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quinta-feira, 7 de dezembro de 2023

tip toe thru the tulips


esta noite sonhei que corria
em um vasto jardim de tulipas
era um cenário sinuoso e soturno
como são sempre os jardins livres
 
eram flores de silhuetas enganosas
e vestidas com as cores da derrota as
nossas derrotas que de tão ordinárias
formam quadros quentes surrealistas
 
ali me sentia em casa era um campo como
uma cidade uma cidade como um crime
tantos crimes todos suculentos e macios
era um segredo doce por detrás dos dentes
 
mas era também ou sobretudo a cova rasa
das bestas e beatos banguelas que foram
tantos guerreiros esmagados pelo Tempo
pois contra o Tempo não se ganha nunca
 
e havia algo entre calor e desejo no ar
um bafo santo que sopra sempre e sempre
adiante mesmo que exista medo ou saudade
no fim é a mesma coisa eu estou tremendo
 
penso agora em você e já está chovendo
os jardins são campos de batalha adormecidos
as tulipas são demônios de pernas curtas
e o céu é um abismo esfomeado chamando
 
amanhã talvez uma pérola se realoje no meu
ventrículo e eu reencontre a pulsão pela qual
uma veia não será nunca apenas uma viela por
onde se bombeia a cor que vale a potência da vida
 
admiro o brilho nos olhos dos que estão sempre
prontos para as grandes guerras que se demoram
e por mais sinistro que isso possa parecer
acreditem eu ainda estou falando de amor

Kiki

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Palíndromos tardios


Pedimos, para a coluna Desafios Poéticos da edição 35 do PB, palíndromos. O tempo passou, a edição 35 rodou, a 36 tomou as ruas - e não é que até agora chegam alguns? Atrasados demais para o impresso, mas atuais para o Blog, seguem os criativos palíndromos tardios de Frederico Bohland Neto.

Diálogo do Povo:
— Ele é senador?
— É sim.
— Mísero, dane-se ele.

Palíndromo do Vulcão:
Ata-me, aceso pó, a lava.
És Etna, e sem o fogo - fome.
Se antes é a vala, o pó seca e mata.

O velório:
Sal e vermes somava.
— Já vai?
— Lava...
— Era bom (sem ar)
— Oh!!!
— Caladas.
Na cova a dor vil...
— Ela dá uma saudade.
— Da duas...
Amuada, lê livro da avó. Cansada, lá chora.
— Mesmo bar?
— É - avaliava.
— Já vamos.
Sem revê-las.

Telegrama:
Tioná, rumo trôpego, foge Porto Murano, IT.

Reprovação:
Ada rufa tese: Toda Doença é Acne.
O dado: Tese ta furada.

Frederico Bohland Neto

quinta-feira, 16 de abril de 2015

DESAFIO POÉTICO DAS VOGAIS


Na edição número 24 do Plástico Bolha, em que o desafio era não utilizar a letra A, textos incríveis chegaram a nós - embora muitos tenham reclamado da dificuldade para driblar a abundante letra. Dessa vez, decidimos expandir a proposta: quatro desafios de uma vez! Intimamos nossos incansáveis leitores a escreverem e enviarem poemas sem E, I, O ou U. Não queremos ninguém deixando de enviar por colapso de indecisão: se você não consegue evitar o E, tente fugir do I, e assim por diante. Envie seu desafio poético para jornalplasticobolha@gmail.com

domingo, 20 de outubro de 2013

Participe dos desafios poéticos do Plástico Bolha!


Na atual edição do Plástico Bolha o Desafio Poético era escrever sobre o esporte nacional, o Futebol. Você conferiu as poesias publicadas? São gols e mais gols, repletos de poesias. Veja todas no link: http://www.jornalplasticobolha.com.br/pb33/desafiopoetico.htm e participe das futuras edições da coluna.

sábado, 9 de abril de 2011

Entroncamento

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É festa — vê — a luz
defronte. O entroncamento
aberto: é uma rua onde
passa um trem
de carga, que, às vezes,
engole
um passageiro.
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Danilo Diógenes
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Danilo Diógenes enviou esse poema para o desfio poético das 30 palavras, para o Plástico Bolha #30.
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segunda-feira, 4 de abril de 2011

Escada

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Na
matemática da
palavra, conto até sete.
Número da Sorte. Progressão
sem corte. Quatorze. Um trissílabo forte.
Na escada da letra, degrau é consoante. Trinta:
O tempo é um instante.
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Rodrigo Cabral
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Rodrigo Cabral é nosso leitor e enviou "Escada", que vem sendo considerado um dos poemas mais interessante enviados para o desafio poetico das 30 palavras, para o próximo número do Plástico Bolha.
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quinta-feira, 24 de março de 2011

O nosso amor já foi tão lindo!

