quinta-feira, 9 de julho de 2015

CONFIRA A LISTA DOS POETAS QUE ESTÃO NA EXPOSIÇÃO POESIA AGORA, EM SÃO PAULO


Adiron Marcos
Adriane Garcia
Adriano Scandolara
Afonso Henriques Neto
Alan Kramer
Alan Salgueiro
Alberto Lins Caldas
Ale Safra
Alexandre Bruno Tinelli
Alexandre Dacosta
Alexandre Faria
Alexandre Guarnieri
Alice Ruiz
Alice Sant'Anna
Alice Souto
Allan da Rosa
Allan Jones
Álvaro Faleiros
Alvaro Posselt
Alzira Umbelino
Amador Ribeiro Neto
Amanda Bruno
Ana Beatriz F. Batista
Ana Chiara
Ana Costa Ribeiro
Ana Elisa Ribeiro
Ana Estaregui
Ana Guadalupe
Ana Martins Marques
Ana Rüsche
Ana Salek
Anderson Pires da Silva
Andityas Soares de Moura
Andre Argolo
André Capilé
André Monteiro
André Vinícius Pessôa
Andreia Carvalho Gavita
Andreia Martins
Andrew Oliveira
Anelise Freitas
Angela Melim
Angélica Freitas
Anna Zêpa
Annita Costa Malufe
Antonio Cicero
Armando Freitas Filho
arrudA
Augusto Guimaraens Cavalcanti
Augusto Seixas
Banks Back Spin
Barbara Hansen
Beatriz Bajo
Beatriz Bastos
Beatriz de Brito
Beatriz Provasi
Bianka de Andrade Silva
Binho
Brasigóis Felício por Adalberto Queiroz
Braulio Coelho
Breno Coelho
Breno Góes
Bruna Beber
Bruna Piantino
Bruno Baptista
Bruno Black
Bruno Brum
Caco Ishak
Caco Pontes
Caio Carmacho
Cairo Trindade
Camila do Valle
Carla Diacov
Carlos Andreas
Carlos Júnio
Carlos Pittella
Carlos Tamm
Cássia Janeiro
Catarina Lins
CavaloDADA
Chacal
Charles Marlon
Chiara di Axox
Clara de Góes
Claudia Roquette-Pinto
Cláudia Schapira
Claudio Daniel
Claudio Willer
Claufe Rodrigues
Clauky Boom
Cléber A. dos Santos
Dado Amaral
Daniel Granato
Daniel Minchoni
Daniel Perroni Ratto
Daniel Viana
Daniel Zarvos
Danilo Diógenes
Danilo Lovisi
Danilo Rangel
Delmo Montenegro
Dênis Rubra
Dércio Braúna
Dheyne de Souza
Diana Sandes
Diego Grando
Diego Moraes
Dija Darkdija
Dimitri BR
Dimme Roots
DoisAs
Domingos Guimaraens
Eber Inácio
Edimilson de Almeida Pereira
Eduardo Lacerda
Eduardo Leão Teixeira Quentel
Eduardo Sterzi
Efraim Amazonas
Eliakin Rufino
Elisa Andrade Buzzo
Eliza Morenno
Elizabeth Manja
Emerson Alcalde
Enrique Carretero
Érica Zíngano
Eucanaã Ferraz
Eugênio Lima
Fábio Brazza
Fabio Riggi
Fabrícia Valle
Fabrício Corsaletti
Felipe Rezende
Fernanda Tatagiba
Fernando Andrade
Fernando Brum
Fernando Paiva
Ferreira Gullar
Flavio Castro
Fred Spada
Frederico Barbosa
Gab Marcondes
Gabriel Gorini
Gabriel Kieling
Gabriel Pardal
Gabriel Resende Santos
Gabriel Riva
Gabrielle Astier
Germana Zanettini
Gizza Machado - BigG
Glauco Mattoso
Gregório Duvivier
Gringo Carioca
Guilherme Costa
Guilherme Gontijo Flores
Guilherme Ottoni
Guilherme Preger
Gustavo Petter
Henrique Fagundes Carvalho
Henrique Rodrigues
Henrique Santos
Henry Pablo
Heyk Pimenta
Homero Gomes
Iago Passos
Ianê Mello
Idjahure Kadiwel
Igor Soares Veiga
Iracema Macedo
Ismar Tirelli Neto
Izabela Orlandi
Jessé Andarilho
João Inada
João Lima
João Meireles
João Moura Fernandes
João Pedro Fagerlande
Jonatas Onofre
Jordano Souza
José Geraldo Neres
Jota Maia
Jovino Machado
Jozias Benedicto
Júlia de Carvalho Hansen
Julia Mendes
Juliana Bernardo
Juliana Hollanda
Jussara Salazar
Jussara Santos
Justo D'Ávila
Kaio Bruno Dias
Karline Batista
Katyuscia Carvalho
Kelson Oliveira
Knorr
Larissa Andrioli
Lau Siqueira
Laura Assis
Laura Erber
Laura Liuzzi
Leandro Jardim
Leo Vincey
Leonardo Chioda
Leonardo Ferrari
Leonardo Gandolfi
Leonardo Marona
Leonardo Mathias
Letícia Brito
Letícia Féres
Letícia Simões
Liana Vasconcelos
Lilian Aquino
Linaldo Guedes
Lorena Martins
LOZ
Lu Menezes
Luca Argel
Lucas Bronzatto
Lucas C. Lisboa
Lucas Guimaraens
Lucas Matos
Lucas Viriato
Luciana Marinho
Luis Maffei
Luisa Noronha
Luiz Coelho
Luiz da Franca
Luiz Felipe Leprevost
Luiz Fernandes Priamo
Luiz Fernando Pinto
Luiz Otávio Oliani
Luiza Romão
Lulina
Lurdiana Araújo
Lux
Maíra de Melo
Maíra Ferreira
Mano Melo
Manuelle Rosa
Mar Becker
Marcel Fernandes
Marcela Sperandio
Marcelino Freire
Marcello Sorrentino
Marcelo Montenegro
Marcelo Moraes Caetano
Marcio Muniz
Marcio Rufino
Márcio Simões
Marco Vasques
Marcos Bassini
Marcos Fabrício Lopes da Silva
Marcos Messerschmidt
Marcos Siscar
Marcus Groza
Maria Isabel Iorio
Mariana Botelho
Mariana Felix
Mariana Paiva
Mariana Teixeira
Mariana Valle
Mariano Marovatto
Marilena Moraes
Marília Garcia
Marília Kubota
Marina Laurentiis
Marina Mara
Marina V. Medeiros
Mário Alex Rosa
Marisa Sevilha Rodrigues
Matheus José Mineiro
Matilde Campilho
Mercedes Lorenzo
Michel Melamed
Monique Nix
Mylle Silva
Ney Ferraz Paiva
Nicolas Behr
Nícollas Ranieri
Nino Ferreira
Nora Fortunato
Nydia Bonetti
Omar Salomão
Ondjaki
Oscar Calixto
Osiris Roriz
Osmar Filho
Otávio Campos
Oziel Soares de Albuquerque
Paloma Roríz
Pat Lau
Patrícia Lino
Paulo Cezar Santos Ventura
Paulo Henriques Britto
Paulo Kauim
Paulo Lisérgico
Paulo Roberto
Paulo Soares
Pedro Craveiro
Pedro Lago
Pedro Rabello
Pedro Rocha
Pedro Stkls
Pedro Tostes
Petrônio Souza Gonçalves
Prisca Agustoni
Priscila Merizzio
Rafael de Oliveira Fernandes
Rafael Magalhaes
Ramon Nunes Mello
Raphaela Ramos
Raquel Naveira
Raquel Nobre Guerra
Regina Azevedo
Regina Mello
Renato Augusto Farias de Carvalho
Renato Gomez
Renato Mosci
Renato Silva
Renato Torres
Reza Lima
Ricardo Aleixo
Ricardo Domeneck
Ricardo Miranda Filho
Ricardo Silvestrin
Roberta Estrela D'Alva
Roberta Lahmeyer
Rodrigo Bodão
Rodrigo Leite Pinto
Rodrigo Mebs
Rosália Milsztajn
Rubens Jardim
Sandra Fonseca
Santiago Perlingeiro
Seiji Nomura
Sergio Barcellos
Sergio Cohn
Sergio Gag
Sérgio Luz
Sergio Salles Oigres
Shala Andirá
Simone Andrade Neves
Simone Teodoro
Sinhá
Solange Casotti
Solange Firmino
Solange Valeriano Pinto
Soraia Arnoni
Stefanni Marion
Sueli Rios
Susanna Busato
Suzana Rosa
Tainá Rei
Tânia Diniz
Tassiana Frank
Tavinho Paes
Thiago Camelo
Thiago Cervan
Thiago Diniz
Thiago Gallego
Thiago Lobão
Thiago Mourão
Thiago Saldanha
Thiago Soeiro
Tiago Rattes de Andrade
Ulisses Tavares
Valciãn Calixto
Valeska de Aguirre
Vânia Osório
Vasco Cavalcante
Victor H Azevedo
Victor Heringer
Victor Rodrigues
Vinícius H. Masutti
Vitor Paiva
Viviane Mosé
Vivien Kogut
Vlado Lima
Walacy Neto
Wender Montenegro
Wilmar Silva de Andrade
Yasmin Nariyoshi
Yassu Noguchi
Yolanda Soares
Ziul Serip
Zuza Zapata

