Luís Maffei é poeta, professor de literatura portuguesa, doutor pela UFRJ, e, agora, professor da UFF.
sexta-feira, 30 de abril de 2010
quinta-feira, 29 de abril de 2010
quarta-feira, 28 de abril de 2010
HOJE TEM CEP 20000, NO SÉRGIO PORTO!
20 ANOS - 1990 / 2010
ESPAÇO CULTURAL SÉRGIO PORTO
RUA HUMAITÁ, 176 (2266 0896)
QUARTA, 28 / 04 – 20:30.
5 REAIS – PREÇO ÚNICO.
OS FABULOSOS
CRIANÇAS INSUPORTÁVEIS
BEATRIZ BASTOS, ISMAR TIRELLI, LAURA LIUZZI,
LUCAS VIRIATO E MARIANO MAROVATTO
BARTOLO
CRISTINA FLORES & GABRIEL FOMM
WALNEY COSTA
MOBILE PING-PONG
ARNALDO BRANDÃO, BETINA KOPP & TAVINHO PAES
AUTORES AUTOGRAFANDO
LIVROS DA 7 LETRAS EM PROMOÇÃO.
terça-feira, 27 de abril de 2010
domingo, 25 de abril de 2010
quinta-feira, 22 de abril de 2010
Lançamento de "Contos de Mary Blaigdfield"
Vem aí o terceiro livro de Lucas Viriato de Medeiros, editor do jornal Plástico Bolha: Contos de Mary Blaigdfield, a mulher que não queria falar sobre o Kentucky (e outras histórias). São 13 contos, sendo cinco sobre esta misteriosa mulher de nome estranho e passado desconhecido. O livro é editado pela 7Letras e representa sua estreia na prosa. A capa é assinada pelo artista plástico Barrão e a orelha ficou por conta do jornalista e poeta Ramon Mello. O lançamento será no dia 11 de maio, terça-feira, a partir das 19h, no restaurante Ettore do Leblon, que fica na rua Conde de Bernadotte 26 .Todos lá!
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segunda-feira, 19 de abril de 2010
de quando virei desconhecida
vovó parece querer despir-se de
si aos poucos,
os olhos vítreos sem
dono e as mãos
desobedientes imóveis no
ar, a língua dormente de tanto
ter de engolir remédio
e minha surpresa quando
gagueja: quem é você?
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Clara Balbi
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sábado, 17 de abril de 2010
retrato n.2
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minhas raízes são remotas,
desvanecidas, elas remontam
assassinatos diários entre famílias
que se comunicavam aos gritos
em dialetos mortos, sob lava,
com machadinhas sem fio,
que faziam sua modesta lei
partindo ossos sem valor.
talvez daí venha a atração
por ruelas com mal cheiro
onde a qualquer momento
há possibilidade de morte.
daí talvez as letras firmes,
sem forma muito definida,
que denotam transtornos
psicológicos preliminares.
ademais, a testa proeminente,
ossos que, restantes, estalam
encaixotados em carne dura
e dizem qualquer coisa do sangue
volátil, que sobe rápido às idéias,
passos curtos na direção duvidosa,
passos curtos, de pernas amarradas
que apenas apontam trilhas, pedras,
que fundam feridas abstratas, leis.
a saúde dos olhos indica apenas
lascas de tempo sobre chão frio.
da incomunicabilidade selvagem
arregalada em suores trêmulos,
fiz a sala onde vivo dos restos.
as uvas do prazer, invariavelmente
elas terminam em restos gástricos.
fui revelado no atropelamento
de anotações absurdas, pautadas
livremente pelo ritmo das ruas.
há que se endurecer ainda mais
após a revolução sem ternura,
ser o balaio mediterrâneo feito
do calor córsego, que escorre
pela incompreensão enojada
do mistério que avança frente à face
e enche os livros de tédio e filosofia
enquanto, em quartos acarpetados de
paredes lisas, cadeiras de assento duro
premeditam a ambivalência teimosa.
