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terça-feira, 5 de outubro de 2010
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
Antes de você acordar, por Ivan Cunnha
Queria poder fechar os olhos
E cair
Queria ser Deus
E arder
Antes de você acordar
Queria engolir minha paz
E soltar bombas
Antes de você
Seria mais fácil não ser
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Ivan Cunha
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Revista Escrita - número 11
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Neste número:
LITERATURA
. Kelvin dos Santos Falcão Klein (UFRGS)
Ficção como suplemento da história e voz do corpo: O caso Herta Müller
. Carla Victoria Albornoz (PUC-Rio)
Infância roubada: Os meninos-soldado a partir de uma leitura de Feras de lugar nenhum de Uzodinma Iweala
. Julieta Yelin (UNR-Argentina)
Escribir animales: Sobre las pequeñas prosas zoológicas de Juan José Arreola y João Guimarães Rosa
. Livia Grotto (Unicamp)
A segunda história de Respiración artificial
. Carolina Donega Bernardes (UNESP)
Entre a autoria e a redenção: Abordagens críticas acerca de Nikos Kazantzakis
. Maximiliano Linares (UNR - Argentina)
Por uma antropofagia contrapunteada: Oswald Transculturado
. Paula Aguilar (UNLP - Argentina)
Ciudad Letrada y dictadura: Los espacios em Nocturno de Chile, de Roberto Bolaño
. Milena Mulatti Magri (UNESP)
Revisão da história e testemunho no conto “Os sobreviventes”, de Caio Fernando Abreu
. Tiago Leite Costa (PUC-Rio)
Autonomia ou engajamento: A função da arte em Walter Benjamin e Nelson Rodrigues
. Isabel C. F. Auler (PUC-Rio)
As memórias de Carlos Lacerda: “só sei que não vou por aí”
. Maria Alessandra Galbiati (UNESP)
Consciência literária e posicionamento político no processo de composição de The voyage out, de Virgina Woolf
LINGUÍSTICA
. Marcia Vieira Frias (PUC-Rio)
Auto-retrato do presidente Lula: Narrativas pessoais com estratégia de construção de identidades em discurso político
. Bruno Bimbi (PUC-Rio)
Em torno da palavra matrimônio
. Cloris Porto Torquato (Unicamp)
Políticas lingüísticas, linguagem e interação social
. Janete Maria De Conto (UFSM)
Atores sociais e ações sociais em crime infame: Sobrevivi... posso contar
. Cinara Monteiro Cortez (PUC-Rio)
Gêneros e PCNS: Uma reflexão sobre os pressupostos teóricos e práticas pedagógicas no ensino da língua portuguesa
. Hellen Cristina Picanço Simas (UFPB), Regina Celi M. Pereira (UFPB)
Desafios da educação escolar indígena
RESENHAS
. Luciana Tiscoski (UFSC)
Personalidades postiças do eu: Uma leitura da Falsa memória, de Silviano Santiago
VERSO E REVERSO
. Davi Pinho (UERJ)
The Flowered Apron
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domingo, 3 de outubro de 2010
Eleição — por Gustavo Paes
X X X X X X X X X 1
Vote em mim! Não tenho voto nenhum,
Pois não sou um candidato comum!
X X X X X X X X X 2
Vote em mim! E se me esqueça depois...
X X X X X X X X X 3
É pela primeira e última vez...
X X X X X X X X X 4
Vote em mim! Eu já fiz muito teatro!
X X X X X X X X X 5
Já que não minto, pelo menos brinco...
X X X X X X X X X 6
Vote em mim! Eu nunca fui de xadrez!
X X X X X X X X X 7
Eu darei, de graça, videocassete...
X X X X X X X X X 8
(Quem não votar em mim eu só açoito...)
X X X X X X X X X 9
Só não faço chover onde não chove!
X X X X X X X X X 0
Ó, “mas era feita com muito esmero
Na rua dos bobos, número zero”!
