terça-feira, 5 de outubro de 2010

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Antes de você acordar, por Ivan Cunnha

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Antes de você acordar
Queria poder fechar os olhos
E cair
Antes de você acordar
Queria ser Deus
E arder

Antes de você acordar
Queria engolir minha paz
E soltar bombas

Antes de você
Seria mais fácil não ser
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Ivan Cunha
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Revista Escrita - número 11

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Uma nova edição acaba de ser lançada, com artigos, resenha e conto dos alunos de pós-graduação em letras da PUC-Rio e de outras universidades.

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Neste número:

LITERATURA

. Kelvin dos Santos Falcão Klein (UFRGS)
Ficção como suplemento da história e voz do corpo: O caso Herta Müller

. Carla Victoria Albornoz (PUC-Rio)
Infância roubada: Os meninos-soldado a partir de uma leitura de Feras de lugar nenhum de Uzodinma Iweala

. Julieta Yelin (UNR-Argentina)
Escribir animales: Sobre las pequeñas prosas zoológicas de Juan José Arreola y João Guimarães Rosa

. Livia Grotto (Unicamp)
A segunda história de Respiración artificial

. Carolina Donega Bernardes (UNESP)
Entre a autoria e a redenção: Abordagens críticas acerca de Nikos Kazantzakis

. Maximiliano Linares (UNR - Argentina)
Por uma antropofagia contrapunteada: Oswald Transculturado

. Paula Aguilar (UNLP - Argentina)
Ciudad Letrada y dictadura: Los espacios em Nocturno de Chile, de Roberto Bolaño

. Milena Mulatti Magri (UNESP)
Revisão da história e testemunho no conto “Os sobreviventes”, de Caio Fernando Abreu

. Tiago Leite Costa (PUC-Rio)
Autonomia ou engajamento: A função da arte em Walter Benjamin e Nelson Rodrigues

. Isabel C. F. Auler (PUC-Rio)
As memórias de Carlos Lacerda: “só sei que não vou por aí”

. Maria Alessandra Galbiati (UNESP)
Consciência literária e posicionamento político no processo de composição de The voyage out, de Virgina Woolf

LINGUÍSTICA

. Marcia Vieira Frias (PUC-Rio)
Auto-retrato do presidente Lula: Narrativas pessoais com estratégia de construção de identidades em discurso político

. Bruno Bimbi (PUC-Rio)
Em torno da palavra matrimônio

. Cloris Porto Torquato (Unicamp)
Políticas lingüísticas, linguagem e interação social

. Janete Maria De Conto (UFSM)
Atores sociais e ações sociais em crime infame: Sobrevivi... posso contar

. Cinara Monteiro Cortez (PUC-Rio)
Gêneros e PCNS: Uma reflexão sobre os pressupostos teóricos e práticas pedagógicas no ensino da língua portuguesa

. Hellen Cristina Picanço Simas (UFPB), Regina Celi M. Pereira (UFPB)
Desafios da educação escolar indígena

RESENHAS
. Luciana Tiscoski (UFSC)
Personalidades postiças do eu: Uma leitura da Falsa memória, de Silviano Santiago

VERSO E REVERSO
. Davi Pinho (UERJ)
The Flowered Apron
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domingo, 3 de outubro de 2010

Evento Turbilhão Poético em Laranjeiras!

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Eleição — por Gustavo Paes

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X X X X X X X X X 1
Vote em mim! Não tenho voto nenhum,
Pois não sou um candidato comum!

X X X X X X X X X 2
Vote em mim! E se me esqueça depois...

X X X X X X X X X 3
É pela primeira e última vez...

X X X X X X X X X 4
Vote em mim! Eu já fiz muito teatro!

X X X X X X X X X 5
Já que não minto, pelo menos brinco...

X X X X X X X X X 6
Vote em mim! Eu nunca fui de xadrez!

X X X X X X X X X 7
Eu darei, de graça, videocassete...

X X X X X X X X X 8
(Quem não votar em mim eu só açoito...)

X X X X X X X X X 9
Só não faço chover onde não chove!

X X X X X X X X X 0
Ó, “mas era feita com muito esmero
Na rua dos bobos, número zero”!
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Gustavo Paes
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sábado, 2 de outubro de 2010

O Começo do Fim, texto de Carla Mühlhaus

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Li no jornal outro dia que o filósofo italiano Giorgio Agamben acredita que, para enxergarmos o presente, não podemos estar totalmente imersos nele. Não sei se é preciso ser filósofo para saber disso. Hilda Hilst e Duchamp também sabiam essa como ninguém. Eu não sou artista nem filósofa e nem muitas outras coisas, mas confesso que já desconfiava. Não podíamos passar sem essa piada, não seria coerente. Nossos roteiristas são muito criativos e se entediam facilmente. A vida precisa ser mais difícil.
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Devo seguir na contramão do italiano, no entanto. Decidi mergulhar no presente e tentar entendê-lo, tarefa que foi sempre muito difícil. Principalmente lendo os jornais todos os dias pela manhã, misturando cafeína com o chumbo das manchetes chicletes. Manchete chiclete é aquela que faz uma pastinha puxa-puxa com o cérebro e nos dá de aperitivo o gostinho de saber do que se trata. Mas a comida é sempre falsa, não tem nada de autêntico e ainda corrói os dentes por dentro sem que a gente perceba – quando menos se espera, comendo um trivial pãozinho pela manhã, eles caem sem a menor cerimônia. E antes de você se desdentar é um tal de kani se fazendo de lagosta, jaca virando estrogonofe de frango e tantas outras contrafações que vocês não seriam capazes de imaginar. Essa do estrogonofe de jaca é coisa de vegetariano e as intenções são até boas, mas vai dizer isso para o estômago.
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Vejamos. Li também que um historiador inglês disse que, a não ser que mudemos algumas coisas, estaremos no Começo do Fim. Não sei bem de que coisas ele estava falando, mas sem dúvida o aquecimento do planeta devia estar incluído. Ao que tudo indica nossas próximas gerações vão viver num grande e redondo microondas, portanto a preocupação me parece legítima.
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Também houve quem dissesse que vivemos uma época de indiferença em relação ao pensamento. É que a velocidade da revolução tecnocientífica é tão grande que o pensamento simplesmente não consegue acompanhar as transformações. Isso é o que sempre digo quando querem me empurrar uma novidade tecnológica. Quando finalmente consigo ler o manual e aprender as funções básicas do novo e milagroso aparelho-feito-para-facilitar-a-vida, ele já está obsoleto há tempos. Então sobra o problema do descarte, de onde jogar fora bateria. E ninguém diz como varrer os neurônios que vão caindo pela casa. Esses ficam lá, grudados no rodapé, pedindo um aspirador de última geração, daqueles que desintegram os ácaros e de brinde esterilizam sua aura. Custam 5 mil reais, podem ser pagos em dez prestações e você ainda concorre a uma expedição antropológica a uma comunidade Amish.
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Tive um professor que dizia estarmos vivendo uma época de puro empilhamento de objetos. Ele disse isso há mais ou menos uma década, então é plausível acreditar que hoje o empilhamento cutuque a estratosfera. Lembro de um romance que li na adolescência e do qual não recordo o título (esses são os que mais ficam): era a história de uma mulher que queria largar tudo, família e mobília. Num desejo irrefreável de viver apenas com o peso de uma mala de mão, ela passava os dias colocando as cadeiras da sala de jantar na calçada, com a esperança de a coleta levá-las. Nunca manifestei tanta solidariedade por um personagem. Eu era só uma adolescente cheia de espinhas mas sabia exatamente o que aquela mulher estava sentindo. Não me lembro, mas quando acabei de ler o livro devo ter arrumado o meu quarto. Devo ter jogado muita coisa fora, mas a vontade mesmo era de que tudo evaporasse no espaço. Minha mãe deve ter ficado feliz e concluído que eu estava amadurecendo. De certa forma ela tinha razão. Sobrou-nos isso de muito humano: ainda é com angústia que amadurecemos.
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Minha angústia é razoável e portanto imagino que minha idade interna esteja pra lá dos 50. Camuflada no corpinho que ainda resiste nas aulas de yoga está uma velha encarquilhada, enrugada e rabugenta. Dizem que os idosos acordam cedo, mas essa velha acorda tarde e mal. Ao meio-dia ainda está ruminando as manchetes. Um problema esse das manchetes. Foi por isso que ela decidiu largá-las e estudar outras fontes. Foi aí que ela começou a vasculhar melhor o presente. Pobre velha.
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Antes disso, antes de arranhar a garganta: quando percebeu que o poder das manchetes era algo tóxico, como os psicólogos americanos adorariam falar, pensou num experimento social. Ligou para um amigo diretor de TV e sugeriu que dois voluntários, alfabetizados mas não muito cultos, mundanizados mas nem tanto, atentos mas não alertas, topassem a seguinte experiência: que viessem para a cidade grande e ficassem sozinhos, cada um numa casa, por um mês. O voluntário 1 teria à disposição, como fonte de leitura e portal para o mundo, apenas um determinado jornal. O voluntário 2 não teria acesso a esse jornal, mas poderia usufruir de revistas culturais, artigos científicos e o melhor da literatura brasileira. A idéia inicial proibia a televisão mas como a idéia estava sendo passada a um diretor de TV, a velha achou por bem incluí-la na rotina. Duas horas de televisão liberadas por dia, desde que fossem cumpridas as duas horas de leitura obrigatórias. A escolha do que ler era livre: o 1 poderia escolher qualquer seção do jornal, enquanto o 2 poderia escolher qualquer livro, revista ou artigo. Cumprida a única obrigação do dia, ambos eram liberados para sair às ruas e conhecer a cidade. Também seria permitido conversar com quem bem quisessem. Ao final do dia, eles dariam suas impressões. E assim seria possível comparar as diferenças de visão de mundo entre o voluntário dependente das manchetes e o voluntário de repertório mais generoso.
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A idéia foi considerada esdrúxula, o amigo diretor de TV nunca mais convidou a velha para seus aniversários na cobertura e ela nunca pôde saber qual seria o resultado do experimento. Mas tinha a certeza de que seria o melhor BBB de todos os tempos.
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Carla Mühlhaus
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quarta-feira, 29 de setembro de 2010

