quinta-feira, 10 de abril de 2014

Vida morta


Nesta vida nada mais se sabe. Nestes dias tudo é diferente. Os sorrisos são falsos. Os olhares são tortos. Os beijos são dados por simples forma de cumprimento. Os parabéns são dados por tradição e os desejos de felicidade são dados por etiqueta. Os elogios são meras cortesias. Os abraços são dados por educação. Os “te amo” são falados por hábito ou para não perder o hábito ou ainda para criar um hábito. As amizades são passageiras. Os romances são breves. As pessoas são indiferentes. A quê? Elas são indiferentes ao resto da humanidade. São indiferentes à ética, à moral, ao pudor. São indiferentes à vida.

Simplesmente não ligam. Trilham o seu caminho procurando chegar ao ápice da ordem lógica que criaram para seguir. Não fazem as coisas porque querem, de verdade, fazê-las. Fazem-nas por fazer, porque acham que assim será melhor. Fazem porque todos fazem. Fazem para seguir os ditos da sociedade atual. Fazem para poder dizer que fazem. Mas qual é o grande valor nisso? No fim do dia ainda lamentam. Lamentam por nada. Lamentam por tudo. Lamentam por estarem onde estão. Então, olham-se no espelho. E o que vêem? Algo que não queriam ver. Vêem o reflexo de outra pessoa. Mas repetem para si mesmas que tudo está normal, tudo está bem. Como tudo pode estar bem se, ao olhar-se no espelho, vê-se um outro alguém? Um alguém bem diferente daquele que se tinha idealizado ser.

É como se todos tivessem desistido. Desistido de lutar, de sonhar. Não desistiram de amar porque este é um conceito que todos os seres inseriram na sua inútil ordem lógica da vida. Em algum momento, todos amam. E se orgulham disso.

Mas será que esse amor é mesmo o amor planejado? Será que é mesmo o amor verdadeiro? Será que, no final das contas, é mesmo o amor? Não, na maioria das vezes não é. É só um amor. Um amor qualquer. Um amor que foi criado para que, no fim do dia, possa se dizer que se ama alguém. E então, todos se sentem melhor. Pensam que conseguiram realizar uma das metas da sua vida inútil e sem-graça. Sentem-se mais competentes por amarem, fato que está de acordo com o plano que traçaram. Mas o amor não pode ser uma meta, tem que ser um sonho. E não pode ser planejado. O amor, o verdadeiro, o original, é arrebatador, inusitado, vivificante. O amor é assim. Um amor não. E hoje, o que mais se tem são uns amores. Amores comprados. Não literalmente, claro. São amores nos quais as pessoas se empenham e nada se resolve. São daqueles amores vagabundos, traiçoeiros, revoltosos, turbulentos, complicados, confusos, estranhos, mesquinhos, egoístas, falsos. São amores falsos porque eles só existem porque duas pessoas infelizes se sentiam sozinhas. Então se encontraram. E se juntaram. E se suportaram. E felizes com a chance de finalmente terem encontrado algo que as fizessem felizes, chamaram aquilo de amor.

São amores confusos, porque com toda a sua turbulência e todas as mágoas que geram, confundem os seus adeptos, que já não sabem se “amam”. Na verdade, nunca se amaram. Mas dizem para si mesmos que sabem o que é amor. Uns até realmente acreditam que sabem. Outros não, eles sabem que estão se iludindo, sabem que o amor que estão vivendo não serve nem de rascunho para o amor que queriam ter. Pois o amor que queriam ter é tão magnífico, esplendoroso, compreensivo, paciente e vivo que parece até uma fantasia. E por acharem que esse amor tão divino só pode ser uma fantasia, as pessoas desistem de procurar por ele. E ficam, dessa forma, sonhando com ele. Não têm coragem para realizá-lo, nem mesmo intenção, mas fantasiam. E ficam dia após dia fantasiando. Acabam vivendo uma vida de sonhos, sonhos que sequer acreditam que vão se concretizar. Chegam a casa após um dia cansativo e sonham acordadas, imaginado a vida que queriam ter, criando a rotina da vida que almejavam. E se tornam pessoas frustradas.

Porque um dia acordam, olham ao redor e enxergam que a vida que queriam não era aquela. Enxergam que a rotina com a qual sonham acordadas está distante, na verdade, nunca nem foi real. É como todos os dias ter um mesmo sonho e ser feliz com ele. Até que um dia você acorda e percebe que tudo aquilo que tinha vivenciado nunca aconteceu. Você percebe que estava, todo esse tempo, dormindo. Percebe que tudo foi apenas um sonho. É isso que essas pessoas sentem, a única diferença é que sonham acordadas. Mas um dia acordam para a vida, percebem que esse tempo todo estavam dormindo, deixando a vida passar. Percebem que os sonhos que têm estão bem longe da realidade em que vivem. E se desesperam, no íntimo.

