terça-feira, 13 de setembro de 2016

4 por cabeça: festival de compositores (2ª edição)



O 4 por cabeça: festival de compositores chega à sua 2ª edição, dia 22 de setembro, às 20 hrs, no Teatro Sergio Porto.

O esquema é o mesmo: 6 artistas, sem banda, 4 músicas por cabeça. A intenção permanece: apresentar música boa; misturar galeras; estabelecer referências em comum; abrir caminhos; instigar diálogos (cada dia mais necessários).

Nesta edição se apresentam: Bel Baroni (Xanaxou), Zé Ibarra (Dônica), Raquel Dimantas (Nitú), Marcelo Callado (banda Cê, Meu trabalho Hans-Solo vol.2), Gabi Mariquito e Rudah Guedes (Os Dentes).

O valor do ingresso será de 15R$, e a bilheteria, dividida igualmente entre os envolvidos, músicos e equipe (o que dá por volta de 1R$ por ingresso pra cada). No dia, ainda estará a venda o poster da edição, pra quem curtiu e quiser levar pra casa.


Quem assina a arte é o Daniel Rocha; as filmagens, Bruna Moraes, Lucas Cunha e Pedro Duarte Waddington; Yulli Nakamura na fotografia; Gabriel Lessa na contenção; e eu, Santiago Perlingeiro, assumo a (ir)responsabilidade pelo acontecimento, tendo por braço direito (e esquerdo!) o camarada Gus Levy.

É isso, até mais ver!

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Do desejo feminino


"Um dia um sujeito disse:
"Cidadão é aquele que fala e
mulher não pode ter opinião!
Conhecimento não é necessidade,
é desejo." "
Não podes opinar!
Não podes conhecer...
Não saberás desejar plenamente!
Cortar-te-ei teu mais forte desejo!
Desejas, acaso, conhecer corpos celestes?
Pensas conhecer para tocar as estrelas?
Toques apenas teu corpo e te limites a isto!
Um dia tu envelhecerás e, com teu corpo,
um desejo inexistente!
Nada verás, mutilarei teus olhos!
Nada verás que eu já não tenha visto!
Não ouses opinar!
Não ouses conhecer nada fora de teu corpo!
Mutilarei teu corpo, teu prazer, tua mente!
Mutilarei teus pés com meus próprios dentes.
Que teus pés delicados
desconheçam teu chão!
Porque em nada opinas,
nem tens instrução!
Mas, que teimosa és tu!
Já te pisei os sonhos
estendidos em meu tapete!
Tapas levaste da vida.
Vida que já perdeste!
O que ainda queres, mulher?
Que ousas, ainda dizer?
Tens direito a um último desejo
antes de morrer!
Quero tocar as estrelas, o firmamento!
Quero as chuvas, as cinzas e o vento.
Quero o chão, quero cimento!
Quero conhecer.
Conhecimento!
Quero o desejo que não morre com o tempo.
Conhecer aquilo que não só o meu corpo.
Porque sou mulher (e não um lamento).
Porque sou mais que ventre e mais que rebento!
Porque sou eu mesma o meu próprio fomento!
Conhecimento é desejo!
Não me roubes meu momento!
Não quero tocar só o meu corpo!
Quero o meu pensamento!
Os meus olhos e a minha mente.
O desejo que é permanente!
(o meu desejo mais ardente)
E para eu cantar meu canto,
não preciso criar evento.
Não preciso colocar manto.
Não preciso estar ao relento.
Quero adubar meu solo,
com meu próprio excremento.
Ser minha arte a palavra escrita.
E sem ressentimento.
Cantar porque desejo.
Não quero falecimento.
E, agora, dê-me licença,
que estás no meu assento.
Quero só ser!
Ser só.
Eu.
O meu instrumento.

Raquel Scarpelli

Kalu Coelho e Paloma Roriz na Casa Benet Domingo


Convidamos a todos para a apresentação de Paloma Roriz — poeta, música, companheira e autora do Plástico Bolha —, ao lado da compositora e violonista Kalu Coelho. Será na Casa Benet Domingo, Urca, Rio de Janeiro, dia 17 de setembro de 2016. Com músicas autorais, o show ainda contará com participações especiais de Gretel Paganini, Aline Gonçalves e Ilessi.