TRANSBORDAMENTO — um poema de Roberto Corrêa dos Santos

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para o amigo Alberto Pucheu
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Não, não sai do poço a ideia.
Sábado, novembro, mil novecentos e noventa e cinco, morre, morre Deleuze.
Não, não se rompem o saber ou o movimento.
Seguem curvas os surfistas.
Doubles de interiores e exteriores.
Twistes e carnes para além dos corpos.
Ondas já antes e antes, e entre.
Deixar-se por elas agarrar-se.
Ido o mestre do surfe e do oceano, surfam aqueles sob o sol.
Face aos jovens em águas, ansiedade leve e júbilo.
Matéria e ritmo, outra maneira de pensar ali.
Frente a eles, disse o Surfeur, a filosofia está em causa.
Então porque esteve o rosto sorridente e a voz rouca, soube, de imediato soube.
Uma profundidade real na face sob ventos.
Correspondências há.
Que escrevam os que surfam.
Valham-se da arte dessa resistência.
Uma saúde precária naquele quase fim de hora? Não.
Ondas de Aquitânia tocam o apartamento em Paris.
Alguns números de Surf Session, Surfer's Journal .
Deluze lê e ri.
A cama do hospital navega.
Sonha-se com as velocidades por sobre azuis e verdes líquidos.
Tombam os organismos, jamais a vida.
E um homem, maravilhosamente exagerado na imanência do mundo, dorme.
Ondas e páginas, ondas em páginas.
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Roberto Corrêa dos Santos
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segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Poesia Brasileira: Processos e Percursos

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Poesia Brasileira: 1980 - 2010
Processos e percursos


Local: Auditório Pe. Anchieta (PUC-Rio)
Data: 29 e 30 de setembro de 2010
Horário: 14:00 – 18:30

Concepção e Coordenação Geral:
Júlio Diniz e Paulo Henriques Britto

Objetivo principal:
O Seminário Poesia Brasileira – 1980-2010. Processos e percursos pretende discutir tendências e transformações da poesia brasileira nas últimas três décadas, pensando a sua produção em diálogo com as tradições que a antecederam. Para que a discussão seja mais ampla e produtiva, convidamos poetas, pesquisadores, professores e críticos para debater a questão a partir de distintas percepções e leituras. Em diálogo com os críticos, os poetas convidados deverão refletir sobre seu próprio trabalho em relação ao de seus contemporâneos e ao dos poetas das gerações anteriores que são, a seu ver, os mais relevantes para uma compreensão do momento presente.

Programação:

29/09/2010 – quarta-feira

14:00 – 15:30
Mesa 1
Antônio Cícero
Eucanaã Ferraz
Ana Cristina Chiara
Mediação: Júlio Diniz

Intervalo

16:00 – 17:30
Mesa 2
Marcos Siscar
Marcello Sorrentino
Maria Lúcia Camargo
Mediação: Paulo Henriques Britto

18:00 – 18:30
Leitura de poemas dos seguintes autores:
Alice Sant'Anna
Ismar Tirelli Neto
Victor Heringer
Mariano Marovatto
Lucas Viriato


30/09/2010 – quinta-feira

14:00 – 15:30
Mesa 3
Heitor Ferraz
Fabrício Carpinejar
Alexandre Faria
Mediação: Ericson Pires

Intervalo

16:00 – 17:30
Mesa 4
Claudia Roquette-Pinto
Carlito Azevedo
André Monteiro
Mediação: Célia Pedrosa

18:00 – 18:30
Leitura de poemas dos seguintes autores:
Augusto de Guimaraens
Beatriz Bastos
André Capilé
Domingos Guimaraens
Dado Amaral
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domingo, 26 de setembro de 2010

Carroceiro — um poema de Raquel Naveira

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O carroceiro,
Homem-cavalo,
Puxa a carroça pela rua;
Será que dá dinheiro
Esse monturo de plásticos,
Papeis,
Cacos
E sucatas?

O carroceiro,
Cavalo-homem,
Chafurdou lixeiras,
Caçambas,
Em busca de metais,
Latas,
Restos de carros alegóricos,
Criou um mundo brasileiro
Que carrega às suas costas.

Lá vai o carroceiro,
Trotando,
Subindo ladeira,
Passando entre os carros;
Os olhos ardem,
O estômago pesa,
Engole fumaça,
Tudo nebuloso
Em meio ao chuvisqueiro.

Lá vai o carroceiro:
Bermuda,
Boné,
Camisa xadrez
Colada ao corpo;
Mal-estar
De viver assim,
Preso por ferros
A uma carroça,
Seu cativeiro.

Lá vai o carroceiro:
Dor nas pernas,
Nos joelhos,
Caminha rumo à favela,
Cortada por trilhos,
O trem passa,
As garrafas tremem,
Seu destino é de andadeiro.

Lá vai o carroceiro:
Empapado de suor
E gotas de esperança,
Logo virá a noite,
Quente,
Cheia de mosquitos
E sonhos de cachaceiro.

Lá vai o carroceiro,
Entre os entulhos
Esconde a faca,
A foice,
Porque há de se defender
Dos roubos,
Das armadilhas
Dos embusteiros.

Lá vai o carroceiro,
Disputa espaço
Entre as buzinas e as guinadas,
Ouve estranhas risadas
Que sobem dos bueiros.

Lá vai o carroceiro
Entre luzes
E gases,
O cheiro é acre
E escorre óleo no aguadeiro.

Alguém quase o atropela,
Xinga-o de maconheiro,
Ele cospe saliva verde,
Rumina a tristeza:
De quem será herdeiro?
Do homem?
Do cavalo?
Do tráfico negreiro?

Puxa carroça,
O carroceiro.
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Raquel Naveira
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sábado, 25 de setembro de 2010

A pequena chama — poema de Juana de Ibarbourou traduzido por Miguel Del Castillo

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Eu sinto um amor selvagem pela luz.
Cada pequena chama me encanta e me ultrapassa.
Não é cada lume um cálice que conduz
O calor das almas que encontra em sua jornada?

Algumas são pequenas, azuis, tremelicantes,
Iguais às almas taciturnas e bondosas.
Outras são quase brancas: lírios fulgurantes.
Outras, quase vermelhas: espíritos de rosas.

Respeito e adoro a luz como se fosse inteira
Uma coisa viva, que sente, que medita,
Um ser que nos contempla, transformado em fogueira.