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Gustavo Paes
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sábado, 2 de outubro de 2010
O Começo do Fim, texto de Carla Mühlhaus
Li no jornal outro dia que o filósofo italiano Giorgio Agamben acredita que, para enxergarmos o presente, não podemos estar totalmente imersos nele. Não sei se é preciso ser filósofo para saber disso. Hilda Hilst e Duchamp também sabiam essa como ninguém. Eu não sou artista nem filósofa e nem muitas outras coisas, mas confesso que já desconfiava. Não podíamos passar sem essa piada, não seria coerente. Nossos roteiristas são muito criativos e se entediam facilmente. A vida precisa ser mais difícil.
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quarta-feira, 29 de setembro de 2010
TRANSBORDAMENTO — um poema de Roberto Corrêa dos Santos
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Sábado, novembro, mil novecentos e noventa e cinco, morre, morre Deleuze.
Não, não se rompem o saber ou o movimento.
Seguem curvas os surfistas.
Doubles de interiores e exteriores.
Twistes e carnes para além dos corpos.
Ondas já antes e antes, e entre.
Deixar-se por elas agarrar-se.
Ido o mestre do surfe e do oceano, surfam aqueles sob o sol.
Face aos jovens em águas, ansiedade leve e júbilo.
Matéria e ritmo, outra maneira de pensar ali.
Frente a eles, disse o Surfeur, a filosofia está em causa.
Então porque esteve o rosto sorridente e a voz rouca, soube, de imediato soube.
Uma profundidade real na face sob ventos.
Correspondências há.
Que escrevam os que surfam.
Valham-se da arte dessa resistência.
Uma saúde precária naquele quase fim de hora? Não.
Ondas de Aquitânia tocam o apartamento em Paris.
Alguns números de Surf Session, Surfer's Journal .
Deluze lê e ri.
A cama do hospital navega.
Sonha-se com as velocidades por sobre azuis e verdes líquidos.
Tombam os organismos, jamais a vida.
E um homem, maravilhosamente exagerado na imanência do mundo, dorme.
Ondas e páginas, ondas em páginas.
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Roberto Corrêa dos Santos
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segunda-feira, 27 de setembro de 2010
Poesia Brasileira: Processos e Percursos
.Poesia Brasileira: 1980 - 2010
Processos e percursos
Local: Auditório Pe. Anchieta (PUC-Rio)
Data: 29 e 30 de setembro de 2010
Horário: 14:00 – 18:30
Concepção e Coordenação Geral:
Objetivo principal:
Programação:
29/09/2010 – quarta-feira
14:00 – 15:30
Mesa 1
Antônio Cícero
Eucanaã Ferraz
Ana Cristina Chiara
Mediação: Júlio Diniz
Intervalo
16:00 – 17:30
Mesa 2
Marcos Siscar
Marcello Sorrentino
Maria Lúcia Camargo
Mediação: Paulo Henriques Britto
18:00 – 18:30
Leitura de poemas dos seguintes autores:
Alice Sant'Anna
Ismar Tirelli Neto
Victor Heringer
Mariano Marovatto
Lucas Viriato
30/09/2010 – quinta-feira
14:00 – 15:30
Mesa 3
Heitor Ferraz
Fabrício Carpinejar
Alexandre Faria
Mediação: Ericson Pires
Intervalo
16:00 – 17:30
Mesa 4
Claudia Roquette-Pinto
Carlito Azevedo
André Monteiro
Mediação: Célia Pedrosa
18:00 – 18:30
Leitura de poemas dos seguintes autores:
Augusto de Guimaraens
Beatriz Bastos
André Capilé
Domingos Guimaraens
Dado Amaral
domingo, 26 de setembro de 2010
Carroceiro — um poema de Raquel Naveira
O carroceiro,
Homem-cavalo,
Puxa a carroça pela rua;
Será que dá dinheiro
Esse monturo de plásticos,
Papeis,
Cacos
E sucatas?
O carroceiro,
Cavalo-homem,
Chafurdou lixeiras,
Caçambas,
Em busca de metais,
Latas,
Restos de carros alegóricos,
Criou um mundo brasileiro
Que carrega às suas costas.