os pés já não tocam mais o chão.
de partir, não suportam mais dançar
um sapateado divertido em brasa,
do agrado dos calvos de braguilhas
abertas, dos senhores recomendados,
enfileirados nas prateleiras públicas.
uma vez o Fred Astaire, hoje a ponte
desfeita a cada passo diante do nada.
como nos filmes ruins de aventura,
sem ter permissão para olhar atrás,
enquanto moedas brotam dos esgotos
da moral cívica – uma vez o maníaco
agarrado em alto-mar a gelados remos.
vejo que perdi coisas, isso é notável.
mas me faltam as marcas da escolha
conflitante – ainda acredito em deus.
não alimento escrúpulos,
sou um homem correto.
não exatamente um dândi,
operário com unhas limpas.
muito difícil é prever a amputação,
falar sem voz pela geração festiva
quando os pés se agitam em doença.
uma vez a superfície da lua, hoje a porta
escancarada – nenhum pedido de retorno.
o fracasso é o hábito,
disse aquele homem
que morreu de amor.
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segunda-feira, 12 de abril de 2010
Ralo — um poema de Diego Grando
Ocorre que me escorro
ultimamente
pelos ralos
em ralos pelos
emaranhados tufos
deste louro
que me é caro
e que na superfície
sempre mais lunar
do crânio
do couro
fica raso e raro
avaro
cheio de intervalos
e entradas
sem saída:
duas enseadas
de pura testa
frontes de uma guerra
piloglandular
funesta
perdida
Restam-me as quimeras
da finasterida
a ilusão dos anti-queda
no transplante uma esperança
uma espera
uma fé publicamente inassumida
a esmola dos que têm menos
os fantasmas nos espelhos
e o consolo de que os brancos
pelo menos esses
quando vierem
serão poucos
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Diego Grando
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sábado, 10 de abril de 2010
quinta-feira, 8 de abril de 2010
Posse de D. Cleonice Berardinelli na ABL!
.quarta-feira, 7 de abril de 2010
terça-feira, 6 de abril de 2010
O rio e o mar — por Luciano Prado da Silva
O rio barracento era uma torrente só. Muita casa caiu, muita gente sumiu e outro tanto de gente chorou na tristeza que a chuva pariu. E ali, bem perto dali, tudo há dias era só sequía. Mas o barro do rio da rua lambeu as fendas do chão salgado do que já fora oceano, inundando suas rugas.
Só que, tadinhos, nesse impossível, os mil de mais de mil peixinhos embeberamse de um marrom gosto de esgoto: cadê o sal do nosso azul? Veio a Bolota, durinha de tão inchada, e se juntou aos sofás que boiavam, aos pneus que boiavam e àqueles miles de peixinhos com as boquinhas em beijo pedindo ar, ah! Que cardume fúnebre.
E foi que no dia seguinte tava lá eu, a Bete, Pedrinho e o Alex, mergulhando naquele rio de mar, incomodando o urubu na Bolota, jogando peixe um no outro, felizes na nossa desgraça, criando montões de anticorpos. E as ideias que se misturam, as coisas que não casam, dizem que sou leso da cabeça, mas a Bete ainda fala comigo — eu acho.
A minha mente... às vezes boia.
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Luciano Prado da Silva
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Esse texto está na capa do jornal Plástico Bolha #27. Faz parte do livro Aneurisma matou berimbau, de Luciano Prado da Silva, que pode ser adquirido aqui. Publicamos novamente esse clássico em função da chuva que se abateu sobre o Rio de Janeiro. Que as mentes ilhadas boiem também!