Assim, quando morrer, hei de ser, a seu lado,
Uma pequena chama de doçura infinita

Em suas noites longas de amante desolado.
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Juana de Ibarbourou
("La pequeña llama", in Lenguas de diamante. Montevidéu, 1919.)
Tradução de Miguel Del Castillo
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Juana de Ibarbourou (1892-1979) foi uma poeta uruguaia incrível. Começou a publicar seus poemas apenas com 16 anos de idade, antes de se começar a falar em modernismo aqui na América do Sul. Embora sua poesia seja composta de sonetos, versos com métrica e rimados, Juana influenciou muito sua geração e seus sucessores, não apenas no Uruguai, mas em todo continente e na Espanha. O desnudamento sincero da alma — muito além de fórmulas prontas e pastelões — impressiona, ainda mais vindo de uma mulher naquela sociedade. Suas obras completas já foram editadas três vezes na Espanha pela Aguilar, e ainda assim Juana nunca foi traduzida no Brasil. Abaixo, o soneto original:
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La pequeña llama

Yo siento por la luz un amor de salvaje.
Cada pequeña llama me encanta y sobrecoge.
No será, cada lumbre, un cáliz que recoge
El calor de las almas que pasan en su viaje?

Hay unas pequeñitas, azules, temblorosas,
Lo mismo que las almas taciturnas y buenas.
Hay otras casi blancas: fulgores de azucenas.
Hay otras casi rojas: espíritus de rosas.

Yo respecto y adoro la luz como si fuera
Una cosa que vive, que siente, que medita,
Un ser que nos contempla transformado en hoguera.

Así, cuando yo muera, he de ser a tu lado,
Una pequeña llama de dulzura infinita
Para tus largas noches de amante desolado
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quarta-feira, 22 de setembro de 2010

2º Prêmio Paulo Britto de Prosa e Poesia

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O Prêmio Paulo Britto de Prosa e Poesia criado em 2009 chega à sua segunda edição. Como parte da programação da IX Semana de Letras da PUC, intitulada “Corpo, voz e estrutura em sala de aula e no palco", este concurso contempla os seguintes gêneros literários: CONTO, CRÔNICA e POESIA. Poderão participar estudantes de graduação e pós-graduação de toda a comunidade PUC-Rio.

INSCRIÇÕES

As inscrições serão realizadas até o dia 27 de setembro de 2010. O tema é livre e cada autor poderá submeter somente um texto por categoria. As categorias são: CATEGORIA PROSA (CONTO E CRÔNICA) e CATEGORIA POESIA.

Os textos devem ser inéditos e escritos em língua portuguesa, digitados em papel tamanho A4, em apenas uma das faces do papel e com as seguintes características:

PROSA: Os autores deverão utilizar fonte Times New Roman tamanho 12, com espaçamento 1,5 entre as linhas e todas as margens medindo 3 cm. Os contos não poderão ultrapassar o limite de 4 (quatro) páginas.

POESIA: Os autores poderão utilizar qualquer tipo de fonte, diagramação e espaçamento, desde que o texto não ultrapasse o limite de 2000 caracteres (sem considerar os espaços em branco).

É obrigatório o uso de pseudônimo, que deverá constar ao final do texto. Os textos inscritos nas CATEGORIAS PROSA E POESIA devem ser apresentados em 4 (quatro) vias cada.
Os autores que optarem por concorrer nas duas categorias deverão fazer a sua inscrição de forma independente, em envelopes diferentes. Os textos deverão ser entregues em um envelope grande e lacrado, identificado na frente com o nome do Prêmio e a categoria (PROSA ou POESIA). Dentro deste envelope os concorrentes deverão enviar um envelope menor, também lacrado, identificado na parte externa com o título do trabalho e o pseudônimo utilizado. O envelope menor deverá conter a ficha de inscrição como disposta no Anexo I, ao final do Edital. Não serão aceitos textos enviados por e-mail. As inscrições serão feitas somente no Departamento de Letras, no seguinte endereço:

PRÊMIO PAULO BRITTO DE PROSA E POESIA

Rua Marquês de São Vicente, 225
Edifício Padre Leonel Franca. 3º andar.
Gávea – Rio de Janeiro

PREMIAÇÃO

A ser divulgada.

PUBLICAÇÃO DOS TEXTOS FINALISTAS

Os textos finalistas serão publicados imediatamente no blog do Jornal Plástico Bolha e, assim que possível, no formato impresso em uma edição do Jornal Plástico Bolha. Os autores premiados com a publicação de seus textos deverão assinar um termo autorizando a publicação nos referidos blog e jornal e cedendo os direitos autorais para esta edição. Os direitos não são exclusivos e os autores ficam livres para publicar esses textos onde desejarem após a divulgação do resultado.

Outros itens poderão ser acrescidos à premiação, a critério dos organizadores do Prêmio e de eventuais parceiros ou patrocinadores.


COMISSÃO JULGADORA

Os textos inscritos serão avaliados por uma comissão formada por três professores do Departamento de Letras e por dois alunos bolsistas do PET-Let. A comissão é soberana e suas decisões são irrecorríveis, podendo inclusive decidir por não premiar os trabalhos inscritos.

RESULTADO

Os autores finalistas nas duas categorias serão comunicados até o dia 22 de outubro para que possam confirmar sua presença no local da premiação, que será realizada no encerramento da IX Semana de Letras, dia 28 de outubro de 2010.

DISPOSIÇÕES GERAIS

As inscrições implicam em plena concordância com os termos deste regulamento. Estão impedidas de concorrer pessoas diretamente envolvidas com a organização da IX Semana de Letras e com a organização do Prêmio este ano. Os inscritos que não atenderem às especificações deste regulamento serão desclassificados. Os textos enviados não serão devolvidos.
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terça-feira, 21 de setembro de 2010

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Viagem sonora — poema de Carolina Sims

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No dilúvio de águas frias,
Dançavam as medusas-da-lua, poetisas,
Leves em simetria radial,
Desiludidas em tamanho
Transbordamento.
A água longa que delas brotava,
Como lágrima desgarrada dos olhos,
Compunha poesias em meu mar infiltrado.
Que vendaval aquático percorre seus corpos
Transparentes;
Suas coroas de tentáculos prateados?
Somente sinos e estrelas cadentes,
Perfuravam suas rimas aquáticas.
Maré alta...
As medusas rasas, profundas, líricas,
Costuravam-se ao canto do mar, sem intento.
Sozinhas no burburinho do mar,
Entre peixes brilhosos e corais estrelados...
Na demasia de meu pensamento.
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Carolina Sims
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terça-feira, 14 de setembro de 2010

Mineirocarioca: Jornal Plástico Bolha em JF!

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Plástico Bolha fotografado por Thais Thomaz no Eco-Performances Poéticas de Juiz de Fora.
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sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Alguns versos por Ricardo Fernandes

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Não me embriago por incapacidade física
Não me incluo, por incapacidade ideológica
Reconheço na indignação, o cedro.
Na consciência, uma coroa.
O sentido é uma batalha.
A glória é parir o amor.
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Ricardo Fernandes
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segunda-feira, 6 de setembro de 2010

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Versos eróticos — por Marina V. Medeiros

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In memoriam de Arnaldo V. Medeiros

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I.

Nas curvas do meu corpo
Tuas mãos tangem
Frêmitos pré-orgásticos
Tuas mãos abrem meu corpo
Para a entrada do teu
Tuas mãos
Donas do meu gozo
Cúmplices do meu desejo


II.

Meus lábios buscam teus beijos
E descem sôfregos atrás
Do jorro do teu corpo
Néctar do nosso desejo


III.

Nossa cama
Arena de nossos
Embates acrobáticos
Guarda os segredos
E o perfume
Do nosso amor


IV.

Dás à outra o que me pertence...
Uma sombra de culpa
Perpassou em teu olhar
Enquanto sussurravas: "perdoa".

Tuas mãos em concha colhem meus seios
E as brumas do ciúme e da mágoa
Esvaindo-se deixam ver
Teu membro hirto e fremente no qual monto
E num coito a galope
Tombo em teu peito arfante
Balbuciando: "amor, eu te perdoo".


V.

Nossos lábios presos num beijo ardente se separam
E tua língua, qual cobra ondulante, rasteja
Pelo meu corpo até a minha fenda aberta
Onde entra.