Lá vai o carroceiro,
Trotando,
Subindo ladeira,
Passando entre os carros;
Os olhos ardem,
O estômago pesa,
Engole fumaça,
Tudo nebuloso
Em meio ao chuvisqueiro.
Lá vai o carroceiro:
Bermuda,
Boné,
Camisa xadrez
Colada ao corpo;
Mal-estar
De viver assim,
Preso por ferros
A uma carroça,
Seu cativeiro.
Lá vai o carroceiro:
Dor nas pernas,
Nos joelhos,
Caminha rumo à favela,
Cortada por trilhos,
O trem passa,
As garrafas tremem,
Seu destino é de andadeiro.
Lá vai o carroceiro:
Empapado de suor
E gotas de esperança,
Logo virá a noite,
Quente,
Cheia de mosquitos
E sonhos de cachaceiro.
Lá vai o carroceiro,
Entre os entulhos
Esconde a faca,
A foice,
Porque há de se defender
Dos roubos,
Das armadilhas
Dos embusteiros.
Lá vai o carroceiro,
Disputa espaço
Entre as buzinas e as guinadas,
Ouve estranhas risadas
Que sobem dos bueiros.
Lá vai o carroceiro
Entre luzes
E gases,
O cheiro é acre
E escorre óleo no aguadeiro.
Alguém quase o atropela,
Xinga-o de maconheiro,
Ele cospe saliva verde,
Rumina a tristeza:
De quem será herdeiro?
Do homem?
Do cavalo?
Do tráfico negreiro?
Puxa carroça,
O carroceiro.
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Raquel Naveira
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sábado, 25 de setembro de 2010
A pequena chama — poema de Juana de Ibarbourou traduzido por Miguel Del Castillo
Eu sinto um amor selvagem pela luz.
Cada pequena chama me encanta e me ultrapassa.
Não é cada lume um cálice que conduz
O calor das almas que encontra em sua jornada?
Algumas são pequenas, azuis, tremelicantes,
Iguais às almas taciturnas e bondosas.
Outras são quase brancas: lírios fulgurantes.
Outras, quase vermelhas: espíritos de rosas.
Respeito e adoro a luz como se fosse inteira
Uma coisa viva, que sente, que medita,
Um ser que nos contempla, transformado em fogueira.
Assim, quando morrer, hei de ser, a seu lado,
Uma pequena chama de doçura infinita
Em suas noites longas de amante desolado.
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Juana de Ibarbourou
("La pequeña llama", in Lenguas de diamante. Montevidéu, 1919.)
Tradução de Miguel Del Castillo
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La pequeña llama
Yo siento por la luz un amor de salvaje.
Cada pequeña llama me encanta y sobrecoge.
No será, cada lumbre, un cáliz que recoge
El calor de las almas que pasan en su viaje?
Hay unas pequeñitas, azules, temblorosas,
Lo mismo que las almas taciturnas y buenas.
Hay otras casi blancas: fulgores de azucenas.
Hay otras casi rojas: espíritus de rosas.
Yo respecto y adoro la luz como si fuera
Una cosa que vive, que siente, que medita,
Un ser que nos contempla transformado en hoguera.
Así, cuando yo muera, he de ser a tu lado,
Una pequeña llama de dulzura infinita
Para tus largas noches de amante desolado
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quarta-feira, 22 de setembro de 2010
2º Prêmio Paulo Britto de Prosa e Poesia
INSCRIÇÕES
As inscrições serão realizadas até o dia 27 de setembro de 2010. O tema é livre e cada autor poderá submeter somente um texto por categoria. As categorias são: CATEGORIA PROSA (CONTO E CRÔNICA) e CATEGORIA POESIA.
Os textos devem ser inéditos e escritos em língua portuguesa, digitados em papel tamanho A4, em apenas uma das faces do papel e com as seguintes características:
PROSA: Os autores deverão utilizar fonte Times New Roman tamanho 12, com espaçamento 1,5 entre as linhas e todas as margens medindo 3 cm. Os contos não poderão ultrapassar o limite de 4 (quatro) páginas.
