quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Décima confessional, de Leonardo Davino

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Se beija-flor te chamais
Eu, pica-flor queria ser,
Tu, minha flor, meu bebê,
Se, e assim, tu me aceitais,
Bicos engendrariam ais.
Grávido de um beija-flor,
Agravaria eu tua dor.
Mas, velô do meu desejar,
Não posso querer picar,
E só circulo tua fulô.
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Leonardo Davino
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Leonardo Davino é mestrando em Literatura Brasileira pela UERJ, com pesquisa sobre Canção e Teoria da Literatura.
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Doidivinas lança video-clipe em Botafogo

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terça-feira, 6 de outubro de 2009

Participe também do prêmio Paulo Britto!


Prêmio Paulo Britto de Prosa e Poesia

O Prêmio Paulo Britto de Prosa e Poesia foi criado em 2009 como parte da programação da VIII Semana de Letras da PUC, intitulada “A Língua Portuguesa”, e contempla três gêneros literários: CONTO, CRÔNICA e POESIA. Poderão participar estudantes de graduação e pós-graduação de toda a comunidade PUC-Rio.

INSCRIÇÕES

As inscrições serão realizadas até o dia 16 de outubro de 2009. Para os três gêneros (CONTO, CRÔNICA E POESIA) há duas categorias: CATEGORIA PROSA (CONTO E CRÔNICA) e CATEGORIA POESIA. Os textos devem ser inéditos em qualquer meio (impresso ou eletrônico) e escritos em língua portuguesa. O tema é livre e cada autor poderá submeter somente um texto por categoria, digitado em papel tamanho A4 e em apenas uma das faces do papel e com as seguintes características:

PROSA: Os autores deverão utilizar fonte Times New Roman tamanho 12, com espaçamento 1,5 entre as linhas e todas as margens medindo 3 cm. Os contos não poderão ultrapassar o limite de 4 (quatro) páginas.

POESIA: Os autores poderão utilizar qualquer tipo de fonte, diagramação e espaçamento, desde que o texto não ultrapasse o limite de 2000 caracteres (sem considerar os espaços em branco).
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É obrigatório o uso de pseudônimo, que deverá constar ao final do texto. Os textos inscritos nas CATEGORIAS PROSA E POESIA devem ser apresentados em 4 (quatro) vias cada. Os autores que optarem por concorrer nas duas categorias deverão fazer a sua inscrição de forma independente, em envelopes diferentes. Os textos deverão ser entregues em um envelope grande e lacrado, identificado na frente com o nome do Prêmio e a categoria (PROSA ou POESIA). Dentro deste envelope os concorrentes deverão enviar um envelope menor, também lacrado, identificado na parte externa com o título do trabalho e o pseudônimo utilizado. O envelope menor deverá conter uma folha com os seguintes dados: nome completo do autor e pseudônimo utilizado, título do trabalho, gênero literário, data de nascimento, endereço completo, e-mail e telefone para contato e uma breve nota biográfica. Não serão aceitos textos enviados por e-mail. As inscrições serão feitas somente no Departamento de Letras, no seguinte endereço:

PRÊMIO PAULO BRITTO DE LITERATURA
Rua Marquês de São Vicente, 225
Edifício Padre Leonel Franca. 3º andar.
Gávea – Rio de Janeiro

PREMIAÇÃO
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A ser divulgada
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PUBLICAÇÃO DOS TEXTOS FINALISTAS

Os textos finalistas serão publicados imediatamente no blog do Jornal Plástico Bolha e, assim que possível, no formato impresso em uma edição do Jornal Plástico Bolha. Os autores premiados com a publicação de seus textos deverão assinar um termo autorizando a publicação nos referidos blog e jornal e cedendo os direitos autorais para esta edição. Os direitos não são exclusivos e os autores ficam livres para publicar esses textos onde desejarem após a divulgação do resultado. Outros itens poderão ser acrescidos à premiação, a critério dos organizadores do Prêmio e de eventuais parceiros ou patrocinadores.

COMISSÃO JULGADORA

Os textos inscritos na categoria PROSA E POESIA serão avaliados por uma comissão formada por três professores do bacharelado em Formação de Escritor do Departamento de Letras para as duas categorias (PROSA e POESIA), e por dois alunos PET. A comissão é soberana e suas decisões são irrecorríveis, podendo inclusive decidir por não premiar os trabalhos inscritos.
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RESULTADO

Os autores finalistas nas duas categorias serão comunicados até o dia 26 de outubro para que possam confirmar sua presença no local da premiação. O resultado será divulgado no encerramento da VIII Semana de Letras, dia 29 de outubro de 2009. Na mesma ocasião, ocorrerá a entrega do prêmio.

DISPOSIÇÕES GERAIS

As inscrições implicam em plena concordância com os termos deste regulamento. Estão impedidas de concorrer pessoas diretamente envolvidas com a organização da VIII Semana de Letras e com a organização do Prêmio este ano. Os inscritos que não atenderem às especificações deste regulamento serão desclassificados. Os textos enviados não serão devolvidos.
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domingo, 4 de outubro de 2009

Um novo poema de Ana Cristina Chiara

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a gata mia em disparada
pegadas na neve
traçado (cedilha)

mia sexo
desespero fundo
minuto a minuto

conversa ouvida
sonoridade comunicativa
a esmo...

fura o papel
a quietude do quarto
a xícara onde bóia o café
o presente irritante
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Ana Chiara
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Ana Chiara é professora de literatura da UERJ e amiga do Bolha.
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sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Novidade ou na falta de um poema mais intenso — por Sebastião Ribeiro

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Um homem enraizou-se aqui, todo ou as
partes plenas. Seus olhos verdes são inegáveis, a
tarde também; mas há a pressa que
esconde o medo, mal interpretando-o.
O silêncio é uma constante, parece que
esperando minha morte, desidratando meus
fatores e meu homem
de fantasia.
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Sebastião Ribeiro
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quinta-feira, 1 de outubro de 2009

feministas — poema de Caio Carmacho

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seus olhos verdes pintados de preto
quase uma camuflagem de guerra
nada se enquadra ao estereótipo
se você não é a revolução dos tempos
é mais ou menos isso mesmo
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Caio Carmacho
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quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Lançamento da Coleção Língua Cantada

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Por dentro — um poema de Lucas Gibson

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Sabem pouco
Esses românticos fanfarrões!
Que o amor
Mais do que em flores
Mais do que em poemas
Está,
Nas louças lavadas
De surpresinha
Pela manhã...
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Lucas Gibson
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terça-feira, 29 de setembro de 2009

A paixão clubística, texto de Gilbert Daniel

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O meu time foi campeão naquele ano, melhor, foi bicampeão, melhor, foi tricampeão, melhor ainda, foi tetra, mais que isso, penta penta! O meu time.
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Naquele ano, fomos rebaixados. Voltamos depois, naquele outro ano, e não fomos campeões. Fomos muitos mal naqueles anos seguintes mas, depois, de novo fomos vice-campeões e, melhor, finalmente de verdade fomos campeões, melhor, fomos bicampeões, melhor, fomos tricampeões, melhor ainda, tetra, mais que isso, penta penta! O meu time.
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Gilbert Daniel
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segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Clássico do Plástico Bolha, por Mia Vieira

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Acalente-me a alma
Perdida de seus braços.
Use-me com flor;
Vida descartável.
Despetale-me a roupa
Bem me queira.
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Mia Vieira
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Seminário musical com celebridades na PUC!