Teu membro pende qual teta enorme
Que empunho e, em movimentos rápidos de ordenha,
Faço jorrar teu sêmen que sugo
Com avidez.

Enquanto dois orgasmos
Violentos e simultâneos
Nos deixam semidesfalecidos.


VI.

Em fim.....
O casal de amantes
Entrelaçados com ternura
Seus desejos sexuais saciados
Sentem uma onda avassaladora
Invadir suas almas
De um profundo e imensurável amor.
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Marina V. Medeiros

Marina V. Medeiros é, na realidade, Marina Leão Teixeira Viriato de Medeiros. Viúva. 82 anos. Mãe de 8 filhos. Avó de 13 netos. Bisavó de um casal. Depois de viúva, resolveu botar por escrito as coisas que durante toda a vida pensou em escrever e não teve coragem.
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quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Lançamento de Idéias Lingüísticas

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Blow-up — texto de Paulo Henrique Motta

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Acordei naquele dia sem lembrar de nada do dia anterior. Caminhei até a sala. Vi minha mãe por sobre um monte de papeis de bala rasgados, bolas estouradas e doces pisoteados. Sua leveza me encantava. Era linda minha mãe. Dedicada e carinhosa. Pensou em todos os detalhes. Não hesitara em acordar cedo e limpar a sujeira que mais um ano da minha vida, que se arrastava, fazia em sua sala pequena. Estava tudo desarrumado e as coisas fora do seu lugar. Voltei meu olhar para o quarto, e meu pai ainda estava esparramado na cama. Olhei as fotos da noite passada por sobre a mesa. E chorei. Não consegui engolir o choro. Minha mãe encostou a vassoura na parede e alisou os meus cabelos, suave. Chorei de soluçar. Tentei respirar fundo para que o descontrole não rasgasse o silêncio da manhã. Mas meu pai despertou. Caminhou em minha direção. E me deu um tapa. Bem forte. A raiva que me atravessou o estômago não podia mais mudar a fotografia que eu tinha na mão. Ele seria para sempre a pessoa que ganhou o primeiro pedaço do meu bolo de aniversário.
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Paulo Henrique Motta
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quarta-feira, 1 de setembro de 2010

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Fábrica — um poema de Laura Liuzzi

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Enquanto fabrica seu elefante
forjo a grafite uma cigarra
em momento final:
o coro e a couraça.

Componho sua aspereza
com eletricidade
das asas prismáticas
aos olhos de galáxia.

Registro nas patas
desesperada fixidez
- âncoras
para quem não quer partir.
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Laura Liuzzi
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Laura Liuzzi é autora do livro de poemas Calcanhar (7Letras, 2010) e acaba de estrear no Plástico Bolha com dois poemas inéditos na edição #28. Fábrica é um deles.
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segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Homenagem à Profa. Claudia Castro

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Amigos e alunos da professora Claudia Castro farão uma homenagem a ela no dia 2 de setembro, quinta-feira, às 16h, no auditório Junito Brandão (anfiteatro do Bosque), no campus da PUC.
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A ideia é que todos aqueles que tinham carinho por ela se reúnam e compartilhem memórias, textos e saudade. Serão soltos balões em referência ao texto publicado no jornal Plástico Bolha, onde ela compara o ofício do professor àquele do baloeiro. Ao final da homenagem, será plantada uma roseira no jardim da universidade em sua memória.
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Contamos com a presença de todos que, de algum modo, foram marcados pela Claudia!
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Alunos e amigos da Claudia (homenagemclaudiacastro@gmail.com)
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Affonso Romano de Sant'Anna na FBN

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Saparada — poema de Breno Coelho

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Tem sapos que não lavam
os pés
a vergonha da cara
só lavam as mãos

tem sapos que viram
príncipes
princípios

os sapos bois
bóiam
os sapos cururus
jururus com a vida
se bolam

tem sapos que cantam
mais do
que
pulam
tem sapos que pulam
mais do
que
cantam

sapiência
sapos cientes
se preocupam com
a sua condição de anfíbio

tem sapos querendo
estrelato
sapos cacos
sapu-caí
sapos arteiros
sapateiros
outros querendo ser
pererecas
rãs
saporra

Todos os sapos
do Mario de Andrade

se ocupam com a forma
não querem reforma
separados de sua coletividade.
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Breno Coelho
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terça-feira, 24 de agosto de 2010

CEP 20.000 = Comemoração de 20 anos!

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Sérgio Porto 25 /08 5 reais 20:30
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CEP 20.000 : SÓ INDO SÓ VENDO OUVINDO VIVENDO
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O CEP quer comemorar com todos que por lá passaram e vão passar esses e os próximos vinte anos:
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opavivará - diahum - os azuis - coletivo cachalote - plástico bolha - falapalavra - irmãos abdalla - sete novos - estrondo - gregório duvivier - alice sant’anna - carlito azevedo - chacal - mimi lessa - domingos guimaraens - mariano marovatto - augusto guimaraens - lucas viriato - isabel wilker - ismar tirelli neto - carlos andreas - paloma espínola - gabriela bonomo - elisa pessoa - gabriela marcondes - nana carneiro - valeska de aguirre - cristina flores - gabriel fomm - jonas sá - fausto fawcett - carmen molinari - charles peixoto - ronaldo santos - alex hamburger - pedro luís - tavinho paes - daniel soares - juju holanda - pedro rocha - éber inácio - dado amaral - justo d’ávila ....
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Entre a hermenêutica da academia e o mais do mesmo da cultura de massa, o CEP, há 20 anos, cavou sua trincheira volátil. CEP 20.000: o que as escolas não conseguem ser, por medo ou acomodação dos mestres desse mundo em suspensão. CEP 20.000: ponte sobre campo minado, de muros, guetos e redutos de poder. CEP 20.000: encubadora de indivíduos inquietos, que insistem em se comunicar ao vivo e a cores nesse mundo digital. CEP 20.000: celeiro de poetas, viveiro de artistas e músicos, turbilhão de inventores. CEP 20.000: experimentação de outro projeto educacional onde o não da lugar ao sim. Incluindo, incluindo, incluindo. CEP 20.000 : em 20 anos são 3, 4 gerações de artistas, que lá, vão buscar o que não há nas escolas, na televisão ou no google. CEP 20.000: beijo de língua na língua, um brinde a todos os que fazem de sua arte uma investigação para sintonizar a melhor maneira de ver, ouvir e escrever esse mundo mutante vertigem.
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O CEP faz 20 anos. voilá!
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segunda-feira, 23 de agosto de 2010

domingo, 22 de agosto de 2010

educação sentimental — de Jovino Machado

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como abortar um amor
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não é uma lição
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que pode ser estudada na biologia
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mas pode ser apreciada
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em qualquer antologia
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Jovino Machado
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sexta-feira, 20 de agosto de 2010

a bordo — um poema de Diana Sandes

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esse ônibus até parece uma carroça
sopra o trocador irritado
por entre as geladas barras de ferro
e aquela moça, tão demorada
indo pelo infinito corredor prateado
é como um bicho preguiça
quando quer descer da árvore
as janelas abertas: mil passagens
por onde eu talvez fosse
minhas pálpebras aos poucos despencam
são duas bigornas
até que os cílios se encontrem
selando união, trocando juras de amor
eu consinto a ousadia destes meus
e cansada, falo baixinho
feito cochicho pra dentro:
só queria que esse banco fosse
uma cama, uma onda, um corpo
um acalanto qualquer
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Diana Sandes
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quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Desafio Poético 'Amores Vagos': Homenagem

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Precisamente agora
sem atinar por que nem como
repleto de sentido
conquanto vago e longo
é cãimbra nos meus braços
o tanto querer firmar um abraço
contra o que, presente, segue desde sempre
e o sempre é nada
e o presente um facto
que ileso escapa
aos meus olhos (os perseguidores)
de incomensurável alcance
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Precisamente agora
dentro da costa Oeste do meu peito
também o Lado Esquerdo
submarinos assombram o baile dos cardumes
e um seixo entressonhado
sabe-se de onde vindo!
empurra uma carga amorosa
como se eu, o poeta,
o retivesse entre os dedos
mas estes nada tocam, nada
e o nada é sempre, ou fora?
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Precisamente agora
talvez sem Ser, eu sinto
a rocha dividida. Feliz quem
se contenta com a cabida
parcela de amor que tem.
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Danilo Diógenes
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terça-feira, 17 de agosto de 2010

