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quinta-feira, 31 de março de 2011
quarta-feira, 30 de março de 2011
MANIFESTO DA ARTE POR UM NOVO MUNDO
Por favor, enterrem o Rei!
Para que se entenda perfeitamente o que é a “Arte Contemporânea” é importante que se esclareça sua origem[1]:
- A Arte Contemporânea não é uma vanguarda como as anteriores a ela. Não é um movimento fundado por artistas. É uma moda [incapazes que são de formar um movimento artístico] fabricada por galeristas. Coincidentemente, são as exatas duas galerias que até hoje monopolizam o mercado de Arte internacional.
- A Arte Contemporânea surge imediatamente após a Arte Conceitual, que, vale lembrar, se opunha, exatamente, àquela dinâmica de mercado. A obra de Arte conceitual não assumia [ou não deveria assumir] uma forma vendável.
- Também pela primeira vez, a moda não rompe com movimento anterior algum [nem com o próprio Conceitualismo – que ela subverte].
E o que essas últimas décadas produziram?
Sobretudo o Sensacionalismo. Cresceu a ideia de que a obra de Arte deveria chocar o público [naturalmente: era o mais fácil a ser feito!]; de que qualquer coisa, deslocada para o espaço da galeria, do Museu, da sala de estar do especulador multimilionário, poderia assumir a altura de uma obra de Arte; de que o importante era a novidade, independente de que valor tivesse - quanto maior o absurdo, melhor.
Dessa forma, nós caminhamos do Erotismo para a pornografia mais baixa; do Trágico para o macabro, o doentio, a patologia; do Sublime para o niilismo mais estúpido e hipócrita. O Belo simplesmente desapareceu!
Exatamente para esse nicho – do Sensacionalismo – existe todo um esquema de contravenção onde o marchand (ou o agente ou empresário), o especulador e a mídia (afinal ela vive de anúncios!) cooperam para avalizar a obra do “artista” (arrivista) fabricado por eles. A fraude é elevada a categoria de “artista” porque foi negociada pela grande galeria ou comprada pelo grande colecionador ou lançada (fabricada) pelo grande emissor de rádio, TV, Internet ou porque protagoniza o “último escândalo” [como se o escândalo ainda fosse possível hoje em dia] ou, simplesmente, porque é a última “estrela” descoberta naquela semana – como se “grandes artistas” surgissem de quinze em quinze minutos. Esses não são artistas: esses são produtos!
Evidentemente, nem todos se dedicaram ao Sensacionalismo nos últimos anos. Alguns se dedicaram a inventariar o mundo – o que não é tarefa da Arte, sobretudo após a invenção da Fotografia; outros, de forma bastante louvável, ocuparam-se em denunciar os abusos políticos ou os excessos do Capital – cumprindo o papel do Jornalismo [que não o cumpre mais]; alguns insistiram na obra de Arte Conceitual, com pouco sucesso; muitos outros replicaram o que já havia sido feito (em um festival de copia-e-cola) e não fizeram qualquer contribuição à Narrativa Artística. A “Arte Contemporânea” [o termo, por si só, é ridículo – “contemporâneo” do quê?] parece feita para ser vendida como qualquer outra commodity.
Isso se resume às Artes Plásticas? Não. Tendo as Artes Plásticas como (então) narrativa-mestra, a Música, a Literatura, a Arquitetura, o Cinema etc. simplesmente adaptaram esse esquema nos seus campos.
Naturalmente, existem exceções, que, aliás, foram obrigadas a conviver com tudo isso. Caso contrário, poderia se declarar a morte da Arte – o que alguns fizeram.
Estamos aqui, que se apontem os verdadeiros culpados:
Antes, dois nomes devem ser limpos dessa lama que parte da Historiografia da Arte e da Crítica insiste em jogar sobre eles: Marcel Duchamp e Andy Warhol não são os precursores disso que aí está. Quem insiste nisso ou engana-se ou faz de forma mal intencionada, servindo a essa campanha da Arte do Mercado. Duchamp deu movimento ao Cubismo e foi Conceitual antes dos Conceitualistas – um artista que se dedicou exaustivamente a testes de limites na Arte (os readymades, por exemplo). E Warhol foi O grande crítico dessa Sociedade de Consumo e do Espetáculo que agora lhe estampa a obra em camisetas. Não pode ser tomado pelo oposto disso! O que a Crítica chamou de Pop Art não comporta uma anti-escola - só um nome cabe ali. Tudo o mais é deturpado ou é pastiche, cafonice artística.
Duchamp, Warhol, descansem em paz!
Os culpados? O maldito Dinheiro. Pela primeira vez, vendedores formaram uma moda artística. É exatamente naquele momento – quando galeristas formam um movimento artístico - que o Capital se apropria da Arte.
E a Crítica?
Poucos foram os que se levantaram contra isso que aí está. A crítica trabalhou, sim, e muito, para dar sentido ao que não tinha valor algum. Desde que ela mostrou-se incapaz de reconhecer a qualidade dos Impressionistas ou dos Modernos (e virou chacota), a fantasia de que tudo poderia (e deveria!) ter valor transformou grande parte desse grupo em meros carimbadores desse vale-tudo.
Um objeto com explicações impressas do que o marchand ou o artista gostariam (e impõem) que se entendesse sobre aquilo é nada. A obra de Arte [mesmo a Conceitual] deve bastar por si só. Se o público for obrigado a ler Freud ou Wittigenstein (e a adivinhar o que o “artista” supôs a partir deles), não se compôs uma obra de arte – na melhor das hipóteses um “objeto psicanalítico” ou um “artigo filosófico” – interessa a essas duas disciplinas. A Arte deve ser (tem que ser!) maior que isso!
Essa Arte do mercado é o império do fácil e do fútil. Não é possível que isso tenha passado despercebido! Passou porque a Crítica não tem mais qualquer juízo de gosto, do que tem qualidade. Um tubarão (ou uma ovelha ou um pato!) em um tanque de formol é só um objeto de muito mau-gosto (um animal morto, meu Deus!). Um cubo de espelhos com três páginas de explicações é só um cubo de espelhos com três páginas de explicações!