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domingo, 27 de setembro de 2009

Viriato, um poema inédito de Raquel Naveira

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Viriato,
Rei e pastor da tribo lusitana
No confronto com Roma,
Poderosa e insana.

Viriato,
Rei que empunha a lança,
Celeste mandato
De quem busca paz,
Justiça
E conhecimento;
Herói,
Santo,
Pai da nação lusa,
Mobiliza energias
Nas batalhas do espírito.

Viriato,
Pastor que segura o cajado,
Apascenta o rebanho das estrelas,
Pronto a morrer por suas ovelhas;
Sábio,
Nômade,
Observa os astros,
Distingue os ruídos,
Escuta a chegada dos lobos,
Emissários de seu assassinato.

Viriato,
Rei e pastor,
Comandante amado,
Cantado por Camões,
Habitante do oceano,
Senhor do exército,
O teu retrato
De homem viril e nobre
Está impresso
No meu sangue português,
Na minha rebeldia ancestral,
No meu canto exato.
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Raquel Naveira
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sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Ciranda entre tangos

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Me desculpe o entusiasmo, mas não é todo dia que encontro alguém assim tão medido, cabido, perfeito; e agora já bem sei que não adianta fugir, fingir nesse verão tão repleto de fumaça e terças-feiras que você não existe nem olha pra mim.

À flor da pele, o tal fulano flautista ilustre experimenta cirandas e agudos para as tantas outras pernas que floreiam em roda, imundo o piso que gruda nos pés. Mesmo no salão cheio, estou um pouco sozinha; ensaio a cara de indiferença e já de prontidão aviso que não sei dançar: dois pra lá, dois pra cá; tem que soltar mais os ombros; segue meus passos; deixa que eu te levo. Prefiro sambar assim de longe; finge que não me toca. Desvio o olhar. Pode provocar que eu sou forte e madura e segura de si. Temos muito em comum; ele diz: “parece estranho mas, com licença, posso te beijar?”

É claro que prudente seria pedir logo um táxi, sacar a chave de casa, bater a porta do quarto de persianas, lençóis, abajur. Ligar o ar-condicionado, dormir de maquiagem, exausta, vazia e um pouco bêbada, como se nada nem ninguém pudesse ter tido a mínima ínfima chance de se aproximar um dia da minha heroica distância particular.

Em vez disso, pega meu telefone, recito afobada os oito números, repito para ter certeza, pode ser que ele ligue, quem sabe marcamos uma praia, vamos ao teatro, ao cinema, à ópera, ao raio que o parta; ou então não liga nunca mais, pediu por capricho, foi apenas solícito, estava sendo bem-educado.

Esquece, eu sou só uma trepada em potencial, sou qualquer uma, sou fácil demais. Quando precisar, me dá um toque que eu caio direitinho. Pensa que me engana? Cantarola um tango antigo; tem tristezas, nostalgias da Argentina. Ele parece tão sensível... Olha pra mim; eu pareço entusiasmada? Não, não fala. Me abraça outra vez daquele jeito. Espera, eu mal te conheço. Pensando bem, tenho sono; já são cinco da manhã: você pode me deixar na Gávea?
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Constanza De Córdova
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Fragmentos de Maria, no Planetário do Rio

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A Editora da Palavra convida para o lançamento do livro de poesia
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FRAGMENTOS DE MARIA
de Maria Dolores Wanderley
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dia 1º de outubro de 2009
no Planetário da Gávea
a partir das 19h.
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quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Discutindo o Relacionamento

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alma gêmea
ou
há uma algema?
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Octávio Roggiero Neto
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Carta ao vento — de Patrícia Schwingel Dias

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Meu tempo acabou. Sinto muito lhe deixar. Mas realmente preciso partir. E, cá entre nós, você já deve estar cansada de só ter uma pessoa. Ficamos aqui a noite toda somente eu e você, e uma intrusa. Ah, como poderia eu esquecer essa noite estrelada que não dorme? Que não nos abandona, pra finalmente termos a quietude de que tanto queremos.
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Vim lhe ver pelo silêncio, mas encontrei um barulho que não me acalma a alma. Você sussurra constantemente em meus ouvidos. Sopra um vento molhado que me tira a razão. Tenta me convencer a qualquer custo de ficar.
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Você joga comigo. Você joga aos meus pés o ir e vir de suas curvas. Me seduz. Tenta me hipnotizar com sua dança, seu cheiro, com seus beijos salgados. Tenta me dar provas de que há vida nesta vastidão do nosso eu.
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Preciso confessar. Você quase me convenceu de ficar. Ficar, até ficaria, mas só se fosse aqui a vida inteira, a te olhar. Adoraria te ter pra sempre. Mas você não pertence a mim. Pertence a vida, ao mundo, aos outros homens. De resto, nada mais quero, nada mais me restou.
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E, vai, admite! Você não iria me aguentar. Afinal, não é esse o seu costume: ficar com um só. Sempre que lhe encontro, você está rodeada por belas pessoas, sorridentes, felizes. E elas fazem o que querem de você. Se aproveitam de tudo o que você tem para oferecer. E, pior é que você deixa. Gosta, até. Pede pela badalação, pelo agito, clama pra ser o centro das atenções.
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Mas, pensa que me engana? Eu conheço o que está por trás desse seu jeito manso, calmo, conciliador. Você tem seus altos e baixos, como todos nós. Fica mal humorada e joga tudo pra cima. Quebra o que vê pela frente, toma espaços que não lhe pertencem. Destrói o que tiver que destruir para impor o seu lugar no mundo.
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Eu sei que você também sabe o que é sofrer. Mesmo assim, tenta me convencer de que há ainda beleza na vida. Me mostra coisas bonitas, narra as suas conquistas, fala de suas jóias, umas tais pedras portuguesas. Conta sobre os seus inúmeros namorados, sobre as suas amigas, visitantes de quase todo o dia, companheiras na diversão e confidentes de problemas.
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Oh, problemas são tantos, que como confidente nem saberia por onde começar. E sinceramente, não vim aqui para falar. Desisto. Vim aqui para terminar o que não começou bem. Terminar talvez seja uma boa forma de recomeçar, não acha? Vou embora agora, vou para os braços da sua mãe Yemanjá. E pedir a ela que me leve ao encontro do Tânatos.
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Patrícia Schwingel Dias
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Venha abraçar a Mãe Africa amanhã, na Lapa

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Mais um, poema de Vanessa Campos Rocha

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eu mereço
tu mereces
ele merece
nós merecemos
vós mereceis
eles merecem