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Lembre-se que nós gozavamos
Muitas e muitas vezes
De forma colorida

Eu gemendo:
Vem meu Azul,
Porque eu te quero!

E você gritando:
Vai minha Rosa,
Porque eu te amo!

Felizpe Inferreira
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Felizpe Inferreira acaba de completar 25 anos e enviou esse poema para o desafio poético das 30 palavras. Participe também!
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domingo, 20 de março de 2011

SUPERLUA

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Rasgou-me sem dó a retina
Abriu com força a cortina
Se jogou no meu sofá

Lambeu o tapete da sala
Beijou a planta da jarra
Volúvel, volátil, só vem visitar

Marilena Moraes
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Marilena Moraes já publicou diversos textos no jornal Plástico Bolha, essa é a sua contibuição para o desafio poético da 30 palavras, para o Plástico Bolha #30!
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quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Desafio Poético 'Amores Vagos': Homenagem

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Precisamente agora
sem atinar por que nem como
repleto de sentido
conquanto vago e longo
é cãimbra nos meus braços
o tanto querer firmar um abraço
contra o que, presente, segue desde sempre
e o sempre é nada
e o presente um facto
que ileso escapa
aos meus olhos (os perseguidores)
de incomensurável alcance
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Precisamente agora
dentro da costa Oeste do meu peito
também o Lado Esquerdo
submarinos assombram o baile dos cardumes
e um seixo entressonhado
sabe-se de onde vindo!
empurra uma carga amorosa
como se eu, o poeta,
o retivesse entre os dedos
mas estes nada tocam, nada
e o nada é sempre, ou fora?
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Precisamente agora
talvez sem Ser, eu sinto
a rocha dividida. Feliz quem
se contenta com a cabida
parcela de amor que tem.
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Danilo Diógenes
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sábado, 31 de julho de 2010

Desafio Poético: platônico

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o bilhete de amor
tão contido
na caligrafia miúda
perdeu-se num bolso
na lavanderia dos sanchez
— os borrões azulados
do papel alvejado
em pedacinhos, tão poeticamente
foram-se
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foi-se também
a lavanderia
tampouco ficaram
os sanchez
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tampouco ficou
qualquer resquício da timidez
dos olhares
qualquer um
dos ônibus circulares
e daquele fim alaranjado de uma tarde em abril
qualquer pedaço de pano
de horas a fio
noites em claro
- qualquer coisa que lembrasse
a antiga possibilidade
de um caso de amor
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Bruno Nascimento de Abreu.
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Bruno Nascimento de Abreu é leitor e colaborador do jornal Plástico Bolha. Esse é o seu poema para o desafio poético "Amores Vagos", exclusivo para o Blog do Bolha. Os dois melhores poemas concorrem ao livro "Amores Vagos", do selo Estilingues. Participe você também!
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domingo, 25 de julho de 2010

Desafio Poético: "amores vagos" em poema!

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O tema, AMORES VAGOS, vem do primeiro título do selo estilingues, projeto de um grupo de amigos escritores, do qual faz parte nossa editora, Marilena Moraes. A proposta é dar o livro de presente, em troca de o leitor assumir o compromisso de “ler e passar adiante”, na conquista de novos leitores.
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Seguindo a filosofia do novo selo, o Plástico Bolha vai dar uma estilingada e escolher dois poetas para receber AMORES VAGOS, que, em quatorze contos, fala de encontros e desencontros, chegadas e partidas, de amores ácidos e cortantes, mas também de doçura e aconchego. Basta enviar seu poema sobre o tema para o e-mail do jornal. Escolheremos dois premiados, que ganharão exemplares do livro, se comprometendo a não quebrar a corrente, fazendo o livro circular, numa ciranda sem fim.
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Teclem com vontade, estilinguem livremente. Afinal, amor nem sempre rima com dor... e um vago amor pode se tornar preciso e verdadeiro.
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sábado, 14 de novembro de 2009

O blecaute

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O blecaute transborda seus sonhos de cidade,
Transpira pelas dobras,
Transforma as dobras,
O blecaute não cabe em si.
O blecaute transporta seus desassombros,
Transuda a porta,
Transvia seu abismo,
Transuda seu abrigo,
O blecaute não cabe em si.
O dilúvio do blecaute é calmo, cal de móbiles sobre o tempo.
O tempo do blecaute é sempre agora, o blecaute é a nostalgia dos anjos.
O blecaute é tudo que explode, ode de trapo sobre o pano das estrelas.
No blecaute pode se enxergar bem melhor.
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Augusto de Guimaraens Cavalcanti
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sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Piada no escuro

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Não há luz no fim do túnel
Não há luz no fim do
Não há luz no fim
Não há luz
Não há
Não

Mas o Brasil continua rindo apesar de tudo
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Felipe Ribeiro
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Blackout(s)

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Dez de novembro de dois mil e nove:
lá pras dez horas, lá pr’ além das dez
houve um Apagão desses cavernosos
que se passa nos filmes de Coppola.

