quinta-feira, 31 de março de 2011

Arquivos Pessoais: Graça Aranha

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quarta-feira, 30 de março de 2011

MANIFESTO DA ARTE POR UM NOVO MUNDO

Por favor, enterrem o Rei!

Para que se entenda perfeitamente o que é a “Arte Contemporânea” é importante que se esclareça sua origem[1]:

- A Arte Contemporânea não é uma vanguarda como as anteriores a ela. Não é um movimento fundado por artistas. É uma moda [incapazes que são de formar um movimento artístico] fabricada por galeristas. Coincidentemente, são as exatas duas galerias que até hoje monopolizam o mercado de Arte internacional.

- A Arte Contemporânea surge imediatamente após a Arte Conceitual, que, vale lembrar, se opunha, exatamente, àquela dinâmica de mercado. A obra de Arte conceitual não assumia [ou não deveria assumir] uma forma vendável.

- Também pela primeira vez, a moda não rompe com movimento anterior algum [nem com o próprio Conceitualismo – que ela subverte].

E o que essas últimas décadas produziram?

Sobretudo o Sensacionalismo. Cresceu a ideia de que a obra de Arte deveria chocar o público [naturalmente: era o mais fácil a ser feito!]; de que qualquer coisa, deslocada para o espaço da galeria, do Museu, da sala de estar do especulador multimilionário, poderia assumir a altura de uma obra de Arte; de que o importante era a novidade, independente de que valor tivesse - quanto maior o absurdo, melhor.

Dessa forma, nós caminhamos do Erotismo para a pornografia mais baixa; do Trágico para o macabro, o doentio, a patologia; do Sublime para o niilismo mais estúpido e hipócrita. O Belo simplesmente desapareceu!

Exatamente para esse nicho – do Sensacionalismo – existe todo um esquema de contravenção onde o marchand (ou o agente ou empresário), o especulador e a mídia (afinal ela vive de anúncios!) cooperam para avalizar a obra do “artista” (arrivista) fabricado por eles. A fraude é elevada a categoria de “artista” porque foi negociada pela grande galeria ou comprada pelo grande colecionador ou lançada (fabricada) pelo grande emissor de rádio, TV, Internet ou porque protagoniza o “último escândalo” [como se o escândalo ainda fosse possível hoje em dia] ou, simplesmente, porque é a última “estrela” descoberta naquela semana – como se “grandes artistas” surgissem de quinze em quinze minutos. Esses não são artistas: esses são produtos!

Evidentemente, nem todos se dedicaram ao Sensacionalismo nos últimos anos. Alguns se dedicaram a inventariar o mundo – o que não é tarefa da Arte, sobretudo após a invenção da Fotografia; outros, de forma bastante louvável, ocuparam-se em denunciar os abusos políticos ou os excessos do Capital – cumprindo o papel do Jornalismo [que não o cumpre mais]; alguns insistiram na obra de Arte Conceitual, com pouco sucesso; muitos outros replicaram o que já havia sido feito (em um festival de copia-e-cola) e não fizeram qualquer contribuição à Narrativa Artística. A “Arte Contemporânea” [o termo, por si só, é ridículo – “contemporâneo” do quê?] parece feita para ser vendida como qualquer outra commodity.

Isso se resume às Artes Plásticas? Não. Tendo as Artes Plásticas como (então) narrativa-mestra, a Música, a Literatura, a Arquitetura, o Cinema etc. simplesmente adaptaram esse esquema nos seus campos.

Naturalmente, existem exceções, que, aliás, foram obrigadas a conviver com tudo isso. Caso contrário, poderia se declarar a morte da Arte – o que alguns fizeram.

Estamos aqui, que se apontem os verdadeiros culpados:

Antes, dois nomes devem ser limpos dessa lama que parte da Historiografia da Arte e da Crítica insiste em jogar sobre eles: Marcel Duchamp e Andy Warhol não são os precursores disso que aí está. Quem insiste nisso ou engana-se ou faz de forma mal intencionada, servindo a essa campanha da Arte do Mercado. Duchamp deu movimento ao Cubismo e foi Conceitual antes dos Conceitualistas – um artista que se dedicou exaustivamente a testes de limites na Arte (os readymades, por exemplo). E Warhol foi O grande crítico dessa Sociedade de Consumo e do Espetáculo que agora lhe estampa a obra em camisetas. Não pode ser tomado pelo oposto disso! O que a Crítica chamou de Pop Art não comporta uma anti-escola - só um nome cabe ali. Tudo o mais é deturpado ou é pastiche, cafonice artística.

Duchamp, Warhol, descansem em paz!

Os culpados? O maldito Dinheiro. Pela primeira vez, vendedores formaram uma moda artística. É exatamente naquele momento – quando galeristas formam um movimento artístico - que o Capital se apropria da Arte.

E a Crítica?

Poucos foram os que se levantaram contra isso que aí está. A crítica trabalhou, sim, e muito, para dar sentido ao que não tinha valor algum. Desde que ela mostrou-se incapaz de reconhecer a qualidade dos Impressionistas ou dos Modernos (e virou chacota), a fantasia de que tudo poderia (e deveria!) ter valor transformou grande parte desse grupo em meros carimbadores desse vale-tudo.

Um objeto com explicações impressas do que o marchand ou o artista gostariam (e impõem) que se entendesse sobre aquilo é nada. A obra de Arte [mesmo a Conceitual] deve bastar por si só. Se o público for obrigado a ler Freud ou Wittigenstein (e a adivinhar o que o “artista” supôs a partir deles), não se compôs uma obra de arte – na melhor das hipóteses um “objeto psicanalítico” ou um “artigo filosófico” – interessa a essas duas disciplinas. A Arte deve ser (tem que ser!) maior que isso!