(o meu com calda de chocolate, por favor)
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Vanessa Campos Rocha
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quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Participe da oficina de Diário — na UERJ

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Meus paralíticos sonhos desgosto de viver

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Ele estava ali na minha frente. Espumava como um cão raivoso. Corri em sua direção na esperança de me resignar. As lágrimas escorriam pelo meu rosto já molhado da sua água. Foi ali, sob o olhar do Pão de Açúcar, que eu me entreguei. Desci até o fundo e deitei-me no chão. Sem palavras, sem pensamento, apenas sentindo uma forte pressão sobre o peito. Ele me roçava inteira, me descabelava toda e me lambia as pernas. Já não havia mais roupas para cobrir meu corpo quente. Permaneci ali embaixo até meus pulmões não aguentarem mais, então, subi covardemente em busca de ar. Levei um tapa, depois outro. Chorei. Bate, bate mais seu merda! Ele me ouviu e mais um tapa levei, sendo que dessa vez bati forte com a cabeça no chão. Meus olhos enxergaram o escuro. Sem forças fui me abandonando enquanto sua água beijava o meu corpo por dentro. Sufocou-me. Eu já era sua. Senti-o me puxar pelos pés. Aos poucos foi me levando para cima e em seu colo me acolheu. Delicadamente acariciou o meu corpo nu e frio enquanto me levava para longe. Ninguém nos viu, nem o poeta de bronze se virou para se despedir. Os canhões do forte permaneceram em silêncio. Ele foi me levando. Só restou-me dizer adeus!
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Cacau Vilardo
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Conferência Municipal de Cultura no Rio

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Pão e Poesia em qualquer padaria. Participe!

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Vulcão

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andar cambaio
chama vulcanica
monstro trepidante
esbaforido e manco
cujas pernas débeis
sofrem sob o peso da dor
celeste e terrestre
demiurgo amoral
apóstolo inspirado
sopra o fogo fabricando
flechas cintilantes
as armas dos deuses
os escudos resplandecentes
o tesouro dos heróis
joias,broches e brincos
anéis,braceletes e colares
para as afrodites insanas
e as belas tábatas mortais
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Jovino Machado
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Poesia e música no corredor de Maricá

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terça-feira, 22 de setembro de 2009

Camila Justino lança novo livro em outubro!

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Camila Justino, nossa colaboradora do jornal Plástico Bolha está lançando seu terceiro (!!!) livro em outubro, na Livraria da Travessa de Ipanema. Vamos todos colocando na agenda...
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Feliz Natal, conto de Solange Valeriano Pinto