segunda-feira, 5 de abril de 2010
quinta-feira, 1 de abril de 2010
quarta-feira, 31 de março de 2010
PRETO NÃO É COR — de Sérgio Bernardo
O homem queria o arco-íris nos jardins de Belém
mas também não queria o arco-íris nos jardins de Belém
por isso a dúvida na ida no elétrico número 15
e ainda a dúvida na volta no elétrico número 15
Na ida ele olhava as pessoas sentadas e em pé
a atenção desprezava quase todos os rostos
a atenção só se fixava nas velhas ciganas
de saia preta, sapatos pretos, manto preto, véu preto
e as cores das echarpes indianas compradas por quilo
elas só pediam a seu deus pra vender tudo
tudo do que precisavam era de alguns euros
e foi com esperança que desceram do elétrico número 15
Os coloridos — disseram com bocas sem dentes —
os coloridos seriam sua grande valença
e atravessaram com velocidade a passarela
e o olhar do homem não mais as fixou
viúvas perdidas no arco-íris dos jardins de Belém
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Sérgio Bernardo
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Sérgio Bernardo é nosso leitor de Nova Friburgo, RJ, e escreveu esse poema em Lisboa, em junho de 2009.
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terça-feira, 30 de março de 2010
segunda-feira, 29 de março de 2010
Armando Nogueira — um último estouro
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Armando Nogueira já trabalhou ao lado de grandes figuras do jornalismo impresso, como Nelson Rodrigues e Clarice Lispector. Na rede Globo, foi o criador dos programas Jornal Nacional e Globo Repórter. Hoje, dedica a vida às suas paixões: o esporte e o ofício da escrita. Considerado o maior cronista esportivo do Brasil, Armando arrumou um tempinho para um bate-papo com a equipe do jornal.
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Entre suas milhões de atividades está o ofício da escrita, mais especificamente, a escrita sobre o futebol. O que une as duas paixões?
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Tem a paixão em si, do esporte, e tem a paixão pelo ato de escrever; você fica de certa maneira dependente da palavra, porque não pode deixar de escrever. Existe o respeito pela palavra, embora seja muito penoso mantê-lo; é uma das raras profissões em que você tem a chance de fazer e refazer. Na verdade, a palavra é um ser vivo que fica pulsando na gaveta, te incomodando; você bota na gaveta, no computador, onde quiser, mas, de noite, na cama, fica pensando que tem um ser te aporrinhando, enchendo teu saco. Você não se livra da palavra. Às vezes você é salvo por uma leitura. Você pode estar empacado numa palavra e ter uma insônia e, de repente, acorda com aquela palavra na ponta da língua. Isso já me aconteceu. Eu estava escrevendo um texto um pouco poético, “as bolas murcham no campo como as flores...”. Precisava de um trissílabo e não havia jeito de achar essa palavra, atravessada na garganta. Um dia, lia Machado de Assis, à uma hora da manhã, e uma palavra surgiu como se cintilasse na página; era a palavra “campina”, que dava certinho na minha métrica. Era a palavra que eu queria. “As bolas murcham no campo como as flores na campina”. Até então, faltava alguma coisa para completar o verso. E, quando é assim, a cabeça fica funcionando, você fica refém daquela busca. É aí que vem a recompensa: do fato de você ler; porque, se eu não gostasse de ler, talvez essa palavra não cintilasse na página, não ficasse piscando, como vi piscar. Há uma máxima que diz: escrever é reescrever. Escrever é cortar palavras. Mesmo que seja um bilhete para a namorada, não goste, desconfie sempre da primeira versão. Às vezes, falar menos é melhor. É preciso exercer o desapego para com a palavra; ao contrário do que se pensa, isso é uma forma de valorizar e não menosprezar a palavra; de buscar a palavra essencial, a palavra inevitável, a palavra irrecusável. Me parece que, sendo esta a premissa do ponto de vista da forma — e considerando sempre que a primeira versão do texto não é boa —, você tem um bom começo, um bom caminho. Então vem o mais complicado da história, que ainda não contei, que é você ter a capacidade de mentir. No meu caso, entro de maneira meio marginal nessa história, porque meus personagens todos são da vida real. Eu escrevo, mas, literariamente, não sou escritor, escritor é quem cria seus personagens.
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Mas quando você retrata um personagem real , não o está recriando?
