mar, um poema de Rafael Magalhães
.Sinto muita saudade
de você, tem dias que eu sinto
que sou ilha perdida
no meio de tanto mar
como fui me separar?
de um continente tão forte
deixei pra trás
muita terra segura
passei por tempestades
tormentas, chuvas imensas
e agora uma calmaria
em que paro tudo
e observo do mirante
o oceano, atlântico
pacífico, gigante
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Rafael Magalhães
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Rafael Magalhães é nosso leitor e colaborador de Vila Velha, ES. Esse é o seu segundo poema no Blog do Bolha.
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terça-feira, 13 de julho de 2010
Conto da menina-mãe, por Isabella Pacheco
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Ela cozinhava. Já. O antebraço menor do que a colher-de-pau que mexia a carne moída na panela, a pequenina subia num banco de madeira que ora pendia para os lados para preparar o almoço para si e para o irmão mais novo antes de se arrumarem para escola. Quarta-feira. Era dia de carne. Na ponta dos pés fechava os olhos para aguçar o olfato enquanto o vapor umedecia-lhe a face com o cheiro da proteína só degustada novamente na semana seguinte. Quem sabe. A rotina era dominada por ela. Mãe por necessidade desde os seis, assumira a responsabilidade do irmão e a própria por amor e instinto, tamanha dor que lhe causava a não-vontade da suposta mãe de cuidar dos seus. Jamais reclamara. Privava-se da infância quase por vontade, consciente de que para cada humano um destino particular Deus havia concedido, e de que podia transformar seu fardo no prazer de seus dias. Pensamento precoce para os treze. Não para ela. Não agora, que já alcançava o fogão.
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Dias. Quarta-feira. Carne. Semana. Semanas. Anos. Anos. Anos. Tornou-se mãe. De sangue. De caridade. De obrigação. De vontade de mudar o mundo. De vergonha de sua própria. E trabalhava. E cozinhava. E ensinava. E criava. E amava. E ajudava. E estudava. E era mulher.
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E depois de adulta, começou a sonhar. Sonhar com um mundo melhor. Com mais amor. Com mais justiça. Com mais honestidade. Com mais educação. Com menos vergonha. Com menos sangue. Com menos filhos. Com menos pensamentos precoces. Com menos fardos. Com menos destinos. Com menos vontades. Com menos infância. Com menos dor. Com menos instinto. Menos responsabilidade. Menos necessidade. Menos proteína. Menos vapor. Menos olfato. Sem ponta dos pés. Sem carne. Sem quarta-feira. Sem escola.
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Sem almoço. Sem banco de madeira.
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Sem panela. Sem colher-de-pau.
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E por um segundo quis ser seu irmão.
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Ou sua mãe.
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Isabella Pacheco
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segunda-feira, 12 de julho de 2010
sábado, 10 de julho de 2010
Elegia, um belo poema de Danilo Diógenes
.O céu está tomado.
Não me recordo das nuvens
ou das estrelas cambiantes
sob as quais passeávamos.
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As estrelas apontavam
o mar, o mar se dividia
e à beira da praia
as ondas degustavam
nossos pés.
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O mar em dois se dividia.
Ficávamos a esperar os povos fugitivos,
os escravos, os ladrões…
e a nossa imaginação falhava como um rádio velho…
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Hoje, porém,
o céu está tomado.
Não me recordo
das estrelas cambiantes
sob as quais
o mundo desfilava
enquanto
à beira da praia
as ondas degustavam
nossos pés.
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Os olhos do céu
agora muito se ocupam
em só espiar usinas
e navios que atravessam
a noite
com ativistas e carregamentos
clandestinos.
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Danilo Diógenes
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quarta-feira, 7 de julho de 2010
Cidade, um poema de Rafael Magalhães
As casas amontoadas
conversam entre si
carregadas, pulsando
palavras, fôlegos
que entram e saem
pelas portas escancaradas
Quando chega o azul
da noite, o silêncio
é raro, os sonhos
explodem, fazem barulho
acordam os mistérios
segredos que voam
pelas esquinas
vazias
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Rafael Magalhães
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Rafael Magalhães é nosso leitor de Vila Velha, Espírito Santo.