ATÉ QUANDO? — de Gustavo Guimaraes

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Certa vez, um professor que eu admirava justamente pelas qualidades intelectuais, me disse, contrariando um grande filósofo, que o ser humano não existe porque pensa, mas porque outros seres humanos constantemente o lembravam disso, eles que diziam-lhe que existia. Em outras palavras, o ser humano, na lógica do meu professor, apenas poderia ser chamado como tal porque se relacionava com outros, e desta maneira um homem sozinho no mundo não poderia ser chamado de homem. Ninguém é uma ilha, diria ele. Este pensamento me veio à mente ao ouvir a história contada pelo meu amigo Francisco Rondon, há pouco mais de duas horas. Chico, como é chamado pelos amigos, relatou-me que na madrugada de sexta para sábado, no último dia 13 de agosto, foi espancado por três jovens na saída da festa organizada por ocasião da formatura dos alunos do Instituto de Economia da UFRJ, no clube Marapendi, na Barra. Seu estado não o deixava mentir. Escoriações, ferimentos e marcas se espalhavam pelo seu corpo. Estupefato, ouvi Chico contar-me que estes três jovens não tinham motivo algum para espancar-lhe, e que o fizeram deliberadamente e sem escrúpulos. Na tentativa de fugir, ele machucou-se ainda mais ao pular a grade de um condomínio vizinho ao clube. Quase inconsciente, conseguiu arrastar-se até a portaria do prédio, quase sem roupas e em um estado lastimável. Um carro de polícia o socorreu e o levou até sua casa.
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Eu quase não acreditava no que ouvia, já que Chico é uma das pessoas mais pacíficas que conheço, e jamais pensei que isto pudesse acontecer logo com ele. Logo, a minhas estupefação e preocupação misturaram-se com uma indignação melancólica, quase que uma tristeza. E esta indignação é o que move este breve texto. Como um lampejo, a máxima do meu professor reavivou-se na minha memória, na tentativa de responder a algumas perguntas que giravam na minha mente. O que leva jovens de classe média alta, com oportunidades, acesso a informação, a praticar um ato hediondo como este? Qual é a motivação destes jovens? Em outras palavras, porque este tipo de comportamente existe? Então, revi a máxima do meu professor e concluí a seu favor: somos seres humanos apenas na medida em que nos sensibilizamos com o próximo, que respeitamos a vida e a dignidade humana acima de tudo. Não somos seres humanos porque construímos prédios ou elaboramos leis, mas fundamentalmente porque nos relacionamos, aprendemos, choramos, sentimos, rimos. Se nos é privado esse direito, o direito à vida, então o que nos resta?
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O episódio da madrugada passada envolvendo Francisco Rondon poderia ter terminado pior, caso ele não tivesse pulado o muro do condomínio. E o fato ocorrido, infelizmente, não é um acontecimento disperso, mas conecta-se a diversos outros que também poderiam ilustrar que mais que um desvio de conduta, esse tipo de comportamento é efetivamente uma prática cultural amplamente difundida dentre alguns grupos de classe média alta da juventude carioca. A cultura da violência parece disseminada em alguns deste grupos, vide os inúmeros casos de agressão e brigas em boates e festas. Grupos de jovens se reúnem e marcam hora para brigas pela internet, outros queimam índios na rua ou assassinam prostitutas. Recentemente, ouve o caso do atropelamento do estudante Rafael Mascarenhas, por jovens que praticavam pega em um túnel fechado. Parece que mais que uma exceção, este tipo de comportamento vem cada vez mais revelando uma tendência crescente nociva à sociedade, que deve ser imediatamente coibida.
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O mais assustador, para mim, como jovem nascido e criado na Zona Sul, é atestar que este tipo de comportamento está tão perto de nós espacialmente que muitos preferem fingir que não o vêem, em vez de tratá-lo como um problema, uma patologia social. Provavelmente, alguém que leia este texto conhece os três espancadores de Chico Rondon, e até convive com eles. Nossa tentativa será ir atrás dos meios legais para identificar os três espancadores e fazer-lhes responder sobre seus atos. Esperamos que eles sejam identificados o mais brevemente possível, e não cessaremos nossas forças enquanto isto não acontecer. Mais do que isto, esperamos que esta cultura da violência seja banida das práticas de uma juventude que parece desconhecer mínimas regras de convívio social e respeito pela vida humana em sua forma mais simples.
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Gustavo Guimarães
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Gustavo Guimarães é mestrando em Sociologia pela Puc-Rio e nos enviou esse artigo referente ao espancamento do estudante Francisco Rondon, na Barra da Tijuca, no ultimo final de semana, conforme noticiado no jornal O Globo. Mesmo sabendo que o jornal é majoritariamente voltado para poesias, achou que esse artigo imprime uma reflexão interessante no comportamento de certos grupos de jovens, e seria uma interessante leitura voltada exatamente para o público do Plástico Bolha.
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segunda-feira, 16 de agosto de 2010

FILHO, um poema de Pedro Du Bois

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Eu, filho imprevisto
do outono faço desabar
mistérios e dos céu
sem acometimento
rasgo espaços e me faço
alegre ao desgaste: estar
preciso na estação derradeira
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..........eu, filho inaudito
..........acometido em vida
..........desvisto os olhos
..........e nego enxergar
..........ao longe o horizonte.
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Pedro Du Bois
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sábado, 14 de agosto de 2010

Glória

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um amor passageiro
de tremores subterrâneos
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levou-me as palavr...as
poltronas vazias
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poemas de coleção
na bagagem de dotes
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solto e perdido
numa estação
errada.
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Braulio Coelho
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sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Ver a cidade — de Erick Moraes

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Ver de verdade.
Ver da deformação de verde
É ver melhor, evolução.
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Verde Verdade.
Verdade: formação de verde
É vermelho revolução.
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Erick Moraes
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Semana dos alunos da pós de Filosofia na PUC

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Para ampliar o programa, basta clicar na imagem.
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NAVEGANDO PELA PÓS-VIDA PESSOAL DE UM DESBRAVADO ALUNO DE PÓS

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Estamos num Mar. Shuá!
Textos boiam ao nosso redor,
prendem-se no casco da nossa pequena embarcação,
forjando, outrossim (outro-não),
um encouraçado marché.
“E vamos em quê direção?”,
ruflam as velas, “Hein, capitão?”
Nunca sabemos para que praia
as correntes do intelecto vão nos levar.
Ondas de acontecimentos nos pegam desprevenidos
E… Shuá! “Homem ao Mar!”
Outras vezes somos nós a remar
com os próprios braços de finas canetas
para algum pensamento que nos atrai…
Sereia encantada!, “cuidado marujo para não se afogar”.
E ainda há os amigos piratas
que nos abordam e raptam para outras paragens,
pilhando nossas capacidades
ao som de uma cantoria de taberna
e da eterna promessa
de que chegaremos cedo em casa
para ler Derrida.
Shuá! Shuá! Shuá!
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quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Poesia de dois andrades (e outros temas)

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Negros olhos — um poema de Fernando Brum

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Negros olhos
Tudo em mim
Sopros das nuvens
Todas de píneas.

Rochedo em ares
Livre dos meus
Todos os sonhos
Quebram aqui.

Lúridas penas
Que agora voam
Dissipam no ar
Na época lívida.

Pobres afoitos
Perdidos em caos
Sobram nas noites
Em pleno inverno.

