domingo, 23 de janeiro de 2011

DELÍRIOS DO CÁRCERE, de Erick Moraes

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I

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Nos meandros dos rios, erguidos

circundantes aos palácios; perseguidos,

os ricos riem em seus salões fechados;

Nobres risos são gritos desesperados.

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Nos meandros das ruas, construídas

circundantes às torres protegidas,

Prédios de pedras por muralhas petrificadas;

Perpétuas pedras, perpétuas gargalhadas.

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II

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Agora é moda lá no Leblon

Grade, varanda, tudo de vidro,

antirruído, não entra som.

Burguês, o que fez?

De que serve vidro?

Não dá proteção!

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Ouve-se um tiro

No Alto Leblon

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Houve um assalto

No Alto Leblon

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Um assassinato

No Alto Leblon.

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Assegurada a insegurança:

Cidade armada

Morre criança

Abre-se mão da bela fachada

Grade grande

Calçada fechada

Sobe um muro, esconde a casa

Porta de ferro, janela blindada.

Confere, não falta nada?

Foi a empregada.

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Burguês,

sua grade de ferro

seu carro blindado

sua cerca elétrica

seu muro bem alto;

Seu dinheiro compra o sossego no asfalto?

Seu dinheiro extingue seu medo de assalto?

E o medo persiste

seu medo de escuro

seguro e triste

É mesmo seguro?

Como viver na desconfiança?

Temente a vida

E ao seu segurança.

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Erick Moraes

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segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

chuva de verão, poema de Fernando Andrade

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hoje
caiu um temporal
pedrinhas de gelo
detonaram meu quintal

o sol ficou puto
acabou com a festa
num minuto
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Fernando Andrade
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segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

lullaby, de Augusto de Guimaraens Cavalcanti

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flor ausente

mar em carne viva

seu jeito anjo exterminador


palavras somem pelos guardanapos

janelas se desfolham como bandeiras

olhos transbordam pelas pétalas dos teus pelos

pratos e copos se quebram sem nenhum escândalo


acompanho suas pegadas como se fossem cidades

todas as manhãs jogo minhas asas mortas no mar


Augusto de Guimaraens Cavalcanti



Augusto de Guimaraens Cavalcanti faz parte do coletivo poetico Os Sete Novos e acaba de lançar seu segundo livro solo Os tigres cravaram as garras no horizonte, pela editora Circuito.
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