E, ao invés de lutar, se acovardam ainda mais. E recorrem às futilidades, ao consumismo, aos prazeres mundanos, numa tentativa desesperada de esquecer a sua frustração. Mas tudo isso só faz com que elas se lembrem ainda mais. Porque no final, tudo o que lhes resta é um vazio no peito. Um vazio grande e impetuoso, que já não pode ser preenchido. Então, elas se amarguram. Passam a olhar de soslaio os outros. Passam a analisar, a julgar todos de uma maneira cruel. Passam a desforrar a sua dor nos outros. E esses outros passam a desforrar a sua raiva em outras pessoas, por pura vingança. Querem mostrar o que têm. Passam a almejar, mais do que tudo, o poder. E tornam-se pessoas ainda mais ambiciosas, vaidosas, traiçoeiras, perigosas e instáveis.      

Passam a procurar amores. Passam a planejar amores. Passam a procurar motivações, motivações pra viver. E quando não acham, respiram fundo e começam a fazer com que outras pessoas também não se sintam bem. Ficam destruindo, de uma forma ou de outra, as vidas alheias. Ficam destruindo a própria vida. E se escondem numa bolha de cristal, longe de tudo e de todos. Limitam-se a assistir a vida ir embora, passando devagar. E já não ligam. Ficam esperando a morte, apáticas.

Agora elas só existem, vão seguindo o fluxo, obedecendo à voz de comando, com a passividade de bons animais domésticos. Quem comanda? Já não se sabe. Todos viraram fantoches, prisioneiros na própria liberdade.

Esqueceram-se de como é viver. Perderam a racionalidade, a vontade de viver. Vivem por covardia de se matar. Mas morrem do mesmo jeito, por covardia de viver. E quando morrem, morrem com aquele sentimento de nunca nem terem vivido.

Bruna Romeu

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Eu, planta


que vontade de ser orquídea
dependurado em casa
ou numa árvore pacífica
aquietado
o sol leve em minhas folhas
a água escorrendo
e tons pacíficos se formando
de cores vivas em furta-cor
em meu corpo de matéria orgânica
que vontade de ser copo-de-leite
branco desnudo
branco que me adormece em paz de sono de criança
raízes flores folhas só e tudo
clorofila ao invés de sangue
que me esquenta em excesso
que vontade de ser girassol
buscar o sol como salvação
procurar vida e nunca desejar escuridão
sentir-me vivo, iluminadamente amarelo
lindo tão lindo de rasgar os cantos da boca
não querer saber onde nem quando nem quanto nem quem
às vezes
que baita vontade me bate
de só sentir o vento inconstante
absorver água que nuvem sem pantone
me fornecem ou de mãos caridosas
quando lembram-se de mim
o simples com carinho é mais que suficiente
planta ser
e de mais nada querer saber

Daniel Granato


Daniel Granato tem outros trabalhos publicados no blog do Plástico Bolha. 

Palestra "Crimes de ontem e de hoje"



Os bolsos do meu casaco


Os bolsos do meu casaco são orifícios mofados,
Os bolsos do meu casaco são imundos, mal cheirosos
Os bolsos do meu casaco são fragmentos
De goela vazia
Escarrando grito

Os bolsos do meu casaco têm um furo na cabeça
E outro no estômago
Possuem a boca costurada
E o fundo mal cosido
Carcomido
Amarrotado
Como quem é expelido

Do cu do mundo
Pelos bolsos do meu casaco
Expurgam-se
Dois rins, um fígado e trinta e dois dentes quebrados
Mãos vazias
Preenchidas pela falta
Punho fechado
A escorar espirros de fúria e cansaço e
Miolos cozidos com coriza e restos
Do corpo que existe
Não gozado
Por debaixo d'

Os bolsos do meu casaco:
O ontem, o hoje e o amanhã
A morte de cada dia
Hora a hora
Da insustentabilidade da vida
Da sustentabilidade do mundo
Na ferida da pele corroída

Nos bolsos do meu casaco
O maior órgão do corpo
Putrefato
Onde o ar encontra caminho
Que do pulmão é tirado
No rombo que coincide com o umbigo
Do mundo que berra
Ao morrer
De insuficiência múltipla
Miserável

Danielle Magalhães


Danielle Magalhães é leitora-colaboradora do Plástico Bolha, e tem outros textos publicados aqui no blog!!

terça-feira, 8 de abril de 2014

O voo


Lá se vão as aves de rapina
Magnânimos animais de porte
Com suas penas esvoaçadas
E seus leques de caçadores.

Esbravejam por sobre as águas
Imponentes em seus rasantes
Não deixam escapar, pois, nada
Em seus olhos de diamante.

Oh, aves de linhagem plena
De grandes dotes e sangue azul
De pureza extrema e cheias de virtudes.

Mal sabeis, vós, que desse colosso
Imponente e vistoso de onde alçam
Estão pedras amarradas em tuas patas
E homens que manipulam tuas asas.