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Gentrificação


Viver na comunidade do Vidigal é privilégio de poucos
Do dia para noite é um vai e vem de pessoas
Nossa bela comunidade tornou-se ponto turístico
Todos querem conhecer o Arvrão, hotéis, a trilha e a bela vista
Com todo esse assédio e com a super valorização
Nós moradores continuamos com o pé no chão

Sentimos na pele a super valorização
Contas de luz alucinantes, que cobram do bolso do pobre as dividas de uma nação
São muitos os que sofrem com a opressão
A comunidade esta pensando em voltar a usar lampião

Vidigal não é mais lugar de pobre é lugar de gente nobre
As contas sufocam a população exercendo uma pressão
De 20, 50, 80, foi para 280
Há pessoas que foram sorteadas
Com contas premiadas de 3.450

A comunidade tem gritado, mas ninguém tem escutado
Escutamos explicações malucas de pessoas confusas
Não venha me dizer que as pessoas tem pago triplicado
Porque tinham gatos.
Na verdade gato eu não tenho, tenho um gênio de cão
Fico revoltada e sinto muita indignação

Tenho todas as contas antigas e todas estão em dia
Será que a comunidade do Vidigal se tornou acesa?
Como os holofotes de uma realeza?

Talvez esse seja o motivo dessa super faturação
A mente do pobre vive acesa e consegue enxergar com muita clareza

Escutamos muitas ofensas
De uma sociedade que não tem consciência
Somos chamados de porcos e de favelados                                                                       

Mas não comemos as lavagens da sociedade.

Denise Soares

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Poema de Danilo Diógenes


Pra Barbara Matias

Trinta cópias
da mesma palavra e ainda não sei
a maneira certa de escrevê-la.

Seria mais fácil
se não fosse o seu nome.
Seria mais fácil
se fosse uma flor
e eu tivesse que dar um nome pra ela.

O seu devia servir.

Ou o nome de uma estrela
que eu encontrasse num livro de astronomia.

Trinta vezes escrevi seu nome nessa folha
e as letras dele ainda me confundem... Sou pequeno diante de cada
uma
delas.
Sou o personagem que fica ao lado do Frank Castle
quando ele explode a cabeça de um bandido e o sangue se espalha
por todo canto.