Eu recrio o personagem, mas ele já existe. Posso até retocar, melhorar ou piorar o personagem, mas ele precede a minha obra. Então minha obra não é de criação, é de recriação. Um dia, Clarice Lispector, que trabalhava no mesmo jornal que eu, O Diário Carioca, escreveu uma crônica muito simpática sobre o meu trabalho; ela dizia que eu deveria escrever um romance. Foi aí que me dei conta de que havia um grande equívoco entre os meus amigos, a começar por ela, mas também do Paulo Mendes Campos e outros: achavam que eu era um escritor. Romancista, contista e até poeta era o Nelson Rodrigues, que inventa personagens que não existem. Embora ele recrie alguns personagens, outros ele cria, como o “Gravatinha” e o “Sobrenatural de Almeida”. Estas são características do escritor; eu sou cronista. Tenho consciência de que pertenço a uma categoria, hoje, quase fora do jornalismo. Me dei conta disso não só quando comecei a escrever crônica, mas porque como eu lia muito Nelson Rodrigues, e como ele era um grande cronista, eu percebia que ele era capaz de melhorar ou piorar os jogos sobre os quais escrevia, ficava a critério dele, coisa que o jornalista não pode fazer, somente o cronista pode. Então, acho que temos, nas nossas categorias profissionais, o repórter, que tem o comprometimento com o fato, o analista/comentarista, que comenta o fato, mas não necessariamente opinando, apenas analisando, e temos o cronista, que tem liberdade absoluta. O cronista não precisa ir ao jogo para gostar ou não do jogo. Passa-se a ter a liberdade (a que hoje me permito) de não ver o jogo todo; um pequeno episódio de uma partida de futebol pode me dar uma crônica. Costumo dizer que mais importante que o jogo é o jogador, mais importante que o jogador é a jogada, mais importante do que a jogada é o gesto. Posso, de um gesto, escrever uma crônica, o repórter não. O cronista viaja. Fico, então, nessa fronteira. Pelo fato de eu ter uma forma requintada, trabalhada e sofrida, as pessoas me consideram um literato, mas eu não me considero um literato. Os livros que escrevo são apenas livros de crônica.
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Há alguns meses, você passou a ter o Blog do Armando Nogueira. Como é escrever para a internet?
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Há novos talentos se revelando hoje na crônica esportiva?
Eu acho que sim. Mas este é um meio cruel, porque os jornais não abrem espaço para a pouca objetividade. Acho que o que me distingue dos outros é que, desde muito cedo, entrei pelo veio da poesia. Percebi — e não fui o primeiro — que a poesia está muito próxima do esporte, na medida em que o esporte é uma coisa lúdica, uma forma de brincar. A poesia te permite fantasias que a prosa não te permite. Então, de quando em quando, faço incursões na poesia. Tenho a impressão de que, com essa superdose, overdose, de realismo que baixou no jornalismo de um modo geral, e na vida das pessoas, ninguém tem muito tempo para ficar recriando palavras, inventando metáforas. Além da matéria-prima estar escasseando. No futebol, por exemplo, você vê um Robinho despontando, que te permite refazer a recriação de um gesto, mas tem dez que não te permitem escrever uma linha. O futebol não era assim, o futebol, nos primórdios, se chamava o Jogo do drible. Aí, primeiro acabaram com o ponta, que era o exímio driblador, porque o ponta sempre teve um espaço melhor para driblar do que quem está na faixa central do campo, sempre muito congestionada. Ao extinguirem o ponta, extinguiram praticamente o drible, porque o drible mal dado na faixa central do campo pode representar um contra-ataque brutal. Então, os treinadores não querem correr riscos; e o futebol, com isso, se empobreceu. Aí, começou a aparecer um outro universo ligado à ludicidade do esporte, que é muito próxima da poesia. Foi a atenção com os Jogos Olímpicos. Lembro que o primeiro gesto olímpico que inspirou um poema meu foi da Nadia Comaneci, nos Jogos de 76, em Montreal. Tem outro dado, também, que contribui muito para instigar a inspiração poética: o esporte é uma coisa épica. Nos jogos olímpicos da antiguidade, já havia grande exaltação poética — Píndaro e tantos outros escreveram odes maravilhosas aos grandes heróis —, o que permite realmente aproximar o esporte da arte. Seja da arte da dança, ou do gestual do esporte, que nos salva um pouco desse excesso de realismo do futebol.