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Na verdade, esse era um fato real que quase se tornou ficção. Uma colega de turma dizia que sua avó não gostava de preto e nem de pobre e a havia proibido de aproximar-se dos bolsistas da PUC. Não obstante aos conselhos da avó, ela sempre me tratou com gentileza. Mantínhamos uma distância polida. Ela sempre comentava (quando o assunto era sobre cotas ou coisa parecida) que sua avó achava inadmissível que um pobre estivesse estudando na mesma universidade que sua neta.
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Sinceramente, nunca me senti ofendida com as palavras dela, apesar de serem bem desagradáveis. Ela fazia o tipo desagradável — e isso não era uma opinião só minha —, mas não sei por que, não sentia que ela falava aquilo por mal, para ferir a mim ou a quem quer que fosse. Ela, simplesmente, falava, e pronto... Embora com ar indiferente e displicente, estava transmitindo a opinião de sua avó.
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Eis que um dia, era fim de novembro, eu estava no ponto do Pirata, voltando para casa, quando uma das domésticas, que trabalhava na Gávea, aproximou-se de mim:
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— Oi, boa tarde.
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— Boa tarde. Tudo bem?
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— Tudo...E aí ? Vai trabalhar no Natal?
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— Não.
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— Não! Por quê? Tá sem casa?
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Sem esperar a minha resposta ela perguntou:
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— Tá a fim de fazer um bico? É aqui pertinho do seu serviço ( essa era uma das que pensavam que eu era doméstica). Mas tem que ser no Natal e no ano novo 25 e 31 . Topa?
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Fiquei pensando na minha situação financeira que estava muito ruim naquele primeiro ano na PUC.
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— Qual é o bico? Perguntei.
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— Você vai ser minha ajudante. Te pago 150 reais. Você vai lavar toda a louça, arrumar a cozinha, descascar os legumes, arrumar e servir a mesa e, de vez em quando, levar uns petiscos na piscina para os patrões e seus convidados. E aí ? Topa?
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— Tudo bem. Vou pensar...
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— Pensa, pensa, porque a parada é boa. Olha só, todo ano eu trabalho no Natal e no ano novo. É com esse dinheiro que eu compro os presentes pros meus filhos, meus netos, meus afilhados, entendeu? Se não for assim, não compro. O dinheiro do pagamento é só pra pagar contas... O triste é que a gente fica longe da família, né? Mas fazer o quê? A gente não pode ter tudo. Depois que passa as festas, eu saio distribuindo os presentes (porque ela só paga no final). Mas quando eu chego, é aquela festa. Meus filhos já até se acostumaram longe da mãe no Natal. Cresceram assim, coitados!
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— Tudo bem . Vou pensar e amanhã te dou a resposta.
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— Valeu... Olha o nosso Pirata ali. Vamos correr pra pegar lugar sentadas.
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Fui para casa pensando na proposta. Cento e cinqüenta reais! Era tudo o que eu precisava para fazer a minha ceia. Mas o preço seria alto demais. Pela primeira vez na minha vida passaria o Natal longe da minha família. As últimas palavras daquela mulher ainda faziam um eco na minha cabeça: meus filhos já até se acostumaram longe da mãe no Natal. Cresceram assim. Coitados!...
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Em casa, comentei com a família. Assim como eu, meus filhos ficaram indecisos. Ganharíamos um dinheiro,mas eu não cearia com eles. Meu marido até que não achou a idéia ruim,pois disse que seriam só dois dias. Mas o Natal, para mim, tem um significado todo especial. A família reunida sempre foi muito mais importante do que a mesa cheia de guloseimas. O Natal me recorda a minha infância. O cheiro de tinta fresca, de tecido novo, de rabanada fritando (que nós comíamos ainda quente). A árvore de Natal era um galho seco, preso a uma lata de leite em pó, que nossa mãe cobria com algodão e enfeitava com caixas de fósforos embrulhadas em papéis coloridos. Não tinha pisca — pisca, tampouco presentes ao redor. Se bem que sempre colocávamos os sapatos na janela, que dormiam e acordavam vazios, pois Papai Noel nunca encontrava o nosso endereço.
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Meu pai era bombeiro hidráulico. Quando desempregado, quase sempre vivia de bicos e trazia o pagamento já no fim da tarde. Trazia tinta (ou melhor, cal e corante — geralmente, verde) para pintar as paredes da nossa casa. Quando caía a noite, ele ainda estava dando os acabamentos externos. Minha mãe corria às lojas e comprava tecidos para fazer nossas roupas. À noite, estávamos todos de roupas novas e tomando bronca de meu pai, pois, não raro estávamos com as roupas e os braços manchados de tinta fresca e a parede marcada por um vazio de tinta, que vinha agarrado a um braço, uma perna, um cabelo, um vestido.
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Já era bem tarde quando minha mãe saía da máquina de costura direto para o fogão para preparar a ceia. Por isso, comíamos as rabanadas ainda quentes. Uma das maiores diversões era ver os distraídos, com os braços e as roupas manchadas de verde fugindo da cara feia do meu pai na hora da ceia.
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Os filhos dos vizinhos ganhavam presentes lindos e eu não conseguia entender por que o “bom velhinho” nunca deixava nada pra nós. Aos pouquinhos fomos entendendo a dinâmica da coisa. Os mais velhos já não colocavam mais o sapato na janela e, à medida que os menores iam crescendo e entendendo, faziam a mesma coisa. Creio que não crescemos magoados pela falta dos presentes, porque tínhamos uns aos outros. Tudo era motivo de risos, piadas e brincadeiras, inclusive a nossa dureza. Não tínhamos dinheiro, mas sempre passávamos os Natais juntos.
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Todas essas memórias pesaram na minha decisão. Se aceitasse o bico oferecido pela colega, teria que deixar a nossa mesa posta antes de ir trabalhar. Como se eu fosse empregada nas duas casas. Na minha e na casa da patroa da colega de ônibus. A diferença é que na casa da patroa eu ganharia para fazer a ceia e na minha eu a faria de graça. Mas, e a graça maior? A de estar com a família? Como recuperar?
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Fui cheia de dúvidas para o ponto de ônibus, mas a moça não estava lá. Não a vi mais nos próximos dias que antecederam o Natal. Deve ter perdido o meu telefone e o meu endereço. Pensei. Paciência, não tinha que ser. Chegou o Natal! Achei tudo tão maravilhoso. A ceia estava tão simples, mas passei com a família. Senti uma alegria diferente da dos outros anos, uma espécie de alívio, como se eu tivesse recuperado algo antes de perder, não sei explicar. Só sei que foi muito bom...
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Volto das férias. Estou na Rua Padre Leonel Franca, como de costume, esperando o ônibus pirata.
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— Oi colega, lembra de mim?
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— Oi. Tudo bem? Claro que lembro. Você ficou de me arrumar um bico no Natal, não é mesmo? Fiquei esperando...
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— Pois é... me desculpa... Fui à sua casa, mas no pé do morro, encontrei uma vizinha sua e perguntei onde você morava. Ela perguntou o que eu queria contigo. Falei sobre o bico e ela perguntou:
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— Quanto é?
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Falei:
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— 150 reais.
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E ela respondeu:
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— Hi , essa vizinha não vai querer isso, não. Ela não precisa. Dá pra mim aí, pô. Eu preciso mais do que ela.
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— Então fiquei sem graça e levei ela no seu lugar. Até que ela trabalhou direitinho... Da próxima vez eu te levo, falou?
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— Falou. Tá tudo bem. Só gostaria de saber como se chamava essa vizinha?
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— Peraí, deixa eu ver... Ah nem lembro mais... Foi em dezembro, já estamos em março... Hi, olha ali quem vai passando do outro lado da rua! É a neta da minha patroa... Ela estuda naquela Faculdade ali na frente — disse a mulher apontando para a PUC.
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— Na PUC?
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— É. Você não trabalha ali por perto? Balancei a cabeça, concordando. Olhei na direção em que ela apontou e deparei-me com a colega, cuja avó não gosta de pobres, pretos e bolsista. Superada a surpresa inicial, vendo a menina afastar-se sem nos ver, dei asas à minha imaginação. Então pensei:
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Se a minha vizinha indiscreta não tivesse ficado com a minha vaga (meu bico), talvez eu tivesse ido à casa da colega de turma como ajudante de cozinha. E, talvez fosse servir petiscos à beira da piscina para ela, sua família e convidados. Talvez, distraída, eu lhe dissesse, na minha displicência:
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— Olá Bia! Feliz Natal. Está curtindo as férias? — Desconcertada e muda ele enfiaria o rosto em uma revista, fingindo ignorar a minha presença e muito menos a minha pergunta. A avó, que não gosta de pobres, de pretos e de bolsistas, nos observaria com olhar atento e reprovador. e perguntaria:
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— De onde você conhece essa serviçal, Bia?
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Bia ficaria muda, sem saber o que responder à avó conservadora... E eu lhe responderia, já me afastando com a bandeja:
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— Nós nos conhecemos da faculdade. Estudamos juntas na PUC...
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segunda-feira, 21 de setembro de 2009

MAELSTRÖM — pelo grupo "um só olhar"

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A Casa de Cultura Mario Quintana
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convida para a estreia
do espetáculo multimídia (cinema, literatura e música)
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MAELSTRÖM
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em homenagem ao bicentenário de nascimento de Edgar Allan Poe
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apresentado pelo grupo
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UM OLHAR SÓ
Tomaz V. Borges (cineasta)
Paulo Bacedônio (poeta)
Carlos Bica (músico)
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Sábado, 26 de Setembro de 2009, à 1:00 h (da madrugada)
Entrada Franca
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Acervo Mario Quintana – Mezzanino Casa de Cultura Mario Quintana
Rua dos Andradas, 736 – Centro
Porto Alegre – Rio Grande do Sul
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Dona Cleonice na ABL!

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O jornal Plástico Bolha entra na campanha para apoiar a candidatura de Cleonice Berardinelli, a nossa Dona Cléo, para a vaga deixada por Antonio Olinto na ABL.

Ela é super merecedora e seria um justo reconhecimento por toda uma vida de trabalho de altíssimo nível! Contamos com a colaboração dos leitores. Disparem e-mails, façam campanha...
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domingo, 20 de setembro de 2009

Evento "arte em andamento": amanhã, no Rio

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Desengano

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—Alô, amor ?
—Não,
foi engano.
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Saulo Pereira Guimarães
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sábado, 19 de setembro de 2009

Amanhecendo, poema de Franklin Pacifico

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Adormece o escuro e renovadas
ressoam tristes notas graves, justas,
do noturno, através da madrugada.
Abre caminho pelos ares, turva.

Liberta o corpo, galhos e também
as folhas, até a copa dos pinheiros,
até sumir, fugir, para o além.
Risca célere o céu, faz um espelho.

Transfigura o olimpo de cinzento
num laranja longínquo que não esqueça
o reverter sem fim de uma ampulheta.