Mas eu vou acabar
com isso agora mesmo.
Vou transformar essa folha
numa bola.

Uma bonita
e reluzente
bola de papel.

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Estreito de Bering


Abra as gavetas da mente
Liberando o fluxo
Seja uma pedra rolante
Não fique perplexo

Pense na Ásia gigante
Tal como uma festa
Da solidão continente

Você já se basta

Daniel Wainer

terça-feira, 30 de junho de 2015

Poema de José Juva


osso que recobre a pele
os sumérios sumiram
com as pérolas
e a telepatia
de alta velocidade
as canções
da invasão alienígena
e os desenhos do projeto
por um teletransporte
público
a mente sonha
com tartarugas
e fogueiras anciãs
polegares
coçando os olhos
da floresta
biografias das folhas
perdidas nas ventanias.

José Juva

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Abertura da exposição Poesia Agora


Às 19 horas de hoje, dia 22 de junho, será inaugurada, no Museu da Língua Portuguesa (Estação da Luz, São Paulo), a exposição Poesia Agora. Todos os leitores, colaboradores e amigos do Plástico Bolha estão convidados. Vamos celebrar a poesia (agora)!

terça-feira, 16 de junho de 2015

Abertura da exposição "Poesia Agora", no Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo




É na próxima segunda-feira, dia 22 de junho de 2015, às 19h, a abertura da exposição Poesia Agora, uma criação do jornal Plástico Bolha em conjunto com o Museu da Língua Portuguesa, levando a poesia contemporânea para o centro da cena! Com curadoria de Lucas Viriato e coordenação artística de Domingos Guimaraens e Yassu Noguchi, a exposição estará em cartaz até o dia 27 de setembro, com uma programação especial e gratuita prevista para 8 sábados

A exposição Poesia Agora tem como principal objetivo explorar o cenário poético atual, apresentando ao público um pouco da obra de quase 500 poetas vivos, de todos os estados do Brasil e até do exterior. Além disso, ainda há o convite para o visitante também experimentar as palavras e tornar-se também um criador.

Venha ver, ler, inspirar-se e entrar na poesia, agora!



segunda-feira, 15 de junho de 2015

Planificação do mar


                                                                              A Georg Trakl
Ofusco-me no Vento em letras de ferrugem
Enquanto a tarde passa em verdes nuvens ocas,
Impressas à Canção das Náiades nas tocas
Do ocaso entre o carmim celeste e uma penugem

De Sono redentor. Na maré surda mugem
Os Cacos da unidade: espaços entre a
De marfim onde um barco esguio se desloca
Em tridentes de pó. Sobre o marulho surgem

Bocas de espuma, véus salgados nas madeixas
De minério solar vestindo um Fogo morto
Que ondeia azul no cais. Em taciturno horto

Marítimo, no branco, olvidada na areia
Vespertina, a sonora e reticente Ceia
De Íris, e nada mais sustenta alguma queixa.

Heitor de Lima

domingo, 14 de junho de 2015

Exposição Casa 70


É com muita felicidade que o Plástico Bolha vem convidar vocês para uma exposição coletiva da qual nossos autores e colaboradores Fernando Brum e Piti Tomé vão participar. Será na Casa 70, que fica na Gávea, dia 20 de junho, das 16 às 22 horas, e reunirá uma turma fera! A exposição será dia 20/06 anotem aí!! Quem se interessar, basta enviar um e-mail com o nome confirmando a presença no endereço que está na imagem em anexo.


quinta-feira, 11 de junho de 2015

Palíndromos tardios


Pedimos, para a coluna Desafios Poéticos da edição 35 do PB, palíndromos. O tempo passou, a edição 35 rodou, a 36 tomou as ruas - e não é que até agora chegam alguns? Atrasados demais para o impresso, mas atuais para o Blog, seguem os criativos palíndromos tardios de Frederico Bohland Neto.

Diálogo do Povo:
— Ele é senador?
— É sim.
— Mísero, dane-se ele.

Palíndromo do Vulcão:
Ata-me, aceso pó, a lava.
És Etna, e sem o fogo - fome.
Se antes é a vala, o pó seca e mata.

O velório:
Sal e vermes somava.
— Já vai?
— Lava...
— Era bom (sem ar)
— Oh!!!
— Caladas.
Na cova a dor vil...
— Ela dá uma saudade.
— Da duas...
Amuada, lê livro da avó. Cansada, lá chora.
— Mesmo bar?
— É - avaliava.
— Já vamos.
Sem revê-las.

Telegrama:
Tioná, rumo trôpego, foge Porto Murano, IT.

Reprovação:
Ada rufa tese: Toda Doença é Acne.
O dado: Tese ta furada.

Frederico Bohland Neto

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Plástico Bolha e o Museu da Língua Portuguesa




Exatamente no mesmo dia 21 de março de 2006, tivemos duas boas notícias para a nossa literatura: a inauguração do Museu da Língua  Portuguesa, em São Paulo, e o lançamento do jornal Plástico Bolha, no Rio de Janeiro. Agora, praticamente uma década depois, esses projetos se cruzam para explodir em poesia. Ou seja, vem coisa boa por aí: aguarde!


segunda-feira, 25 de maio de 2015

Haicai Combat - o Micro Slam


Os poetas Marcos Bassini e Yassu Noguchi, que estão na edição #36 do Plástico Bolha, apresentam hoje uma edição do Haicai Combat, slam de poemas curtos, às 20 horas, no prédio do Fórum de Ciência e Cultura, durante o evento Arte de Segunda, promovido pela UFRJ.

O link do evento:

https://www.facebook.com/events/1413014315688444/





quinta-feira, 21 de maio de 2015

Pedido de ânsias


Foi numa balsa de crânios de pato
Que atravessei o rio de Roraima
Procurando uma flor
Que perto duma árvore espinhosa caíra.