Não são capazes de estipular qualquer tipo de comparação, de atribuição de valor? Não é óbvio que devam existir artistas de maior ou menor expressão e não-artistas? O homem vive e pensa por comparações. Tudo o que a crítica não pode ser é niilista – no niilismo não existe crítica!
O Tempo - ele é melhor que todos os críticos!
O Artista
“Qualquer um pode ser artista” é uma verdade - não deve existir qualquer preconceito nesse sentido, mas a ideia de que qualquer porcaria é uma grande obra e o autor é um gênio artista é uma bobagem que só trabalha para esse Sensacionalismo do Mercado. O mesmo Mercado que fez crescer o absurdo de que a droga é combustível da Arte. O fato de vários artistas terem se declarado (ou se ter descoberto fossem) usuários não dá à Droga a autoria. Isso é uma má campanha – talvez porque boa parte do que aí está só ganhe algum sentido em uma viagem de ácido!
O traficante não é um mecenas!
E a academia insiste em rotular a manifestação artística como um processo absolutamente racional e cerebral, par do processo científico ou do matemático, semelhante a uma jornada de trabalho em fábrica na China. Isso é um crime: um jovem talvez demore anos para se recuperar daquilo. ou nunca se recupere. Grande parte da História da Arte é diálogo com o Metafísico.
Definitivamente: Entretenimento não é Arte. A indústria Cultural insiste nisso e a razão é bastante simples: “Arte é mais caro, freguês”.
O que forma um artista? Quem sabe? Mas estudo, prática, obra e talento (não necessariamente nesta ordem) são, todos, insubstituíveis. O autodidata não nasce sabendo, ele aprende sozinho. Não dá para lançar mais um “ídolo teen” cantando playback como se fosse um novo Mozart - quem ainda acredita nisso?
Há que se dissociar a obra da imagem do Artista. A pobreza da “vida da Celebridade” interessa aos curiosos, sustenta os paparazzi e vende revistas. Não há nada de artístico aí!
A triste verdade é que a “Arte Contemporânea” não poderia encontrar substituto melhor como retrato dos nossos tempos. Nesse sentido ela é absolutamente legítima.
O que a Arte fez nessas últimas décadas é um sintoma – assim como a nossa televisão, nossa publicidade, nossa Política...
Somos, sim, escravos desse capitalismo nocivo, opressor, sufocante. Nós nos tornamos, sim, uma sociedade sensacionalista, que atende – não aos nossos, mas - aos interesses desse capital que comanda tudo, a despeito de todas as outras liberdades. Somos, sim, viciados em drogas ou em ansiolíticos ou em compras ou em pornografia. O caminho não é mais o importante; o destino não é mais o importante; importa a marca do carro. Insistimos na guerra porque ela serve sempre ao capital. Dedicamos a vida humana à corrida pelo dinheiro – e excluímos a maioria que tem fome.
Fazemos, sim, a vida mais difícil e menos fértil todos os dias, em todos os sentidos. Vivemos entre catástrofes “naturais” e guerras. Destruímos o planeta! Os países se acham mais ricos, quanto mais petróleo conseguem extrair desse lugar – sem saber (ou sabendo) quais os efeitos disso.
Verdades? As verdades são expostas por um sistema de poderes! A inteligência serve ao lucro. Achamo-nos mais inteligentes quanto mais negamos a possibilidade de que exista uma Verdade - e desconsiderar o metafísico não é provar que ele não exista! A comida é enlatada, a informação é enlatada, a vida é enlatada! Tudo é automatizado, é repetitivo, é “programadamente digestivo”, é chato! Nada mais choca.
Estamos à beira do abismo e é impossível voltar! Ora, nós não temos que saltar – nós devemos construir uma ponte! É o capitalismo a única organização possível? É o dinheiro tão fundamental à vida humana como é o oxigênio? O homem não apareceu sobre a face da Terra pela primeira vez com uma carteira no bolso. [2]
A VANGUARDA – A ARTE POR UM NOVO MUNDO
Nossos políticos já perderam toda e qualquer credibilidade. A utopia de que a Economia poderia regular-se e formar um Capitalismo saudável caiu por terra – o Capitalismo progride piorando. As Ciências Humanas se ocupam do passado ou do que o homem faz no presente – não tem a habilidade de construir um Futuro. A ciência – heroína das últimas gerações – não salvou o mundo e não é objetivo dela fazê-lo.
A Arte, a expressão mais fantástica do homem, é a única disciplina de habilidade ficcional, criativa. [nesse momento, gosto de pensar que não à toa.] E não lhe faltam motivos para reinventar o mundo:
1. Porque o Capital aprisionou a Arte e precisamos libertá-la. (Quem mais o faria?)
2. Porque a Arte teve, (tem?) uma preocupação histórica com a verdade - e o dinheiro é um constructo.
3. Porque a Arte serve a ela mesma e/ou a todos – e nesse momento não existe forma melhor de servi-la e à Humanidade.
Nesse meio tempo, nosso desafio é fazer o dinheiro trabalhar para a Arte [e assim, pelo mundo] e não a Arte para o dinheiro.
Naturalmente, a concepção de uma nova Ordem não se faz e aplica em sete dias. Esse movimento coletivo – de compor uma organização humana melhor, mais inteligente e, um dia, pôr fim ao dinheiro – pode durar décadas, séculos. Este, aliás, pode ser um exercício contínuo, a despeito de novas vanguardas.
Esse belo futuro é absolutamente inimaginável agora. E, infelizmente, a primeira geração desses artistas talvez veja pouco dessas ideias postas em práticas. [A vida se encarregará de imita-los – farão quando isso parecer o melhor a ser feito].
Façamos por nós, pelos próximos, para o Bem! O futuro nos será grato!
Todos os suportes são possíveis. Todas as cores são possíveis. Nada deve ser impossível à Arte!