Sabor de chumbo
Teu rosto virado
Enlaçam meus pés
Livres de tudo.
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Fernando Brum
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"do artista quando jovem" de volta ao Rio

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Nova temporada da peça "do artista quando jovem", no Teatro Tablado. Para ver o programa ampliado basta clicar na imagem.
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quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Pureza: uma alegoria brasileira

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Não quero contar minha vida. Ela é tao pequena,
tão sem relevo, que não merece isso. Se escrevo
estas impressões, é mais para tomar o meu tempo.
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O paraibano José Lins do Rego, sem dúvida um dos mais notórios e importantes escritores brasileiros – muito por escrever do Brasil um íntimo sem rasuras – traz na obra Pureza uma cronologia que remonta o nordeste e a formação coronelista sem ser, em momento algum, alheio a psicologia de seus personagens: coisa que faz como delicada composição neste romance.
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Seu Lola, ou Lourenço, desde moço cresceu com a morte ao seu lado: muito cedo perde a mãe, em decorrência da tuberculose, e, logo em seguida, a irmã Guiomar - a mesma com a qual se abraçara quando a mãe agonizava no quarto ao lado. O pai, no desespero da vida, imprime-lhe o excessivo cuidado de quem viu a família desmoronar no átimo dos dias. Em seguida morre também, por vias cardíacas: “E desde esse dia meu pai começou a agonizar. Mais de um mês de dispnéia, arriado na cama, vivendo às custas dos remédios de Dr. Marques. Morte terrível. Uma vida comida com todas as dores”. Há ainda Felismina, “boa negra” que lhe acompanha desde os dias da enfermidade da mãe e lhe dá todo o afago e cuidado, muito em razão dos traumas; uma escrava sobre a alforria da confiança tutelar, repleta de esmero e resignação.
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O início do livro, ou mais precisamente, suas primeiras linhas, são a conversa entre Dr. Marques e Lourenço. Os conselhos médicos lhe indicam ir para um lugar mais calmo, repousar, dando-lhe, mesmo assim, indicações que sua saúde estava de fato regularizada. O temor do jovem Lourenço, rapaz de 24 anos, é ser atacado pela morte em suas fraquezas, muito por ter sido domesticado ao lado das convalesças, o que faz o rapaz migrar para a longínqua e erma Pureza. Seu Lola, de malas prontas, muda-se para uma espaçosa casa na região junto com Felismina, a negra que lhe abastece de cuidados permanentes. A indicação do romance psicológico é, portanto, o que motiva a narrativa, mesmo que essa seja ocupada por imagens do Brasil nordestino repleto de historicidade. A fuga faz mais sentido como a busca de uma tranqüilidade que, pretensamente, não se encontraria nos grandes centros comerciais da época: o descanso enquanto isolamento. A aflição mental que desencadeia o deslocamento para Pureza, logo, o fio condutor da narrativa.
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Pois é a partir daí que a narrativa se impregna de metáforas. A pureza é como um recanto de pasmaceira onde a vida corre numa alegoria teatral. Poucas pessoas convivendo isoladas em uma pequena cidade nos rumos dos trilhos do trem, trem esse que traz o que é novidade e que também a leva rapidamente, deixando o efêmero e o inédito conectados sobre a mesma forma metálica locomovida pro cima dos trilhos. Entre idas e vindas, uma dimensão de personagens se aflora no contexto, mesmo que esses sejam estáticos, moradores estanques de Pureza: Landislau, o cego pedinte que junta meticulosamente seu dinheiro enquanto toca sua triste rabeca na chegada do trem; Luís, o pobre negrinho que foge do engenho do coronel Zé Joaquim e vai viver sob os afagos de Felismina, até que o coronel vem reclamar o que lhe pertence por intermédio dos seus jagunços; Antônio Cavalcanti, chefe da estação férrea que perde todo seu dinheiro na jogatina pelas redondezas; D. Francisquinha, mulher de Cavalcanti, que vende cafezinhos para os recém-egressos em Pureza, e suas filhas, Margarida, a mais velha, e Maria Paula a mais moça. Ainda há Chico Bembém, o rapaz que trabalha na estação e por fim se torna noivo de Maria Paula. As duas, entretanto, acabam se envolvendo com seu Lola, que, mais a mais se aproveita separadamente da carne de cada uma. Mas é quando Margarida foge de Pureza (o movimento inverso de Lourenço), que ele começa mesmo a se envolver com Maria Paula, mesmo ela noivando-se com o humilde Chico Bembém: “A moça me amava. Da janela da estação ela vivia a comer com os olhos os passageiros, todos os dias, ora com um, ora com outro. E aparecia em Pureza um jovem rico, amante da irmã. Crescera os olhos, me conquistara, fazendo com que eu abandonasse Margarida. Que podia lhe valer Chico Bembém? Acalantei Maria Paula naquela noite e amei-a, fui dela com mais vigor. Aquela fraqueza me tocava, me despertara mais alguma coisa. E vi como ela se animou com as minhas palavras, fortificando-se com os meus carinhos. Aquela me pertencia. Mandava nela com mais segurança que em Felismina”.
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Tudo, somado, acaba por construir um livro de sutilezas formidáveis. Um esboço do processo histórico nordestino, com um olhar sobre a questão escravagista; uma alegoria do processo coronelista e de políticas trocadas; um retrato do Brasil feito por um autor essencialmente brasileiro que, na maioria dos seus livros, insiste em contar ao seu povo mais a respeito do seu próprio país. E, ainda, uma pungente estruturação psicológica que mostra para além da historicidade de um povo, a fraqueza humana ante o perecível; tudo isso colocado num vilarejo na beirada dos trilhos de um trem, o trem que leva a isolada Pureza.
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A vocação maior de José Lins do Rego é ser trovador de um Brasil visto do prisma sociológico, de um Brasil nordestino construído pouco a pouco nas chagas de um tempo usurpado. Entretanto não deixa de sê-lo sensível e dar personalidade a sua história, personalidade e personagens que são um retrato do Brasil personificado, descrito e delineado por um escritor que soube narrar com seu texto de um corrimento enxuto a série de complexidades que é e foi à desordenada formação brasileira.
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terça-feira, 10 de agosto de 2010

Wilmar Silva e Francesco Napoli em BH!

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Evento no Palácio das Artes, em Belo Horizonte, com a participação do nosso amigo de bolha Wilmar Silva, que publicou uma pequena amostra de seu livro anu, no Plásico Bolha #27.
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Aflitos — um texto de Marcus Paulo Eifflê

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A aflição é um formigamento de incerteza e temor. Qualquer despreparo para a espera fria e calculada de uma ideia que se faz sobre uma condição não pretendida que a mente faz iminente e as formigas sobem nosso corpo, transformando a inquietação numa sensação horrível, onde só uma boa distração é capaz de aliviar ou mesmo suplantar o mal crescente. Como, por exemplo, a execução de técnicas manuais apaziguadoras aos nervos sobre o corpo aflitivo praticadas por um símbolo sexual desses da moda. Ou uma sessão de massoterapia, que é o que eu quero dizer.
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O sublime nos males humanos (sim, sublime) é que, com um pouco de paciência, tudo tem um paliativo. No mínimo. É o que salva a gente do escape máximo dos aflitos e desesperados: o suicídio. O suicídio é um paliativo sem graça, além de vexatório. Não se corre pro vestiário enquanto o juiz está dando tempo de jogo. Todo time tem alguém na torcida e esta torcida está pronta para te levantar nos braços se você mostrar ao menos espírito de luta. Para que se erguem bustos em passeios públicos e nomeiam ruas por aí? Demonstrações de reconhecimento. Nossa alma clama é por reconhecimento.
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Mas o melhor mesmo é quando você encontra uma fã pronta para ceder aos impulsos máximos da idolatria. Pense na possibilidade. Aflição é apenas um sinal que você tem imaginação demais para o lado desfavorável da situação. Aflito, não desespere.
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Marcus Paulo Eifflê
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segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Íris — um poema de Ana Salek

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Das pisadas secas, fundas
Dessa gente pacata, ora besta
Compreende o firmamento
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Das montanhas corcundas
Instaladas sobre o cimento
Medita o vento, a brisa incesta
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Da luz do poste pendurado
Que avança sobre a cabeça,
Dessa vislumbra o olho:
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Uma bola de gude grudenta
(onde tudo a quê se manifesta)
Pende, ainda, instalada no osso.
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Ana Salek
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sexta-feira, 6 de agosto de 2010

poética política nacional (terra prostituída)

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invadindo mitologias bárbaras, Júpter
interagiu por mais uma Deusa ancestral
imaculada; usando seu clarão fálico
logo fecundou-a por trás e pela frente,
moeu os grãos férteis da divindade.
colheu fruto vasto pro seu pantheòn
restrito; temperou-o na arrebentação,
e cantou uma ode a navegantes perdidos.
sua solução foi rasgar-lhe o útero e
espreitar o ventre, espetar nas costas,
deslocar a bacia e queimar os joelhos,
atar-lhe os pulsos finos a um arreio
sem fronteiras e esperar que a mata,
sobre o corpo, preparasse a nação.
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Pedro Silva Bastos
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Poesia visual de Roberto Corrêa dos Santos

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Conferência sobre Estudos Judaicos na PUC