Era sabido que Lévi- Strauss tinha
morrido; era sabido da baixíssima
estima de Obama; e até mesmo que uma
loura virgin pisava nas areias

de Ipanema fingindo ser moçoila
de cinema. O que mal se sabia era a
causa do drama- por que parou o trem
na Baixada, por que em Sampa madrugou

a madrugada, por que sentiu horror
o capixaba, por que o tal gaúcho
virou cabra? Nos condomínios bem
correram
............nas
..................longas,
............................largas
.....................................escadas,

nas ruas assaltaram mulherada,
teve pois velhinha hospitalizada,
teve gente morta, teve matada.
Ficou tudo preto oco obnublado

e rezou, quem sem vela, desvelado,
pro sol brotar mais cedo, entre a Calada.
À treva transcorreu de leque e abano
e de manhã disseram que esses danos

seriam facilmente reparados.
Falou-se que a culpa foi da pancada
de uns raios chulos nos circuitos caros
responsáveis por acender os olhos

das cidades, de milhões de janelas.
E ainda hoje, não importa o tempo corrido,
o brasileiro, homem desprevenido,
quando chega a noite, volta a ficar

aflito. Remexe na cama, sempre a
perguntar intrigado, ao céu de estrelas
iluminado: “será que poderei
dormir gostoso, de TV ligada,
com ventilador, co’ ar refrigerado,
ou vai rolar daquelas do Cardoso,
ou nem Deus saberá dizer de fato?”
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Flávio Cavaca
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quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Terça-feira

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Caiu a noite. Eu,com medo do escuro.
Caminhei nas pontas dos pés até a varanda
Toquei com as mãos o parapeito.
Meu peito tremia, eu tenho medo.
Abri os olhos num só golpe
para ver melhor.
Mas o mundo havia se apagado.
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Raissa Degoes
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blackout

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o breu que soprou da cidade
até São Paulo não só silenciou
o moinho da casa de boneca,
mas desligou nele o ventilador
e comeu o stand-by, o farol
das embarcações no carpete.
de um estalo os rostos perderam
seu miolo e a única lembrança
que tenho é de minha mãe
na busca sequiosa da luz
de uma vela, mamãe medieval
empunhando uma tocha,
mas com cacoete de maria bonita
desejosa de lampião.
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Luiz Coelho
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quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Poesia no escuro? Por que não?

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Estava tudo preparado
Para a minha poesia
O meu mote estava claro
Como claro é o próprio dia.
Mas eis que tudo escurece
Foi-se embora a inspiração
O Brasil foi quase todo
Envolvido em Apagão.
Foi então que parou tudo
Transportes, escolas, sinais
Com a sobrecarga, Incêndios
Falta d’água até em hospitais.
Havia certo controle
Em todo abastecimento
AMPLA, CEDAE e LIGHT
Surpreenderam-se com o evento.
Sustos, medos de arrastões
Dos transeuntes na estrada
A vantagem é que os ladrões
Também não sabiam de nada.
Pra clarear vale tudo
Velas, faróis, celulares
Ajudando os geradores
Nesta falta de energia
E em meio à escuridão
O apagão me deu um “Branco”
Mas fiz esta poesia!
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Solange Valeriano Pinto
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O apagão em sete faces

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I

As velas ficam guardadas
No passado
Com os radinhos de pilha.

II

Itaipu
Não chega ao sul.

III

Pense nas grávidas
Como dar a luz
no escuro?

IV

Pior do que sem luz
É ficar sem ar
Condicionado.

V

Se o universo fosse eterno
A noite seria clara
Como o dia.

VI

Num mundo sem cor
Como acordar
Sem despertador?

VII

Com essa história de tufão
Apagaram o apagão.
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Paulo Gravina
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Estrela

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você é a luz
da minha terça-feira
sem luz
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Lucas Viriato
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Antes que o escuro se acabe

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não sabe nada quem
acha, que sob o silêncio
do apagão,
o prazer está em ver pisca-piscas
de bundinhas de vaga-lumes,
a lua cheia ou
brilho das estrelas

o prazer de verdade
está naquela mão-boba
de surpresa
no escurinho
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Paulo Henrique Motta
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