Ergamos com nossos livros, nossas telas, nossa música, nossos filmes, nossos prédios, nossos passos... um Mundo absolutamente NOVO.
Diogo Dupree
Rio de Janeiro, 30 de Março de 2011.
[1] Nesse sentido, há bibliografia disponível mais do que suficiente.
[2] Não tomem a Vanguarda por Comunista! O Comunismo apenas transfere o capital do privado para o público [no caso, para os que assumem aqueles governos]. A história já mostrou que a fantástica iniciativa de Karl Marx [que, aliás, denuncia esse Capitalismo já em 1848] rapidamente, assume formas de Totalitarismo. Os que eram mártires tornaram-se algozes. A missão da vanguarda deve ser diferente disso.
terça-feira, 29 de março de 2011
Poesia e Prosa
Poesia
uma inspiração qualquer
as pessoas ensandecidas, histéricas, agridem-se mutuamente por motivos inventados
os carros ocupam o espaço urbano compondo o xadrez diário do caos dito civilizado
grandes cidades abrigam almas perturbadas, sufocadas pelos anseios terrenos de tudo
que é material
a cidade grande, outrora admirada, se mostra falha na tentativa de oferecer uma vida
melhor para o poeta e para o cidadão que dorme na esquina
o clima abafa e asfixia o frescor natural, fervendo os miolos do cara deitado na avenida
atemorizados estão todos, comprimidos em pequenas celas com medo do mal que ronda
a noite lá fora
a valsa de passos medidos do nosso dia-a-dia se mostra como sintoma da vida pós-
moderna
é quando esse sujeito moderno dá-se conta, rogando pela volta dos tempos guaranis
Prosa
A origem das coisas
Se tem algo que me deixa curioso é o culto às divindades. Em algum momento, alguém teve de buscar no sobrenatural uma explicação para todas as coisas que não podia compreender racionalmente. Diante das limitações e incertezas, sentiu necessidade de crer na existência de um ser superior do qual fosse submisso. Esse ser foi idealizado como especial, a perfeição em si. No entanto, não foi fácil convencer a todos desta crença. Houve quem questionasse a ideia, se dando conta do quão inatingível era essa figura celestial, desconfiando de sua existência. "(...) E o verbo se fez carne e habitou entre nós” (João I, 14). Provavelmente, o papel de Cristo na história tenha sido mostrar, através de exemplos, que é possível sermos pessoas melhores. Não sou ateu, nem judeu, não sou católico, nem protestante ou mulçumano... Mas também não estou certo sobre a quem cabe os direitos autorais da criação. Será que Deus criou mesmo o homem? Ou foi o homem quem criou a Deus?
Maxsuel Siqueira
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segunda-feira, 28 de março de 2011
EDIÇÃO #29 DO PLÁSTICO BOLHA JÁ NO SITE!
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Dado Amaral + Zélia Duncan + Roberto Corrêa dos Santos
Victor Heringer + Gabriel Matos + Antonio Mattoso
Frederico Coelho + Chiara di Axox + Heinz Langer
Dimitri Rebello + Marina V. Medeiros + Dênis Rubra
Ana Salek + Ismar Tirelli Neto + Domingos Guimaraens
Luisa Noronha + Carlos Eduardo Varella Pinheiro Motta
Angelo Abu + Isabel Wilker + Flávia Iriarte + Luiza Vilela
Fernando Brum + Santuza Cambraia Naves + Roberto Borati
Eduardo Lacerda Mourão + Ivan Cunha + Mauro Ferreira
Pedro Vinícius do Valle Tayar + Otavio Ranzani
Braulio Coelho + Carolina Sims + Tiago Rattes de Andrade
Paulo Henrique Motta + Lucas Viriato + Alice Sant’Anna
Raïssa Degoes + Aline Miranda + Rafael Magalhães
Andityas Soares de Moura + Miguel Del Castillo
Carlos Emílio Corrêa Lima na ABL
O escritor cearense Carlos Emílio Corrêa Lima realiza conferência será sobre literatura fantástica no Brasil, amanhã, na ABL.
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sexta-feira, 25 de março de 2011
Despresepiando Ingenuidades (ou Preservando Gênios)
aspirante de gênio disse:
a arte é tão inspiradora!
há de sentir há de fazer
há de mover há de ser
há de deixar de fingir
há de sentir, há de sentir!
e não sentia.
Ricardo Chagas
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Presente de Paris
.— O que você quer de Paris?
— Uma folha da borda do Sena,
Uma folha de castanheira,
Ressequida e amarela.
Bastará uma folha
E me virão à lembrança
Os beijos,
Os barcos,
As abadias;
Atravessarei pontes,
Arcos,
Águas ancestrais
E ficarei presa ao passado,
Às torres
E ao cais.
Uma folha só,
Da árvore mais velha
Ou da mais alta
E sorverei magia,
Gotas de chuva,
Pingos de luz.
Uma folha arrancada pelo vento
Como a que caiu
Sobre meu casaco de veludo
Naquela tarde bordô.
Uma folha do Sena
Armazena todo meu sonho
De ser feliz.
Uma folha da borda do Sena
É o que quero de Paris.
Raquel Naveira
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quinta-feira, 24 de março de 2011
O nosso amor já foi tão lindo!
Lembre-se que nós gozavamos
Muitas e muitas vezes
De forma colorida
Eu gemendo:
— Vem meu Azul,
Porque eu te quero!
E você gritando:
— Vai minha Rosa,
Porque eu te amo!
Felizpe Inferreira
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Felizpe Inferreira acaba de completar 25 anos e enviou esse poema para o desafio poético das 30 palavras. Participe também!