Essa Arte do mercado é o império do fácil e do fútil. Não é possível que isso tenha passado despercebido! Passou porque a Crítica não tem mais qualquer juízo de gosto, do que tem qualidade. Um tubarão (ou uma ovelha ou um pato!) em um tanque de formol é só um objeto de muito mau-gosto (um animal morto, meu Deus!). Um cubo de espelhos com três páginas de explicações é só um cubo de espelhos com três páginas de explicações!

Não são capazes de estipular qualquer tipo de comparação, de atribuição de valor? Não é óbvio que devam existir artistas de maior ou menor expressão e não-artistas? O homem vive e pensa por comparações. Tudo o que a crítica não pode ser é niilista – no niilismo não existe crítica!

O Tempo - ele é melhor que todos os críticos!

O Artista

“Qualquer um pode ser artista” é uma verdade - não deve existir qualquer preconceito nesse sentido, mas a ideia de que qualquer porcaria é uma grande obra e o autor é um gênio artista é uma bobagem que só trabalha para esse Sensacionalismo do Mercado. O mesmo Mercado que fez crescer o absurdo de que a droga é combustível da Arte. O fato de vários artistas terem se declarado (ou se ter descoberto fossem) usuários não dá à Droga a autoria. Isso é uma má campanha – talvez porque boa parte do que aí está só ganhe algum sentido em uma viagem de ácido!

O traficante não é um mecenas!

E a academia insiste em rotular a manifestação artística como um processo absolutamente racional e cerebral, par do processo científico ou do matemático, semelhante a uma jornada de trabalho em fábrica na China. Isso é um crime: um jovem talvez demore anos para se recuperar daquilo. ou nunca se recupere. Grande parte da História da Arte é diálogo com o Metafísico.

Definitivamente: Entretenimento não é Arte. A indústria Cultural insiste nisso e a razão é bastante simples: “Arte é mais caro, freguês”.

O que forma um artista? Quem sabe? Mas estudo, prática, obra e talento (não necessariamente nesta ordem) são, todos, insubstituíveis. O autodidata não nasce sabendo, ele aprende sozinho. Não dá para lançar mais um “ídolo teen” cantando playback como se fosse um novo Mozart - quem ainda acredita nisso?

Há que se dissociar a obra da imagem do Artista. A pobreza da “vida da Celebridade” interessa aos curiosos, sustenta os paparazzi e vende revistas. Não há nada de artístico aí!

A triste verdade é que a “Arte Contemporânea” não poderia encontrar substituto melhor como retrato dos nossos tempos. Nesse sentido ela é absolutamente legítima.

O que a Arte fez nessas últimas décadas é um sintoma – assim como a nossa televisão, nossa publicidade, nossa Política...

Somos, sim, escravos desse capitalismo nocivo, opressor, sufocante. Nós nos tornamos, sim, uma sociedade sensacionalista, que atende – não aos nossos, mas - aos interesses desse capital que comanda tudo, a despeito de todas as outras liberdades. Somos, sim, viciados em drogas ou em ansiolíticos ou em compras ou em pornografia. O caminho não é mais o importante; o destino não é mais o importante; importa a marca do carro. Insistimos na guerra porque ela serve sempre ao capital. Dedicamos a vida humana à corrida pelo dinheiro – e excluímos a maioria que tem fome.

Fazemos, sim, a vida mais difícil e menos fértil todos os dias, em todos os sentidos. Vivemos entre catástrofes “naturais” e guerras. Destruímos o planeta! Os países se acham mais ricos, quanto mais petróleo conseguem extrair desse lugar – sem saber (ou sabendo) quais os efeitos disso.

Verdades? As verdades são expostas por um sistema de poderes! A inteligência serve ao lucro. Achamo-nos mais inteligentes quanto mais negamos a possibilidade de que exista uma Verdade - e desconsiderar o metafísico não é provar que ele não exista! A comida é enlatada, a informação é enlatada, a vida é enlatada! Tudo é automatizado, é repetitivo, é “programadamente digestivo”, é chato! Nada mais choca.

Estamos à beira do abismo e é impossível voltar! Ora, nós não temos que saltar – nós devemos construir uma ponte! É o capitalismo a única organização possível? É o dinheiro tão fundamental à vida humana como é o oxigênio? O homem não apareceu sobre a face da Terra pela primeira vez com uma carteira no bolso. [2]

A VANGUARDA – A ARTE POR UM NOVO MUNDO

Nossos políticos já perderam toda e qualquer credibilidade. A utopia de que a Economia poderia regular-se e formar um Capitalismo saudável caiu por terra – o Capitalismo progride piorando. As Ciências Humanas se ocupam do passado ou do que o homem faz no presente – não tem a habilidade de construir um Futuro. A ciência – heroína das últimas gerações – não salvou o mundo e não é objetivo dela fazê-lo.

A Arte, a expressão mais fantástica do homem, é a única disciplina de habilidade ficcional, criativa. [nesse momento, gosto de pensar que não à toa.] E não lhe faltam motivos para reinventar o mundo:

1. Porque o Capital aprisionou a Arte e precisamos libertá-la. (Quem mais o faria?)

2. Porque a Arte teve, (tem?) uma preocupação histórica com a verdade - e o dinheiro é um constructo.

3. Porque a Arte serve a ela mesma e/ou a todos – e nesse momento não existe forma melhor de servi-la e à Humanidade.

Nesse meio tempo, nosso desafio é fazer o dinheiro trabalhar para a Arte [e assim, pelo mundo] e não a Arte para o dinheiro.