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terça-feira, 6 de julho de 2010
segunda-feira, 5 de julho de 2010
O baile, um poema de Roberto Borati
pernas misturam
corpos suam
orgasmos ritmados
sorrisos cínicos
e morte feliz.
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Roberto Borati
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sexta-feira, 2 de julho de 2010
Resquícios confessionais
quinta-feira, 1 de julho de 2010
ÀS CEGAS — autotradução de Marilena Moraes
Encontro às cegas
Gato de olho azul
Gata triste e loura
Bar Anjo Triste
Big carro marrom
MAS
Gato de olho marrom
ENTÃO
Nada de baby doll
Nada de banho de bolhas
Nada de blues sob o céu azul
Nada de bellinis
Nem Bora Bora, nem Big Apple
Só um triste coração
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Marilena Moraes
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BLIND DATE — de Marilena Moraes
Blind date
Blue eyes boy
Blond blue girl
Blue Angel bar
Brown big car
BUT
No baby blues
SO
No baby doll
No bubble bath
No blues under the blue
No bellinis
No Bora Bora, no Big Apple
Just broken heart.
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Marilena Moraes
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segunda-feira, 28 de junho de 2010
ESTREIA DO PLÁSTICO BOLHA NO CEP!!!
. A POESIA PROPRIAMENTE DITA
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ESPAÇO CULTURAL SÉRGIO PORTO
QUARTA – DIA 30 DE JUNHO
20:30 – 5 REAIS
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FLASH BACK 70
UMA SELEÇÃO INESQUECÍVEL
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20:30 – vídeo: O BEIJOQUEIRO de CARLOS NADER
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21:00: relançamento do livro
“MUITO PRAZER” de CHACAL
ANA KUTNER e PAULO JOSÉ falam ANA CRISTINA CÉSAR
MASÉ LEMOS – poemas seus e de LUIS OLAVO FONTES
MARIANO MAROVATTO – poemas seus e de CACASO
CRISTINA FLORES e CHACAL – poemas do MUITO PRAZER
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AUGUSTO GUIMARAENS por AUGUSTO GUIMARAENS
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21:30: a estreia do
uma homenagem a JAMES JOYCE.
com
ANDRÉ CAPILÉ lendo passagem de Stephen Dedalus
MARIANO MAROVATTO lendo passagem de Leopold Bloom
ISABEL WILKER lendo passagem de Molly Bloom
e a banda CAFÉ IRLANDA.
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Mais que aquático — de Luiz Fernando Priamo
sábado, 26 de junho de 2010
O amante arrependido
Oh, mui bela, tu
que me enamoras!
Para atentares não o romper
dar-to-ia, se por outra
não se rasgassem
do meu peito as fibras.
Rouba ela, pois,
meu ar e tu
novo fôlego me dás.
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Bruno Papito Nascimento
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quinta-feira, 24 de junho de 2010
Fahrenheit 451: Quando o cinema de Truffaut encontra a literatura de Ray Bradbury
com um cérebro próprio, com consciência
e curiosidade em cada dedo trêmulo,
tinha se tornado ladra.
Montag sabia que isso era loucura, suicídio,
mas era também um começo.
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“Finalmente localizei o lugar exato, a sala de datilografia no porão da biblioteca da Universidade da California em Los Angeles. Ali, enfileiradas havia vinte ou mais velhas maquinas de escrever Remington ou Underwood, que eram alugadas a dez centavos por meia hora. Você enfiava a moeda, o relógio tiquetaquiava feito louco, e você datilografava furiosamente para terminar antes que se esgotasse a meia hora. (...) Terminei a primeira versão em cerca de nove dias . Com 25 mil palavras, era metade do romance que acabaria se tornando”. (Trecho do posfácio)
segunda-feira, 21 de junho de 2010
ODE AO ARTISTA (Adeus a Saramago)
Artista! Oh, curioso, faminto de mundo! Eterno insatisfeito. Rebelde contra o destino fatal das possibilidades transitórias e limitadas do humano.
És um louco que se recusa a ser esmagado pelo cotidiano enfadonho e teima em rasgar o tecido da realidade. Mergulhador fáustico que só se contenta quando atinge as profundezas abissais daquela extasiante perda dionisíaca de si mesmo.
