segunda-feira, 3 de fevereiro de 2025

Poeminha de Rodrigo de Souza Leão


será que eu sou tão claro
claralho


Rodrigo de Souza Leão

domingo, 2 de fevereiro de 2025

Confidências Líricas


O que vou dizer
quando me perguntarem 
quanto vale a palavra proferida
por uma boca falaz e ambígua,
mesmo que seja minha  a boca?

"Não se fie no que diz a língua maldita.
Não dê valor a coisa tão vã e infeliz.
O ínfimo do infinito se fala,
mas o que se versifica
é aquilo que mais diz."


Thais Vicente

sábado, 1 de fevereiro de 2025

Os pais devem seguir tentando, novo texto de Eduardo Moraes

Fui acampar neste último feriado. Na barraca ao meu lado do camping tinha um pai com seu filho de 14 anos. 


A dupla era simpática, educada, gente fina. O coroa me disse que era a segunda vez dos dois naquela praia. E notei o carinho dele com o garoto. O apreço que ele tinha por ensinar coisas valiosas ao seu “filhão”, como ele o tratava.

Não fiquei prestando muita atenção no conteúdo, mas fiquei imaginando o que eu falaria pra um moleque que um dia eu possa vir a chamar de filho. Ou filhão.

Falaria pra ele deixar o celular de lado e olhar um pouco o céu. Dar um mergulho, uma corrida, jogar uma altinha, trocar ideia com alguém.

Falaria para ele que as coisas custam dinheiro, normalmente não são baratas e que o presente momento é fruto do trabalho duro.

Falaria que tudo bem ele pintar o cabelo de roxo. Azul. Verde. Laranja. Porque o tempo passa, a cor vai embora, a vida acontece, novas cores aparecem e dá sempre pra colocar algo novo na cabeça.

Falaria pra ele que a vida não é fácil, mas que pode ser mais simples.

Falaria que o amor é complicado. Porque às vezes a pessoa não te ama de volta. E às vezes mesmo que ame, o amor não é suficiente.

Falaria que sentir alguns sentimentos é doloroso. Mas que outros são gostosos demais de experimentar.

Mas que amar é bom. Sempre bom, mesmo quando parece ruim.

E tudo isso entraria por um ouvido e sairia pelo outro.

Os pais tentam. E vão (e devem) seguir tentando.


Eduardo Moraes