Mais informações no Flyer abaixo.


sábado, 10 de setembro de 2016

VIII Prêmio Paulo Britto de Prosa e Poesia



O VIII Prêmio Paulo Britto de Prosa de Poesia está com inscrições abertas até o dia 26 de setembro.

O concurso visa estimular a escrita literária dos alunos e, além disso, presta homenagem a um dos professores mais reconhecidos do Departamento: Paulo Henriques Britto.

Não perca tempo!
Para saber mais informações, acesse o blog do PET:


sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Dois poemas de Gabriel Dias


(I)
Você chega
e eu escondo tudo
que no fundo
quero que ache
meu caderninho
enquanto só vou
ao banheiro.

____________________

(II)
fica à vontade
só vou ao banheiro
(tomara que fique
à vontade e mexa
nas coisas da
nossa futura
casa)

Gabriel Dias

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Lançamento do livro Não, poemas de Bruna Mitrano


A Editora Patuá convida a todos para o lançamento do livro Não, poemas de Bruna Mitrano.

O evento será realizado no dia 14 de setembro (quarta-feira) a partir das 19h no Glicerina - Rua General Glicério, 445, loja C - Laranjeiras-RJ.

A entrada para o evento é gratuita e o exemplar estará à venda por R$ 38,00 (pagamento em dinheiro).


Amigos e leitores de qualquer cidade do país que realizarem a compra antes do lançamento receberão o exemplar autografado após o evento. Imperdível!

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Poesia Agora


Fiquei de fora Temer
quando almoçamos fora Temer
e levei um fora Temer
em Juiz de Fora Temer

Sigo mundo afora Temer
E do lado de fora Temer
ou de dentro pra fora Temer

serei um fora Temer da lei

Carolina Ferreira Bucek

Mary Days


Mais da metade
das mulheres que
moram nesta
metrópole maldita
mencionam
magistralmente
Mary Days.

Mágicos magos
madres mães
e madrastas
procuram ser
minimamente
Mary Days.

Os mafiosos
não matam mais.
Os militares mentem
o mandato e procuram
nas muvucas as mãos de
Mary Days.

Do alto das marquises
não cairiam os pré mortos
se os mesmos tivessem
conhecido a alegria de
Mary Days.

O próprio Maquiavel seria
menos maquiavélico
se tivesse conhecido
os pensamentos de
Mary Days.

maiô é mainstream
mas não nos moldes
do corpo de
Mary Days.
até as marcas da moda
venderiam mais se
colocassem na mídia
o rosto de Mary Days.



A Metamorfose é realmente
um bom livro
mas não tanto quanto
os meticulosos contos de
Mary Days.

O próprio mundo
seria mais mundo
se ao invés de mundo
se chamasse

— Mary Days.

Felipe Andrade

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Palíndromo


O demo, ah, é Temer, ele remete ao medo. 

Yassu Noguchi

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Benfeitoria - Essa rua


Essa Rua é um Ponto de Leitura na Rua Pedro Américo. Faz, desde 2009, ações de livro e leitura. Para isso disponibilizam uma biblioteca pública com mais de 2 mil títulos de diversos assuntos e autores, para crianças e adultos. Para empréstimos, consulta e pesquisa.

Além disso, oferecem oficinas de literatura: poesia e narrativas, agentes de leitura e contadores de histórias; oficinas de desenho, línguas e linguagens.

Provocam encontros, debates, rodas de leitura, e têm um cineclube, o Flor no Asfalto, que acontece mensalmente. Têm também um sebo e um brechó. E periodicamente fazem um sarau de roda com muita poesia.

Por isso, deixamos, desde já, um convite para visita à nossa Casinha PAz [Pedro Américo Zen] – como carinhosamente chamam a casa de 130 anos que ocupam no número 329 dessa rua.
 Mas, além do convite, estamos aqui para apresentar um novo projeto:

Um projeto criado especialmente para a Rua Pedro Américo, com o objetivo de resgatar e registrar a nossa rua, suas histórias, sua arquitetura, seus moradores, sua história. E, principalmente, nosso desejo...

“E Se Essa Rua Fosse Minha?”

“se essa rua, se essa rua fosse minha...
eu mandava, eu mandava ladrilhar,
com pedrinhas, com pedrinhas de brilhantes,
para o meu, para o meu amor passar...”