Precisava voltar ao túnel subterrâneo
E apresentar a flor ao mago,
Que com conjuros, lapsos, e traças de ferro
ia encobrir, desmedir e reintegrar
um
estame
de açafrão
à medida do contratempo.

Quando voltei, abstrato
Eu supliquei
Mago meu,
Mas por que contrair o tempo?

Porque as lambadas planetárias estão todas erradas!
Replicou furioso.

Observei o relógio ossudo
Que cada segundo salpicava sangue à parede nua,
E entendi que Roraima
Minha aurora, rima amena
Era só um lírio, caído no rio
Num atardecer
Que eu nunca teria tido
Atravessado em uma balsa.


Naomi Garcia Pasmanick

Palíndromos! –- matéria na revista O Globo





Matéria da Revista O Globo que cita o nosso último desafio poético de palíndromos.

terça-feira, 19 de maio de 2015

Plástico #36 nas ruas!


O Plástico Bolha 36 já está ganhando as ruas! Em breve, você e o jornal terão o prazer de se encontrarem. Até lá, confira a lista de autores cujos textos se espraiam pelas 16 páginas do nosso bom e velho jornal:

Ricardo Sergio Albuquerque
Augusto Seixas
Vinicius Varela
Yassu Noguchi
Vidi Descaves
Frederico Barbosa
Guilherme Costa
Cacau Vilardo
Carlos Meijueiro
Thiago Gallego
Daniel Granato
Guilherme Ottoni
Marcos Bassini
Yasmin Nariyoshi
Alexandre Bruno Tinelli
Catarina Lins
Renato Augusto Farias de Carvalho
Marcio Rufino
Santiago Perlingeiro

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Novo livro de Santuza Cambraia Naves




É com muita alegria que anunciamos o lançamento do livro "A Canção Brasileira", um lançamento póstumo, da nossa grande amiga e apoiadora Santuza Cambraia Naves.

"A Canção Brasileira", organizado por Frederico Coelho, Juliana Jabor, Júlio Naves Ribeiro, Paulo Henriques Britto e Tatiana Bacal, reúne onze artigos produzidos por Santuza ao longo da sua carreira. Tomados em conjunto, os textos acompanham por cem anos a história da música brasileira.

Editora Zahar
200 páginas
Preço livro impresso: R$ 59,90
Preço livro digital: R$ 34,90








Plástico Bolha #36 — Poesia Agora



O Plástico Bolha está de volta! 
Na edição #36: poemas, contos, desafio poético e muito mais.
 Poetas novos e consagrados reunidos em torno de um novo mantra: Poesia Agora.
Em breve, perto de você.







sexta-feira, 15 de maio de 2015

Lançamento do livro “Versos para uma flor morta”, de Guilherme Ottoni




Ode à loucura

Ver tua mãe aturdida em pranto ao chão,
Com seus olhos vazios, encharcados
Pela álgida e triste constatação
De ter aquele seu filhinho amado

Entre estilhaços que lhe cortarão...
Com os pulsos em sangue e decepados,
Pois agora tem pensamentos vãos,
No hospício neste momento internado...

Não me consoles nem me digas nada!
Tu não hás de compreender como é
Ter a noite infinda em plena alvorada!

Morte: descendo da cabeça ao pé!
Ter o sangue escorrendo pela espada
E a psicose inumando minha fé!



Guilherme Ottoni



Lembrando, lançamento do livro “Versos para uma flor morta”, de Guilherme Ottoni, hoje, dia 15, na Livraria Argumento (Rua Dias Ferreira, 417, Leblon), às 19 horas.


Esperamos todos lá!


Alicerces, poema de Bernardo Cordeiro


Por alicerces de um mundo caído
Não existe Atlas que sustente
Este mundo tão triste e chato
Existe apenas uma esperança

Digo-lhe que a vida mudou
Não para melhor e nem para pior
Apenas teve sentido,teve vida
Que mora em um amor

Mais uma vez lhe digo
Amar é algo tão difícil que
Ridiculariza qualquer filósofo
Imprestável ao conhecimento
Alicerces de um mundo caído
Não serão sustentados por algo
Amor será seu sustento mundo


Por alicerces de um mundo caído...

Bernardo Cordeiro

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Poema de Felipe Andrade


Não olhe para o poeta
com esses olhos
de quem se olha no espelho
observando sempre
  a mesma boca pequena
  o mesmo nariz afunilado
  o mesmo queixo alongado
  e a cara redonda.

Olhe para o poeta
com o mínimo de olhos
de quem se olha nos olhos.

E quem sabe
nos olhos do poeta
verá a tua
verdadeira

dimensão.

Felipe Andrade

terça-feira, 12 de maio de 2015

Lançamento de "Versos para uma flor morta", de Guilherme Ottoni


O plástico Bolha vem anunciar o lançamento do livro de estreia de Guilherme Ottoni, um desses poetas que de vez em quando aparecem no jornal como breves e fascinantes flashes divinos. “Versos para uma flor morta” é uma obra de fôlego e dedicação desse jovem autor que não teme a tradição e abusa de recursos métricos e formais, atualizando as influências múltiplas que destilou ao longo da vida e condensando-as em um romantismo inconfundível. Sentimentalismo, sofrimento, amor: o livro traz poemas de alguém que trilha seu caminho na literatura como quem se agarra a uma tábua de salvação.
Sexta feira, dia 15, na Livraria Argumento (Rua Dias Ferreira, 417, Leblon), às 19 horas.

Esperamos todos lá!

