.
I
.
Nos meandros dos rios, erguidos
circundantes aos palácios; perseguidos,
os ricos riem em seus salões fechados;
Nobres risos são gritos desesperados.
.
Nos meandros das ruas, construídas
circundantes às torres protegidas,
Prédios de pedras por muralhas petrificadas;
Perpétuas pedras, perpétuas gargalhadas.
.
II
.
Agora é moda lá no Leblon
Grade, varanda, tudo de vidro,
antirruído, não entra som.
Burguês, o que fez?
De que serve vidro?
Não dá proteção!
.
Ouve-se um tiro
No Alto Leblon
.
Houve um assalto
No Alto Leblon
.
Um assassinato
No Alto Leblon.
.
Assegurada a insegurança:
Cidade armada
Morre criança
Abre-se mão da bela fachada
Grade grande
Calçada fechada
Sobe um muro, esconde a casa
Porta de ferro, janela blindada.
— Confere, não falta nada?
— Foi a empregada.
.
Burguês,
sua grade de ferro
seu carro blindado
sua cerca elétrica
seu muro bem alto;
Seu dinheiro compra o sossego no asfalto?
Seu dinheiro extingue seu medo de assalto?
E o medo persiste
seu medo de escuro
seguro e triste
É mesmo seguro?
Como viver na desconfiança?
Temente a vida
E ao seu segurança.
.
.