Naturalmente, a concepção de uma nova Ordem não se faz e aplica em sete dias. Esse movimento coletivo – de compor uma organização humana melhor, mais inteligente e, um dia, pôr fim ao dinheiro – pode durar décadas, séculos. Este, aliás, pode ser um exercício contínuo, a despeito de novas vanguardas.

Esse belo futuro é absolutamente inimaginável agora. E, infelizmente, a primeira geração desses artistas talvez veja pouco dessas ideias postas em práticas. [A vida se encarregará de imita-los – farão quando isso parecer o melhor a ser feito].

Façamos por nós, pelos próximos, para o Bem! O futuro nos será grato!

Todos os suportes são possíveis. Todas as cores são possíveis. Nada deve ser impossível à Arte!

Ergamos com nossos livros, nossas telas, nossa música, nossos filmes, nossos prédios, nossos passos... um Mundo absolutamente NOVO.

Diogo Dupree

Rio de Janeiro, 30 de Março de 2011.



[1] Nesse sentido, há bibliografia disponível mais do que suficiente.

[2] Não tomem a Vanguarda por Comunista! O Comunismo apenas transfere o capital do privado para o público [no caso, para os que assumem aqueles governos]. A história já mostrou que a fantástica iniciativa de Karl Marx [que, aliás, denuncia esse Capitalismo já em 1848] rapidamente, assume formas de Totalitarismo. Os que eram mártires tornaram-se algozes. A missão da vanguarda deve ser diferente disso.

terça-feira, 29 de março de 2011

Poesia e Prosa

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Poesia

na poesia de hoje, os ruídos se cruzam dificultando o entendimento dos sussurros de
uma inspiração qualquer

as pessoas ensandecidas, histéricas, agridem-se mutuamente por motivos inventados

os carros ocupam o espaço urbano compondo o xadrez diário do caos dito civilizado

grandes cidades abrigam almas perturbadas, sufocadas pelos anseios terrenos de tudo
que é material

a cidade grande, outrora admirada, se mostra falha na tentativa de oferecer uma vida
melhor para o poeta e para o cidadão que dorme na esquina

o clima abafa e asfixia o frescor natural, fervendo os miolos do cara deitado na avenida

atemorizados estão todos, comprimidos em pequenas celas com medo do mal que ronda
a noite lá fora

a valsa de passos medidos do nosso dia-a-dia se mostra como sintoma da vida pós-
moderna

é quando esse sujeito moderno dá-se conta, rogando pela volta dos tempos guaranis

Prosa

A origem das coisas

Se tem algo que me deixa curioso é o culto às divindades. Em algum momento, alguém teve de buscar no sobrenatural uma explicação para todas as coisas que não podia compreender racionalmente. Diante das limitações e incertezas, sentiu necessidade de crer na existência de um ser superior do qual fosse submisso. Esse ser foi idealizado como especial, a perfeição em si. No entanto, não foi fácil convencer a todos desta crença. Houve quem questionasse a ideia, se dando conta do quão inatingível era essa figura celestial, desconfiando de sua existência. "(...) E o verbo se fez carne e habitou entre nós” (João I, 14). Provavelmente, o papel de Cristo na história tenha sido mostrar, através de exemplos, que é possível sermos pessoas melhores. Não sou ateu, nem judeu, não sou católico, nem protestante ou mulçumano... Mas também não estou certo sobre a quem cabe os direitos autorais da criação. Será que Deus criou mesmo o homem? Ou foi o homem quem criou a Deus?

If there is something that always made me curious then it's the worship of gods. I think that at some moment in time, somebody asked himself about the origin of everything and looked for a supernatural answer or explanation about where things originate. So he felt the necessity to believe in the existence of a superior power who was responsible for all the universe. He was expected to be beyond special, perfection itself… But, maybe others question the idea of a celestial being and can data be collected for this all ruling, all powerful figure as people begin to doubt it's existence in the light of the unprovability surrounding it. "(...) The word became a human being and, full of grace and truth, lived amongst us" (John I, 14). Probably, the role of Christ in our history has been to show, through examples, that it's possible to be a good person. I am not atheist, jewish, catholic, protestant or islamic… I am not sure what the origin of things truly is. Is it that God created us? Or that, in fact, we created him?
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Maxsuel Siqueira
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segunda-feira, 28 de março de 2011

EDIÇÃO #29 DO PLÁSTICO BOLHA JÁ NO SITE!

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Ainda não encontrou o novo número do jornal Plástico Bolha por aí? Não tem problema!, pois ele já está disponível para a leitura no nosso site!