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quinta-feira, 5 de agosto de 2010

reversão: provocação emulada de poesia demais pra pouco riso

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pássaro de cenário, carrega um plumário mudo.
se foi começo a marca de um dia ido, começo
é passado, não siga. barro anterior: monumento
de palavra presa; filho do primeiro ato: ponta-seca.
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a imagem fácil de um fim de tarde cinza,
com a cor da gema estalada, faz do acidente
o trivial toque – que não vem e mata – o
co-movimento de opalas separadas no plano
vazio do belo inútil. ainda verde, a câmera
oferecida à vaidade do ofício (todo excesso
é notado, excelsa é a parca monta do recheio)
mostra queda caiada do risco: trinca-vidro.
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cortada de branco e rente, permuta do entre
no vão do verso, a mão só sabe das coisas
simples. teatra uma metáfora dura, feita só
de unhas: delírio essencial da pedra gasta,
máscara na nulidade do cume, a palavra
do poeta é uma arma sem disparo: nem zune.
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André Capilé
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André Capilé é um dos organizadores do evento Eco - Performances Poéticas, em Juiz de Fora, e também participou das últimas edições do CEP 20.000. Seu poema Inversões foi publicado na atual edição #28 do Jornal Plástico Bolha. Falando nisso, amanhã tem Eco - Performances Poéticas com Dado Amaral, Beatriz Bastos, Ana B. e Tatiana Franca. Veja mais abaixo!
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Amanhã: ECO - Performances Poéticas, em JF

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# Dado Amaral # Beatriz Bastos
# Ana B. # Tatiana Franca
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Microfones Abertos
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05/AGOSTO
20h
MEZCLA
(Rua Benjamin Constant, 720. Centro.
Juiz de Fora - Minas Gerais)
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ENTRADA FRANCA
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O elenco do Eco - Performances Poéticas do mês de agosto é uma mistura de estrangeiros e locais. Sobem ao palco os cariocas Beatriz Bastos (trazendo poemas de seu livro Da Ilha) Dado Amaral (e os textos de olho nu) e Ana B. (com seu quase publicado Impublicáveis). A mineira Tatiana Franca completa a noite que, como sempre, terá muita poesia e será embalada pelas pick ups de Pedro Paiva. No segundo tempo o esperadíssimo e já clássico Microfone Aberto.
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05 de agosto, 20h, no Mezcla (Rua Benjamin Constant, 720. Centro) e a entrada é grátis.
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Coleção Ladrões do Fogo — 5 lançamentos!

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Hoje: palestra de Maximiliano Liñares na PUC

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quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Homenagem à professora Claudia Castro

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por Claudia Castro
do departamento de Filosofia da PUC-Rio
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Comecei a ensinar ainda menina. Primeiro, para as almofadas de meu quarto de criança. Depois, quando apenas alguns anos me separavam dos olhos curiosos que tinha a minha frente. Passados quinze anos como professora nesta universidade, talvez possa perguntar: o que é ensinar filosofia? Há uma grande diferença entre o ensino que hoje realizo e minha brincadeira infantil de falar com as almofadas? Não seria esse prazer primevo a antecipação, já a elaboração da tarefa que um dia iria realizar e à qual dedicaria minha vida inteiramente? Hoje vejo que sim. Porque no trabalho de formação filosófica não é o conteúdo o que mais importa, aquilo que podemos chamar de saber e que traz consigo, freqüentemente, um poder mutilante e nefasto. Em seu sentido mais elevado, ensinar filosofia (se isto é possível) é, ao mesmo tempo, ter o privilégio de viver e suscitar uma experiência de parada, de interrupção no curso das atividades práticas e automáticas de nossas vidas, para que um pouco de ar fresco, livre, possa atravessar.
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Desde sua origem, os grandes pensadores concluíram que o pensamento puro é desprovido de utilidade. Ele é um momento de crítica, de indagação sobre o que somos e desejamos profundamente. E o professor enfrenta, a cada aula, o desafio de despertar esse sutil questionamento.
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Ensinar é, antes de tudo, amar. Entrar num movimento em que nos despojamos de tudo que nos caracteriza como um sujeito pequeno, “humano demasiado humano”, nas palavras de Nietzsche, e, nessa abertura, pensar-com, pensar junto aos espíritos com os quais o acaso nos colocou em relação. Espíritos que também se abrem para o pensamento que, de fora, os transforma, irreversivelmente.
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Assim, o trabalho do professor – que se inicia do zero a cada vez que ele adentra o espaço sagrado da sala, com as carteiras e a sua mesa, o quadro e o giz – se assemelha ao de um baloeiro que ensaia fazer subir um balão. Pois uma aula é como um balão. Se é boa, nos leva ao céu, para além de nós mesmos, até o reino mais perfeito da liberdade. Quando o balão consegue subir? Ele sobe se, inexplicavelmente, tanto o professor quanto os alunos, encantados com a magia misteriosa das palavras, tocam o insondável: a pergunta, sem resposta, sobre o sentido de nossas vidas.
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Publicamos aqui a coluna Aos alunos com carinho, da edição #16, como uma homenagem do jornal Plástico Bolha à professora Claudia Castro, do departamento de Filosofia da PUC-Rio, grande especialista em Walter Benjamin, que faleceu hoje pela manhã, no Rio, deixando muitas saudades em seus alunos.
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terça-feira, 3 de agosto de 2010

Editora Oito e Meio: Antologia do Plástico!