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Miriam Sutter e Affonso Romano de Sant'Anna na Reinauguração do Anfiteatro Junito Brandão


O Plástico Bolha divulga a reinauguração do Anfiteatro Professor Junito de Souza  Brandão (PUC-Rio), que será amanhã, terça-feira, dia 12 de maio, às 17 horas. Haverá, em celebração, um encontro com participação do escritor Affonso Romano de Sant'anna e da professora Miriam Sutter Medeiros, autora da coluna Oráculo do Plástico Bolha e integrante do Departamento de Letras da PUC-Rio.

terça-feira, 5 de maio de 2015

3º Movimento - Nua na Voluntários da Pátria, amada Brasil


para Francisco Tito Yupanqui

Hoje saí de casa de camisola. Uma camisola razoavelmente publicável, confundível com vestido, de um preto comportado, mas com a qual sei que dormi, o que sonhei vestida dela, a coisa mais distraída que faço, a coisa mais desastrada que faço, a coisa mais infinitamente desejável que faço, dormir. Saí com a banana por terminar, pra comprar pó de café que acabou, ando escrevendo até os pássaros adiantados das 4 da manhã e isso só com café mesmo, que geralmente revezo com vinho pra amenizar os sobrenados e ajudar minha cidade a guardar sua ordem nenhuma. Meu Deus, quanto tempo faz que não corto as unhas dos pés. Saí pelo café e já voltando, a cica da banana não sai mesmo, me lembrei de um livro fundamental, todos os dias tenho um estalo de um livro fundamental, nunca terei tempo de ler todos os livros que considero fundamentais às minhas plantas dos pés que se mantenham calejadas e me conservem de pé diante do vermelho dos sinais. Peguei o metrô e fui até a Travessa de Botafogo. De camisola. Botafogo é logo ali, quase uma extensão da minha casa, eu geralmente caminho sobre o alívio de braços que me estreitam em Botafogo, minha identidade não se desloca em Botafogo. Eu esqueci que estava. Eu esqueci que estava de camisola fora do meu bairro, mesmo em Botafogo, verão, uma água de coco de carrinho, máquina de costura, a gente não é nada, pensei, por mim e pelas pessoas que me viam caminhar nua fora do meu bairro, e sorri por mim e pelas pessoas que me sorriam sem qualquer domínio sobre o desfecho de seus sorrisos, bocas se fechando trêmulas, o fim do sorriso sem dar-se por ele é a maior distância possível entre dois habitantes. Já lavei as mãos, a cica não tem jeito. Eu sorria de volta, mas não era verdade. Aproveitei pra comprar uma canjica, pilhas palito e adaptador de tomada que somem todas as tardes pelos cantos abstrusos do meu apartamento, e claro que não me dei por satisfeita com 1 só livro fundamental. Agora eu era nua na calçada com o peso da história que os escritores inventam para não morrerem sob meus punhos, sob a história que invento para não morrer. A camisola não cumpria qualquer papel de indumentária, não conversava por mim, não protegia minha pele nem a carne, meu pulmão, minha garganta, a camisola era só o vento que ela fazia entre as minhas pernas. Não tinha me dado conta da diferença que faz um túnel entre uma casa e o objetivo, no tanto que pode interferir no despojamento de um habitante. Entendi que a cara de qual o problema dos rapazes do bar vizinho em Copacabana por onde passo todos os dias, e todos os dias com a roupa que estiver mais perto, é por causa do costume que já têm em me ver de qualquer jeito. Eu nunca durmo de roupa e era como se não tivesse excepcionalmente dormido dessa vez, meu corpo estava ali completamente nu em plena Voluntários da Pátria, amada Brasil. Temo um dia sair com a roupa nenhuma com que durmo em Copacabana. Seria a mesma coisa que estar de camisola em Botafogo. Minha casa é Copacabana, eu não ligo em Copacabana, tudo me é familiar em Copacabana, carrego tudo na mão, é carteira é chave é celular, não há estrangeiros em Copacabana, os estrangeiros de Copacabana são meus vizinhos, vizinho é uma palavra mais forte que qualquer outra denominação pra gente desconhecida, minha vizinhança é o que sopesa o templo do meu calendário, e Botafogo apesar de bairro vizinho à minha vizinhança não é a minha casa, não é bonito igual, não dá pra sair de camisola, não tem cavalos de madeira em tamanho natural, não tem camelos, nem camelôs que se prezem, não descobriram o teclado no meio da rua, não se vê resgate de princesas velhas que nunca existiram, os rapazes não estão acostumados com o vento que a camisola faz entre minhas pernas em Botafogo, e eu nunca fui boa em desviar de bueiros que ventam pra cima, eu não sou mulher pra Botafogo. Quanto mais me sentia uma estrangeira naquele bairro, mais arrumava função pra ver se o tempo dedicado a ele me fazia sentir como se fosse meu, algum bálsamo da minha terra, Copacabana!, alguma calamidade de maresia pelos orifícios. Costumo me sentir em casa em Botafogo mas é porque geralmente estou de roupa de sair, em Botafogo. Ir a Botafogo é sair. Copacabana não. Me pergunto se foi o que aconteceu comigo ou com Botafogo. A cidade já não é do morador faz tempo, pensei sem meus botões, a carteira a chave o celular na sacolinha de plástico das pilhas palito. A cidade do habitante é o bairro do habitante quando não a rua dele, a casa, o quarto dele, o banheiro, a privada dele, a cidade do habitante é o vaso sanitário do habitante, o chuveiro, as gavetas, a cama, o travesseiro mais tardar. O poste do habitante é a luminária de mesa dele, o abajur de cabeceira do habitante, a luz fria da cozinha, a luz quente do computador, da cafeteira dele, do forno, do ferro de passar, da vela de sete dias, do fogo soprado pelas bocas do fogão do habitante, do isqueiro, do celular, da luz insolente do vizinho que entra pela janela mais tardar. O corpo do habitante é o único vestíbulo unívoco do habitante. Não era nada disso que eu ia falar.