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terça-feira, 22 de março de 2011
O Legado de Lima Barreto
.Recordações do escrivão Isaías Caminha
O primeiro, escrito em 1907, conta a história de um rapaz vindo das Minas Gerais para o Rio de Janeiro, em busca da carreira de estudante universitário. Chegando ao Distrito Federal, o rapaz não encontra trabalho de imediato, mesmo contando com a recomendação de um deputado. O rapaz vai gastando o dinheiro que a mãe lhe dera quando ele partiu, até que se vê morando em pensões bastante pobres. Não consegue arranjar trabalho, mesmo os mais humildes, mas por fim descobre emprego no jornal O Globo, como imediato. Ali, por cair nas graças do dono do jornal, galga posições e fica estável. No entanto, não consegue satisfazer seu sonho de vida escorreita e idealista que tinha quando partiu das Minas Gerais.
Passagens e expressões que muito me interessam na obra Recordações são, por exemplo, estas: “Raul Gusmão, com aquela covardia moral que o caracterizava[...]”; “Senti-me humilhado, esmagado, enfraquecido por uma vida de estudo, servir de joguete, de irrisão a esses poderosos todos por aí. Hoje que sou um tanto letrado sei que Stendhal dissera que são esses momentos que fazem os Robespierres”. Nelas, Barreto exprime, como lhe é peculiar, uma sinceridade de espírito muito grande, embora muitas vezes destemperada, o que aliás lhe trazia despeitos inúteis que consumiam sua alma e enfraqueciam uma vontade que não desejava sucumbir à bebida, a qual por fim abreviou sua vida.
Também no terreno amoroso, Caminha tinha frases de tirar o fôlego, como a seguinte: “Ainda hoje, depois de tantos anos de desgostos dessa relação contínua pela minha luta íntima, precocemente velho pelo entrechoque de forças da minha imaginação desencontrada, desproporcionada e monstruosa, lembro-me — com que saudade! com que frenesi! — do inebriamento que essa mulher deu aos meus sentidos, com o seu perfume violentamente sexual, acre e estonteante, espécie de requeime das especiarias das Índias... Ergueu-se e foi lentamente pelo corredor em fora; e eu segui com o olhar a sua nuca tentadora com tonalidade de bronze novo”.
Em Recordações, Lima Barreto ainda está afiando a escrita; nota-se, por exemplo, um exagero no uso dos advérbios, sobretudo os terminados em -mente, os quais roubam leveza da leitura, conforme ensinava o falecido mestre tradutor Daniel Brilhante de Brito.
Triste fim de Policarpo Quaresma
Triste fim de Policarpo Quaresma é, sem dúvida, a obra mais conhecida do escritor. Nesse romance, Lima Barreto trata da vida de um patriota que enxerga tudo de bom e de melhor nos produtos nacionais. Aos poucos, porém, frente a decepções, Policarpo vai mudando de ideia. Na ‘terra que tudo dá’, as saúvas impedem a cultura mais simples de prosperar. Até mesmo o grande ditador Floriano Peixoto revela-se-lhe um político de araque, sem honra e respeito pelo bravo soldado. Policarpo termina encarcerado, sem saber ao certo como e por que foi parar na prisão.
O Policarpo Quaresma virou um símbolo do nacionalismo rasteiro, da preferência por determinados produtos ou atividades culturais apenas porque são nacionais, não porque são bons. Mas essa é uma visão parcial da obra. O entusiasmo do Policarpo Quaresma é bastante exagerado, porém é preferível, num homem, ver esse interesse pela pátria a ver um cinismo barato, que sempre fala mal do país, sem desejar recuperá-lo, sendo oportuno lembrar a frase do livro bíblico do Apocalipse: “Nem o frio, nem o quente, mas o morno, eu vomito”. No cinema, o ator Paulo José fez uma interpretação formidável do Policarpo Quaresma. É um dos poucos filmes brasileiros de que gosto.
A crítica recebeu bastante bem o romance sobre o herói entusiasmado: “O Policarpo Quaresma foi escrito em dois meses e pouco, depois publicado em folhetins no Jornal do Comércio da tarde, em 1911[...] Os críticos generosos só se lembraram diante dele do Dom Quixote”, escreveu Barreto em seu Diário íntimo, no ano de 1916.
Vida e morte de M. J. Gonzaga de Sá
Em Vida e morte de M. J. Gonzaga de Sá, Lima Barreto vai à desforra contra os jornais que castraram os sonhos do escrivão Isaías Caminha. “Um jornal, dos grandes, tu bem sabes o que é; uma empresa de gente poderosa, que se quer adulada e só tem certeza naquelas inteligências já firmadas, registradas, carimbadas”, escreve o autor. E ainda dialoga com Machado de Assis, cujo nome é emprestado ao personagem-narrador do romance, acrescentando à miséria da nossa espécie a afirmação de que “a eternidade da nossa espécie repousa sobre bases sólidas”, bases sólidas essas que, a seu ver, interrompem a frutífera atividade intelectual das moças quando elas se casam e “fecham as gramáticas, queimam as músicas”, começando “a repetir a história igual e enfadonha de todos os casamentos[...]”. Não obstante essas reflexões, dentre os romances de Lima Barreto Vida e morte é o mais esperançoso — ou, melhor dizendo, o mais seguro de sua dignidade. M. J. Gonzaga de Sá dedica seus últimos dias de vida a educar o afilhado. Qué-lo um homem formado, malgrado o que as letras possam trazer-lhe de dúvidas e incômodo diante do mundo.
Fazendo votos de que os leitores conheçam mais a obra do escritor quixotesco, transcrevo, por fim, uma ótima frase de Barreto sobre a Arte: “A Arte seria uma simples álgebra de sentimentos e pensamentos se não fosse assim, e não teria ela, pelo poder de comover, que é um meio de persuasão, o destino de revelar umas almas às outras, de ligá-las, mostrando-lhes mutuamente as razões de suas dores e alegrias, que os simples fatos desarticulados da vida, vistos pelo comum, não têm o poder de fazer, mas que ela faz, diz e convence, contribuindo para regra da nossa conduta e esclarecimento do nosso destino”.
Daniel Lourenço
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Daniel Lourenço pulicou este texto na coluna Puzzles da edição #26. Ele também escreve no site Tudo bem quando termina bem.