Dado Amaral + Zélia Duncan + Roberto Corrêa dos Santos
Victor Heringer + Gabriel Matos + Antonio Mattoso
Frederico Coelho + Chiara di Axox + Heinz Langer
Dimitri Rebello + Marina V. Medeiros + Dênis Rubra
Ana Salek + Ismar Tirelli Neto + Domingos Guimaraens
Luisa Noronha + Carlos Eduardo Varella Pinheiro Motta
Angelo Abu + Isabel Wilker + Flávia Iriarte + Luiza Vilela
Fernando Brum + Santuza Cambraia Naves + Roberto Borati
Eduardo Lacerda Mourão + Ivan Cunha + Mauro Ferreira
Pedro Vinícius do Valle Tayar + Otavio Ranzani
Braulio Coelho + Carolina Sims + Tiago Rattes de Andrade
Paulo Henrique Motta + Lucas Viriato + Alice Sant’Anna
Raïssa Degoes + Aline Miranda + Rafael Magalhães
Andityas Soares de Moura + Miguel Del Castillo
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Carlos Emílio Corrêa Lima na ABL

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O escritor cearense Carlos Emílio Corrêa Lima realiza conferência será sobre literatura fantástica no Brasil, amanhã, na ABL.
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sexta-feira, 25 de março de 2011

Despresepiando Ingenuidades (ou Preservando Gênios)

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aspirante de gênio disse:
a arte é tão inspiradora!
há de sentir há de fazer
há de mover há de ser
há de deixar de fingir
há de sentir, há de sentir!

e não sentia.

Ricardo Chagas
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O pescador de almas

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Presente de Paris

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— O que você quer de Paris?
— Uma folha da borda do Sena,
Uma folha de castanheira,
Ressequida e amarela.

Bastará uma folha
E me virão à lembrança
Os beijos,
Os barcos,
As abadias;
Atravessarei pontes,
Arcos,
Águas ancestrais
E ficarei presa ao passado,
Às torres
E ao cais.

Uma folha só,
Da árvore mais velha
Ou da mais alta
E sorverei magia,
Gotas de chuva,
Pingos de luz.

Uma folha arrancada pelo vento
Como a que caiu
Sobre meu casaco de veludo
Naquela tarde bordô.

Uma folha do Sena
Armazena todo meu sonho
De ser feliz.

Uma folha da borda do Sena
É o que quero de Paris.

Raquel Naveira
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quinta-feira, 24 de março de 2011

O nosso amor já foi tão lindo!

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Lembre-se que nós gozavamos
Muitas e muitas vezes
De forma colorida

Eu gemendo:
Vem meu Azul,
Porque eu te quero!

E você gritando:
Vai minha Rosa,
Porque eu te amo!

Felizpe Inferreira
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Felizpe Inferreira acaba de completar 25 anos e enviou esse poema para o desafio poético das 30 palavras. Participe também!
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terça-feira, 22 de março de 2011

O Legado de Lima Barreto

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Além de Triste fim de Policarpo Quaresma, obra aclamada e matéria obrigatória nas aulas de literatura do colégio, Lima Barreto escreveu pelo menos dois outros ótimos romances: Recordações do escrivão Isaías Caminha e Vida e morte de M. J. Gonzaga de Sá.

Recordações do escrivão Isaías Caminha

O primeiro, escrito em 1907, conta a história de um rapaz vindo das Minas Gerais para o Rio de Janeiro, em busca da carreira de estudante universitário. Chegando ao Distrito Federal, o rapaz não encontra trabalho de imediato, mesmo contando com a recomendação de um deputado. O rapaz vai gastando o dinheiro que a mãe lhe dera quando ele partiu, até que se vê morando em pensões bastante pobres. Não consegue arranjar trabalho, mesmo os mais humildes, mas por fim descobre emprego no jornal O Globo, como imediato. Ali, por cair nas graças do dono do jornal, galga posições e fica estável. No entanto, não consegue satisfazer seu sonho de vida escorreita e idealista que tinha quando partiu das Minas Gerais.

Passagens e expressões que muito me interessam na obra Recordações são, por exemplo, estas: “Raul Gusmão, com aquela covardia moral que o caracterizava[...]”; “Senti-me humilhado, esmagado, enfraquecido por uma vida de estudo, servir de joguete, de irrisão a esses poderosos todos por aí. Hoje que sou um tanto letrado sei que Stendhal dissera que são esses momentos que fazem os Robespierres”. Nelas, Barreto exprime, como lhe é peculiar, uma sinceridade de espírito muito grande, embora muitas vezes destemperada, o que aliás lhe trazia despeitos inúteis que consumiam sua alma e enfraqueciam uma vontade que não desejava sucumbir à bebida, a qual por fim abreviou sua vida.

Também no terreno amoroso, Caminha tinha frases de tirar o fôlego, como a seguinte: “Ainda hoje, depois de tantos anos de desgostos dessa relação contínua pela minha luta íntima, precocemente velho pelo entrechoque de forças da minha imaginação desencontrada, desproporcionada e monstruosa, lembro-me — com que saudade! com que frenesi! — do inebriamento que essa mulher deu aos meus sentidos, com o seu perfume violentamente sexual, acre e estonteante, espécie de requeime das especiarias das Índias... Ergueu-se e foi lentamente pelo corredor em fora; e eu segui com o olhar a sua nuca tentadora com tonalidade de bronze novo”.

Em Recordações, Lima Barreto ainda está afiando a escrita; nota-se, por exemplo, um exagero no uso dos advérbios, sobretudo os terminados em -mente, os quais roubam leveza da leitura, conforme ensinava o falecido mestre tradutor Daniel Brilhante de Brito.

Triste fim de Policarpo Quaresma

Triste fim de Policarpo Quaresma é, sem dúvida, a obra mais conhecida do escritor. Nesse romance, Lima Barreto trata da vida de um patriota que enxerga tudo de bom e de melhor nos produtos nacionais. Aos poucos, porém, frente a decepções, Policarpo vai mudando de ideia. Na ‘terra que tudo dá’, as saúvas impedem a cultura mais simples de prosperar. Até mesmo o grande ditador Floriano Peixoto revela-se-lhe um político de araque, sem honra e respeito pelo bravo soldado. Policarpo termina encarcerado, sem saber ao certo como e por que foi parar na prisão.