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Não haveria um certo saudosismo seu de um futebol mais aristocrático?
Nesse sentido, há dois aspectos. Um aspecto puramente estético, que fascina a gente, como o gestual do Robinho, que mistura um pouco de finta com drible e jogo de cintura, e alude às raízes de uma cultura. Por exemplo, existe um texto do Pasolini sobre a seleção de 70 que vale a pena ler. Ninguém podia ficar indiferente à seleção de 70 do ponto de vista estético. Coincidia também com todo o charme que a televisão estava inaugurando para o corpo — isso enriquecia muito o espetáculo. Quando se diz que o Brasil tem o melhor futebol do mundo, não é porque ele ganha; é porque ele tem o melhor futebol do mundo. E o que é o melhor futebol do mundo? É o futebol mais bem jogado, esteticamente. A experiência da Copa de 1994, em que o Parreira mandou para os Estados Unidos uma equipe européia — com exceção de Bebeto e Romário — era de uma chatice inominável, porque, fora esses dois jogadores, não havia um gesto que ficasse. Isso não é você romper com as raízes? Porque a raiz é o Leônidas da Silva, que eu não vi jogar, mas adorei. Você também não viu, mas adora, porque ele faz um apelo à sua fantasia. Ele inventou a bicicleta. Costumo dizer que o que distingue o futebol brasileiro, quando ele é fiel às suas raízes, é isso. O inglês inventou o futebol e o brasileiro inventou as delícias do futebol. (risos). No momento em que você não tem as delícias no campo, vira o futebol inglês, o futebol europeu. O fato é que ninguém tolera esse tipo de jogo, porque, se você não respeita as raízes, daqui a pouco você vai mandar para um festival internacional de música como representante do Brasil um sujeito que compôs bons boleros. Temos compromissos com a música popular brasileira, com o samba. Se nós transportarmos o fenômeno do Ari Barroso, do Noel Rosa, do Bide, do Armando Marçal, enfim, dos grandes compositores brasileiros para o futebol, o nosso compromisso passa a ser buscar o Garrincha, o Didi, o Pelé. Porque, nas obras de arte que você cria para identificar um povo, você cria impressões digitais, que precisam ser respeitadas. Por que tanto se lutou para se implantar o Cinema Novo no Brasil? Porque era um cinema brasileiro, autenticamente nacional. Não é o chauvinismo, não é o nacionalismo não, é o compromisso que nós temos com a identidade do povo brasileiro. Porque senão, você pega a camisa da seleção brasileira e coloca na seleção italiana. Nos agrada? Não. Só porque ganhou? Só porque venceu? O objetivo não é esse. É preservar as raízes e, conseguir juntar isso ao lado estético, ao lado técnico, e produzir equipes como tivemos em 58, como tivemos em 70, e que ficaram na história. Os europeus não vieram buscar aqui um jogador — e continuam levando num arrastão monumental deles — por ele ser atlético, vêm buscar aqui a habilidade individual do jogador brasileiro, que é a nossa marca, nossa característica. Então, a essência da nossa escola futebolística são as delícias do futebol, um esporte que tem a capacidade de criar espaço no reino da fantasia, não necessariamente à custa de um bate-estaca.
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Quando entrevistamos o poeta Adriano Espínola, ele propôs que os leitores praticassem mais esportes, que a poesia agradeceria. Você concorda?
O importante é ter uma vida saudável. Gostar efetivamente de alguns esportes, como eu, por exemplo, que gosto muito de tênis. Tenho até uma crônica em que me defino entre esses dois amores, o amor do esporte individual e o amor do esporte coletivo. Mas tem o momento em que o esporte coletivo pode virar individual, como é o caso típico do Robinho. Tem uma máxima no futebol que diz que o futebol é um por todos e todos por um. O Robinho prova que não é bem assim: é um por todos, e nem sempre todos por um. (risos).