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CAFÉ EM GRÃO
.Eu lhe disse palavras doces
Que me voltaram tão amargas
Que tomaram meu próprio sabor
Guarda agora a minha boca
O teu gosto de café em grão
Que não me trouxe estuação
Apesar da minha hiper-reação
Não escolho o que vão dizer
Mas gosto quando falam sem intenção
Nunca procurei para você palavras bonitas
Pois para ti sempre guardei as palavras sinceras
Eu não quis me perder na floresta
E até agora estou lá
Sentada vendo as árvores
Que queimam e caem
Enquanto eu me quedo
Asfixiada pela fumaça
Desacordada
Em desacordo
Esperando palavras afáveis
Que possam me erguer num sussurro
E me puxar pela mão
Levando para longe do meu corpo a fumaça
Tirando da minha boca o gosto do café em grão
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Camila da Vinci
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segunda-feira, 21 de março de 2011
domingo, 20 de março de 2011
SUPERLUA
Rasgou-me sem dó a retina
Abriu com força a cortina
Se jogou no meu sofá
Lambeu o tapete da sala
Beijou a planta da jarra
Volúvel, volátil, só vem visitar
Marilena Moraes
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sábado, 19 de março de 2011
Sobre Brunas e Raquéis
.A primeira ilusão que precisamos combater é a visão de que as garotas de programa são vítimas da sociedade. Elas não são vítimas de absolutamente nada. Os casos de garotas obrigadas a se prostituir não são a regra. Faça suas pesquisas de campo, e você vai descobrir que elas decidiram se prostituir por livre e espontânea vontade. Em geral são garotas bonitas e ambiciosas (às vezes nem tão bonitas) que perceberam que não comprariam um apartamento na zona sul se passassem a vida trabalhando em lojinha de shopping. Não é mito que algumas são de classe média e até iniciaram ou completaram uma faculdade. Uma coisa recorrente nas histórias delas é que viam a prostituição com maus olhos, até que descobriram que havia meios de exercê-la sem que as amigas e os pais descobrissem. Os cafetões sabem que para atrair boas profissionais basta encontrar uma forma de manter a coisa toda sob sigilo. Em seu íntimo as jovens normalmente não são contra a prostituição, apenas não querem que os pais e as amigas saibam do babado. Quando elas percebem que existem meios criativos e eficientes de manter a coisa em segredo, meio caminho está andado.
Não é minha intenção discutir a moralidade desse tipo de sigilo, mas apenas ressaltar que as garotas entram nessa porque querem, e sabem muito bem o que estão fazendo. Muitas viram no jornal aquele famoso anúncio “Precisa-se de garotas para trabalhar com executivos”, e partiram para a batalha. Você acha que alguma jovem que lê esse anúncio não sabe do que se trata? E você acha que, se as “empresas” publicam esse anúncio para chamar as garotas, elas estão obrigando alguém a trabalhar no ramo?! Conta outra, vai.
Acho que a prostituição infantil precisa ser combatida, e temos o dever de denunciá-la às autoridades. Mas um garota com mais de dezoito anos que decide se prostituir, definitivamente, não é problema do estado.
Outra coisa que precisa ser esclarecida é que a prostituição não é um ato transgressor. O adultério é que é transgressor, porque ele contraria uma norma livremente aceita. Se você faz um juramento no altar ou assina um documento dizendo que vai transar só com uma mulher, quando você transa com outra, seja ou não por dinheiro, você está contrariando a norma que você mesmo aceitou seguir. Contrariar uma norma previamente aceita é uma transgressão. A prostituição não é transgressão, pelo contrário: os envolvidos estão cumprindo normas claras e livremente aceitas, por isso se assemelham mais aos casados que aos adúlteros. Na verdade a prostituição, encarada do ponto de vista jurídico, é um microcosamento, não é um crime ou um ato transgressor. Ela é o cumprimento de um contrato claro, no qual cada uma das partes sabe qual é seu papel. Aliás, esse é o motivo por que muitos homens preferem a prostituição: pela clareza, pela segurança e previsibilidade do ato. Cada um sabe o que vai dar e o que vai receber. A garota de programa não vai ficar com dor de cabeça, nem falar que está preocupada com a prova de amanhã. E o homem não vai dar um cheque sem fundo.
Claro que, se um homem casado faz sexo com uma garota de programa, isso é uma transgressão, mas em relação ao casamento dele, não à prostituição. A prostituição, quando envolve solteiros livres, é o exercício de um contrato e não uma transgressão.
Por isso nada me espanta mais que ouvir alguém dizendo que a prostituta não é uma “mulher honesta”. Quem diz isso ou é louco ou muito burro. A prosituição é uma das coisas mais honestas que existem. As duas partes sabem o que querem uma da outra, e cumprem o que prometem. Desonestidade é falar uma coisa e fazer outra, algo que a prostituta pode fazer com os pais, mas não faz com os clientes.
Essas são as duas questões reais, que ninguém pode negar: (1) a garota de programa não é vítima da sociedade, (2) a prostituição não é um ato de transgressão.
Os próximos comentários são de caráter subjetivo e acidental. Pode ser que eu mesmo mude de idéia daqui a alguns anos. Mas no momento nada me tira da cabeça que, se por um lado a prostituição é um microcasamento, por outro o casamento é uma prostituição velada e prolongada. No casamento também não existe um contrato tácito de “troca”? Se você é homem, responda sinceramente: você continuaria casado se sua esposa se recusasse a fazer sexo? E, se você é mulher, responda sinceramente: você continuaria casada se seu marido ficasse desempregado por muito tempo? Sei que não é fácil encarar isso, e talvez haja milhares de exceções que tornem essa reflexão injusta, mas a maioria dos casamentos não passa de uma prostituição prolongada, na qual o homem entra com a maior parte do sustendo do lar, e a mulher entra com a satisfação sexual.