Querido Rio de Janeiro,
estou apavorada com a gentrificação de Botafogo. O Estação agora é NET, tem japonês com neon azul na Arnaldo Quintela, um Zona Sul, uma Travessa, nenhuma locadora, 5 bares por quarteirão, comprei laranja e não deu troco, couve já faz tempo, uma penca de apartamentos a mais de 1 milhão vazios, não deu vazão para vender na planta, tantas opções que os corretores tinham, mas eu juro que ainda compro tapioca milho e churros na entrada do metrô, e canjica na saída do metrô, que daqui a pouco, aos moldes madrileños, vai virar Metrô Vivo Botafogo. Viva Botafogo, viva o Soho Botafogo, viva o Rio de Janeiro Manhatã, mãe ateia, quê que te deu que eu não tava aqui pra ver?, que santo anda baixando nesse povoado?, você se lembra do rapaz do abacaxi?, vê se não esquece o troco da pipoca, vê se não esquece o cinema baratinho, vê se não esquece de me cumprimentar da próxima vez.

Luana Carvalho

domingo, 26 de abril de 2015

Chamas, de Salvador Passos


no alto dos mastros do marasmo
o câncer já prenunciado
morre
e o cântico entoado
pelas ruas
é raivoso & revoltado

nada de lirismo

no ar
o cântico alucinado
o cancro poético de tudo
como um vírus
espalha
o pânico ensimesmado
proclamando a mais grave pandemia
epidemia de epifanias
vírus nocivo
as bases do sistema destruídas
por uma simples utopia
o surto
a catarse
o escarro
o vômito fétido
o exorcismo do liberalismo panfletário
aristocrático
protozoários autoritários
a elite dos mamíferos
mamando nas tetas do sistema
e o poeta a ler poemas como Nero
lançando fogo sobre as certezas de uma outra Roma
a romaria dos economistas desesperados
e seu aroma ardendo nas fogueiras

Salvador Passos

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Medula, de Alex Moura


o movimento
a raiz
o laço
que

lastro
é forte

a solução
a agulha
sempre
uma
esperança
medula

código genético
seis semanas
célula-tronco
emana
transgênico
transgênero
tudo é vida
e tem gente
que
ainda
duvida

o olho
falha
o farol
fala
a solução
fragmentos
o lastro
decepção
mil pedaços

teste
de farmácia
de laboratório
a menina virgem
não é mais
tá no sangue
no dna
nasceu
pra dar

Alex Moura

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Cidade real maravilhosa, de Marco Alexandre de Oliveira


O Rio de Janeiro é realmente uma “cidade maravilhosa”, como diz a canção, “cheia de encantos mil". O que encanta, no entanto, não são apenas as suas inúmeras belezas, nem os seus inesquecíveis 450 anos de história, mas os seus incríveis contrastes, que revelam as incomensuráveis contradições desse “coração” do Brasil.

Por um lado o mar, por outro as montanhas. Por um lado a Zona Sul, por outro a Zona Norte. Por um lado o morro, por outro o asfalto. Assim, entre a natureza e a cidade, o cosmopolita e o provinciano, a pobreza e a riqueza, o Rio de Janeiro representa um entre-lugar, por ser um lugar de várias diferenças,e múltiplas realidades.

Entre gente boa e gente ruim, os cariocas também apresentam os seus contrastes marcantes, e as suas contradições significantes. Por um lado, se os cariocas são “bonitos”, “bacanas”, “sacanas”, “dourados”, “modernos”, “espertos” e “diretos”, como canta a gaúcha Adriana Calcanhotto, por outro lado, os cariocas são igualmente feios, chatos, corretos, escuros, antiquados, ingênuos e indiretos, como se pode observar[1].  Então, se alguns cariocas “nascem bambas”, outros nascem sem ginga. Se uns “nascem craques”, outros nascem pernas-de-pau. Uns “tem sotaque”, outros não falam carioquês. Uns “são alegres”, outros são tristes. Uns “são atentos”, outros são negligentes. Umas “são tão sexys”, outras são bem barangas. Uns “são tão claros”, outros são bem sombrios. Assim, os cariocas podem ser tão finos quanto grossos, tão chiques quanto cafonas, tão tranquilos quanto nervosos, tão generosos quanto mesquinhos e/outão malandros quanto manés, sem que essas características contrastantes, ou até contraditórias, sejam descaracterizadas.

Como estereótipos, as impressões podem ser tão verdadeiras quanto falsas. Até as constatações podem aparecer, às vezes, impressionantes. Por exemplo, o Rio de Janeiro já foi apontado como “a cidade mais simpática do mundo”, segundo uma pesquisa realizada pela revista New Scientist, que também classificou a cidade como “uma das mais violentas do mundo, notória por sua taxa alta de criminalidade e seus incontáveis males sociais”[2]. Ao mesmo tempo, parece que sobra antipatia e falta solidariedade na cidade, onde o povo contraditoriamente (ou não) se une pela paz.

A justaposição dessas realidades tão contrastantes caracterizaria o Rio de Janeiro como uma cidade “surreal”, na concepção do francês André Breton, que escreveu que “o maravilhoso participa obscuramente de uma classe de revelação geral, de que só nos chega o detalhe”, como, por exemplo, as “ruínas” antigas ou os “manequins” modernos, ou qualquer outro “símbolo” que “comove a sensibilidade humana por um tempo”[3].  Seja entre o efêmero e o eterno, seja entre a vida e a morte, o maravilhoso então surge dos contrastes e/ou das contradições, assim como em “quadros que nos fazem sorrir” enquanto pintam a “inquietação humana”, segundo Breton. Deste modo, a “cidade maravilhosa” que se (auto)retrata como “cartão postal” tropical, local de uma das sete maravilhas do mundo moderno, revela a imagem contemporânea de um ícone medieval, que abraça toda a baía e ilumina o mundo mundano com o seu coração sagrado, e sangrando.