POESIA: Os autores poderão utilizar qualquer tipo de fonte, diagramação e espaçamento, desde que o texto não ultrapasse o limite de 2000 caracteres (sem considerar os espaços em branco).
É obrigatório o uso de pseudônimo, que deverá constar ao final do texto. Os textos inscritos nas CATEGORIAS PROSA E POESIA devem ser apresentados em 4 (quatro) vias cada.
PRÊMIO PAULO BRITTO DE PROSA E POESIA
Rua Marquês de São Vicente, 225
Edifício Padre Leonel Franca. 3º andar.
Gávea – Rio de Janeiro
PREMIAÇÃO
A ser divulgada.
PUBLICAÇÃO DOS TEXTOS FINALISTAS
Os textos finalistas serão publicados imediatamente no blog do Jornal Plástico Bolha e, assim que possível, no formato impresso em uma edição do Jornal Plástico Bolha. Os autores premiados com a publicação de seus textos deverão assinar um termo autorizando a publicação nos referidos blog e jornal e cedendo os direitos autorais para esta edição. Os direitos não são exclusivos e os autores ficam livres para publicar esses textos onde desejarem após a divulgação do resultado.
Outros itens poderão ser acrescidos à premiação, a critério dos organizadores do Prêmio e de eventuais parceiros ou patrocinadores.
COMISSÃO JULGADORA
Os textos inscritos serão avaliados por uma comissão formada por três professores do Departamento de Letras e por dois alunos bolsistas do PET-Let. A comissão é soberana e suas decisões são irrecorríveis, podendo inclusive decidir por não premiar os trabalhos inscritos.
RESULTADO
Os autores finalistas nas duas categorias serão comunicados até o dia 22 de outubro para que possam confirmar sua presença no local da premiação, que será realizada no encerramento da IX Semana de Letras, dia 28 de outubro de 2010.
DISPOSIÇÕES GERAIS
As inscrições implicam em plena concordância com os termos deste regulamento. Estão impedidas de concorrer pessoas diretamente envolvidas com a organização da IX Semana de Letras e com a organização do Prêmio este ano. Os inscritos que não atenderem às especificações deste regulamento serão desclassificados. Os textos enviados não serão devolvidos.
terça-feira, 21 de setembro de 2010
sexta-feira, 17 de setembro de 2010
Viagem sonora — poema de Carolina Sims
No dilúvio de águas frias,
Dançavam as medusas-da-lua, poetisas,
Leves em simetria radial,
Desiludidas em tamanho
Transbordamento.
A água longa que delas brotava,
Como lágrima desgarrada dos olhos,
Compunha poesias em meu mar infiltrado.
Que vendaval aquático percorre seus corpos
Transparentes;
Suas coroas de tentáculos prateados?
Somente sinos e estrelas cadentes,
Perfuravam suas rimas aquáticas.
Maré alta...
As medusas rasas, profundas, líricas,
Costuravam-se ao canto do mar, sem intento.
Sozinhas no burburinho do mar,
Entre peixes brilhosos e corais estrelados...
Na demasia de meu pensamento.
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Carolina Sims
terça-feira, 14 de setembro de 2010
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
Alguns versos por Ricardo Fernandes
Não me embriago por incapacidade física
Não me incluo, por incapacidade ideológica
Reconheço na indignação, o cedro.
Na consciência, uma coroa.
O sentido é uma batalha.
A glória é parir o amor.
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Ricardo Fernandes
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quinta-feira, 9 de setembro de 2010
segunda-feira, 6 de setembro de 2010
domingo, 5 de setembro de 2010
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
Versos eróticos — por Marina V. Medeiros
In memoriam de Arnaldo V. Medeiros
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I.
Nas curvas do meu corpo
Tuas mãos tangem
Frêmitos pré-orgásticos
Tuas mãos abrem meu corpo
Para a entrada do teu
Tuas mãos
Donas do meu gozo
Cúmplices do meu desejo
II.