Canta do leste, aurora, sua vinda.
Nada embaraça teus caminhos, luz.
Canta, aurora brilhosa, vem, belíssima.
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Franklin Pacifico
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sexta-feira, 18 de setembro de 2009

canseira, um texto de Vanessa Campos Rocha

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acerta aqui, ajeita lá, assopra, acende, risca, devolve moço, pede, suplica, machuca os joelhos, vivo! morto! brinda (quantas vezes?), corre, respira, para de respirar, parou? não? chora, reza, planta, pede e pede de novo mas duvida que alguém escute, limpa, joga, atravessa, arranca, é no peito que dói? hum-hum, fala de novo, chove douradinho e ah esquece, é na alma.
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Vanessa Campos Rocha
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quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Inocentes do Leblon II

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"...tudo ignoram, mas a areia é quente, e há um óleo suave
que eles passam nas costas e esquecem."
(Carlos Drummond de Andrade)

Não vimos o DOPS e, quando nascemos, a cozinha já era de inox.
Desconhecemos Byron, Sartre, Dylan e Baudelaire,
Nem em placa de salão entendemos Hair.

Foi proibido proibir, mas, logo liberaram de novo.
Fizeram Revoluções contra e em favor do povo,
Ah, e descobriram: quem veio antes, pobre galinha, foi o ovo.

Nós, que viemos depois até do pós,
Não esperamos pela anistia nem por Quércia.
A rebeldia da nossa juventude é a inércia.
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Rodrigo Siqueira Ribeiro
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segunda-feira, 14 de setembro de 2009

O ataque do homem-ético, de Fabiano Baião

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Ao descortinar a janela do quarto, reparo as luzes acesas da cidade, pessoas indo e vindo de todas as direções. Desnorteados que vagam por labirintos sem encontrar a saída. Eu penso, mas não queria pensar! Encontro-me em estado de vacuidade, uma descrença que me sufoca, quando penso nas vezes que me ponho a filosofar em mesas de discussões com mentes não libertas, mas infelizmente não aprendo. O assunto não poderia ser outro: ética, tema impróprio para esse país de pilastras ocas - é a mesma coisa que remar contra um tsunami.
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Em minhas reflexões, apoiado nesta janela, vendo tudo passar, mas que em mim não passam, me encontro, me defino finalmente, e concluo que sou um extremista, um radical doido, desvairado que acredita piamente que se matar muitos outros, entrarei no paraíso-ético. Mas diferentemente de outros desatinados pelo mundo, não tenho líderes, não pertenço a grupo algum, não tenho um código de direção a me transmutar a realidade e não espero um paraíso sobrenatural.
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Divido minha tarefa em três: o trabalho mental, a organização de todos os instrumentos, com a escolha do local do ato, e a realização do fato. Meu trabalho metal é minha conclusão psicológica, se o que irei fazer é o que realmente quero, mas doido que sou, não concluo nada e me lembro num lampejo que estou alucinado, alienado e então não penso mais em nada, e pulo esta parte estúpida.
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Vou para minha organização instrumental, que seria a aquisição de todos os equipamentos para meu objetivo extremista. Radical e desequilibrado, anoto tudo num papel: uma dinamite de seriedade e outra de amor, uma dinamite de tolerância e mais uma de honestidade, uma granada de sinceridade e mais uma de ética, um detonador, uma semente de educação. Definida toda parafernália para o ato terrorista, faltavam as compras e a escolha do local de minha glória. O lugar deveria ser onde houvesse seres que não são radicais, mas seria impossível, então, resolvi escolher a capital do país, Brasília para que de lá essa explosão propaga-se até atingir todas as regiões do Brasil.
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Depois de tudo definido, finalmente realizaria o ato. Mas não poderia partir sem antes despedir dos meus pais, pessoas que mais amo e que ficarão orgulhosos desse ato.“Olha, amo vocês, mas meu discernimento mental está por completo desequilibrado, dizem tanto, que comecei a achar realmente que sou radical, extremista e tal, então, já que sou tão anormal, faço esse ato brutal”. Saio então, de Belo Horizonte em um ônibus numa manhã de sexta-feira rumo à capital brasileira. Na praça dos três poderes, abro meus braços para o horizonte, fecho os olhos para ao abri-los novamente, me encontrar no paraíso-ético, mas antes, com todos aqueles equipamentos impregnados em meu corpo, que ao apertar de um botão, o explodir de um milhão.
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A honestidade varre o palácio do planalto, o congresso nacional, o palácio da justiça, o jeitinho brasileiro do povo, vindo por trás à ética, efetivando em todos, sua monstruosa praga, que é hereditária. O que não estava a olho nu nesta explosão é que uma semente de educação voou do meu bolso com toda aquela pressão, penetrando pelo chão, o que seria de fato as bases para nossa evolução.
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Fabiano Mafia Baião
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sábado, 12 de setembro de 2009

Corujão da Poesia na livraria DiVersos

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Em Flor — um poema de Pedro Braga Soares

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Perpetro da tua pele uma simbologia de pétala
— nada me impede
de tatuar-te de palavras.
Sopro feito arrepio aspergido sobre teu vasto,
desabrochada de intenção, arrependida, de repente.
Visto o disfarce do impossível, porque tudo pode ser,
e podemos: seja.
Rascunho das tuas veias uma linguagem intuída de decifrar-te nua
e aguço-te o tato com o toque intermitente de sussurros.
Insinuo pecados como formas de redenção,
consinto render, deploro o perdão.
Insista no erro porque a justiça é uma forma arbitrária
de compensação do desejo; nunca me sinta reparado.
Note que os absurdos vêm à tona conforme os olhos vêem
Cale a veêmencia dos contrários como quem silencia uma criança
E deixe-se devoluta, mas se faça perder por um propósito.
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Pedro Braga Soares
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segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Negra Loura

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Desceu em Belford Roxo
de um ônibus que vinha de Vilar dos Telles.
Sua pele era de feijoada
mas seu cabelo era puro trigo.
Sua pele era de noite
mas o seu cabelo era o horizonte de tardinha.
Falsa britânica.
Nórdica preta.
Africana de cabelo pintado entre o castanho e o dourado.
Zulu disfarçada de branca.
Entrou na padaria
pediu um refrigerante
e cruzou suas grossas coxas
debaixo de um curtíssimo jeans rasgado.
A rapaziada toda olhou e babou
ela toda no pensamento
imaginando estar no século retrasado
e possuir aquele território à revelia
que parecia ter saído de uma letra
de Benjor ou Melodia.
Bebeu tudo numa só golada
pagando a conta.
Saiu não só levando
o louro e duro cabelo entrançado
acima do sorriso amarelo
mas também o olhar de todos nós
entre aquele busto
que eram dois maduros jamelões gigantes
embaixo daquele vermelho sutiã.
Sumiu entre pagodeiros e funkeiros
entre credores e devedores
entre viajantes e farofeiros
entre pequenos empresários e vendedores.
Ela saiu do nada
e foi com tudo para qualquer lugar
tomando seu sorvete demais
deixando em sua língua
que nos banhava em sonho
o sabor daquele morno verão.
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Marcio Rufino
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Na batucada da vida: Carmen Miranda na ABL

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LINA POR ESCRITO — Lançamento no Rio

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sábado, 5 de setembro de 2009

Praia de Fora, um poema de Carlos Morgado

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Dentro de meu quarto arredio
escuto o mar vindo de uma Avenida Suburbana.
Real, de uma realidade extrema, posso ouvir
as ondas quebrarem entrecortadas pelos comboios-
e sentir quase que a branca espuma beija-me os pés
por entre cortinas de fumaça.