Se você não acredita em mim, tenho uma experiência científica para lhe propor. Peça demissão do seu emprego atual, e arrume um emprego no qual você ganhe duas vezes menos. Depois venda seu carro e compre um popular usado. Daqui a uns seis meses, me diga o que sua mulher fez. Aposto quanto você quiser que ela vai arrumar outro. Os homens muito ingênuos acham que suas mulheres os amam. Os homens inteligentes percebem rapidamente que as mulheres amam carros e apartamentos, e vêem os homens como meios de chegar até eles. Faz anos que as mulheres vêm se casando com carros e apartamentos, e usando os homens como damas de honra. Em geral eles só percebem isso quando já estão com uns quarenta anos, por isso há tantos divórcios nessa idade. Eu pertenço a uma geração privilegiada. Meus pais tiveram que se casar. Não havia outra alternativa para o prazer sexual. A geração passada não podia se divertir com garotas de programa. As prostitutas eram marginalizadas, expulsas de casa, não podiam frequentar os melhroes restaurantes e as melhores festas. Hoje, graças a Deus, a garota de programa pode exercer sua profissão, nos dando prazer e carinho, sem que seu futuro e sua vida social sejam comprometidos. Muitas realizam mais tarde o sonho do casamento e da maternidade, deixando as amigas “certinhas” mortas de inveja e indiganção. Eu estou contente com essa crescente aceitação social das garotas de programa. Na verdade, mais do que isso: torço pela felicidade delas. Se eu fosse radicalizar, eu diria que toda mulher quer algo em troca do sexo, a garota de programa simplesmente admite isso. Mas não vou chegar a dizer isso, porque é uma impressão de momento. Pode ser que amanhã eu conheça alguém que me faça mudar da idéia. Contudo, do alto dos meus trinta e dois anos, já acho isso difícil. Por hora, tenho comemorado a aceitação social das garotas de programa. Uma esposa a mais no mundo, é uma mulher a menos para você. Uma garota de programa a mais, é uma mulher a mais. Pense nisso antes de sair por aí falando mal delas.
Ronaldo Brito Roque
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Ronaldo Brito Roque é escritor, autor de Duplo Sentido e Romance Barato.
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Poder amputado
A força destituiu sua mão.
Com a bandeira, estou na rua.
Eu sei, não vale nada seu sermão,
é que minha pele está nua.
Vejam, as feridas me deixaram de cama,
mas durante esse tempo eu pensei melhor.
Pensei no passado que era pintado em gama.
Sorri, decide ignorar e suportar essa dor.
Seus tanques apontados
nos ensinam uma lição:
Somos de carne e osso.
Deixamos nossas casas para trás (desapontados).
E as lágrimas cortam nosso rosto.
Acamam-se ao chão, fertilizando-o;
é que a democracia não
pode ser em vão.
Presságios à democracia; desmedidos obstáculos.
Irás pensar: Quimeras no horizonte?
Não é verdade. Ordem de uma opressão.
Ora que jaz, sigo e não quero olhar pra trás.
Para o outro lado do rio; longa travessia pela ponte.
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Fabiano Mafia Baião
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quinta-feira, 17 de março de 2011
Um ícone feminino na literatura
.É um punhado infantil de areia ressequida
Um som d'água ou de bronze e uma sombra que
passa…”
EUGÉNIO DE CASTRO
A poetisa passa praticamente a vida toda no dilema amoroso. Casa-se três vezes e em nenhum dos seus matrimônios ela consegue alcançar a felicidade, e, então, passa por problemas de saúde (chegou a ter neuroses, que pioram com o passar do tempo) e retira-se, por alguns momentos, do convívio social. Florbela quase sempre foi incompreendida pela sociedade devido a sua poesia de cunho erótico e, por isso, de ela ser chamada de imoral. Mas a sociedade da época não compreendia o seu alcance e a altitude em seus escritos nos quais tentava passar a sua sensibilidade e expressar a sua dor, servindo como uma confissão.
A sua segunda fase na literatura, Florbela passa por um amadurecimento na poesia, passando a escrever sonetos por achar que é a forma mais prática de expor seus sentimentos. Durante, essa mudança literária, ela recebe várias influências: como a de Antônio Nobre, por este discutir ao tema confessional ligado ao “esteticismo, narcisismo e culto literário da Dor”, a saúde e certo neogarretismo (termo vindo de Almeida Garret, que fez poesias relacionadas à pátria); a de Bocage e Camões, em relação a esta estrutura utilizada (o soneto); Antero de Quental e Camilo Pessanha, por tratarem da dor, de problemas existenciais; o ultra-romantismo sepulcral (como de Alberto de Passos) e o simbolismo por serem escolas literárias que tratam do decadentismo; Mário de Sá-Carneiro e Fernando Pessoa por estes falarem sobre a “crise de identidade do sujeito e à estratégia de fingimento do poeta”.
Devido a toda essa fase em que Florbela Espanca não teve amor correspondido, acaba-se por se entregar a Natureza a partir da qual vão surgir poemas relacionados à doutrina panteística, à lugares naturais ou de sua infância, à cidade de Évora — onde se casou em 1913 com Alberto de Jesus Silva Moutinho, colega de escola — tudo em um tom melancólico.
Por toda essas características literárias e pessoais de Florbela, ela acabou juntando o anseio pela morte e a sua arte de forma tão extrema que se suicidou em 8 de dezembro de 1930, em Matosinhos. Entretanto, deve-se reconhecer a grande aura literária que cobriu Florbela Espanca que até hoje seduz todos.
José Ricardo Costa Miranda Filho
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quarta-feira, 16 de março de 2011
Dionísia Urbana
Frequentemente, Caetano, eu e o Outro.
Mesmo horário.
Mesmo restaurante.
Mesmo elevador.
Mesma empresa.
Contraditoriamente, Caetano, eu e o Outro.
Mais silêncio, mais religião, mais sentidos.
Sentidos aguçados. Olhares fixos.
Perfume. Suor. Crucifixos.
Flechadas de ouro.
Um animal, dois animais. Besta-fera, borboleta.