A parlenda da infância nos inspira...  e se fosse...?

 É.

 O projeto “E Se Essa Rua Fosse Minha?” inclui oficina de fotografia e atividades de pesquisa, com encontros e bate-papo com os moradores. Reunido todo material, isso será apresentado para a comunidade em uma exposição fotográfica onde a rua Pedro Américo, no Catete, é o tema. Os arquivos das imagens ficarão disponíveis para visita a qualquer interessado através de publicação digital na internet e também no acervo físico na biblioteca do Ponto de Leitura Conto a Conto. O projeto tem como público-alvo os jovens e moradores da região.

 OFICINA – PESQUISA – FOTOGRAFIA – EXPOSIÇÃO – PUBLICAÇÃO – HISTÓRIA

O que você achou do projeto?

 A  idéia é boa?

Que tal apoiar está iniciativa?

Como?

Estamos participando dessa campanha junto com a Benfeitoria.

A Benfeitoria é um serviço de financiamento colaborativo.

O financiamento colaborativo é uma das formas mais eficientes de fazer acontecer projetos sociais e culturais, nos dias atuais. O valor de participação é livre e para alguns investimentos há, em sinal de gratidão e contrapartida, prendas como: colocar o seu nome ou a marca da sua empresa em todos os itens de divulgação e nas publicações do projeto até receber postais fotográficos exclusivos da exposição cujo tema será a rua Pedro Américo.

Acesse essa idéia:
benfeitoria.com/essarua

No endereço acima há fotos e um filme sobre o projeto e todos os detalhes e formas de participar dele conosco.


Ou você pode entrar em conato através do e-mail: contoaconto@gmail.com ou pelo telefone 998201043 [lucia]

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Just watch the show


The machine is connected to lie
How can speak without spying?
Lied as instinct, before thinking
Sweet look became evil eye.

Many masks. And she faceless
Many smiles. And she graceless
A sand castle or house of cards
Fleeting beauty, mind retarded.

Chained into words fragile
Caged birds, before agile
To tell the truth unbearable:
— Time passed. Is irreparable!

A draft of living dead

Just watch the show.

Deivison Souza Cruz

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Elvira


Elvira, moça tosca, moribunda mosca, lacraia furibunda.

Macia.

Mocreia olhuda e peituda.
Brinca de boneca na boleia entre as pernas dos
caminhoneiros putanheiros.

Bêbada do bafo da boca de cobre e chumbo que fere com
bigodes espetados.
Finos feixes de fracas carnes e nervos gastos são perninhas
afiladas e laxos braços.

Pestanuda,
que assídua lágrima hesita lá e treme
antes de tombar no regaço.

João Luiz Azevedo

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Seminário Nacional Guimarães Rosa - PUC Minas


Inscrições abertas para o Seminário Nacional Guimarães Rosa, na PUC Minas, nos dias 10, 11 e 12 de novembro. Participe!

Saiba mais através do blog do seminário: 



segunda-feira, 25 de julho de 2016

Canto fúnebre e escalafobético


Quando atirastes em teu próprio crânio
e teus miolos se espalharam pelo chão,
pude ver os personagens dos teus escritos
levantarem-se lépidos e ganharem vida,
limpando, com displicentes piparotes,
restos de substância cinza e branca,
acopladas às tuas lindas roupas
e provenientes do teu cérebro esfacelado.

Quando atirastes em teu próprio crânio
e teus miolos se espalharam pelo chão,
pude ver os fatos e feitos dos teus estudos
(dos teus longos e exaustivos estudos)
alinharem-se bem perto do furo da bala
para, finalmente, poderem ser apreciados
e devidamente aquilatados
por toda a Humanidade.

Quando atirastes em teu próprio crânio
e teus miolos se espalharam pelo chão,
por via do rombo que te fez a bala de calibre grosso,
o sangue que jorrou da carne castigada
acabou por afogar teus clamores e tuas dores,
que permaneciam obscuros,
bem no fundo da ferida escarlate do teu cérebro.

Quando atirastes em teu próprio crânio
e teus miolos se espalharam pelo chão,
teus planos e teus sonhos afloraram à grande brecha
que a bala cavou no lado da tua cabeça
no afã de saírem todos de uma vez,
em louca revoada,
fugindo do catre em que estiveram confinados
durante toda a tua longa vida.