Não sejamos mais que o rio das coisas,
nem nos preocupemos com quem somos ou sonhamos em ser.
apenas sejamos, como o verde das árvores
ou o cinza concreto desta praia,
somente assim,
simples e absurdo.
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Carlos Morgado
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Arte em Andamento — Evento aberto no Rio

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Lançamento: Pastores de Virgílio, em SP

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sexta-feira, 4 de setembro de 2009

RJ CONTINUA LINDO — de Gabriel Pardal

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O cristo redentor está cansado.
De braços abertos.
Numa mão o revólver apontando pra Zona Norte
e na outra apontando pra Zona Oeste.
Sorte daqueles
que sentem-se cariocas
quando tem no horizonte o Corcovado.

Já no interior da cidade do Rio de Janeiro,
onde não dá vista pra onda,
nem chega brisa nem maresia,
nem a luminosa decoração de natal da lagoa,
o cartão postal é a foto de uma corda
amarrada numa árvore,
que à título de turismo
deram o nome de Forca.
É ali que esses cariocas sabem-se no Rio.

Em outros mais profundos interiores,
onde nem se acha mais árvore para uma corda amarrar.
Apenas barro e poeira e homem,
ainda Rio de Janeiro,
sabem-se cariocas quando olham para um prego.
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Gabriel Pardal
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terça-feira, 1 de setembro de 2009

domingo, 30 de agosto de 2009

Aneurisma Matou Berimbau na Bienal do Rio

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Nosso amigo Luciano Prado da Silva, que já publicou contos no Blog do bolha e será destaque da próxima edição do PB impresso, convida a todos para o lançamento do seu livro Aneurisma Matou Berimbau que acontecerá na Bienal do Livro do Rio de Janeiro. Quem já leu algum de seus contos sabe que é imperdível. Todos lá!
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quinta-feira, 27 de agosto de 2009

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Sapatos, um texto de Maria Cecilia Brandi

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Passar o dia com sapatos apertados, como se os pés fossem gêmeos no ventre por dez meses. Como se apertassem nervos, movimentos, e a boca de um mudo gritasse pelos pés desbocados.

Andar em desequilíbrio quando estão frouxos: poder ficar na mão, pisar em ovos - talvez contra o risco de cambalear.

Arrancar a sola, não pisar em falso. Da sola sem sola, escavar com estilete os restos de cola que grudam no chão e tiram o impulso. Buscar outra base. Cobertura. Fecho.
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Maria Cecilia Brandi
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terça-feira, 25 de agosto de 2009

sábado, 22 de agosto de 2009

Fustigado pelas sombras do dia

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Não sei onde tudo me acaba
Se parto, se fico
Agora não faz mais sentido
Eu não sei onde me acho
O que cabe a mim do céu
É o teu pedaço
O pedaço de ti, não dele
O que cabe da terra, é vagar insossa
Olhando tudo
Com olhar de bêbada
Tomando cuidado de não esbarrar em nada
Teu segredo
Não mais oculto
Mas continua guardado no meu peito
O teu gosto,
Nunca tive o suficiente (ainda bem, não deixaria nada de ti)
Ainda alimenta o meu desejo
Deixa a boca cheia d’água
Os olhos também
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Carolina Neves da Cruz
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quarta-feira, 22 de julho de 2009

Lançamento do livro Clube da Leitura

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Convite para o lançamento do livro Clube da Leitura: Modo de Usar vol I, que ocorrerá em 28 de julho no sebo Baratos da Ribeiro. O livro é o resultado do clube da leitura que ocorre lá, onde a galera lê textos e, a partir de textos escolhidos que viram mote, escreve contos. Os contos do livro estão ilustrados por três quadrinistas: Johandson, Fábio Lyra e Eduardo Felipe. O livro teve pré-lançamento na programação da OFF-FLIP e agora tem seu lançamento no Rio! São 19 novos autores cariocas e 24 contos, entre eles a nossa amiga do bolha, Vivian Pizzinga.
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segunda-feira, 20 de julho de 2009

NINGUÉM FAZIA IDEIA, por Zé McGill

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Você já parou pra pensar sobre a renovação que certas palavras sofreram por causa do novo acordo ortográfico da língua portuguesa? Nos textos que você lê nos jornais, na internet, nas publicações mais recentes, você percebe que existe uma palavrinha que antes quase não era notada, mas que agora, depois do tal acordo, botou o pescoço pra fora da janela?
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A tal palavra é IDEIA. Segundo meu dicionário de bolso, surrado e manchado de suco de goiaba, significa: “Representação mental, imaginação; elaboração intelectual; concepção; plano, projeto”. Não sei se aconteceu somente comigo, mas após o tal acordo, parece que IDEIA começou a pipocar loucamente em 90% dos textos que leio. Eu não fazia IDEIA da assiduidade do nobre vocábulo. Acho que ninguém fazia IDEIA.
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E de quem terá sido a magnânima IDEIA de colher o maduro acento agudo lá do alto dos cachos da IDÉIA? Fico imaginando um acadêmico lusitano, cabeçudo e atormentado, desprovido de boas IDEIAS, que se depara com a palavra IDÉIA num canto escuro de seu escritório. Ele decide escalar o E para afanar-lhe o acento na mão grande. Trepa sobre o segundo braço da letra, olha à sua volta para certificar-se de que não há ninguém olhando e disfarça um pigarro antes de passar a mão no agudo e enfiá-lo no bolso do paletó. Em seguida, pega o telefone e começa a ligar para os colegas de academia, conta-lhes sobre o sequestro e propõe um... acordo.
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Ainda bem que o tal acordo ortográfico exclui os nomes próprios. Eu conheço uma moça bonita, de nome igualmente bonito, que tem o assassinado trema posto sobre a letra i, no meio do nome. Essa moça bonita não quer se livrar do trema e pode ignorar o tal acordo se assim desejar. Mas e a palavra linguiça, por exemplo, como é que fica?
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Violentou-se a lingüiça, justamente ela, que sempre sofreu as mais perversas violações: além de ser tostada nos churrascos da vida, tornou-se sinônimo de órgão genital e de embromação, antes mesmo que a coroa do U levantasse voo. Por sinal, esta última palavra (ex-vôo) é mais uma que foi descortinada. Eu diria que voo vem logo na cola de IDEIA na fila indiana das palavras defloradas que andam salientes. Não sei se foi o acidente da Air France ou a queda do acento circunflexo, que deixou careca seu segundo O, mas passei a ler voo com frequência muito maior nos últimos meses. Assim como passei a enxergar IDEIA em tudo que é folha de papel. E nisso reside aquele que talvez seja o único atributo positivo do novo acordo ortográfico.
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Dizem que Deus está nas coincidências. E talvez não seja por acaso que IDEIA esteja pululando sob nossas pupilas ultimamente. Em nossas vidinhas modernosas, onde somos quase todos consumidos pela urgência de ganhar dinheiro, consolidar carreiras profissionais e conquistar patrimônios materiais, sobra cada vez menos tempo para parir boas IDEIAS. Parece que vivemos um processo dormente de emburrecimento no mundo globalizado, onde a boa IDEIA está minguando e nem a Caninha 51 salva.
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Enfim, não sei se este texto em homenagem à IDÉIA foi uma IDEIA genial ou um sinal de que preciso beber menos, mas vou trocar uma IDEIA com aquela moça bonita (aquela, que manteve o trema no nome) pra ver se ela consegue dar um jeito de tirar esta IDEIA fixa da minha cabeça. Mas, que IDEIA...
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domingo, 19 de julho de 2009