O Policarpo Quaresma virou um símbolo do nacionalismo rasteiro, da preferência por determinados produtos ou atividades culturais apenas porque são nacionais, não porque são bons. Mas essa é uma visão parcial da obra. O entusiasmo do Policarpo Quaresma é bastante exagerado, porém é preferível, num homem, ver esse interesse pela pátria a ver um cinismo barato, que sempre fala mal do país, sem desejar recuperá-lo, sendo oportuno lembrar a frase do livro bíblico do Apocalipse: “Nem o frio, nem o quente, mas o morno, eu vomito”. No cinema, o ator Paulo José fez uma interpretação formidável do Policarpo Quaresma. É um dos poucos filmes brasileiros de que gosto.

A crítica recebeu bastante bem o romance sobre o herói entusiasmado: “O Policarpo Quaresma foi escrito em dois meses e pouco, depois publicado em folhetins no Jornal do Comércio da tarde, em 1911[...] Os críticos generosos só se lembraram diante dele do Dom Quixote”, escreveu Barreto em seu Diário íntimo, no ano de 1916.

Vida e morte de M. J. Gonzaga de Sá

Em Vida e morte de M. J. Gonzaga de Sá, Lima Barreto vai à desforra contra os jornais que castraram os sonhos do escrivão Isaías Caminha. “Um jornal, dos grandes, tu bem sabes o que é; uma empresa de gente poderosa, que se quer adulada e só tem certeza naquelas inteligências já firmadas, registradas, carimbadas”, escreve o autor. E ainda dialoga com Machado de Assis, cujo nome é emprestado ao personagem-narrador do romance, acrescentando à miséria da nossa espécie a afirmação de que “a eternidade da nossa espécie repousa sobre bases sólidas”, bases sólidas essas que, a seu ver, interrompem a frutífera atividade intelectual das moças quando elas se casam e “fecham as gramáticas, queimam as músicas”, começando “a repetir a história igual e enfadonha de todos os casamentos[...]”. Não obstante essas reflexões, dentre os romances de Lima Barreto Vida e morte é o mais esperançoso — ou, melhor dizendo, o mais seguro de sua dignidade. M. J. Gonzaga de Sá dedica seus últimos dias de vida a educar o afilhado. Qué-lo um homem formado, malgrado o que as letras possam trazer-lhe de dúvidas e incômodo diante do mundo.

Fazendo votos de que os leitores conheçam mais a obra do escritor quixotesco, transcrevo, por fim, uma ótima frase de Barreto sobre a Arte: “A Arte seria uma simples álgebra de sentimentos e pensamentos se não fosse assim, e não teria ela, pelo poder de comover, que é um meio de persuasão, o destino de revelar umas almas às outras, de ligá-las, mostrando-lhes mutuamente as razões de suas dores e alegrias, que os simples fatos desarticulados da vida, vistos pelo comum, não têm o poder de fazer, mas que ela faz, diz e convence, contribuindo para regra da nossa conduta e esclarecimento do nosso destino”.

Daniel Lourenço
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Daniel Lourenço pulicou este texto na coluna Puzzles da edição #26. Ele também escreve no site Tudo bem quando termina bem.
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CAFÉ EM GRÃO

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Eu lhe disse palavras doces
Que me voltaram tão amargas
Que tomaram meu próprio sabor

Guarda agora a minha boca
O teu gosto de café em grão
Que não me trouxe estuação
Apesar da minha hiper-reação

Não escolho o que vão dizer
Mas gosto quando falam sem intenção
Nunca procurei para você palavras bonitas
Pois para ti sempre guardei as palavras sinceras

Eu não quis me perder na floresta
E até agora estou lá
Sentada vendo as árvores
Que queimam e caem
Enquanto eu me quedo

Asfixiada pela fumaça
Desacordada
Em desacordo
Esperando palavras afáveis
Que possam me erguer num sussurro
E me puxar pela mão
Levando para longe do meu corpo a fumaça
Tirando da minha boca o gosto do café em grão
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Camila da Vinci
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domingo, 20 de março de 2011

SUPERLUA

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Rasgou-me sem dó a retina
Abriu com força a cortina
Se jogou no meu sofá

Lambeu o tapete da sala
Beijou a planta da jarra
Volúvel, volátil, só vem visitar

Marilena Moraes
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Marilena Moraes já publicou diversos textos no jornal Plástico Bolha, essa é a sua contibuição para o desafio poético da 30 palavras, para o Plástico Bolha #30!
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sábado, 19 de março de 2011

Poder amputado

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A força destituiu sua mão.
Com a bandeira, estou na rua.
Eu sei, não vale nada seu sermão,
é que minha pele está nua.

Vejam, as feridas me deixaram de cama,
mas durante esse tempo eu pensei melhor.
Pensei no passado que era pintado em gama.
Sorri, decide ignorar e suportar essa dor.

Seus tanques apontados
nos ensinam uma lição:
Somos de carne e osso.

Deixamos nossas casas para trás (desapontados).
E as lágrimas cortam nosso rosto.
Acamam-se ao chão, fertilizando-o;
é que a democracia não
pode ser em vão.