Antítese ambulante, por que insistes em domar a realidade? Por que crias aquela outra “realidade”, para além dos sentidos, tão verdadeira quanto teus sonhos? O mundo real não te basta?
Paradoxo invencível, como haveremos de definir-te?
Talvez o epíteto de “teimoso incorrigível” lhe caiba, por ora. Prometeu desvairado, que mesmo sob a ameaça (terrível) de grilhões, abutres e dores lacerantes, ousa descortinar e gritar a grandeza gloriosa da raça humana.
Serás tu ainda aquele mágico primordial, feiticeiro, pajé, xamã; sacerdote que conduzia a tribo primitiva por um mundo (sur-)real ainda inexplorado?
Bendito sejas tu, primeiro caçador a se disfarçar, assumindo a aparência de um animal para escrever o ritual da caça. Bendito sejas tu, primeiro homem da idade da pedra, a assinalar um instrumento com uma marca, com um ornamento, com um símbolo. Bendito sejas tu, místico primevo, que, entre sacrifícios e rituais de encantamento, deslumbrado e fascinado, ousou dar sentido a tudo que o cercava, ordenando o caos.
Artista! Mesmo que não possamos mais evocar (ou invocar) o (Sara)mago daquela primitiva sociedade tribal (será?), ainda assim tu és o porta voz de toda a coletividade pois, quando crias, és servidor.
Abandona, em êxtase, o teu ego para ser eco de uma experiência maior. Apropria-te da máscara coletiva que traz à lume aquele inconsciente comum a todos nós e dá voz a toda uma raça. A raça humana.
Artista: eis aí seu munus publico, sua missão social.
Talvez a única definição que me resta é aquela que repousa no famigerado vocábulo grego pharmakon. Palavra ambígua que encerra um invencível paradoxo, exatamente como tu artista, que te negas, peremptoriamente, a deixar-te abarcar por invólucros, rótulos ou definições (que só fazem limitar, dar um fim...).
PHARMAKON!
Simultaneamente antídoto e veneno. Eis aí toda a equivocidade do humano. É nessa corda bamba, entre causa da doença e cura, entre droga benéfica ou maléfica, que certamente te encontrarei, eterno equilibrista que cambaleias entre o real e a ficção.
Artista! És Fausto; és bode expiatório. Vítima sacrificial, salvador e perdição; médico e portador da moléstia (humana, demasiadamente humana...) do desejo de transcender.
Faze teu ritual medicinal; que sejas, agora e sempre, o nosso remédio contra uma vida medíocre.
Vai, incorrigível romântico! Estanca a ferida do átimo que foge e escreve nela a tua obra imorredoura! Concede importância ao comum. Torna desconhecido o familiar. Confere mistério ao corriqueiro. Dá sentido ao absurdo.
Alquimista tresloucado! Transforma o físico em metafísico e assim (só assim!), rouba a centelha mágica e nos conceda, diante de tudo que é mortal, aquela singela parcela do infinito... aquela que nos cabe por direito.
Vittorio di Salerno
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Vittorio di Salerno é aluno do curso de Artes Cênicas da PUC-Rio
sexta-feira, 18 de junho de 2010
Morre o escritor português José Saramago — uma mensagem de Cleonice Berardinelli
.Em seu Diário, no dia 3 de Dezembro de 1935, escreveu Miguel Torga: “Morreu Fernando Pessoa. Mal acabei de ler a notícia no jornal, fechei a porta do consultório e meti-me pelos montes a cabo. Fui chorar com os pinheiros e com as fragas a morte do nosso maior poeta de hoje...” Hoje, agora há pouco, neste dia 18 de junho de 2010, chega-me pelo telefone a notícia de que morreu Saramago. Não tenho pinheiros nem fragas para meter-me entre eles e ir chorar minha profunda tristeza, mas posso, pelo menos, dizer que estou chorando a morte do maior ficcionista de Portugal, um dos meus mais queridos amigos...