Miquéias Dell'Orti

Máscaras


Sob as máscaras da realidade meu discurso cai no descaso. São letras aquelas lá no fim do poço? Sim. As letras que eu usaria para fugir deste hospício. Como meu amigo diria: “I was h(r)opeless.”

Sob a faceta de um mundo unitário a escolha de viver em um hospício não me parece loucura tamanha. Reprimidos, oprimidos, subjugados destituídos. Descrita nossa realidade parecemos pouco. Somos poeira de verbo, não de Beckett, mas de Ocidente. Condenados à reclusão, pois da vida fomos capazes de retirar tudo: vida e morte, apenas para começar.

Sob a luz estarrecida de manhãs felizes permito-me comungar meus prazeres com Tristeza, senhora que vive no quarto do outro lado do corredor. Ela caminha esquisito quando está sozinha. O que me causara medo em um passado distante. No entanto, esse sentimento passou quando percebi que – ao meu lado – suas pernas como que curavam-se milagrosamente e seu andar restituía a vivacidade de seus Dias Felizes. Winnie?


Sob a escuridão de noites melancólicas aperto-me pelos corredores em direção à ala dos deficientes mentais. Ando tendo preferência pelo paciente a que os interinos denominam Albee. Os médicos o diagnosticaram como: suscetível à tendências absurdas. Tratam-no, portanto, como um ser sem inteligência. Seu senso de humor dificulta a compreensão plena de que haja, ao menos alguma, seriedade em sua fala. Eterna alegria de um sádico. Desencadeador da desordem humana. Ideia paradoxal quando ao lado da experiência de plenitude à qual ele me encaminha. Um possível reencontro à realidade de um eu contemporâneo? Talvez. Nunca esquecerei aquela musiquinha que ele sempre cantava: “Quem tem medo de Virgínia Woolf? Virgínia Woolf? Virgínia Woolf?”

Sob a dor de meu contato com outros pacientes reflito sobre a minha condição. Não sei se encontro-me presa a uma âncora. Mas lá fora sinto-me presa a um navio! Como posso deixar esse lugar me vencer?! Permitir a acepção de um mundo o qual, em primazia, nega a dualidade inerente à toda e qualquer pessoa. Dor.

Sob a realidade deito meu corpo. O hipnótico Doutor Hoffman coloca-me sob os cuidados de seu assistente. O homem da areia. Para onde foram os outros pacientes? Só resta a mim? A última a enfrentar o inevitável lamento de nosso mundo dual? Quais serão os ícones estes que permeiam meus sonhos de defeitos e simbologias? À partir de agora conduzo-me aos pacientes mais subjetivos desse hospício. Sigmund e Friedrich. Nessa eterna paralização do real, na qual o social se dissolve e escorre como água derramada, o homem sofre a pequena morte do gozo, que, no auge do desejo, lembra-se de tudo que o une á morte. Eis que aquilo que não o mata, o fortalece. Passo, finalmente a existir onde não sou. Existir no outro. Caem, então, as máscaras da realidade e colocam-se as máscaras da experiência alheia. Incessantemente.

Sob o inconsciente ascendo-me à inteireza do ser.

Gabriel Leibold

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Sarau Plástico Bolha



Na última sexta-feira, 4 de abril, aconteceu o Sarau Plástico Bolha, uma realização do Calé, a Casa de Letras da PUC-Rio. É um prazer retornar à nossa casa em um evento tão rico e com tantas participações bacanas! Obrigado à todos que estavam presentes, assistindo e participando! Um obrigado especial ao nosso amigo Rodrigo Leite Pinto, e parabéns pela bela organização do evento! Veja as fotos do dia no álbum do evento, na página do Plástico Bolha, pelo link: Sarau Plástico Bolha.

Leio poemas como quem busca


leio poemas como quem busca
um tropeço
um golpe brusco
o soco na boca do estômago
a falta de fôlego
o passo trôpego do bêbado
a brusca percepção
da falta que nos aflige

leio poemas como quem busca
busco como quem luta
luto como quem ama
amo como quem basta

mas bastar não é o bastante

Salvador Passos


Salvador Passos é leitor-colaborador do jornal Plástico Bolha e tem outros trabalhos publicados aqui em nosso blog! 

sábado, 5 de abril de 2014

Adeus a José Wilker


É com grande tristeza que recebemos a notícia do falecimento do ator, escritor e diretor José Wilker. Além de um talento indiscutível para o cinema e televisão, José foi também um amigo das letras e do jornal Plástico Bolha. Foi com muito orgulho que publicamos a sua entrevista na nossa edição #17, que temos a honra de republicar aqui, como uma última homenagem. Todo o nosso sentimento a nossa grande amiga Isabel, sua filha, que assina a entrevista, e a todos os demais amigos e familiares. O Plástico Bolha se junta a este sentimento e temos certeza de que este amigo do bolha deixará saudades. 