Presságios à democracia; desmedidos obstáculos.
Irás pensar: Quimeras no horizonte?
Não é verdade. Ordem de uma opressão.
Ora que jaz, sigo e não quero olhar pra trás.
Para o outro lado do rio; longa travessia pela ponte.
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Fabiano Mafia Baião
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Fabiano Mafia Baião é nosso leitor de Belo Horizonte e já publicou diversos textos no Blog do Bolha.
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quinta-feira, 17 de março de 2011

Um ícone feminino na literatura

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“Procuremos somente a Beleza, que a vida
É um punhado infantil de areia ressequida
Um som d'água ou de bronze e uma sombra que
passa…”
EUGÉNIO DE CASTRO
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Em nenhum momento até agora nunca se viu uma figura feminina se tornar um ícone tão grande na Literatura de língua portuguesa como Florbela Espanca. Nascida em Vila Viçosa, muda-se para Évora e, apesar de ter passado por obstáculos em toda sua vida, a poetisa conseguiu, através da poesia e do conto, delinear de forma intensa e singela o íntimo e a sensibilidade — deveras — nunca antes visto. Mesmo que seus dois primeiros livros — O Livro de Mágoas (1919) e O Livro de Sóror Saudade (1931) — não terem sido bem recebidos pela crítica, Florbela consegue nos posteriores alcançar o reconhecimento pelo seu trabalho.

A poetisa passa praticamente a vida toda no dilema amoroso. Casa-se três vezes e em nenhum dos seus matrimônios ela consegue alcançar a felicidade, e, então, passa por problemas de saúde (chegou a ter neuroses, que pioram com o passar do tempo) e retira-se, por alguns momentos, do convívio social. Florbela quase sempre foi incompreendida pela sociedade devido a sua poesia de cunho erótico e, por isso, de ela ser chamada de imoral. Mas a sociedade da época não compreendia o seu alcance e a altitude em seus escritos nos quais tentava passar a sua sensibilidade e expressar a sua dor, servindo como uma confissão.

A sua segunda fase na literatura, Florbela passa por um amadurecimento na poesia, passando a escrever sonetos por achar que é a forma mais prática de expor seus sentimentos. Durante, essa mudança literária, ela recebe várias influências: como a de Antônio Nobre, por este discutir ao tema confessional ligado ao “esteticismo, narcisismo e culto literário da Dor”, a saúde e certo neogarretismo (termo vindo de Almeida Garret, que fez poesias relacionadas à pátria); a de Bocage e Camões, em relação a esta estrutura utilizada (o soneto); Antero de Quental e Camilo Pessanha, por tratarem da dor, de problemas existenciais; o ultra-romantismo sepulcral (como de Alberto de Passos) e o simbolismo por serem escolas literárias que tratam do decadentismo; Mário de Sá-Carneiro e Fernando Pessoa por estes falarem sobre a “crise de identidade do sujeito e à estratégia de fingimento do poeta”.

Devido a toda essa fase em que Florbela Espanca não teve amor correspondido, acaba-se por se entregar a Natureza a partir da qual vão surgir poemas relacionados à doutrina panteística, à lugares naturais ou de sua infância, à cidade de Évora — onde se casou em 1913 com Alberto de Jesus Silva Moutinho, colega de escola — tudo em um tom melancólico.

Por toda essas características literárias e pessoais de Florbela, ela acabou juntando o anseio pela morte e a sua arte de forma tão extrema que se suicidou em 8 de dezembro de 1930, em Matosinhos. Entretanto, deve-se reconhecer a grande aura literária que cobriu Florbela Espanca que até hoje seduz todos.

José Ricardo Costa Miranda Filho
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quarta-feira, 16 de março de 2011

Dionísia Urbana

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Frequentemente, Caetano, eu e o Outro.
Mesmo horário.
Mesmo restaurante.
Mesmo elevador.
Mesma empresa.
Contraditoriamente, Caetano, eu e o Outro.
Mais silêncio, mais religião, mais sentidos.
Sentidos aguçados. Olhares fixos.
Perfume. Suor. Crucifixos.
Flechadas de ouro.
Um animal, dois animais. Besta-fera, borboleta.
Espelhos, Voyeur.
Doces e frutas – além de vinho e pão.
Corpos dançantes no corredor.
Corpos ‘la petit mort’ no confessionário.
Corpos sob o signo da Rosa.
Meus.
O cheiro no quarto. Nas mãos. Na consciência.
A ausência dessa última me orgulha.
Um culto em ações de graça, por favor.

Liza Almeida
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terça-feira, 15 de março de 2011

Minha Preciosa

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te olho de longe
e é como um enigma
embora há muito saiba
do que é capaz

olhando de perto
o seu poder
dilacerante

e confesso ter medo
do brilho da faca
coruscante
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Daniela Avellar
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segunda-feira, 14 de março de 2011

Amor viúvo

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O tempo passa e a saudade
teima em trazer recordações.
Seus pedidos de sexo
sussurrados em meus ouvidos,
suas mãos cobrindo
minhas curvas de carícias,
seu corpo pesando
em cima do meu,
nos levando ao êxtase.
Ah, meu amado,
até quando esse amor viúvo
destroçará meu coração?
Tu, com ternura,
responderias mais uma vez
usando a palavra mágica
do nosso amor: “Toujours”.
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Marina V. Medeiros
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Marina V. Medeiros escreve no blog ditos de marina.
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sexta-feira, 11 de março de 2011

Semana da Poesia!

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A festa começa no Domingo de Carnaversos, um sarau-bloco com poeta-bandeira e monstro-sala, onde a poesia e a folia se dão muito bem. Será a 1ª Marcha Poesia, Paz & Amor. E a ala infantil vem representada pela Marchinha Arte e Alegria — O Rio é uma Festa!

Este ano, são mais de 30 eventos participantes.
Confira a programação abaixo e no blog:
www.semanadapoesia.blogspot.com.

