sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Regresso


A chuva se abriu em pétalas
a navegar no doce mar das ruas
Eu, alma nua
me entreabri no colo das ondas
firmemente convicta de sua volta
que teima em escapar como uma vaga noturna
As espumas entrechocavam-se com meus lábios
despertos na secura do árido deserto
O oásis se fez cama ardente dos sexos
na minha imaginação que se encontrava
com seu distante regresso 
Regressar das águas
e batizar seu corpo
com os olhos cheios de lágrimas
Espero seu regresso 
Regressar das águas
e batizar seu corpo
com seu distante regresso 
Regressar das águas
e batizar seu corpo
com os olhos cheios de lágrimas 
Espero seu regresso
oração desfolhada que se atira
no riso de minha face molhada
Regresso, ao inverso
no inverno de meu verso.


Alexandra Vieira de Almeida 



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