Quando atirastes em teu próprio crânio
e teus miolos se espalharam pelo chão,
a luz se apagou para sempre em teu olhar,
teus lábios se abriram num sorriso irônico,
e assim permaneceram engessados.

João Luiz Azevedo

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Em memória de Elaine Freitas


O Plástico Bolha acaba de ser informado sobre o falecimento da querida poeta Elaine Freitas. Professora, militante cultural, escritora e amiga do PB de longa data, foi participante assídua do Sarau Labirinto Poético de Lucas Viriato. Sua ausência será sentida assim como o foram seus poemas e sua importante voz.


Dentro da noite

Eu tenho todas as cores do entardecer
em pinceladas de céu
para inventar horizonte.

Olho a tela, crio o onde
de riso e mel,
arruda e dendê.

Eu sei o caminho porque vou com você
levando o tonel
com coragem da fonte.

Elaine Freitas


segunda-feira, 18 de julho de 2016

um corpo


O corpo quando morto
deixa de ser corpo
para ser corpo nulo.

Como um tiro
atirado no escuro.

No corpo haverá algo a mais
e no mais haverá um corpo a menos.

Um corpo quando morto
deixa de ser corpo
para ser lembrança.

e durará insípida
no tempo mínimo
de vida

das coisas.

Felipe Andrade

sexta-feira, 15 de julho de 2016

A Criatura, de Laura Bergallo




Uma aventura fascinante dentro do vídeo game: um gênio de 15 anos enfrenta sua criação num jogo sobre mitologia grega. Quem sairá vencedor?
 
Lançamento no dia 17/07, domingo, às 16h, na Livraria da Travessa Botafogo - RJ

Jogos virtuais já fazem parte da vida de jovens em todo o mundo e as tecnologias de criação de games ficam mais sofisticadas a cada dia. É o sonho de todo gamer imergir de corpo e alma dentro da história e vivenciar as aventuras do personagem que ele controla. Mas já imaginou se realmente pudéssemos nos transportar para dentro do jogo?

Em A criatura, da Escrita Fina Edições, a escritora Laura Bergallo traz uma história fantástica na qual nos apresenta o protagonista Eugênio Klaus, um adolescente de 15 anos, muito inteligente e muito arrogante, capaz de produzir jogos complexos que são sucessos de venda. E para testá-los, o rapaz cria um personagem virtual para ser seu adversário.

Esse é Loser, criado para disputar qualquer tipo de desafio com seu criador. Apesar do nome, ele não existe para perder, ele é programado para vencer em qualquer desafio, porém Eugênio sempre se sai melhor e se vangloria incessantemente disso.  Um dia, no entanto, Loser inexplicavelmente ganha vida e desafia Eugênio para uma disputa dentro do próprio computador.

O personagem virtual, cansado da tirania de Eugênio, lança a aposta: se seu criador o derrotasse, ele seria deletado para sempre, mas, se Loser vencesse, Eugênio teria que deixá--lo visitar o mundo real.

Com a ajuda de uma tecnologia inovadora, Eugênio viaja para o mundo virtual e fica frente a frente com sua criação. A partir daí, eles entram numa disputa para ver quem é o melhor num jogo que envolve a mitologia grega. Eles dão de cara com Zeus, Atena, Poseidon e enfrentam a temível Medusa, o feroz Cérbero e o poderoso Minotauro em seu labirinto.

Com a capa de estreia da promissora ilustradora Juliana Pegas e o design singular do Estúdio Versalete, A criatura leva o leitor a mergulhar nessa fascinante história e ainda o faz se posicionar a favor de um dos personagens antagônicos. E você? Por qual deles torcerá?



Trecho do livro
  
Assim que se viu sozinho, Eugênio tratou de encher até a boca o pote de água e a tigela de ração do Chip, pois desconfiava de que demoraria a voltar da aventura virtual em que ia se meter.

Depois foi correndo para o quarto, seguido de perto pelo cachorro. Estava ansioso para experimentar o Greeks. Ligou o computador e acionou o Loser, que logo apareceu na tela com aquele seu velho olhar gelado.