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José Wilker é ator, escritor, diretor. Tem mais de quarenta anos de carreira, já atuou em mais de quarenta e cinco filmes, trinta e cinco novelas, e um sem número de peças de teatro. Escreveu crônicas durante cinco anos para o Jornal do Brasil, que resultaram na publicação do livro Como deixar um relógio emocionado, em 1996. Também escreveu sobre cinema para a revista Contigo por um ano.

Você tem o hábito de escrever desde criança ou começou mais tarde?

Minha memória mais antiga está numa foto na qual estou escrevendo. Ela está perdida, tenho apenas a memória dela. Estou sentado diante de uma mesa, num lugar que suponho seja o quintal das minhas tias. Escrevendo. Então, devo dizer que o ato de escrever exerce desde sempre um fascínio todo especial para mim. Eu já escrevia mesmo antes de saber escrever. Copiava letras. Juntava várias delas em grupos, apenas porque as formas delas me encantavam. Depois, lia em voz alta lhes atribuindo significados, algo como a reprodução das histórias que andavam pela minha cabeça.

Tem o hábito de escrever regularmente?

Escrevo sempre, todos os dias. Às vezes por obrigação profissional, outras por simples prazer ou para não esquecer.

O que o faz ter vontade de escrever?

Não tenho exatamente “vontade” de escrever. É como respirar, a gente nem percebe. De repente, está escrevendo.

Como funciona a escolha dos seus temas? Quando trabalhou no JB, por exemplo, e precisava escrever uma crônica por semana, como fazia?

Escolho ao acaso. Escolho quando algo me chama a atenção. Quando percebo algum humor num acontecimento. Para o JB – e nessa época eu escrevia para mais dois outros meios – por conta da exigência de um texto novo a cada semana, eu usava um método um tanto quanto maluco. Escrevia uma frase qualquer e esperava que ela me conduzisse daí para frente. Ficava olhando a frase na tela do computador até que ela me ensinasse como continuar.

O que mais gosta de escrever, crônica, teatro, cinema, poesia, contos....?

Gosto de crônica e de teatro. Já escrevi poesia e morro de vergonha dela. Minha poesia é medíocre. Contento-me com as letras de música que escrevo para as minhas peças. Letra de música é mais fácil, basta colar algumas imagens desencontradas, um verso quase brilhante e a música se encarrega de dar sentido àquilo.

Quando está trabalhando com prazo, consegue fazer as coisas com antecedência ou espera o último minuto possível para começar a escrever? A urgência ajuda ou atrapalha?

Escrevo sempre no último minuto. A urgência é uma conselheira razoável. Mas, se não publico de imediato, faço centenas de revisões. No caso do teatro, por exemplo, das peças ainda não encenadas ou publicadas, faço revisões intermináveis. Minha peça O sim pelo não vem sofrendo revisões freqüentes nos últimos dez anos.

Acredita que o trabalho de ator — e também de diretor — faz de você um crítico mais cuidadoso?

Sem dúvida, saber do calvário do ator e do diretor me faz um crítico mais cuidadoso. Mas, também e paradoxalmente, mais rigoroso. Como ator e diretor, não me sinto confortável com a superficialidade. O mesmo vale para a crítica.

O que é mais libertador? Expressar-se através do corpo (atuando) ou das palavras(escrevendo)? O que cerceia mais ou menos - a linguagem ou o corpo físico?

As palavras são mais libertadoras. Posso continuar a fazer malabarismos com as palavras em qualquer tempo. O corpo, coitado, depois de um certo tempo, de uma certa idade, já não responde com a devida presteza e eficiência aos nossos apelos. As palavras, porém, vão se enriquecendo, ganhando novos significados com o passar do tempo.

Você trabalha mais com a crônica e com a crítica. Isso aconteceu naturalmente ou foi uma escolha?

Aconteceu naturalmente. Não foi uma escolha. De repente, lá estava eu fazendo aquilo. Mas, devo dizer que não me considero, não quero ser tomado como um crítico. Na verdade, escrevo sobre as minhas paixões e divido as minhas paixões com os amigos que tenho, ou quero ter, e que eventualmente me lêem ou me escutam.

Ser um leitor voraz fez você ter vontade de escrever? A leitura está sempre ligada com a escrita?

Para escrever é fundamental ler. Não duvido do fato de a leitura ser ótima fonte de inspiração e de orientação.

Algumas palavras para nós, leitores, jovens escritores e interessados em geral?

Está em Drummond: “Penetra surdamente no reino das palavras”. O verso, para mim, é o resumo do melhor método de interpretação e de escrita.


* Foi com enorme prazer que dei conta desta tarefa para o Plástico Bolha. Acho que nunca tinha entrevistado meu pai formalmente, e tentei aproveitar a oportunidade como pude. Digo isso porque, além de filha, também sou fã apaixonada, e fico tímida, curiosa, deslumbrada... Fiquei nervosa por não saber o que perguntar. Tive medo de que ele não gostasse das minhas perguntas... Mas acabei por me conformar com perguntar só o que eu gostaria de saber e nada mais. O resultado está aqui, e espero que gostem!