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sábado, 27 de março de 2010
quarta-feira, 24 de março de 2010
terça-feira, 23 de março de 2010
dança nua — poema de Daniel Pereira
dança nua
...............desfila
pela noite
................na cadência
do vento
................na melodia
da chuva
...............iluminada
pela lua
................livre
nas esquinas
................leve
nos becos
...............solta
nas praças
...............desfila
enlouquecida
.................destino incerto
desaparece
.................toda manhã
quando eu
..................desperto.
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Daniel Pereira
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segunda-feira, 22 de março de 2010
domingo, 21 de março de 2010
sábado, 20 de março de 2010
quinta-feira, 18 de março de 2010
quarta-feira, 17 de março de 2010
quinta-feira, 11 de março de 2010
no canto sorrateiro da sala
para ser mais exato ao lado
das noites e das guimbas
uma gata em seu caráter de sombra
esguia como a desculpa
impronunciável do algoz
vapor de álcool sobre a pelve
untada de éter e adrenalina
sustentava o cair da culpa
como quem abre persianas
para vampiros conhecerem
o dia de perder a classe
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Luiz Coelho
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quarta-feira, 10 de março de 2010
terça-feira, 9 de março de 2010
segunda-feira, 8 de março de 2010
Cicatrizes, por Letícia Simões
.você.
invadiu a minha rua
pôs asas no meu telhado
como se fosse tudo
bem.
eu.
remendando sonhos
descobri haver no meu
baú
mais papéis seus
pintados de bocas cansadas
que papéis meus
escritos com as certezas em
azul.
daqui de cima vou soprando nuvens
para mesmo em vinte anos,
mesmo se nem saiba mais quem você é,
o nosso céu seja o mesmo
- ontem esqueci quem eu era
para me encontrar na sua voz.
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Letícia Simões
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Letícia Simões já publicou diversos poemas no jornal Plástico Bolha. Este é o segundo que ela publica no Blog do Bolha. Confira o outro aqui.
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quinta-feira, 4 de março de 2010
poema na margem do caderno de física
o cair vaga
roso das
pálpebras durante
o sono interrompido,
parecem pe
sar toneladas,
como os
pianos que
subitamente
despencam do
céu
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Clara Balbi
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segunda-feira, 1 de março de 2010
Passadeira
Podem vê-la passar na rua. Sim!
Podem até vê-la na passarela.
Gostei quando passou por mim.
Eu, viela.
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Thiago Diniz
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domingo, 28 de fevereiro de 2010
sábado, 27 de fevereiro de 2010
Desencontro
Você deve estar agora
andando por Copacabana,
chorando no chão da sala
ou desistindo de um livro chato.
Quisera eu estar agora
inteira sob teus quadris.
E estou – enquanto febres
atravessam-me enorme
e deslizo entre dedos e
mercúrio e memória
e a tua boca,
a tua boca.
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Laura Assis
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Laura Assis é nossa leitora de Juiz de Fora, Minas Gerais.