– Tudo pronto? Podemos começar?
– Está louco para se ferrar, não é? Olha que ainda tem tempo de desistir.
– Desistir de conhecer o mundo aí fora? Nem pensar. Eu quero muito essa chance.
– Bom, é você que tá escolhendo. Depois, não vale reclamar.
 
Com gestos lentos e coração acelerado, Eugênio enfiou num drive do computador o cd do cibertransporte e digitou a senha no teclado. Em outro drive introduziu o cd do Greeks e colocou o jogo para carregar. Em seguida, pôs o capacete e apanhou sobre a mesa o controle remoto.

– Está esperando o quê? – provocou Loser, notando a hesitação.
 
O garoto olhou para o personagem com desprezo e se ajeitou melhor na cadeira. Despediu-se de Chip, que o fitava com o olhar comprido, respirou fundo para tomar coragem e apontou o controle para a própria cabeça. Então apertou com firmeza o botão azul e a tecla trip.


A escritora

Amante da tecnologia, Laura Bergallo já publicou 23 livros em sua carreira (inclusive nos EUA e França) e já ganhou diversos prêmios, dentre eles um Jabuti em 2007 na categoria livro juvenil. Ela também é jornalista, publicitária e editora de publicações científicas.

Título: A criatura
 Escritora: Laura Bergallo
 Páginas: 128
 Dimensões: 14x21cm
 ISBN: 978-85-5909-002-4
 Preço: R$ 34,40
 Dimensões: 14x 21cm

_____________________________________________________________________________

  
Serviço Lançamento:

Data: 17 de julho, domingo
Horário: a partir das 16h
Local: Livraria da Travessa Botafogo
End: Rua Voluntários da Pátria, 97 – Botafogo – Rio de Janeiro

Telefone: (21) 3195.0200

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Homo ex machina


O espaço acima da história,
a velocidade acima do tempo,
o ímpeto acima da memória.

Um corpo morto já não é gente.
Um corpo é agora
inenarravelmente apenas um corpo morto;
apenas um morto,
apenas um corpo,
apenas um pedaço de silêncio nos trilhos,
um negrume, um bloqueio
ao que está sempre livre
no ranger de dentes do tempo.

Um corpo morto esteve nos trilhos
sem nome ou expressão de fome.
Um corpo existiu nos trilhos trincados
até ser dilacerado
pela supremacia da máquina.
Um corpo esteve nos trilhos
até ser moído
pela supremacia do homem
sendo menos homem
e mais máquina.


Jenifer Saska

segunda-feira, 4 de julho de 2016

o centro do furacão


Gosto das rachaduras
na faixada dos prédios.

Das raízes da
árvore que destrói
a calçada.

Das pichações
atrás do banco do ônibus.

Gosto do adesivo
de prioridade que
descola da parede
opaca do metrô.

Da boca do lixo
e do bueiro entupido.

Do chiclete preso
ao mundo subversivo
embaixo da mesa de centro.

Gosto do centro oculto da Terra.
Gosto do centro oculto do outro.
Gosto do centro oculto do Centro
nos finais de semana.

Dos seus olhos
          das suas rugas
          dos seus pelos
cabelos desgrenhados
          dos seus gritos
          espirros
conversas aleatórias.

Até mesmo do cochicho daqueles
que hão de me empurrar
os ombros para trás
como uma onda de carne e ar
que me impede o futuro.

Escrevo sobre a cidade
porque não conheço o paraíso.

A parte mais calma do furacão

é o lado de dentro.

Felipe Andrade

segunda-feira, 27 de junho de 2016

A chuva amanhece em mim...


A chuva amanhece em mim
Em nós o dilúvio se perpetua pela eternidade:
Abracemos o pó
Sobre as coisas o pó do tempo
Sobre as casas o pó cimento
Sob a vida deixemos o rebento.
(Cada homem é uma ilha...)


Naufragados venceremos

Renan Leal

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Veias


Fomos golpeados
e apesar de esperarmos
doeu.

Sangramos
pelas veias abertas
do Brasil.



Yasmin Barros

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Origem


Sempre penso em deus
preso na vastidão
do negrume que há por trás dos céus;
penso em deus e faço notas
sobre o silêncio e a solidão.
Concluo mais ou menos
que deus é também um pedaço de breu,
de morbidez inefável.