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Brad Pitt ao meio-dia


Mesmo que eu não seja a garota da primeira sessão de Clube da Luta, Tyler continua a fazer sentido como nunca
Fez
Para meus contemporâneos que seguiram como estagiários em engenharia, direito ou economia e penduram os violões, os colhões, na parede decorando o quarto.

Não queremos eu e Tyler afirmar nossa superioridade sobre você – a conservaremos intacta enquanto em silêncio – mas para nós a rotina sanitária do autoaperfeiçoamento alveja o yin-yang a tal brancura
Que não constrói um humor forte o suficiente para suportar o que vem pela frente.

Depois de tantas transas de uma noite só, você acaba se repetindo ou pior
esbarra com um deles ao meio-dia.

Teu jeans já não te aceita tão facilmente e como se você comesse um bolo inteiro por acidente
Um amigo te alerta sobre o horror de tua adiposidade.

Aos vinte anos a gente diz que é por causa da idade. 

Tainá Rei

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Ajude o Tastequiet a voltar ao papel!



Depois de publicar 366 quadrinhos no blog do Tastequiet, Vidi Descaves pede a sua ajuda para levar o personagem de volta ao papel! Através da plataforma http://benfeitoria.com/tastequiet você pode ser um dos colaboradores e contribuir para a publicação do livro Tastequiet, um belíssimo projeto de 392 páginas coloridas, com a reprodução das tirinhas publicadas ao longo de um ano, além de alguns bônus que prometem! 

Palavra última


a palavra última
é muito
perigosa

há relatos de já a terem
feito de
lança

e pior
ter estado à altura do
trabalho

alguns por ela feridos
vão para manicômios
outros apenas
se vão

a palavra última,
também conhecida como
byebye, tchau,
adiós,

só na minha rua
fechou uma vendinha
acabou com duas famílias
tirou a casa de um gato

por isso recomenda­se
utilizá­la com parcimônia
na presença de uma bula
com muita atenção

ou caso contrário
se decidir usá­la, favor
mirar bem no centro do peito
e não errar.

Nathalia Rech


Nathalia Rech é leitora-colaboradora da cidade de Porto Alegre - RS. 

terça-feira, 1 de abril de 2014

Tempo das águas


Antes de se chegar ao Pantanal
A poesia procura o prumo das águas
E tenta primá-la em palavras
Fluviais, flutuantes frente ao início...

Antes de iniciar a chegar a termo
O tempo das águas se faz presente
Num ritmo frequente em chuvas
Em pingos gotejantes como dum rio

Que cai do céu para dentro de mim
As gotas são tantas, não posso bebê-las
Enxugar também não posso. Nadar

Como peixe é um querer sem fim
Sem redes, sem iscas, sem medo
De ficar preso em malhas de prosa.

João Bosquo


João Bosquo é leitor-colaborador da cidade de Cuiabá - MT.

O trópico possível


           A despeito do que me tornei, fui forjada. Sou uma arma. Não contra todos, quase sempre contra mim, mas se tem uma pessoa que participou ativamente do processo, ou melhor chegou quando recolhia os destroços e os meus olhos não sabiam o que viam porque estavam inchados, esse cara é o Henry Miller.

          Se eu o tivesse lido no segundo grau teria me livrado de muitos inconvenientes, naufrágios não teriam acontecido, nem emoções seriam despertadas. Eu estaria a salvo, saberia do que me defender, talvez tivesse me tornada alcoólatra, mas até hoje acho que sou, nunca sei a hora de parar, e tenho aqueles comichões irresistíveis de fazer tudo passar num gole, ou sejo tenho essa sensação benevolente com a bebida, ela é minha ambrosia.

           Henry Miller tornou minha vida menos solitária, dividiu o cinza e a desesperança, não cochichou, gritou o quanto as pessoas são egoistas, falhas , desumanas, sujas, lascivas e hipócritas, conspurcou a aurea bela de uma Paris idônea de contos de fadas, foi realista e nada utópico no seu Trópico de Câncer, livro que eu li no momento certo dos meus maiores desenganos. E é o livro que vou conservar na minha cabeceira de passagens memoráveis porque foi doutrinal. Ajudou a ver o quanto estava errada e o quanto eu era ridícula nas minhas idealizações, o quanto era culpada por cada lágrima vertida e por cada atropelamento do meu corpo físico, emocional e sobrenatural.