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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
A História dos Seios, de Rosália Milsztajn
.sábado, 20 de fevereiro de 2010
Chapada Diamantina — de Wilson Luques
a linfa que corre das serras
rumo ao roncador
é água da fenda
das rochas
lágrimas
de quem já teve os tesouros
perdidos
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Wilson Luques
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terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
CACOS — um poema por Milton Costa
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Análise: Hans Staden em duas viagens ao Brasil e uma breve comparação com a carta de Pero Vaz de Caminha
.que a de Adão não seria maior, quanto a vergonha
Pero Vaz de Caminha
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A narrativa de um alemão
Hans Staden era um mercenário alemão que empreendeu duas viagens ao Brasil – a primeira em 1548, passando por Pernambuco e Paraíba, e a segunda em 1550, passando ela ilha Santa Catarina, dirigindo-se, posteriormente, a capitania de São Vicente, atual Estado de São Paulo. Suas rotas consistiram em séries incríveis de naufrágios e motins, até ser capturado pelos indígenas. Permaneceu nove meses com eles, sempre na eminência de ser comido. Seu relato é premido de receio e assombro, sempre se referindo aos índios enquanto selvagens. Entretanto, é num navio francês que Staden volta à Europa, antes, claro, de barganhar inteligentemente sua liberdade junto aos índios Tupinambás. O livro é um relato surpreendente, sem demasiada amplitude científica, e com vários intertítulos ilustrando os vários capítulos: “Como comeram Jerônimo, o segundo dos dois cristãos assados; Como os selvagens foram à guerra e me levaram com eles, e o quê ocorreu durante a expedição”. Há ainda fascinantes xilogravuras como ilustrações do tempo de cativeiro de Hans Staden. Essas obras foram feitos por ele ou, quando muito, sobre sua supervisão. A esclarecedora introdução de Eduardo Bueno que figura na obra da L&PM traz ainda diversas informações valiosas para a maior compreensão, dentre elas à relação da obra com a ocasião do seu lançamento na Europa. A recepção do texto de Staden no antigo continente atingiu escalas formidáveis, sendo traduzido para o Latim, Holandês, Flamengo, Inglês e Francês, e, já no século XVIII contava com 70 edições. Teria ela influenciado sobremaneira o movimento modernista de 1922 em sua acepção antropofágica. A obra teria sido apresentada a Oswald de Andrade, Tarsila do Amaral e Raul Bopp por Paulo Prado, sobrinho do milionário Eduardo Prado, que havia adquirido um exemplar original em um antiquário parisiense. O quadro Abaporu de Tarsila (em tupi-guarani comedor de gente) tem inspiração no então relato antropofágico. Até mesmo o Cinema Novo, sob direção de Nelson Pereira dos Santos, compôs uma obra cinematográfica inspirada no relato de Staden: o filme de 1971 chamado Como Era Gostoso meu Francês, filmado na mesma Ubatuba que Hans Staden se viu aprisionado há quase 500 anos atrás. Existe, entretanto, uma obra cinematográfica mais recente, lançada no ano de 1999, do diretor Luís Alberto Pereira, chamada Hans Staden.
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A narrativa de um português
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Ambos os livros estão disponíveis em versões acessíveis. O livro de Hans Staden foi reimpresso pela editora L&PM Pocket a um preço de R$ 13 e a carta de Caminha pode ser lida na íntegra no excelente site da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) http://www.cce.ufsc.br/~nupill/literatura/carta.html, mesmo que sem o prefácio de Jaime Cortesão.
domingo, 7 de fevereiro de 2010
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
Sobe e desce da alma — por Lucas Gibson
.Os adultos recusam brincar
Nas gangorras da pracinha
Porque de altos e baixos
Já basta sua vidinha!
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Lucas Gibson
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Lucas Gibson é nosso leitor do Maracanã, Rio de Janeiro. Este é o segundo poema que ele publica no Blog do Bolha. Para conferir o primeiro, clique aqui.
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terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
sábado, 30 de janeiro de 2010
Polpa, um poema por Nathanael Araujo
o sal que põe em minha boca
tem gosto adocicado,
febrífugo para feridas
em processo de cicatrização.
minhas veias dançam
meu corpo envolve
minhas mãos
arraigadas no solo
que um dia há de acolher
o descanso do que fui.
invento nomes, semeio sonhos,
rugas em processo de gestação
infinitamente amanhecendo
sobre o deserto que me veste
sarei minhas despedidas
ao te receber
sarei o meu abandono
no abraço de um corpo plantado
na pulsação de horas
a conceber vidas e mortes. em ciclos.
dentro do meu peito
flui um rio de águas claras.
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Nathanael Araujo
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quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
Alguns versos de Máh Luporini
Noite Silente,
me envolva com teu manto de
cristais reluzentes.