Quando penso em deus,
breus e vastidões,
não consigo deixar de me perguntar
em que lugar do silêncio choviam estrelas
nas tuas primeiras horas.


Jenifer Saska

segunda-feira, 6 de junho de 2016

rotina


— A cama

Três corpos côncavos
deitados sobre a cama.
Ela Ele a Outra
a outra não está sobre a cama,
esta está dentro dele.

— A troca

Íris pupila o globo ocular
procurando um lar
no outro
o embate o encontro
a cara encarando
a retina convexa
do outro.

— Apocalipse

Três corpos mortos
deitados sobre a cama.
Três corpos mortos
vagando sabe-se lá onde.
Três corpos mortos
e mais nada.

Só o fim

e a falta dele.

Felipe Andrade

segunda-feira, 30 de maio de 2016

Surrealismo poético


Os relógios de Dalí
Diluiram na minha frente
Os ponteiros giram soltos
Veloz e precisamente

Vivo a sensação do tempo
Completamente afetado
No presente e no passado
Há um movimento parado

Preso na engrenagem solta
Sem estrutura na mente
No compasso, o passo rápido
Cada vez mais lentamente

Então vejo cães amarelos
Levando as torres do WTC
Macho e femêa, magrelos
Pessoas pagando para ver

Notebooks viram panquecas
Nas bordas da escrivaninha
Dois mouses na biblioteca
Concentrados, lendo Caminha

A fantasia surreal
Termina meio sem fim
E imagino ao natural

Livre dentro de mim

Deivison Souza Cruz

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Sem título


Em dia de sol
o que escorre
do corpo
é sombra.

Felipe Andrade

segunda-feira, 16 de maio de 2016

tá rindo de quê?


– para Chacal

o Rio de Janeiro continua lindo, e violento...
tem muito samba no pé, e dor de cotovelo...
a fantasia não mascara a realidade, de que a alegria virou alegoria...

no país do futebol, a corrupção é padrão FIFA...
a bunda é paixão nacional, e tá tudo mundo duro...
esse fogo no rabo, só pode dar merda...

tem tanta energia, mas falta luz...
já se foi a última gota d’água...
uma gelada não mata a sede, uma quentinha não alimenta a fome...

o pré-sal não tempera nem o churrasco…
a promessa de ontem ficou para amanhã...
se vendeu a preço de banana, só para pagar mico...

o milagre econômico só trouxe malogro…
a bolsa subiu, mas saiu do seu bolso...
de tanto dever, o Estado tá sem crédito...

o sistema de saúde tá doente...
as escolas apenas ensinam a ser mal-educado...
entre a ordem e o progresso, a nação perdeu a noção...

o palhaço foi eleito, e a festa acabou em pizza...
tirou tanta vantagem que levou à derrota…
o homem tá preso, enquanto o bicho tá solto...

a gente não se vê por aqui, muito menos se ouve...
domingão o cacete, planeta o caralho!!!
as redes sociais não tem saneamento básico...

o gigante acordou, e percebeu que era anão...
saiu do fundo do poço, e logo entrou pelo cano...
e aí... comeu, ou se fodeu???

acabou a farra, a gente tá ferrado...
pelo jeito, o jeitinho não deu...

o poema é piada! fala sério...

Gringo Carioca

segunda-feira, 9 de maio de 2016

Carta de Adeus


Me escreva uma carta de adeus
um bilhete de próprio punho
me deseje desejos genéricos
e me sopre um pouco de sorte
Nada além disso
Vire desmaterializado em história
lembranças que embaçam copos
Chegamos a ser mas não fomos
histórias a serem derramadas
pelas bocas dos outros
(desconhecidos)
Me escreva uma carta de amor passado
me negue os retratos e a divisão dos pratos
Chegamos a ser mais não fomos
Empurrão precipício abaixo
Coito interrompido
Vou adiante.
Te deixo uma poesia
um desejo de bom dia
e o iogurte que você gosta
que está na geladeira
Vou adiante.

Chegamos a ser mas não fomos.

Anaid Loup

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Secretaria de segurança pública


Tenho reunião
marcada
às 5 da manhã
nos confins do presídio federal de segurança máxima
da consciência.
Enquanto isso,
ela joga paciência,
com um baralho de cartas
marcadas.

Renan Leal