            Verdade que  não tenho esse desencantamento sábio do Henry de estar na cena e vivê-la como uma fruta em que se lambe o sumo e chupa o caroço, amargo ou não. Eu sou das que vivem o incomodo torcendo pra que seja fatal e me mate pelo susto, só que sigo com saúde invejável, e acordo pela manhã seguindo o ritmo normal das abluções matinais como se estivesse preparada, e não, nunca estou, mas finjo bem demais. Não há um dia  que eu não torça pra me encontrar com balas perdidas ou psicopatas que matam por motivo algum, eu daria uma bela vítima, não ofereceria trabalho e ainda seria criativa o suficiente pra opinar num jeito seguro de jamais conhecerem o meu carrasco. Em busca enfim de um crime perfeito para ambos.

           Mas sim, Henry, Henry meu salvador, meu guerreiro da escrita e das paixões terrenas e vulgares, o homem com o qual eu gostaria de dar umas voltas pela periferia e escutar Cartola tomando cerveja morna do calor. O homem mais sincero que já dei conta, e tudo o que ele me disse nem era bonito, tocante ou perfeito, mas era a verdade crua , a verdade que escondemos pra criar uma mentira tão difícil de manter ou encontrar, que nos faz reféns de nosso próprio enredo.

          Eu precisava ler este homem pra entender que o que eu escrevo não é fundamentalmente bom nem trágico, mas é a vida, a vida que tenho e desisti de acarinhá-la, empoá-la  ou esperar salvações que venham do céu ou de um estranho que diz me amar, ou de qualquer lado que não seja o meu mesmo, o que estou, como estou e permaneço.

           A vida é pra quem tem talento e as pessoas são completamente únicas, e de certa maneira indivisíveis e indecifráveis o suficiente pra não me aventurar porque gosto de segurança, e agora mais do que nunca sei o que não presta pra mim. Chega de jiló, amores perfeitos, eternidades e tudo que for cor de rosa. Eu não ando ácida, me tornei. E descobrir que  alguém falou um bocado de verdade nos seus livros sem tentar agradar ninguém  deu uma liberdade enorme e uma coragem avassaladora de ser quem eu  sou, escrever e dizer o que quero e me abandonar dos outros  só pra ter um pouco de paz, meu único sonho ideal.

           E eu posso morrer hoje porque já vivi tudo, já escrevi esse pobre réquiem, amei, fui abandonada, tive fome, frio, tive sede, medo, gargalhei e tive orgasmos, abracei quem gostava , li as melhores obras, escutei as músicas mais melancólicas, tomei sorvetes e porres, tatuei meu corpo, feri meu corpo,vi E o vento levou mais de 5 vezes, e mais de 10 vezes achei que tudo ía mudar, fui crente, descrente, me perdi de vista, e hoje nem sei, porque isso faz parte da minha mise en scène, não saber significa estar a salvo. Salve Henry Miller dos meus trópicos solitários e da minha irreparável tristeza.

E então num nível silencioso como meus passos e minha respiração ofegante a escrita também feita de confissão, meu tumor literal que extirpo pra não explodir dentro de mim, jogado fica aqui no papel, inerte.

Starla Pisces


Starla Pisces é leitora-colaboradora do Plástico Bolha, e tem mais textos publicados aqui no blog!

segunda-feira, 31 de março de 2014

Problemas Urbanos


                As cidades não são feitas dos degraus que compõem a rua em forma de escada ou da perfeição dos arcos dos pórticos, ou ainda das lâminas de zinco que recobrem os tetos. As cidades são feitas das relações entre as medidas de seu espaço e os acontecimentos do passado. Assim Marco Polo se refere  a Zaíra, uma das cidades invisíveis de Calvino.

                Visitando recentemente algumas cidades italianas, percebi a dificuldade de se compreender essas relações, nesse caso a numeração dos prédios em suas ruas. Em Turim, o hotel em que minha prima e eu estávamos hospedadas ficava no número 166 da Via Ormea. Pelo mapa que nos preocupamos em adquirir logo ao chegarmos à cidade, podia-se observar que a rua era longa, mas a partir do ponto onde estávamos, número 2, a distância a percorrer não seria mais do que duas ou três quadras. Aos poucos fomos percebendo que a estranha numeração inclui letras que podem chegar ao alfabeto inteiro a cada número, dependendo de quantos complementos um prédio possua: loja, sobreloja, garagem, apartamento. Isso nos fez andar cerca de uma hora na mesma rua até encontrarmos o nosso número, a essa altura tão desejado.