Meus lábios buscam teus beijos
E descem sôfregos atrás
Do jorro do teu corpo
Néctar do nosso desejo
III.
Nossa cama
Arena de nossos
Embates acrobáticos
Guarda os segredos
E o perfume
Do nosso amor
IV.
Dás à outra o que me pertence...
Uma sombra de culpa
Perpassou em teu olhar
Enquanto sussurravas: "perdoa".
Tuas mãos em concha colhem meus seios
E as brumas do ciúme e da mágoa
Esvaindo-se deixam ver
Teu membro hirto e fremente no qual monto
E num coito a galope
Tombo em teu peito arfante
Balbuciando: "amor, eu te perdoo".
V.
Nossos lábios presos num beijo ardente se separam
E tua língua, qual cobra ondulante, rasteja
Pelo meu corpo até a minha fenda aberta
Onde entra.
Teu membro pende qual teta enorme
Que empunho e, em movimentos rápidos de ordenha,
Faço jorrar teu sêmen que sugo
Com avidez.
Enquanto dois orgasmos
Violentos e simultâneos
Nos deixam semidesfalecidos.
VI.
Em fim.....
O casal de amantes
Entrelaçados com ternura
Seus desejos sexuais saciados
Sentem uma onda avassaladora
Invadir suas almas
De um profundo e imensurável amor.
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Marina V. Medeiros
Marina V. Medeiros é, na realidade, Marina Leão Teixeira Viriato de Medeiros. Viúva. 82 anos. Mãe de 8 filhos. Avó de 13 netos. Bisavó de um casal. Depois de viúva, resolveu botar por escrito as coisas que durante toda a vida pensou em escrever e não teve coragem.
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quinta-feira, 2 de setembro de 2010
Blow-up — texto de Paulo Henrique Motta
Paulo Henrique Motta
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quarta-feira, 1 de setembro de 2010
terça-feira, 31 de agosto de 2010
Fábrica — um poema de Laura Liuzzi
.Enquanto fabrica seu elefante
forjo a grafite uma cigarra
em momento final:
o coro e a couraça.
Componho sua aspereza
com eletricidade
das asas prismáticas
aos olhos de galáxia.
Registro nas patas
desesperada fixidez
- âncoras
para quem não quer partir.
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Laura Liuzzi
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segunda-feira, 30 de agosto de 2010
Homenagem à Profa. Claudia Castro
Saparada — poema de Breno Coelho
Tem sapos que não lavam
os pés
a vergonha da cara
só lavam as mãos
tem sapos que viram
príncipes
princípios
os sapos bois
bóiam
os sapos cururus
jururus com a vida
se bolam
tem sapos que cantam
mais do
que
pulam
tem sapos que pulam
mais do
que
cantam
sapiência
sapos cientes
se preocupam com
a sua condição de anfíbio
tem sapos querendo
estrelato
sapos cacos
sapu-caí
sapos arteiros
sapateiros
outros querendo ser
pererecas
rãs
saporra
Todos os sapos
do Mario de Andrade
se ocupam com a forma
não querem reforma
separados de sua coletividade.
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Breno Coelho
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terça-feira, 24 de agosto de 2010
CEP 20.000 = Comemoração de 20 anos!
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O CEP quer comemorar com todos que por lá passaram e vão passar esses e os próximos vinte anos:
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Entre a hermenêutica da academia e o mais do mesmo da cultura de massa, o CEP, há 20 anos, cavou sua trincheira volátil. CEP 20.000: o que as escolas não conseguem ser, por medo ou acomodação dos mestres desse mundo em suspensão. CEP 20.000: ponte sobre campo minado, de muros, guetos e redutos de poder. CEP 20.000: encubadora de indivíduos inquietos, que insistem em se comunicar ao vivo e a cores nesse mundo digital. CEP 20.000: celeiro de poetas, viveiro de artistas e músicos, turbilhão de inventores. CEP 20.000: experimentação de outro projeto educacional onde o não da lugar ao sim. Incluindo, incluindo, incluindo. CEP 20.000 : em 20 anos são 3, 4 gerações de artistas, que lá, vão buscar o que não há nas escolas, na televisão ou no google. CEP 20.000: beijo de língua na língua, um brinde a todos os que fazem de sua arte uma investigação para sintonizar a melhor maneira de ver, ouvir e escrever esse mundo mutante vertigem.