Ceifo palavras em um
campo adormecido.
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Máh Luporini
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quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
Lógico só para mim
Desejo deu frutos
Em cada letra
Do segundo verso
De cada estrofe
Desejo deu frutos
Seis histórias
Vinte poemas
Milhares de pensamentos
Desejo deu frutos
Que somente eu entenderei
A mensagem escondida
Que no mistério se fechará
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Giovanna Bhering
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terça-feira, 19 de janeiro de 2010
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
No jardim, poema de Franklin Pacífico
Da caixa do rádio
fluem promessas
de chá em março,
no jardim de bromélias,
e jasmins que me sorriem.
Na beirada
dos bancos de praça
as rosas vencem as acácias
na corrida até os ouvidos
daqueles sentados na praça.
Que segredos nos traz
o espírito desse lugar,
alegre e fugaz.
Face escura do pomar,
cercada de espinhos, oculta.
O jardim esconde de si
o que no seu corpo
não o agrada, e sorri
com verdes postiços
a cicatriz flor-de-lis
Nas folhas brancas,
arranhadas na sombra
do degredo sob a terra,
escondem-se as ambições
do poeta.
domingo, 17 de janeiro de 2010
sangue, sangue
Daniel Pereira
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segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
Um verão, poema de João Lima
Na sala de jantar
confraternizavam-se os estômagos:
resíduos de vida miúda nos talheres e nos
dentes amarelos
nos palavrões, nos cigarros.
(Os restos ao pobre cão faminto
ao voo das moscas
ao piquenique das formigas.)
No quarto, num espelho trincado
a ânsia procura um branco fio de cabelo
solitário que seja. No quarto,
o tempo adoece.
Não obstante,
nele consebe-se.
Nas paredes que um aríete ou temporal
podem talvez derrubar,
ecoam vozes.
Fala-se dos vizinhos, dos parentes mortos
do mau cheiro vindo do banheiro
de coisas do além, discos voadores
da triste e dolorosa mudança
que se dá no corpo de fulana.
Resolve-se passar o domingo
no litoral: comer frutos do mar com coca-cola.
Na rua, as folhas bricam
de ser pé-de-vento.
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João Lima
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quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
EDIÇÃO #27 NO SITE DO PLÁSTICO BOLHA!
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
O estilo kitsch eu renegava
.Mas o diferencial da trama, que se desenvolve a partir da jornada de uma escritora órfã, numa viagem a outro país na esperança de realização dos desejos mais íntimos, materializados na concepção de um filho. Contudo, o quer acontece é uma rede de acontecimentos que questionam o desejo de estetizar, ficcionalizar a vida, sob a batuta final de uma advertência. A literatura, assim como a vida não devem ser levadas tão a sério, o que não quer dizer que a narradora, ou o autor, em algum momento consigam dar cabo de tal empreitada. Tão melhor assim, pensei. Sem a pompa, sem a auto-importância. (p.164). Apesar do desejo de brincar mais com a vida, reside uma literatura que envolve profundamente o leitor, intencionalmente, identificando-os ou não com a experiência conturbada da errância emocional das personagens, lançando luz sobre as raízes do egoísmo de uma vida construída sob uma perspectiva somente, aquela do narrador. Diz a narradora: O estilo kitsch eu renegava, mas sua veracidade eu era obrigada a reconhecer (p.157).
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terça-feira, 22 de dezembro de 2009
Poetisando Tragos, poema de Dênis Rubra
Cama:
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eu, você,
o Marlboro light em box,
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as cinzas no cinzeiro
seguindo a harmonia do nosso suor.
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fumo a vida com você
até o ultimo trago.
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Dênis Rubra
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sábado, 19 de dezembro de 2009
O intangível dos contos de Telles
.tornam-se insensíveis
à palma da mão.
Mas as coisa findas
muito mais que lindas
essas ficarão.
Carlos Drummond de Andrade
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
A mulher e a milenar entrega
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