                Acostumadas que somos ao sistema métrico da numeração na maior parte das cidades brasileiras, não sabemos os motivos que determinaram outras escolhas em outros tempos. E apoiadas nesse conhecimento, comentamos com um motorista de taxi, ainda em Turim, a dificuldade que tivéramos para nos localizar na cidade, acrescentando a informação sobre o sistema brasileiro muito mais fácil de entender. O homem se ofendeu, disparando que os brasileiros mal chegam e já se põem a criticar o que encontram (ou melhor, o que não encontram), pensam que são os sabidos e eles os ignorantes. Concluiu com uma enérgica preleção sobre a facilidade deles para localizar um endereço – entre duas ruas conhecidas, por exemplo, razão pela qual ele não se deixa enganar por falsas informações daquilo que não existe. Depois disso, ficamos bem quietas e assim permanecemos até descer do taxi.
                Dias depois, em Roma, novamente chamamos um taxi por intermédio da recepção do hotel – na Itália o atendimento é feito somente por chamada, de maneira que se o turista estiver na rua sem um telefonino, está perdido. Nosso destino era uma igreja pouco conhecida dos roteiros turísticos onde aconteceria um espetáculo de canto lírico, fincada no meio de um quarteirão localizado na zona norte da cidade e que, felizmente, nosso condutor não teve problema para encontrar. Falante e educado, o autista nos deixou em uma esquina próxima, mas teve a gentileza de nos explicar que sendo ímpar o número procurado, estaria em ordem crescente, enquanto a numeração do lado oposto seria par e decrescente. A confusão em nossa cabeça aumentou ainda mais.

                Porém, na volta para São Paulo, me movimentei a pesquisar o assunto. Descobri que o tema faz parte dos estudos da Geografia, modernamente da Geografia Urbana, que inclui a divisão espacial das cidades e sua identificação para uso oficial, por exemplo, para a correta cobrança dos impostos e taxas e distribuição de correspondência pelos correios. No entanto, cada país ou cidade escolhe seu método. Na Inglaterra as residências recebem nomes, em Nova Iorque os endereços são orientados pelos pontos cardeais, de modo que é fácil saber se fica do lado norte ou sul da cidade, em Brasília a divisão é feita pelo número do terreno dentro de uma quadra e essa dentro do lote. Outros sistemas também são encontrados, mas o que prevalece no ocidente é a numeração pelo sistema métrico.

                O que impressiona é que no velho continente ainda persistam sistemas criados há séculos, como o indecifrável método de numeração dos imóveis nas cidades. É possível que em Turim e em Roma o sistema seja o mesmo de Veneza, onde a numeração das casas ocorre a partir do edifício mais importante ao seu redor, o que pode justificar que os números do lado ímpar sejam crescentes e do lado par decrescentes. Tudo começa e termina no mesmo ponto, ou com o mesmo nome. Sei que em nosso passado colonial essa questão foi resolvida mais ou menos dessa maneira, quando se deu numeração às residências no centro do Rio de Janeiro a partir do Paço Imperial, edifício que primeiro abrigou os fazeres administrativos do reinado de D. João VI no Brasil. Acabei sabendo também que atualmente as câmaras municipais de Portugal se encontram em fase de modificação do modelo de endereçamento, adaptando-o ao sistema métrico.

                Para compensar, no mesmo velho continente é raro se encontrar um telefone público, até para chamar um taxi. Ou se tem um telefonino, ou se está perdido no meio da Via Ormea!

Dalva Bolognini

Poderosa


Estava, como de costume, sentado a uma mesa de um famoso restaurante carioca, no Leblon. Gosto de me sentir um médico, ou um psicólogo, e fico observando os gestos, a postura, o comportamento e a conduta dos humanos que me acompanham, mesmo que distantes, nas refeições. Essa é uma espécie de experiência laboratorial que costumo realizar em locais públicos, sempre com um olhar crítico. Naquele dia, chamou-me atenção, primeiramente, uma criancinha muito linda, que tinha certeza ser autista. A pobre criança, totalmente indefesa, era maltratada por seus pais, que a faziam comer forçosamente, sujando a roupinha da menina. Um absurdo!

Fugindo dessa realidade imunda, olhei ao redor, procurando mulheres para examinar, até que visualizei um ser de outro planeta. Loira, com idade variando entre 20 e 25 anos, ma-ra-vi-lho-sa! Olhos verdes, corpo delgado, seios volumosos, mas não pareciam ser “siliconizados”. Falava como uma tagarela. Parecia sentar-se à minha frente, de tão alto que falava. Estava acompanhada de outra mulher, com quem interagia com entusiasmo. Levantei-me e esbocei dirigir-me à mesa delas. Parei. Resolvi terminar minha refeição. Continuava olhando com olhos de sedutor. De repente, nossos olhares cruzaram-se por milissegundos. Banquei o cortês, ela virou o rosto.

Aquela mulher me enlouquecia, me empolgava. Não podia ficar parado lá, sem fazer nada. As duas continuavam conversando. Nem pedi a sobremesa, e sim, a conta. Tive a ideia de pedir ao garçom que deixasse um bilhete naquela mesa, que ficava bem em direção diagonal, a uns cinco metros de distância da minha. Hesitei, achando que era coisa de filme, e as mulheres de hoje detestam clichês. Momentaneamente, as duas trocaram carícias. Seguravam de maneira confortável as mãos, numa atitude íntima. Terminaram as saladinhas. Eu já estava suando, primeiro por causa daquela situação, depois porque havia comido só comida gordurosa.