Em Marselha — um texto de Luisa Noronha

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Olá!
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Estou em Marselha, uma cidade com um astral ótimo, autêntica e tão movimentada quanto denuncia a ventania constante — c´est le bon air de la Méditerranée — me disseram. E é mesmo o Mediterrâneo que sempre garantiu a autenticidade local. Seu vieux port é o mais movimentado da França e some no horizonte de tão longo; e foi nesse mesmo cais que aportaram os gregos no século VII a.C., passando pelos domínios romano e celta.
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Essa fusão de culturas que remonta à antiguidade é presenciada hoje na arquitetura de estilo, ora bizantino, ora neoclássico, nas feições miscigenadas e nas animadas feiras de rua, onde servem-se desde peixes frescos a kebabs turcos e um caldo marroquino estranhíssimo. Marselha é uma cidade de verdade: meio suja, alguns mendigos, fachadas encardidas e varais de roupas cortando o céu.
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Suas ruelas estreitas são tão instigantes quanto intrigantes, te levando longe ou de volta ao mesmo lugar, o que torna impraticável qualquer passeio sem um mapa na mão. O que mais se vê são turistas lutando contra a ventania para manter o mapa aberto.
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Caminhei pela cidade inteira hoje. Vi palácios, fortalezas, parques, o museu da história da cidade, uma catedral de peso à beira-mar e terminei o dia na principal atração da cidade: a Basilique Notre Dame de la Garde. No alto de uma colina, só a vista panorâmica da cidade já bastava, mas a basílica em esplêndido estilo romano-bizantino é uma pérola, revestida de mosaicos e folheada a ouro, é de ofuscar a vista de tanta beleza. Realmente de tirar o chapéu. assisti à missa e deu para acompanhar direitinho, até aprendi a ave-maria em francês.
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Acabo de voltar ao hotel, são quase 9h da noite, e o sol ainda teima em cair no horizonte. Vou dar um pulo no porto, a cidade deve ficar linda inundada pelo pôr de sol.
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bjs,
Luisa
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Luisa Noronha
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sábado, 18 de julho de 2009

ATENDIMENTO AO PÚBLICO

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escarro, catarrada, pus, soluço, espirro, tosse, mal hálito, remela, meleca, ressacas múltiplas... urubu traçando carniça de urubu torrado de sol e agora vai reclamar direitos; insônia às 04:32 no puxadinho alugado com o dindin da vovó misericordiosa e na manhã o infeliz vai reclamar direitos no escritório adjunto; dondoquinha que levou do namorado um soco no olho e se sentiu “lesada”; mosquito elétrico zanzando pra irritar geral... “É por serem verdadeiras que todas essas histórias são trágicas. A vida animal selvagem sempre termina tragicamente
(“Animais da selva que conheci”,
Ernest Thompson Seton)
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Paulo Vitor Grossi já publicou 3 textos no jornal Plástico Bolha. Esse aqui faz parte do seu livro Carne Viva (edição privada) que é poesia pura.
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quarta-feira, 15 de julho de 2009

Vai de Bala? — um poema de Bianca Rezende

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A bola que rola na rua
O carro que sobe a ladeira
O grito do moleque do alto do muro
E lá se vai...
...se vai mais uma estrela
...se vai mais um na pista
O tapa no canto da orelha
A barriga que nunca está cheia
E o moleque de calção de banho
E lá se vai...
...se vai descendo a onda
...se vai mais um dos bambas
As noites e as farras mil
Cachaça e conhaque, um barril
Um beijo em quem nunca se viu
E lá se vai...
...se vai amando torpe
...se vai trocando os pés
O corpo deitado e nu
Suor ainda nas têmporas
Foi tiro, foi pássaro, foi vento
Ninguém viu, nada se ouviu, nenhum relato
E lá se vai...
...se vai vivendo a beça
...se vai vivendo a beça
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Bianca Rezende
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sábado, 11 de julho de 2009

Carnívora, um poema de Priscila Lopes

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Não me verão torrar
em solo infértil.
— Não me verão! Não me verão!
Chove torrencialmente
e minha raiz é seca como é
meu ventre.
Suponho que estender a mão
implica em oferecer o braço
— depois de morta,
doarei meus órgãos, no máximo!
O sol de dezembro dilata-me
os poros;
o sol que cega exala
a falsa bondade nos intolerantes.
— Sol, que gente mais grávida!
Não que eu não ame
o Amor, é lindo
como a frase: clichê.
Mas em vez de gerar, basta-me
renascer.

Como as plantas após a poda,
da dor insurgem ramificadas

Mas não serei a mulher leprosa,
a planta suculenta
que dá de si doidamente.
Eu quero a palma da minha palma,
a embriaguez tão humana
do suco do meu ventre.
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Priscila Lopes é nossa leitora de Florianópolis, SC e acaba de nos enviar os seus poemas. Publicamos aqui este delicioso "Carnívora", quem quiser mais pode conferir o blog da autora aqui.
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segunda-feira, 6 de julho de 2009

Lobo Antunes no Real Gabinete Português

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REAL GABINETE PORTUGUÊS DE LEITURA
convida para encontro
com o escritor português

António Lobo Antunes

Mediação

Ângela de Carvalho Faria
e
Madalena Vaz Pinto


quinta-feira, dia 09 de julho, às 14 h.