Espelhos, Voyeur.
Doces e frutas – além de vinho e pão.
Corpos dançantes no corredor.
Corpos ‘la petit mort’ no confessionário.
Corpos sob o signo da Rosa.
Meus.
O cheiro no quarto. Nas mãos. Na consciência.
A ausência dessa última me orgulha.
Um culto em ações de graça, por favor.
Liza Almeida
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terça-feira, 15 de março de 2011
Minha Preciosa
te olho de longe
e é como um enigma
embora há muito saiba
do que é capaz
olhando de perto
o seu poder
dilacerante
e confesso ter medo
do brilho da faca
coruscante
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Daniela Avellar
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segunda-feira, 14 de março de 2011
Amor viúvo
Marina V. Medeiros
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Marina V. Medeiros escreve no blog ditos de marina.
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sexta-feira, 11 de março de 2011
Semana da Poesia!
Confira a programação abaixo e no blog:
www.semanadapoesia.blogspot.com.
Rio, Capital da Poesia no blog:
www.riocapitaldapoesia.blogspot.com.
PROGRAMAÇÃO
IV Semana da Poesia
Rio - 14 a 29 de março de 2011
Domingo, 13 de março
CARNAVERSOS
I MARCHA POESIA, PAZ & AMOR (sarau-bloco)
e Marchinha Arte e Alegria (ala infantil)
Praia de Ipanema, Posto 9 ao Arpoador
concentração Posto 9: 16h - Grátis
Todas as Tribos
Segunda, 14 de março - Dia Nacional da Poesia
PRAÇA POEMA (atividades poéticas e artísticas ao ar livre)
Praça XV de Novembro – Marechal Hermes
9h - 12h - Grátis
coordenação: Gledson Vinícius, Maria da Penha de Souza e George Araujo
FESTA DA POESIA
E. M. Alcides de Gasperi
Rua Miraluz, 181 - Higienópolis
Coodenação pedagógica: profª Marta
9h e 14h30
coordenação: Gledson Vinícius, Maria da Penha de Souza e George Araujo
ARTE EM ANDAMENTO – Ed. 54
Art Rio Hostel
Rua Marechal Cantuária, 10 cob. 02 - Urca
(em frente à cabine da Polícia)
20h - 00h - Grátis
coordenação: Jean Candido Brasileiro
CORUJÃO DA POESIA E DA MUSICA - UNIVERSO DA LEITURA
Conversa Fiada Botequim
Av. Quintino de Bocaiúva, 325 - Ljs 101 e 102 - Praia de São Francisco - Niterói.
20h30 - 3h - Grátis
coordenação: João Luiz de Souza
Terça, 15 de março
FESTA DA POESIA
E. M. Dom João VI
Rua Darke de Matos, 166 – Higienópolis
coordenação pedagógica - profª Marcia
9h e 14h30
coordenação: Gledson Vinícius, Maria da Penha de Souza e George Araujo
SARAU DO CENTRAL
(I Sarau Literário do Central 2011)
Colegio Estadual Central do Brasil (pátio interno)
Rua Rio Grande do Sul, 49 - Méier
16h - 18h30 - Grátis
coordenação: Iverson Carneiro
PONTE DE VERSOS
Livraria da Travessa 1
Travessa do Ouvidor, 17 A – Centro
17h - 20h - Grátis
coordenação: Thereza Christina Rocque Da Motta
POETA SAIA DA GAVETA
Casa do Bacalhau
Rua Dias da Cruz 426 - Méier
19h/ 23h – Grátis
coordenação: Teresa Drummond e Neudemar Sant'Anna
NOITES CULTURAIS
Colégio Estadual Francisco Alves
Travessa Pepe (esquina com Rua da Passagem) - Botafogo
20h30/ 21h30
coordenaçãoo: Profª Tania Paula
CORUJÃO DA POESIA E DA MUSICA - UNIVERSO DA LEITURA
Colher de Pau – Sweet & Beers
Rua Farme de Amoedo, 39, Ipanema
20h30 - 00h30 - Grátis
Mirante do Leblon
Av. Niemeyer - Leblon
1h - 5h - Grátis
coordenação: João Luiz de Souza
Quarta, 16 de março
FESTA DA POESIA
E. M. Dom João VI
Rua Darke de Matos, 166 - Higienópolis
coordenação pedagógica - profª Marcia
9h e 14h30
coordenação: Gledson Vinícius, Maria da Penha de Souza e George Araujo
POESIA NA LAGE
Laje Michael Jackson
Comunidade Santa Marta – Botafogo
Estação 4 do bondinho
18h30/ 20h30 - Grátis
coordenação: Iverson Carneiro
PELADA POÉTICA NO LEME
Quiosque Estrela de Luz
Orla do Leme - Posto 1 (em frente ao restaurante fiorentina)
19h - 00h – Grátis
coordenação: Eduardo Tornaghi
organização: Eduardo Tornaghi, Nathalia Colombo, Dudu Pererê, Daniel Aguiar, Caró Lago, Isa Blue e Alice Souto
TE ENCONTRO NA APPERJ
Trattoria Gambino - Largo do Machado (esquina com Rua do Catete)
19h - 21h30 – Grátis
coordenação: APPERJ - Associação Profissional de Poetas no Estado do RJ
Quinta, 17 de março
TURBILHÃO POÉTICO CULTURAL CARIOCA
Casa Rosa - Rua Alice, 550 – Laranjeiras
18h - 22h – Grátis
coordenação: Movimento Apuncultura - Braulio Coelho, Breno Coelho, Roberto Costa e Maiko Pinheiro
CINECLUBE POESIA
debate: 'Desargumentação: A literatura por trás do Cristo Redentor'
(mesa: Ecio Salles, Heraldo HB e Rolf Ribeiro)
Teatro Armando Gonzaga - Av. Gal Osvaldo Cordeiro Farias, 511 - Marechal Hermes