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Cleonice Berardinelli
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Mensagem da nossa Mestra Cleonice Berardinelli, leitora e amiga pessoal do romancista, que, em nome do Departamento de Letras da PUC-Rio, manifestou o sentimento de todos pelo falecimento do escritor português, Prêmio Nobel de Literatura, José Saramago.
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quinta-feira, 17 de junho de 2010
quarta-feira, 16 de junho de 2010
(de um outono chato) — de Tiago Ramos
Os dias passam
andam quadras
viram meses
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anos
festas casamentos
nascimentos
gêmeos siameses
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e num dia qualquer
(de um outono chato)
você retorna
insensato
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sua palavra me vem novamente
Na hora no instante
insistente
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eu bobo louco
insolente
me derrubo de novo
nos seus pés
solenemente
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Tiago Ramos
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Tiago Ramos é nosso leitor de Maringá, PR.
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segunda-feira, 14 de junho de 2010
Poema — de João Lima
A face impressa na folha.
As pálpebras dormentes
a saliva o pelo a ruga
infiltram o poema.
Palavras devoradas
na sórdida mesa com restos
de madrugada fria
unhas e fios de cabelo.
O lápis risca a raiz
a cal o caminho mais
curto até o raio de sol
incrustado na gelosia.
O que é meu está guardado:
coração sujo encouraçado
relógio tictaqueando insuspeito
no fundo de uma gaveta.
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João Lima
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Lançamento do e-book "O eu se escreve"
domingo, 13 de junho de 2010
O sonho de milhões — de Adriana Kairos
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sábado, 12 de junho de 2010
sexta-feira, 11 de junho de 2010
Outros orientes — um poema de João Inada
Sou mais um bebadossóbrio,
carrego o intragável sabor disso,
imediatamente estendido em
dobras, envolto por espelhos,
ferindo a contradição que
refui.
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Sendo outros que não plural eu,
outros ser-em-si com singulares três sous
plurigêneros, ou quase
nóselemim,
o dele ele no meio
embernado.
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Devir a ser-me-ei
um só nó de nós teu meu antes mesmo de
— estar
oculto no de si me,
meu nariz acenando
a deus.
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João Inada
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João Inada já publicou um poema no Blog do Bolha e também estará em nossas páginas impressas na próxima edição.
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quinta-feira, 10 de junho de 2010
FOTO-BOLHA: Leitor de Plástico Bolha em JF!
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Victor Hugo lendo o Plástico Bolha na Eco - Performances Poéticas, de Juiz de Fora - MG, em foto de Thaiz Thomaz.
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quarta-feira, 9 de junho de 2010
Jogatina — um poema de Thiago Diniz
Quando mulecote mandava bem no War
Hoje se o assunto é Damas eu sou Pro
Esse é meu Perfil falo pouco mas não mudo
Cara a Cara não iludo nem me Ludo
Pronto pro Combate acompanhado ou só
Perspicaz com a mão domino o Dominó
Imagem e Ação se fundem com beleza
Se Gamão ou não o importante é a destreza
Não preciso ser Detetive pra ter a clareza
Que no Jogo da Vida as cartas estão na mesa
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Thiago Diniz
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segunda-feira, 7 de junho de 2010
domingo, 6 de junho de 2010
Noruega — um poema de Rafael Mantovani
na Noruega é assim:
o sono chega de trenó,
desembarca em pernas curtas,
traz uma mochila, diz que vai morar comigo.
ele tem o rosto de um cachorro
e um rastro escuro na barriga —
todos os nomes de lugar
escritos numa única lista.
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Rafael Mantovani
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sexta-feira, 4 de junho de 2010
Batom, escova de dente e revolver
terça-feira, 1 de junho de 2010
Eco - Performances Poéticas completa 2 anos
Dia 03 de junho, o Eco - Performances Poéticas completa dois anos
e traz para os palcos da cidade um elenco gringo:
Alice Sant'anna,
Lucas Viriato
e Os Sete Novos
[Augusto de Guimaraens Cavalcanti +
Além dos poetas cariocas, Pedro Paiva na discotecagem
e o clássico, esperadíssimo e insubstituível
MICROFONE ABERTO
(traga suas poesias!)
É na quinta, 03/06, 20h, no Mezcla.
ENTRADA FRANCA



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