Na realidade, o Rio de Janeiro é uma cidade “maravilhosa”, e se o tropicalista Gilberto Gil cantou que o “Rio de Janeiro continua lindo”, o surrealista Breton antes escreveu que “o maravilhoso é sempre belo, qualquer maravilhoso é belo, só mesmo o maravilhoso é belo[4].  Mas o Rio de Janeiro não é uma cidade surreal, apesar de ser linda e maravilhosa. Pelo contrário, é uma cidade real em suas diversas realidades. Assim, dir-se-ia que o Rio de Janeiro é uma cidade real maravilhosa.

Para o cubano Alejo Carpentier, que concebeu a estética do “real maravilhoso”latino-americano em contraste com a do “surrealismo” europeu, invocada na “descrença”, o maravilhoso “surge de uma inesperada alteração da realidade (o milagre), de uma revelação privilegiada da realidade, de uma iluminação incomum ou que favorece singularmente as inadvertidas riquezas da realidade, de uma ampliação das escalas e categorias da realidade”[5].  Proveniente de um certo“estado limite”, a “sensação” do maravilhoso é, antes de tudo (ou nada), fundada em uma “fé” na realidade do maravilhoso: é o maravilhoso do real e não da imaginação, do concreto e não do abstrato, da história e não da ficção. E se Carpentier presenciou esse fenômeno no Haiti, ele também percebeu que é, de fato,“patrimônio da América inteira”.

Enquanto os baianos Gilberto Gil e Caetano Veloso contam como o “Haiti é aqui”, no Brasil, o “real maravilhoso” encontra-se realizado no Rio de Janeiro, patrimônio cultural da humanidade, onde tanto os passos e as canções do samba, quanto as alegorias e as fantasias do Carnaval, não perderam o seu “caráter mágico ou invocatório”, mas ainda guardam “um profundo sentido ritual”, criando-se em torno deles “todo um processo iniciático,” como Carpentier diria[6].  Sem lembrar dos jogos de futebol, das novelas das nove, das noites de boemia e das missas de domingo.

Assim, repetir-se-ia que o Rio de Janeiro, onde a história se (con)funde com o mito para revelar uma realidade maravilhosa, pela “virgindade da paisagem” deflorada pelos homens, pela “formação”dessa cidade grande onde não há um grande rio, pela “ontologia” de ser a Cidade de São Sebastião, santo católico sincretizado orixá iorubá, pela “presença fáustica” dos índios desalojados e dos negros descriminados, pela “revelação” que consiste em sua constante dissimulação, pelas “fecundas mestiçagens” que ainda proporciona, está“muito longe de ter esgotado seu caudal de mitologias”[7].

Para concluir, uma pergunta de Carpentier poderia ser reformulada na seguinte questão: Mas o que é a história do Rio de Janeiro senão “uma crônica do real maravilhoso?” Há de se declarar que o Rio de Janeiro, este entre-lugar único e diferente, esta metrópole pré-pós-moderna, ex-capital da nação que era tanto império quanto colônia, é realmente uma cidade maravilhosa, cheia de contrastes mil. Uma cidade maravilhosa, contradição do Brasil....

Marco Alexandre de Oliveira

[1] Adriana Calcanhotto, "Cariocas", A fábrica do poema (1994). http://www.adrianacalcanhotto.com/sec_musicas_letra.php?id=14
[2]http://brasil.estadao.com.br/noticias/geral,rio-e-a-cidade-mais-simpatica-do-mundo-diz-revista,20030618p7948; http://www.newscientist.com/article/mg17824005.600-the-word-simpatico.html
[3]André Breton, "Manifesto do Surrealismo" (1924). http://www.culturabrasil.org/breton.htm
[4]Gilberto Gil, "Aquele abraço", Gilberto Gil(1969). http://www.gilbertogil.com.br/sec_disco_interno.php?id=4;
André Breton, "Manifesto do Surrealismo" (1924). http://www.culturabrasil.org/breton.htm
[5]Alejo Carpentier, "De lo real maravilloso americano" (1967). http://www.literatura.us/alejo/deloreal.html
[6]Caetano Veloso e Gilberto Gil, "Haiti", Tropicália2 (1973). http://www.gilbertogil.com.br/sec_disco_interno.php?id=32;
Alejo Carpentier, "De lo real maravilloso americano" (1967). http://www.literatura.us/alejo/deloreal.html
[7]Alejo Carpentier, "De lo real maravilloso americano" (1967). http://www.literatura.us/alejo/deloreal.html

Marco Alexandre de Oliveira é professor adjunto do Departamento de Letras da PUC-Rio, onde ensina cursos de Literatura e Cultura Americana e de Língua Inglesa. É também o nome real do Gringo Carioca, poeta e autor do livro Reflexos e reflexões (Oito e meio, 2014). 

quinta-feira, 16 de abril de 2015

DESAFIO POÉTICO DAS VOGAIS


Na edição número 24 do Plástico Bolha, em que o desafio era não utilizar a letra A, textos incríveis chegaram a nós - embora muitos tenham reclamado da dificuldade para driblar a abundante letra. Dessa vez, decidimos expandir a proposta: quatro desafios de uma vez! Intimamos nossos incansáveis leitores a escreverem e enviarem poemas sem E, I, O ou U. Não queremos ninguém deixando de enviar por colapso de indecisão: se você não consegue evitar o E, tente fugir do I, e assim por diante. Envie seu desafio poético para jornalplasticobolha@gmail.com

Alguns. e a vida, poema de Sarah Israel


se passa assim
assim vemos e às vezes
nem
enxergamos
como muda
e continuamos a.

Respostas. e livros
são para nosso combustível
queimar
funcionar
são como nosso ar
e mais ar só por rimar.

Leituras. e canetas
servem para eternizar
como foto-
         grafia
desse modo te desenho
ao meu lado
para um sempre
com as mesmas letras
e mais. Ilusão.
            Aves.
            Asas.
Sem engenho
eu
uso a tinta das veias.