18h30 - 22h - Grátis
coordenação: Gledson Vinícius, Maria da Penha de Souza e George Araujo
ENCONTRO DE POETAS - Sociedade Literária Khalil Gibran
Clube Monte Líbano – Recanto Khalil Gibran
Av. Borges de Medeiros, 701 – Leblon
19h - 21h - Grátis
coordenação: Clube Monte Líbano e Sociedade Literária e Cultural Khalil Gibran
POLEM
Quiosque Estrela de Luz
Orla do Leme - Posto 1 (em frente ao restaurante Fiorentina)
19h30 - 00h – Grátis
coordenação: Marcelo Mourão, Vânia Moraes, José Wilson e Luiza Stella
RATOS DI VERSOS
Lapaeskina - Rua Joaquim Silva- s/n - Lapa
(em frente aos Arcos, ao lado do bar Semente da Lapa)
21h - Grátis
coordenação: Dudu Pererê, Dalberto Gomes, Marcelo Nietzsche, Carluxo
Sexta, 18 de março
DIZER POESIA – UMA NOITE ENCANTADA
Empório Occhiali Café - Shopping dos Antiquários
Rua Siqueira Campos, 143 - loja 141- Copacabana
19h - 22h – Grátis
coordenação: Sonia Viana
CABARÉ DA POESIA
Espaço Cultural Correia Lima
Rua Bento Lisboa, 58 (esq. Correa Dutra) – Catete
20h - 22h30 – Grátis até 20h30/ após $10,
coordenação: A DUPLA DO PRAZER – Cairo e Denizis Trindade
Sábado, 19 de março
DÊ UM POEMA DE PRESENTE
roda de leitura e oficina Fraldas Poéticas com Rute Casoy
Praça Comendador Xavier de Brito - Tijuca (ao lado do teatro de Guignol)
10h - 14h – Grátis
Ccoordenação de Livro e Leitura - Secretaria Municipal de Cultura
Circuito Literário CONVERSA COM VERSO
Sinpro - Sindicato dos Professores do Município do Rio de Janeiro
Rua Manai, 180 - Campo Grande
16h - 18h - Grátis
coordenação: Circuito Literário CONVERSA COM VERSO
BOM DE POESIA - Sarau no bondinho de Santa Teresa
Estação Carioca - Rua Lélio Gama - Centro (atrás da Petrobras)
sarau no Lgo dos Guimarães
concentração as 16h – Grátis
coordenação: Elllas & os Monstros
LUAU PALIMPSESTO - POETAS VISITAM A LUA
Praia do Leme – em frente ao Quiosque Estrela de Luz - Posto 1 – Leme
20h - 2h – Grátis
coordenação:APPERJ e Movimento Poetas Sem Fronteiras
OPA! Ocupação Poéticas
Cidade de Deus - Comunidade Tangaré
13h/ 17h - Grátis
coordenação: Luciano Frigeri, Roberto Pontes e Marisa Vieira
informações:
UM BRINDE À POESIA (pela paz e liberdade de ser)
MAC - Museu de Arte Contemporânea de Niterói
Mirante da Boa Viagem - Niterói
15h - 18h - entrada: $5,
coordenação: Lucília Dowslley
Segunda, 21 de março – Dia Mundial da Poesia
Abertura Exposição Revivendo Renato Russo (o poeta do rock) - La Gente che fa L’Arte
UERJ - Salão de exposição do MID
Rua São Francisco Xavier, 524 - 2º andar - Bloco C - Sala 2002 - Maracanã
16h - grátis
coordenação: Maria da Penha de Souza
INTERVENÇÃO POÉTICA NO METRÔ RIO - Grátis
Estação Carioca - 11h - 13h - Elllas e os Monstros
Estação Cidade Nova - 16h - 18h - Ponte de Versos
Estação Del Castilho - 16h - 18h - Mano Melo, Claufe Rodrigues e Monica Montone
Estação Siqueira Campos - 15h - 17h - Poesia Simplesmente
Estação Central - 11h - 13h – Elisa Lucinda
Coordenação de Livro e Leitura - Secretaria Municipal de Cultura
Lançamento do livro “POEZIA, QUE PORRA É ESSA?” de Cairo Trindade
Casa de Cultura Laura Alvim
Avenida Vieira Souto, 176 - Ipanema
18h - 22h - Grátis
coordenação: Oficina de Literatura Cairo Trindade, Personal Editora
CORUJÃO DA POESIA E DA MUSICA - UNIVERSO DA LEITURA
Livraria Nobel - Downtown
Av. das Américas, 500, Bloco 21 - Loja 105 - Barra da Tijuca
20h - 1h - Grátis
coordenação: João Luiz de Souza
Esticada Poética:
Terça, 22 de março
BOCHICHO NO BUTESKINA
Buteskina
Rua Santa Clara, 145 - Copacabana (esquina com 5 de Julho)
20h/ 22h30 - entrada $8,
coordenação: GANG DA POESIA – Denizis e Cairo Trindade, Kyvia Rodrigues, Cadu Mendonça e convidados
Quarta, 23 de março
POESIA EM DEBATE - mesa de debate
Biblioteca Popular Municipal de Botafogo
Rua Farani, 53 - Tel: 2551-6911
19h30 - 21h - Grátis
Coordenação de Livro e Leitura - Secretaria Municipal de Cultura
Segunda, 28 de março
Biodanza e Poesia (Biodanzarte)
Centro Comercial de Copacabana
Rua Siqueira Campos, 43, sala 636.
20h30 - 22h30 aula aberta
Facilitadora: Denizis Trindade
confirme presença! (denizistrindade@gmail.com)
Terça, 29 de março – Saideira da Semana
Terça ConVerso no Café
Café do Teatro Glaucio Gill
Praça Cardeal Arcoverde, s/nº - Copacabana
18h30 às 20h30. entrada: $5, (inteira)
coordenação: Grupo Poesia Simplesmente (Angela Maria Carrocino, Delayne Brasil, Laura Esteves e Silvio Ribeiro de Castro)
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