Aproveite e conheça o Manifesto
Rio, Capital da Poesia no blog:
www.riocapitaldapoesia.blogspot.com.


PROGRAMAÇÃO

IV Semana da Poesia

Rio - 14 a 29 de março de 2011


Domingo, 13 de março

CARNAVERSOS

I MARCHA POESIA, PAZ & AMOR (sarau-bloco)

e Marchinha Arte e Alegria (ala infantil)

Praia de Ipanema, Posto 9 ao Arpoador

concentração Posto 9: 16h - Grátis

Todas as Tribos

Segunda, 14 de março - Dia Nacional da Poesia

PRAÇA POEMA (atividades poéticas e artísticas ao ar livre)

Praça XV de Novembro – Marechal Hermes

9h - 12h - Grátis

coordenação: Gledson Vinícius, Maria da Penha de Souza e George Araujo

FESTA DA POESIA

E. M. Alcides de Gasperi

Rua Miraluz, 181 - Higienópolis

Coodenação pedagógica: profª Marta

9h e 14h30

coordenação: Gledson Vinícius, Maria da Penha de Souza e George Araujo

ARTE EM ANDAMENTO – Ed. 54

Art Rio Hostel

Rua Marechal Cantuária, 10 cob. 02 - Urca

(em frente à cabine da Polícia)

20h - 00h - Grátis

coordenação: Jean Candido Brasileiro


CORUJÃO DA POESIA E DA MUSICA - UNIVERSO DA LEITURA

Conversa Fiada Botequim

Av. Quintino de Bocaiúva, 325 - Ljs 101 e 102 - Praia de São Francisco - Niterói.

20h30 - 3h - Grátis

coordenação: João Luiz de Souza

Terça, 15 de março

FESTA DA POESIA

E. M. Dom João VI

Rua Darke de Matos, 166 – Higienópolis

coordenação pedagógica - profª Marcia

9h e 14h30

coordenação: Gledson Vinícius, Maria da Penha de Souza e George Araujo

SARAU DO CENTRAL

(I Sarau Literário do Central 2011)

Colegio Estadual Central do Brasil (pátio interno)

Rua Rio Grande do Sul, 49 - Méier

16h - 18h30 - Grátis

coordenação: Iverson Carneiro

PONTE DE VERSOS

Livraria da Travessa 1

Travessa do Ouvidor, 17 A – Centro

17h - 20h - Grátis

coordenação: Thereza Christina Rocque Da Motta

POETA SAIA DA GAVETA

Casa do Bacalhau

Rua Dias da Cruz 426 - Méier

19h/ 23h – Grátis

coordenação: Teresa Drummond e Neudemar Sant'Anna

NOITES CULTURAIS

Colégio Estadual Francisco Alves

Travessa Pepe (esquina com Rua da Passagem) - Botafogo

20h30/ 21h30

coordenaçãoo: Profª Tania Paula

CORUJÃO DA POESIA E DA MUSICA - UNIVERSO DA LEITURA

Colher de Pau – Sweet & Beers

Rua Farme de Amoedo, 39, Ipanema

20h30 - 00h30 - Grátis

Mirante do Leblon

Av. Niemeyer - Leblon

1h - 5h - Grátis

coordenação: João Luiz de Souza

Quarta, 16 de março

FESTA DA POESIA

E. M. Dom João VI

Rua Darke de Matos, 166 - Higienópolis

coordenação pedagógica - profª Marcia

9h e 14h30

coordenação: Gledson Vinícius, Maria da Penha de Souza e George Araujo

POESIA NA LAGE

Laje Michael Jackson

Comunidade Santa Marta – Botafogo

Estação 4 do bondinho

18h30/ 20h30 - Grátis

coordenação: Iverson Carneiro

PELADA POÉTICA NO LEME

Quiosque Estrela de Luz

Orla do Leme - Posto 1 (em frente ao restaurante fiorentina)

19h - 00h – Grátis

coordenação: Eduardo Tornaghi

organização: Eduardo Tornaghi, Nathalia Colombo, Dudu Pererê, Daniel Aguiar, Caró Lago, Isa Blue e Alice Souto

TE ENCONTRO NA APPERJ

Trattoria Gambino - Largo do Machado (esquina com Rua do Catete)

19h - 21h30 – Grátis

coordenação: APPERJ - Associação Profissional de Poetas no Estado do RJ

Quinta, 17 de março

TURBILHÃO POÉTICO CULTURAL CARIOCA

Casa Rosa - Rua Alice, 550 – Laranjeiras

18h - 22h – Grátis

coordenação: Movimento Apuncultura - Braulio Coelho, Breno Coelho, Roberto Costa e Maiko Pinheiro

CINECLUBE POESIA

debate: 'Desargumentação: A literatura por trás do Cristo Redentor'

(mesa: Ecio Salles, Heraldo HB e Rolf Ribeiro)

Teatro Armando Gonzaga - Av. Gal Osvaldo Cordeiro Farias, 511 - Marechal Hermes

18h30 - 22h - Grátis

coordenação: Gledson Vinícius, Maria da Penha de Souza e George Araujo

ENCONTRO DE POETAS - Sociedade Literária Khalil Gibran

Clube Monte Líbano – Recanto Khalil Gibran

Av. Borges de Medeiros, 701 – Leblon

19h - 21h - Grátis

coordenação: Clube Monte Líbano e Sociedade Literária e Cultural Khalil Gibran

POLEM

Quiosque Estrela de Luz

Orla do Leme - Posto 1 (em frente ao restaurante Fiorentina)