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O CEP faz 20 anos. voilá!
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
domingo, 22 de agosto de 2010
educação sentimental — de Jovino Machado
como abortar um amor
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não é uma lição
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que pode ser estudada na biologia
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mas pode ser apreciada
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em qualquer antologia
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Jovino Machado
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sexta-feira, 20 de agosto de 2010
a bordo — um poema de Diana Sandes
esse ônibus até parece uma carroça
sopra o trocador irritado
por entre as geladas barras de ferro
e aquela moça, tão demorada
indo pelo infinito corredor prateado
é como um bicho preguiça
quando quer descer da árvore
as janelas abertas: mil passagens
por onde eu talvez fosse
minhas pálpebras aos poucos despencam
são duas bigornas
até que os cílios se encontrem
selando união, trocando juras de amor
eu consinto a ousadia destes meus
e cansada, falo baixinho
feito cochicho pra dentro:
só queria que esse banco fosse
uma cama, uma onda, um corpo
um acalanto qualquer
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Diana Sandes
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quarta-feira, 18 de agosto de 2010
Desafio Poético 'Amores Vagos': Homenagem
Precisamente agora
sem atinar por que nem como
repleto de sentido
conquanto vago e longo
é cãimbra nos meus braços
o tanto querer firmar um abraço
contra o que, presente, segue desde sempre
e o sempre é nada
e o presente um facto
que ileso escapa
aos meus olhos (os perseguidores)
de incomensurável alcance
.
Precisamente agora
dentro da costa Oeste do meu peito
também o Lado Esquerdo
submarinos assombram o baile dos cardumes
e um seixo entressonhado
sabe-se de onde vindo!
empurra uma carga amorosa
como se eu, o poeta,
o retivesse entre os dedos
mas estes nada tocam, nada
e o nada é sempre, ou fora?
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Precisamente agora
talvez sem Ser, eu sinto
a rocha dividida. Feliz quem
se contenta com a cabida
parcela de amor que tem.
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Danilo Diógenes
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terça-feira, 17 de agosto de 2010
ATÉ QUANDO? — de Gustavo Guimaraes
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
FILHO, um poema de Pedro Du Bois
Eu, filho imprevisto
do outono faço desabar
mistérios e dos céu
sem acometimento
rasgo espaços e me faço
alegre ao desgaste: estar
preciso na estação derradeira
.
..........eu, filho inaudito
..........acometido em vida
..........desvisto os olhos
..........e nego enxergar
..........ao longe o horizonte.
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Pedro Du Bois
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sábado, 14 de agosto de 2010
Glória
um amor passageiro
de tremores subterrâneos
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levou-me as palavr...as
poltronas vazias
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poemas de coleção
na bagagem de dotes
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solto e perdido
numa estação
errada.
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Braulio Coelho
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sexta-feira, 13 de agosto de 2010
Ver a cidade — de Erick Moraes
Ver de verdade.
Ver da deformação de verde
É ver melhor, evolução.
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Verde Verdade.
Verdade: formação de verde
É vermelho revolução.
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Erick Moraes
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NAVEGANDO PELA PÓS-VIDA PESSOAL DE UM DESBRAVADO ALUNO DE PÓS
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
Negros olhos — um poema de Fernando Brum
Negros olhos
Tudo em mim
Sopros das nuvens
Todas de píneas.
Rochedo em ares
Livre dos meus
Todos os sonhos
Quebram aqui.
Lúridas penas
Que agora voam
Dissipam no ar
Na época lívida.
Pobres afoitos
Perdidos em caos
Sobram nas noites
Em pleno inverno.
Sabor de chumbo
Teu rosto virado
Enlaçam meus pés
Livres de tudo.