Levantaram-se. A companheira dela nem era lá aquelas coisas, mas era até bonitinha. Tinha cabelos castanhos, olhos escuros e média estatura. Pasmem! Quando a poderosa virou-se de costas, fiquei paralisado, como se uma serpente tivesse me envenenado. Não sabia dizer se a parte detrás era melhor que a frontal, e vice-versa. Acabei dando nota 10 para tudo aquilo. Após me levantar, apertei o passo e comecei a segui-las. Deixaram o restaurante e pediram que seu carro fosse trazido. Por um momento, distraí-me e comecei a trocar ideias com o cara do estacionamento. Fiquei feliz quando soube que o Botafogo havia ganhado o jogo da noite anterior, que não pude ver, devido aos trabalhos universitários.

Quanto me virei, atentando novamente a elas, me vi num dilema: não sabia se vomitava ao lembrar os mandamentos bíblicos e toda a intolerância da religião cristã quanto a desvios do divino, ou se ficava feliz por respeitar a pluralidade natural do sistema. Julguei ser a segunda opção mais prudente e consciente, em pleno século XXI. Eram duas mulheres maduras que traduziam, naquela hora, um amor intenso num beijo que colava suas bocas com Super Bonder. No início, desmoronei, porque os costumes dos séculos XVII e XVIII dominavam parte da minha mente. A outra parte era controlada por uma vontade incontrolável de mostrar que todos têm seu valor, independentemente de se sentirem atraídos por homens ou mulheres. O carro delas chegou, e foram embora. Estava muito apaixonado ainda. Minha mente discutia com meu coração, um duelo que parecia não terminar. Sem alternativas, sentei-me desolado no chão.

Felipe Cassar

quinta-feira, 27 de março de 2014

Lançamento do livro "A nova fase da lua"




Lançamento do livro A nova fase da lua — escultores populares de Pernambuco, de Flávia Martins, Rogerio Luz e Pedro Belchior. O livro traz depoimentos e registro fotográfico de 85 escultores, de suas obras e das condições em que vivem e trabalham, em 13 municípios que representam as grandes regiões de Pernambuco: Metrópole, Mata, Agreste e Sertão. Uma reflexão sobre a produção artística a partir da palavra dos escultores, da observação direta da pesquisa e do diálogo com outras referências institucionais e bibliográficas.

Trova


Tantas coisas boas na vida
eu já pude desfrutar.
E agora depois da lida,
A trova vou degustar.
Valter Mota é leitor-colaborador, tem poema publicado no desafio poético da edição #33, e é distribuidor do jornal Plástico Bolha na penitenciária de Tremembé - SP. 

quarta-feira, 26 de março de 2014

Fotografias e quarteirões


Pelas nossas fotografias
Observo um amarelo fecundo
Comendo as bordas
Afinal, envelhecemos juntos
Moramos na mesma casa construída
No mesmo palacete moribundo
Aqui, portanto, Tom Zé
Aprendo uma mensagem importante
Que  o mundo é infinito
É propulsor, molécula
Espaço espacial do zênite
Do orgasmo, das viagens
Dos Pêndulos Vociferantes

Ah, como vociferam as horas!

E de cada verdade te faz absoluto!!
E te geras uma mecânica orbital
Somos mesmos donos de nossa cabeça...
Ao nascimento, uma surpresa
Uma evolução seguida com sábia ventura
Neste enlace absoluto, o cético vacila
Questiona-se, há algo além do precipício?
Certamente que existe, há sempre outras vidas
Perpetuando-se, criando-se, exasperando-se

Não é mesmo assim que apregoam os religiosos cientistas?

Na base do cerne desta questão
Facas medulam, lâminas entrecortam entre si
Questões como cortam os salames
Temperados no limão da verdade
Afirmativas, declarações, assertivas
Derrubam-se com a mesma facilidade
Que migalhas de um pão envelhecido
Sob a geladeira, a esperança
Do alimente fecundo, a fome saciada
A verdade velada, a vida guiada

Pelas nossas fotografias, observo tua voz
Tuas músicas encenam a paisagem que teço
Aranha sobrenatural e poética
Sob as alamedas dos meus quartos
Te sigo resoluto, completo
Pelas ruas, quando caminho
Certo que há mais que uma vida após o quarteirão



Rafael Magalhães tem outros textos publicados no blog e no jornal Plástico Bolha!

terça-feira, 25 de março de 2014

Sarau "Da boca pra fora"



Em sua primeira edição de 2014, o sarau "Da Boca Para Fora" homenageará o poeta Manoel de Barros.

Os convidados desta edição serão os poetas João Pedro Fagerlande, Lucia Helena Ramos, Rodrigo Santos e Romulo Narducci.

O evento terá micorofone aberto no final. Traga seus poemas!

Leia mais informações sobre o evento na página do facebook: https://www.facebook.com/events/741992982486854/747103775309108/?notif_t=plan_mall_activity