19h30 - 00h – Grátis

coordenação: Marcelo Mourão, Vânia Moraes, José Wilson e Luiza Stella

RATOS DI VERSOS

Lapaeskina - Rua Joaquim Silva- s/n - Lapa

(em frente aos Arcos, ao lado do bar Semente da Lapa)

21h - Grátis

coordenação: Dudu Pererê, Dalberto Gomes, Marcelo Nietzsche, Carluxo

Sexta, 18 de março

DIZER POESIA – UMA NOITE ENCANTADA

Empório Occhiali Café - Shopping dos Antiquários

Rua Siqueira Campos, 143 - loja 141- Copacabana

19h - 22h – Grátis

coordenação: Sonia Viana

CABARÉ DA POESIA

Espaço Cultural Correia Lima

Rua Bento Lisboa, 58 (esq. Correa Dutra) – Catete

20h - 22h30 – Grátis até 20h30/ após $10,

coordenação: A DUPLA DO PRAZER – Cairo e Denizis Trindade

Sábado, 19 de março

DÊ UM POEMA DE PRESENTE

roda de leitura e oficina Fraldas Poéticas com Rute Casoy

Praça Comendador Xavier de Brito - Tijuca (ao lado do teatro de Guignol)

10h - 14h – Grátis

Ccoordenação de Livro e Leitura - Secretaria Municipal de Cultura

Circuito Literário CONVERSA COM VERSO

Sinpro - Sindicato dos Professores do Município do Rio de Janeiro

Rua Manai, 180 - Campo Grande

16h - 18h - Grátis

coordenação: Circuito Literário CONVERSA COM VERSO

BOM DE POESIA - Sarau no bondinho de Santa Teresa

Estação Carioca - Rua Lélio Gama - Centro (atrás da Petrobras)

sarau no Lgo dos Guimarães

concentração as 16h – Grátis

coordenação: Elllas & os Monstros

LUAU PALIMPSESTO - POETAS VISITAM A LUA

Praia do Leme – em frente ao Quiosque Estrela de Luz - Posto 1 – Leme

20h - 2h – Grátis

coordenação:APPERJ e Movimento Poetas Sem Fronteiras


Domingo, 20 de março

OPA! Ocupação Poéticas

Cidade de Deus - Comunidade Tangaré

13h/ 17h - Grátis

coordenação: Luciano Frigeri, Roberto Pontes e Marisa Vieira

informações:

UM BRINDE À POESIA (pela paz e liberdade de ser)

MAC - Museu de Arte Contemporânea de Niterói

Mirante da Boa Viagem - Niterói

15h - 18h - entrada: $5,

coordenação: Lucília Dowslley

Segunda, 21 de março – Dia Mundial da Poesia

Abertura Exposição Revivendo Renato Russo (o poeta do rock) - La Gente che fa L’Arte

UERJ - Salão de exposição do MID

Rua São Francisco Xavier, 524 - 2º andar - Bloco C - Sala 2002 - Maracanã

16h - grátis

coordenação: Maria da Penha de Souza

INTERVENÇÃO POÉTICA NO METRÔ RIO - Grátis

Estação Carioca - 11h - 13h - Elllas e os Monstros

Estação Cidade Nova - 16h - 18h - Ponte de Versos

Estação Del Castilho - 16h - 18h - Mano Melo, Claufe Rodrigues e Monica Montone

Estação Siqueira Campos - 15h - 17h - Poesia Simplesmente

Estação Central - 11h - 13h – Elisa Lucinda

Coordenação de Livro e Leitura - Secretaria Municipal de Cultura

Lançamento do livro “POEZIA, QUE PORRA É ESSA?” de Cairo Trindade

Casa de Cultura Laura Alvim

Avenida Vieira Souto, 176 - Ipanema

18h - 22h - Grátis

coordenação: Oficina de Literatura Cairo Trindade, Personal Editora

CORUJÃO DA POESIA E DA MUSICA - UNIVERSO DA LEITURA

Livraria Nobel - Downtown

Av. das Américas, 500, Bloco 21 - Loja 105 - Barra da Tijuca

20h - 1h - Grátis

coordenação: João Luiz de Souza

Esticada Poética:

Terça, 22 de março

BOCHICHO NO BUTESKINA

Buteskina

Rua Santa Clara, 145 - Copacabana (esquina com 5 de Julho)

20h/ 22h30 - entrada $8,

coordenação: GANG DA POESIA – Denizis e Cairo Trindade, Kyvia Rodrigues, Cadu Mendonça e convidados

Quarta, 23 de março

POESIA EM DEBATE - mesa de debate

Biblioteca Popular Municipal de Botafogo

Rua Farani, 53 - Tel: 2551-6911

19h30 - 21h - Grátis

Coordenação de Livro e Leitura - Secretaria Municipal de Cultura

Segunda, 28 de março

Biodanza e Poesia (Biodanzarte)

Centro Comercial de Copacabana

Rua Siqueira Campos, 43, sala 636.

20h30 - 22h30 aula aberta

Facilitadora: Denizis Trindade

confirme presença! (denizistrindade@gmail.com)

Terça, 29 de março – Saideira da Semana

Terça ConVerso no Café

Café do Teatro Glaucio Gill

Praça Cardeal Arcoverde, s/nº - Copacabana

18h30 às 20h30. entrada: $5, (inteira)

coordenação: Grupo Poesia Simplesmente (Angela Maria Carrocino, Delayne Brasil, Laura Esteves e Silvio Ribeiro de Castro)

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