R. Luís de Camões,30
Centro – Rio de Janeiro
Tel: (21) 2221-3138

Entrada livre

Organização
Pólo de Pesquisa sobre Relações Luso-Brasileiras
do Real Gabinete
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terça-feira, 23 de junho de 2009

O nascimento de Vênus, de Tânia Tiburzio

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Manhã de domingo, calor. Um leve incomodo no ventre. A noite havia sido agitada: sonhos e pesadelos, medo e excitação.
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Ela se levanta, uma estranha sensação percorre seu corpo, se olha no espelho demoradamente e meticulosamente. Apalpa seu corpo. Os pequenos seios se insinuam pela camisola fina. Os cabelos curtos mostram a curva do pescoço.
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Olha-se no espelho mais uma vez e se descobre bonita. Sorri.
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Os olhos faíscam, o ventre dói e ali no espelho, não mais se vê, é outra. Outras mãos, outros pés, outro ser.
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Vê-se mulher e o corpo se contrai bruscamente. Se contorce com a dor mas sorri e compreende que naquele instante morre uma e nasce outra.
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Morre a menina e nasce a mulher no sangue quente que escorre por suas pernas.
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Tânia Tiburzio
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domingo, 21 de junho de 2009

Retrato de uma Infanta, de Raquel Naveira

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Este é o retrato de uma princesa,
Uma infanta,
Que jamais foi rainha
Mas que guarda
Na palidez da face
Uma tristeza oculta,
Um sofrimento
Que a torna imortal
E santa.
O retrato da princesa,
Pequena infanta
Vestida de negro,
Diz que ela nunca se casou,
Que sucumbiu
No auge da vida
A uma febre,
A uma chama
Que a consumiu
E fechou-lhe a garganta.
O retrato da princesa,
Pobre infanta,
Mostra um corpo frágil,
Uma cabeça erguida,
Uma testa ampla,
Gerada por príncipes,
Talvez das Astúrias,
Há no seu olhar
Um fascínio que encanta.
No retrato da princesa,
Um espelho ao fundo
Devora a sua imagem,
O seu sonho de infanta.
Seria ela Margarida?
Amélia?
Maria?
Teria sido solitária,
Exilada,
Sem reino,
Sem destino,
Decapitada?
O que há nesse retrato
Que tanto me espanta?
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Raquel Naveira
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quarta-feira, 17 de junho de 2009

Uma escrivaninha “abandonada” no museu de Guimarães Rosa, por Fabiano Mafia Baião

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Num domingo do mês de abril, quando estava em Codisburgo, na casa de um grande amigo, fui ao museu de Guimarães Rosa. Acompanhava o Rodolfo e a Ruth, sendo que o primeiro fora até este para pegar sua bolsa, e assim, retornarmos à Belo Horizonte.

Na porta do museu, que é assentado na casa onde o escritor quando menino morou, postei-me a observar sua estrutura física de uma época já antiga, e que remetia aos olhos os tempos de meus avôs e das “molecagens” de Guimarães.

As portas e janelas de madeira, as hastes na parede que traziam luz, o conjunto em si embelezavam a mente na percepção da beldade vetusta, isso, me deixou com um ar de inveja, por só agora ter estado ali.

Já no interior, aproveitei para vasculhar um pouco sobre a vida do autor. Contemplei fotografias antigas na parede, em seu quarto, a cadeira de balanço que embalava sua imaginação, a cama onde muitos sonhos repousaram e na mesinha que avistei ao lado, as gravatas que o engomavam, no outro canto, o armário onde seus ternos descansavam.

Mas coleando pelos cômodos, cheguei até uma salinha onde havia uma mesa, toda de madeira, grande e de extrema lindeza, na parede só pude observar um quadro que expunha o certificado da Academia de Letras do escritor, e a data a qual este virou “imortal”, 16 de novembro (lembro-me bem desta pelo fato de se tratar do meu dia de anos). No mais, nada prendia meus olhos, pois o ar de mistério daquela escrivaninha planava por quatro paredes, e vestígios de ocultação me chamavam à atenção.

Pus-me a rodear aquela mesa, objeto que pertencia a sua biblioteca de seu apartamento no Rio de Janeiro, quando de repente bafejam em meus ouvidos: Foi em cima desta mesa que o encontraram morto! E mais tarde, já em Belo Horizonte, vim a descobrir que ele foi encontrado debruçado e já falecido pela neta, no dia 19 de novembro de 1967 na “cidade maravilhosa”, morte que adveio de um malfeitor anti-literário, o infarto.

Quando fiquei a sós no recinto, e de olhos presos em indagações de tudo que se passara naquela mesa e cadeira, notei que lágrimas escorriam da madeira, mas não eram lágrimas de tristeza pela morte do poeta, mas de saudade dos velhos tempos em que ela e o escritor eram grandes amigos, dos tempos em que os estros de Rosa eram em sua companhia transcritos, dos tempos que servia de aconchego para embalar devaneios. O poeta havia lhe abandonado, estava ali deixada às traças, e nem um outro, ousou até então, lhe dizer um poema, lhe contar uma estória, para acalentar seu pobre coração que aparava-se em desespero e agonia.

De olhos tomados pela emoção, sentia que era meu dever, não podia deixar uma agonia perdurar por mais de 42 anos, então, fui à busca nos bolsos de minha calça de um poema, era impreterível, e na minha mão, meu poema - Guimarães Rosa vive em odoríferas rosas - surgiu, e foi quando comecei a recitar que a grande Rosa, de minha boca, baforejava aquele aroma pelo cômodo e partículas de sua essência poética apascentava-se na superfície da vetusta madeira, e no reencontro com o poeta, enfim poderia viver em delírio.

Retornei para Belo Horizonte com um ar de tranqüilidade, pois o abandono, feito pela maldade do humano, havia sido suprido, não por mim, mas pela poesia que tinha a grande Rosa, pois nela, tinha um pouco de Guimarães Rosa.
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Fabiano Mafia Baião
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segunda-feira, 15 de junho de 2009

cadente, por Danilo Maia de Oliveira

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Eu fui às asas e o voou
cadente
Fui caminho entre rios
perdidos
Fui a jornada e o abrigo
Da escuridão
Ferida e consolo
Das velhas chagas
Fui mistério e desvendado
Em sua mente
Fui veneno e poção
Para teus filhos
Fui à guerra e a rendição
Da massa
Sangue lagrima e lamentação.
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Danilo Maia de Oliveira
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brincando de nada

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saltita no lago
a pedra depois submerge
dois olhos no vago
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Octávio Roggiero Neto

quarta-feira, 10 de junho de 2009

DESAFIO POÉTICO: haicai por Marcos Queiroz

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Além da fronteira
Continua sempre o mesmo
O Verde sumindo
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Marcos Queiroz
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sexta-feira, 5 de junho de 2009

Henry Miller, novo poema de Luiz Coelho

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entre as pernas, dínamo,
e diante de si, em suor, a 66,
além do desejo de atravessar,
aos arranques, a fronteira
que me traz de volta ao Pacífico,
mesmo que o meu mar esteja
vermelho (ou seja isósceles o triângulo
da bermuda de velcro e os quebra-molas
provoquem cancros) lubrifico teus trópicos
pronto pra romper primeiro
o áspero asfalto dos anos
a seco.
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Luiz Coelho
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terça-feira, 2 de junho de 2009

segunda-feira, 1 de junho de 2009

pro seu baile à fantasia, de Valquíria Rabelo

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subo escadas pra cuspir do alto
do mais alto que puder
e não sou homem,
e não masco tabaco

escavo a descida escarrando alturas
até doer
até ser delícia

amarro meu pé em minhas meias
passo boca no meu batom
pra cair na sua piscina
de terra seca e azul
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Valquíria Rabelo
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