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Hoje também saiu matéria na coluna Gente Boa, do segundo caderno do jornal O Globo, em que os editores Flávia Iriarte e Augusto Guimaraens Cavalcanti, da nova editora Oito e Meio, falam um pouco sobre esse novo projeto, que estreia esse ano com o lançamento de uma antologia do jornal Plástico Bolha! Veja aqui a entrevista completa dos editores para o Gente Boa.
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Entrevista completa referente à matéria publicada em 03/08/2010
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Gente Boa: Quem está à frente da Oito e meio?
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Flávia Iriarte tem 25 anos e é formada em cinema pela UFF. Já trabalhou como editora de vídeo, produtora, pesquisadora e livreira, dentre outras coisas. Em março de 2010, iniciou o curso de publishing management — o mercado editorial, na FGV e, em maio desse mesmo ano, fundou a Oito e meio. Augusto Guimaraens Cavalcanti tem 26 anos, é formado em jornalismo pela PUC e terminou em março de 2010 o mestrado em Antropologia pela mesma universidade. É poeta, integra o grupo poético Os Sete Novos e lançou seu primeiro livro de poesia, Poemas para se ler ao meio-dia em 2006 pela 7Letras (apresentação de Heloísa Buarque de Hollanda e orelha de Zé Celso Martinez Côrrea). Em 2008 lançou o livro coletivo AmorAmérica junto com Domingos Guimaraens e Mariano Marovatto também pela 7Letras. Para 2010 prepara seu segundo livro individual Os tigres cravaram as garras no horizonte (prefácio de Cláudio Willer).
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Gente Boa: Desde quando existe a Oito e meio?
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A Oito e meio foi concebida em maio de 2010.
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Gente Boa: Qual é a proposta da editora? Vocês vão editar única e exclusivamente livro de novos poetas?
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A Oito e meio foi concebida com o intuito principal de contribuir com a formação, organização e divulgação da produção literária contemporânea, pretendendo, dessa forma, atender a isso que a crítica literária vem chamando de “geração 00”. São milhares de pessoas, jovens de 20 anos em diante, fortemente atuantes, através de blogs, jornais e eventos literários, mas, apenas uma parcela muito reduzida é contemplada pelo formato do livro. Apostamos que o interesse pela poesia não seja tão pequeno assim como parece afirmar o conservador e tradicional mercado editorial. Qual é a editora, atualmente, que possui um projeto central e explícito de editar poesia? Não há. E a proliferação de blogs, apenas para citar um exemplo de manifestação, está aí para mostrar que o interesse pela poesia não é pequeno. É um público reduzido, sim, pois sabemos que a literatura e, ainda mais, a poesia, no Brasil, é uma arte bastante elitizada. No entanto, é um público fiel, pessoas que enxergam o livro não apenas como um objeto de consumo, mas como um objeto dotado de “aura”, através do qual materializam a relação com a arte. Não editaremos apenas livros de novos poetas. Outros formatos literários estão previstos, como o conto, o romance, o ensaio e a crítica. O próprio Plástico Bolha será contemplado com uma antologia de prosa, além de uma de poesia. E temos como previsão, para o próximo ano, lançar um segundo selo, especializado em publicações relacionadas à música popular brasileira, que é outra clara lacuna do mercado editorial.
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Gente Boa: Lucas Viriato (editor do jornal Plástico Bolha) comentou comigo que em outras editoras é comum os autores arcarem com certa parte do custo para editar um livro. E que vocês planejam realizar projetos em que não seja necessário para os autores arcarem com os custos do livro. É isso mesmo?.
Temos como estratégia de editoração trabalhar com tiragens pequenas que possam ser vendidas de forma mista, ou seja, em parte, pelos mecanismos tradicionais do mercado editorial, mas também de forma independente, através de eventos literários, festas e eventos criados pela própria editora, em parceria com outras instituições. Essa estratégia de distribuição diferenciada é fundamental para sustentar o nosso projeto e não precisar repassar custos para os autores. Mas trabalharemos sob demanda também.
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Gente Boa: Como vocês avaliam o atual cenários de novos poetas (e escritores em geral) cariocas?
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Avaliamos de forma positiva, creio. Muita gente teima em proclamar o fim da leitura, do leitor, do livro. Acho que esses discursos apocalípticos tendem a ser bastante redutores. Há interesse pelo livro, sim, e muita coisa boa sendo produzida atualmente. Assim, acreditamos que esse ano de 2010, que encerra a primeira década desse século, seja um momento interessante para se fazer um balanço, uma avaliação dessa produção contemporânea. O lançamento das três antologias que iremos realizar até o final desse ano, é ele mesmo, uma forma de ir fazendo essa avaliação. Depois do ultra-academicismo que caracterizou a década de 90, o que podemos foi observar uma imensa libertação da forma e, paralelamente, uma explosão de novos formatos e escritores. Como toda explosão, entretanto, ela gera estilhaços. Acho que, hoje, temos muito mais gente produzindo do que havia na década anterior ou na década de 80, por exemplo, no entanto, é também uma produção muito menos criteriosa e que tende à rarefação, por conta do caos que, por outro lado, a pós-modernidade trouxe.O formato do livro é, portanto, também uma maneira de condensar essa produção, de operar como um filtro que, ao mesmo tempo em que preza a diversidade que os novos tempos vêm afirmar, preza também a qualidade que ele parece haver esquecido.
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Gente Boa: Quais livros vocês já estão preparando?
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No momento, estamos preparando três projetos que são, na realidade, três antologias: duas que contemplam os seis anos do Jornal literário Plástico Bolha, que é, hoje, já uma referência nacional da produção literária contemporânea; e uma terceira, que irá reunir oito poetas atuantes que, entretanto, não tiveram, ainda, a oportunidade de lançar seu primeiro livro. Já estamos começando a pensar também em quais serão os primeiros livros a serem lançados no ano que vem. Temos já alguns originais prontos sobre canção brasileira que, provavelmente, despertarão interesse de outros públicos também.
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Banho de Língua: Fotos do PB no CEP 20000!

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Hoje, a revista MegaZine do jornal O Globo notíciou o evento Banho de Língua, do quadro Espaço Plástico Bolha dentro do consagrado evento CEP 20000, organizado pelo poeta Chacal. Aproveitamos para agradecer ao público e aos participantes do quadro: professor Antonio Mattoso e a incansável Isabel Wilker; além de André Capilé e nosso parceiro Mariano Marovatto, que participaram do quadro Homenagem a James Joyce, do CEP do mês de Junho. Agradecemos também ao Chacal pelo espaço, e à Clara Balbi e a todos da equipe da MegaZine, pela atenção ao Plástico! Aprovetamos para postar umas fotos do evento da última quarta.
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Evento: Cabaré da Poesia — no Catete

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segunda-feira, 2 de agosto de 2010

PLÁSTICO BOLHA #28 — É INVOLUNTÁRIO...

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É com muita felicidade que contamos que, depois de uma longa pausa, finalmente nasce mais uma edição impressa do jornal literário Plástico Bolha. A edição #28 vem com muitas novidades, algumas reformulações e a boa literatura de sempre. Confira quem está na edição e aguarde, pois em breve o Plástico chegará até você!
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PLÁSTICO BOLHA #28
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BEATRIZ BASTOS + ANGELO ABU + HEINZ LANGER + CLARA BALBI +
LAURA LIUZZI + DIEGO GRANDO + CLAUDIA CHIGRES +
ROSÁLIA MILSZTAJN + ANA BEATRIZ FERREIRA BATISTA +
TÂNIA TIBURZIO + LAURA ASSIS + CONSTANZA DE CÓRDOVA +
DIANA SANDES + LUCAS VIRIATO + LETÍCIA SIMÕES +
ANDRÉ CAPILÉ + SUELI RIOS + DOMINGOS GUIMARAENS +
SANTUZA CAMBRAIA NAVES + JONAS SOARES LANA +
MAURO FERREIRA + RODRIGO CAZES COSTA +
MIGUEL DEL CASTILLO + GRINGO CARIOCA + CARLOS JÚNIO +
JOÃO LIMA + FELIPE RIBEIRO + THIAGO ROCHA + ALINE OSORIO +
MIRIAM SUTTER + JOÃO INADA + LUIZ FERNANDO PRIAMO +
DADO AMARAL + ALICE SANT’ANNA + ANA GUADALUPE +
RAÏSSA DEGOES + LUCIANO LANZILLOTTI +
RUY ESPINHEIRA FILHO + ISMAR TIRELLI NETO
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domingo, 1 de agosto de 2010

Jornal Plástico Bolha invadindo Tiradentes!

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Este final de semana, o Plástico Bolha invadiu a simpática cidade mineira de Tiradentes! O jornal foi distribuído em bares, restaurantes, galerias e hotéis. Quem for da cidade e quiser conferir, basta buscá-lo na Biblioteca do Ó, que possui galeria de arte, acervo de marcas litográficas da estamparia mineira do século passado, além de livros para consulta e empréstimos.
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Aproveitamos também para contar que, a partir do próximo número, o jornal inteiro estará aberto aos textos dos nossos colaboradores mineiros, não sendo mais necessário a coluna Bolhas Geraes para canalizar essas publicações. Assim, nossos leitores e escritores de Belo Horizonte, Juiz de Fora, Tiradentes e dos demais municípios de Minas estão convidados a colaborar mais do que nunca com essa bolha plástica de literatura e poesia!
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Retratos da Literatura Brasileira na FLIP

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sábado, 31 de julho de 2010

Desafio Poético: platônico

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o bilhete de amor
tão contido
na caligrafia miúda
perdeu-se num bolso
na lavanderia dos sanchez
— os borrões azulados
do papel alvejado
em pedacinhos, tão poeticamente
foram-se
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foi-se também
a lavanderia
tampouco ficaram
os sanchez
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tampouco ficou
qualquer resquício da timidez
dos olhares
qualquer um
dos ônibus circulares
e daquele fim alaranjado de uma tarde em abril
qualquer pedaço de pano
de horas a fio
noites em claro
- qualquer coisa que lembrasse
a antiga possibilidade
de um caso de amor
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Bruno Nascimento de Abreu.
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Bruno Nascimento de Abreu é leitor e colaborador do jornal Plástico Bolha. Esse é o seu poema para o desafio poético "Amores Vagos", exclusivo para o Blog do Bolha. Os dois melhores poemas concorrem ao livro "Amores Vagos", do selo Estilingues. Participe você também!
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segunda-feira, 26 de julho de 2010

CEP20000 > Plástico Bolha > Banho de Língua

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ESPAÇO CULTURAL SÉRGIO PORTO
rua humaitá, 163
quarta, 20:30 / 5 reais
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ROBERTO PIVA POR 7 NOVOS
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PLÁSTICO BOLHA: BANHO DE LÍNGUA
Antonio Mattoso + Isabel Wilker + Lucas Viriato
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CRIANÇAS INSUPORTÁVEIS + THE ALBERTO
André Capilé + Beatriz Bastos + Augusto Guimaraens + Andytias Soares
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CAFÉ IRLANDA
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JONAS SÁ
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JULIO CALLADO
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FERNANDO DELAROQUE
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apoio prefeitura do rio
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dia 25 de agosto = festa de 20 anos do cep
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