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Fernando Brum
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"do artista quando jovem" de volta ao Rio
quarta-feira, 11 de agosto de 2010
Pureza: uma alegoria brasileira
tão sem relevo, que não merece isso. Se escrevo
estas impressões, é mais para tomar o meu tempo.
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terça-feira, 10 de agosto de 2010
Wilmar Silva e Francesco Napoli em BH!
.Aflitos — um texto de Marcus Paulo Eifflê
A aflição é um formigamento de incerteza e temor. Qualquer despreparo para a espera fria e calculada de uma ideia que se faz sobre uma condição não pretendida que a mente faz iminente e as formigas sobem nosso corpo, transformando a inquietação numa sensação horrível, onde só uma boa distração é capaz de aliviar ou mesmo suplantar o mal crescente. Como, por exemplo, a execução de técnicas manuais apaziguadoras aos nervos sobre o corpo aflitivo praticadas por um símbolo sexual desses da moda. Ou uma sessão de massoterapia, que é o que eu quero dizer.
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Marcus Paulo Eifflê
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segunda-feira, 9 de agosto de 2010
Íris — um poema de Ana Salek
Das pisadas secas, fundas
Dessa gente pacata, ora besta
Compreende o firmamento
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Das montanhas corcundas
Instaladas sobre o cimento
Medita o vento, a brisa incesta
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Da luz do poste pendurado
Que avança sobre a cabeça,
Dessa vislumbra o olho:
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Uma bola de gude grudenta
(onde tudo a quê se manifesta)
Pende, ainda, instalada no osso.
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Ana Salek
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sexta-feira, 6 de agosto de 2010
poética política nacional (terra prostituída)
invadindo mitologias bárbaras, Júpter
interagiu por mais uma Deusa ancestral
imaculada; usando seu clarão fálico
logo fecundou-a por trás e pela frente,
moeu os grãos férteis da divindade.
colheu fruto vasto pro seu pantheòn
restrito; temperou-o na arrebentação,
e cantou uma ode a navegantes perdidos.
sua solução foi rasgar-lhe o útero e
espreitar o ventre, espetar nas costas,
deslocar a bacia e queimar os joelhos,
atar-lhe os pulsos finos a um arreio
sem fronteiras e esperar que a mata,
sobre o corpo, preparasse a nação.
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Pedro Silva Bastos
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quinta-feira, 5 de agosto de 2010
reversão: provocação emulada de poesia demais pra pouco riso
pássaro de cenário, carrega um plumário mudo.
se foi começo a marca de um dia ido, começo
é passado, não siga. barro anterior: monumento
de palavra presa; filho do primeiro ato: ponta-seca.
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a imagem fácil de um fim de tarde cinza,
com a cor da gema estalada, faz do acidente
o trivial toque – que não vem e mata – o
co-movimento de opalas separadas no plano
vazio do belo inútil. ainda verde, a câmera
oferecida à vaidade do ofício (todo excesso
é notado, excelsa é a parca monta do recheio)
mostra queda caiada do risco: trinca-vidro.
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cortada de branco e rente, permuta do entre
no vão do verso, a mão só sabe das coisas
simples. teatra uma metáfora dura, feita só
de unhas: delírio essencial da pedra gasta,
máscara na nulidade do cume, a palavra
do poeta é uma arma sem disparo: nem zune.
André Capilé
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André Capilé é um dos organizadores do evento Eco - Performances Poéticas, em Juiz de Fora, e também participou das últimas edições do CEP 20.000. Seu poema Inversões foi publicado na atual edição #28 do Jornal Plástico Bolha. Falando nisso, amanhã tem Eco - Performances Poéticas com Dado Amaral, Beatriz Bastos, Ana B. e Tatiana Franca. Veja mais abaixo!