Sarah Israel

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Lançamento: "Escuta", de Eucanaã Ferraz



Mil pássaros, poema de Yasmin Barros


Saí da faculdade
nesta quinta-feira chuvosa.
Tomei não o primeiro ônibus que vi,
pois este foi embora antes que eu o alcançasse.
Confesso que no caminho,
imersa no mundo dos smartphones
(qualquer hora acabamos afogados)
não dei muita atenção ao engarrafamento,
que até parecia pior do que realmente foi.

Sentei-me à janela, mas
— que erro o meu —
sentei-me do lado errado.
De onde estava, não podia
ver a praia.
Erguendo os olhos, porém,
já cansada do celular,
pude avistar um senhor.
Ofereci a ele o meu lugar
e após o sorriso que acompanhou o seu
"não, querida, muito obrigada",
decidi por virar-me à janela.

A claridade me incomodou,
o que não pareceu fazer sentido
considerando que tão cinza estava o céu.
Mas talvez fosse um holofote
para me fazer ver
o estranho fenômeno que me leva a este poema.

Havia aves.
Não uma ou duas.
Centenas.
Não cento e duas.
Milhares.
(É sempre assim o céu de Ipanema?)

Fiquei não sei quanto tempo olhando
apreciando
admirando.
(Será que eles sabem como são livres?)
(Será que eles sabem quantos de nós gostariam de um par
de asas, não de braços,
porque os braços não nos permitem voar?)

Peguei o celular e tirei uma foto
de péssima qualidade
— nem sei bem por que o fiz.
Acho que achei que justo seria
não guardar só pra mim
este momento de poesia.

Pensei que todos no ônibus notariam a foto que tirei
e os que ainda não tinham visto
(seria possível não ver tantos pássaros negros no céu?)
logo perceberiam
e se perderiam naquela visão
da forma como eu me perdi.

As pessoas, porém,
pareciam não notar
— tão imersas no mundo dos smartphones —
(um dia ainda vão se afogar).

De repente a Vieira Souto
não era seus prédios,
não era seu valor
(na verdade nunca foi),
não era nem mesmo sua praia.

De repente a Vieira Souto
era milhares de manchas negras
no céu acizentado
desta quinta-feira chuvosa.

De repente eu só queria
saber para onde iam
saber por que eram tantos
saber por que nunca na vida eu vira algo assim.
Mas, sem sequer responder minhas perguntas,
o ônibus virou à esquina.

Agora eram as árvores
e eu já não via mais o céu.
Via a vitrine de mil lojas
mil vestidos
mil blusas
mil sapatos
mas nada era tão belo quanto os meus
mil pássaros.

Para onde iam?
Por que eram tantos?
Por que nunca em minha vida
eu vira  algo assim?
Desci na praça e
— que alívio! —
havia aves.
Não uma ou duas.
Centenas.
Não cento e duas.
Milhares.
Mas ninguém as via.

Não me importava que não me vissem
— talvez até tropeçassem em mim —
mas não havia problema, desde que vissem
mil pássaros.

Mas não viam mil pássaros.

Caminhei, caminhei,
e quase caí na calçada.
Não vi a pedra no meio do caminho
porque o chão não era belo como o céu.

O chão não tinha mil pássaros.

Obrigada a olhar para a frente
disse adeus aos meus mil pássaros.
Passei então pela entrada do metrô
na certeza de que o subterrâneo
não me mostraria mil pássaros.

Sentei-me à janela, mas
— que acerto o meu —
sentei-me do lado certo.
De onde eu estava, não podia
ver a praia.
Mas pude ver mil pássaros.
Seriam eles mais belos do que a praia?

Penso agora que os pássaros parecem as palavras neste papel
coincidentemente escritas com caneta preta,
porém em uma folha não tão cinza quanto o céu
desta quinta-feira chuvosa.
O único problema é que
em vez do ar puro e livre
recebem o ar abafado do metrô apertado.
Em vez do meu olhar admirado
recebem o olhar desaprovador das que incomodo com meu papel.

Desculpem, senhoras,
as palavras não esperam.
As palavras são como os pássaros, senhoras.
Se não as escrevesse,
voariam para um lugar
que eu não sei onde é
e eu nunca mais as veria.

Porém, já vai chegando minha hora de parar.
Parece que este poema é tão longo quanto a distância
de Ipanema à minha casa.
Parece que este poema tem tantas palavras

quanto havia de pássaros no céu.

Yasmin Barros

quinta-feira, 19 de março de 2015

Liberdade provisória, de João Miguel Maio


Meu verso é livre como um condenado em regime de prisão domiciliar
Carrega um aparelhinho preso no tornozelo
Que apita quando ele se afasta tantos metros de casa
Mas os vizinhos nunca o ouviram apitar
Porque meu verso é obediente
E só abre a porta para pegar o jornal
Cumpre pena atolado no sofá

Meu verso é livre como um cão medroso que pensa em fugir,
Mas só pensa, porque ele ama a liberdade,
Mas também ama a coleira
Então ele fareja e explora e dá meia-volta
No limite onde a corda termina e começa a rima

Meu verso é livre como uma vítima de sequestro com Síndrome de Estocolmo
Ele já está aqui há tanto tempo
E se aconchega na forma do cativeiro
E conhece todos os sons que vêm de fora
E já não sabe mais se prefere ficar
Ou se ainda cultiva alguma vontade de ir embora

Meu verso, livre, tem muitos braços
E por isso permanece algemado
Deus hindu desastrado
Ele os estica na tentativa
De alcançar tudo o tempo todo
O vaso, a vela, o livro
A planta, a lâmpada, a câmera
E ele quebra as coisas.
Pronto, aí está: quebrou o vaso

Meu verso é livre como um adulto de castigo

João Miguel Maio

quinta-feira, 12 de março de 2015

Escuro, poema de Matheus Felipo


escuro
há de se tocar o disco inteiro no escuro
preste atenção

cada letra tem um significado
a entende-se bem melhor no escuro

escuro
há de se ter somente a música

palpável superfície nenhuma

Matheus Felipo