quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Senta lá, Sartre


brinquedos quebrados
não questionam
pureza

desinteressante a
ausência de foco
dos sentimentos:
                
                   o seguro morreu velho
                              e o apaixonado,
                                               cego

inocentes
os pés descalços
os cabelos
                amorfos

o fardo não é leve

mas vale o
uso da imaginação
e de crayons
pra colorir

enquanto isso
meu gato me encara
branco & preto
por trás do
verde –

habitante do brilho
prateado, ele sabe

certas as elipses
da vida
           (a miopia
                  necessária):

ocultam o inferno

em nós

João Meireles

Um comentário:

Raquel Scarpelli disse...

Belo poema. Gostei! :-)