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Amanhã: ECO - Performances Poéticas, em JF
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
Homenagem à professora Claudia Castro
por Claudia Castro
Comecei a ensinar ainda menina. Primeiro, para as almofadas de meu quarto de criança. Depois, quando apenas alguns anos me separavam dos olhos curiosos que tinha a minha frente. Passados quinze anos como professora nesta universidade, talvez possa perguntar: o que é ensinar filosofia? Há uma grande diferença entre o ensino que hoje realizo e minha brincadeira infantil de falar com as almofadas? Não seria esse prazer primevo a antecipação, já a elaboração da tarefa que um dia iria realizar e à qual dedicaria minha vida inteiramente? Hoje vejo que sim. Porque no trabalho de formação filosófica não é o conteúdo o que mais importa, aquilo que podemos chamar de saber e que traz consigo, freqüentemente, um poder mutilante e nefasto. Em seu sentido mais elevado, ensinar filosofia (se isto é possível) é, ao mesmo tempo, ter o privilégio de viver e suscitar uma experiência de parada, de interrupção no curso das atividades práticas e automáticas de nossas vidas, para que um pouco de ar fresco, livre, possa atravessar.
Ensinar é, antes de tudo, amar. Entrar num movimento em que nos despojamos de tudo que nos caracteriza como um sujeito pequeno, “humano demasiado humano”, nas palavras de Nietzsche, e, nessa abertura, pensar-com, pensar junto aos espíritos com os quais o acaso nos colocou em relação. Espíritos que também se abrem para o pensamento que, de fora, os transforma, irreversivelmente.
Assim, o trabalho do professor – que se inicia do zero a cada vez que ele adentra o espaço sagrado da sala, com as carteiras e a sua mesa, o quadro e o giz – se assemelha ao de um baloeiro que ensaia fazer subir um balão. Pois uma aula é como um balão. Se é boa, nos leva ao céu, para além de nós mesmos, até o reino mais perfeito da liberdade. Quando o balão consegue subir? Ele sobe se, inexplicavelmente, tanto o professor quanto os alunos, encantados com a magia misteriosa das palavras, tocam o insondável: a pergunta, sem resposta, sobre o sentido de nossas vidas.
terça-feira, 3 de agosto de 2010
Editora Oito e Meio: Antologia do Plástico!
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No momento, estamos preparando três projetos que são, na realidade, três antologias: duas que contemplam os seis anos do Jornal literário Plástico Bolha, que é, hoje, já uma referência nacional da produção literária contemporânea; e uma terceira, que irá reunir oito poetas atuantes que, entretanto, não tiveram, ainda, a oportunidade de lançar seu primeiro livro. Já estamos começando a pensar também em quais serão os primeiros livros a serem lançados no ano que vem. Temos já alguns originais prontos sobre canção brasileira que, provavelmente, despertarão interesse de outros públicos também.
Banho de Língua: Fotos do PB no CEP 20000!
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segunda-feira, 2 de agosto de 2010
PLÁSTICO BOLHA #28 — É INVOLUNTÁRIO...
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BEATRIZ BASTOS + ANGELO ABU + HEINZ LANGER + CLARA BALBI +
domingo, 1 de agosto de 2010
Jornal Plástico Bolha invadindo Tiradentes!
sábado, 31 de julho de 2010
Desafio Poético: platônico
o bilhete de amor
tão contido
na caligrafia miúda
perdeu-se num bolso
na lavanderia dos sanchez
— os borrões azulados
do papel alvejado
em pedacinhos, tão poeticamente
foram-se
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foi-se também
a lavanderia
tampouco ficaram
os sanchez
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tampouco ficou
qualquer resquício da timidez
dos olhares
qualquer um
dos ônibus circulares
e daquele fim alaranjado de uma tarde em abril
qualquer pedaço de pano
de horas a fio
noites em claro
- qualquer coisa que lembrasse
a antiga possibilidade
de um caso de amor
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Bruno Nascimento de Abreu.
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segunda-feira, 26 de julho de 2010
CEP20000 > Plástico Bolha > Banho de Língua
.PLÁSTICO BOLHA: BANHO DE LÍNGUA
Antonio Mattoso + Isabel Wilker + Lucas Viriato














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