terça-feira, 24 de julho de 2012

Maquinarização


Troco facilmente uma noite pelos bares da cidade
por uma noite a escrever
O curto momento onde o Eu está comigo “mesmo” fingindo ser outro
Troco toda efemeridade de noites vazias pela profundidade das palavras
tortas, calejadas, marcadas de historicidade.
Falar sobre temas já falados como amor, dor, solidão
amizade, ciúme, paixão
Falar sobre a liberdade do homem!
Sobre o pensamento...
Se é que existe outro lugar onde o homem é realmente livre
eu não conheço.
Talvez em um picadeiro anarquista em um palco esquizofrênico,
mas não.
Não acredito mesmo que a real noção de liberdade transcenda ao pensamento.

Basta que nós, domados por nós mesmos, libertemo-nos
Basta que nos afastemos de toda a prisão domiciliar existente
afastemo-nos das redes e conexões,
do emaranhado de sinapses,
Afastemo-nos da mecanização do homem.
Para obter, enfim
A liberdade.
Temos instantes de escrita, voz,
temos instantes de humanização na humanidade
onde nossa presença se faz realmente presente.

E nesse breve momento
Estamos amarrados.
Correntes de âncora nos prendem ao pé da cama
Incessantemente tentamos cerrar elo por elo
da imensidão estrutural ao invés de apenas cerrar o pé da cama
madeira envelhecida, quebradiça,
imperceptível.

A impossibilidade se faz e a liberdade foge de nosso ser
antes mesmo de chegar à boca.

Foge e corre como uma criança que não conhece as maldades do mundo
mas que não aceita doce de estranhos.
Foge rapidamente para onde ela possa se fazer presente novamente.
Vai para o pensamento de muitos outros,
Amantes calados
poetas
para o pensamento dos solitários.
Foge para o pensamento daqueles que aproveitam o pensamento

E escorre em uma fluidez muito pouco tensionada
Escorre para outros enquanto o homem se faz máquina

E nesse momento incessante
Maquinarização, amarra
Humanização, amante
Um som de ferrovia invade a alma
e nos lembra, novamente
de nossa sofreguidão,
De nossa ânsia por liberdade
Fluida
que escorre por palavras,
armadilhas sociais
silábicas e sedentas e saturadas.

Armadilhas instauradas
Um prego para cada braço e um para os pés
E a contemporaneidade repete de forma sutil o ritual

É o preço por tentar a liberdade em um mundo
onde os pensamentos se transformam em palavras
e as palavras se transformam em um mundo

É o preço de tentar a liberdade em uma palavra
onde o mundo se transforma em palavras
e as palavras se transformam em pensamentos

Espero apenas o dia em que o silêncio marcará a liberdade

Enquanto isso seguimos

Em bares, em noites de escrita
em bons sorrisos, e choros marcantes.
dia após dia
com a consciência de nossas amarras, a invisibilidade do pé da cama
Sempre transformando
homem em máquina, máquina em homem
E com medo do porvir.

domingo, 22 de julho de 2012

Um poema clássico de Naaman


O caminhar se fez mais lento
E na porta do convento
As migalhas não traduziram
As pombas degradadas.
Um cão que passava
Poderia ser considerado
Mais astuto que eu,
Porém faço versos
E sou moribundo,
Meus caninos não servindo
Para um ataque.


quinta-feira, 19 de julho de 2012

Cleonice Berardinelli lança novo livro na ABL


A professora da PUC-Rio e membro da Academia Brasileira de Letras, Cleonice Berardinelli - a nossa querida D. Cleo -  lança novo livro na próxima quinta-feira,  26 de julho, na própria ABL-RJ. Esperamos seu clã de amigos e ex-alunos lá!!!

quarta-feira, 18 de julho de 2012

O Plástico Bolha em Juiz de Fora - MG


Galera, o Plástico Bolha está estourando em Juiz de Fora. É uma parceria com nossos amigos do ECO - Performances Poéticas, que estão dando uma força na distribuição do jornal na mais carioca das cidades mineiras. Encontrem o nosso Plástico Bolha no Planet Music e no Josefina Café e Doceria. Vejam as fotos!!!

Planet Music - Juiz de Fora - MG

Planet Music - Juiz de Fora - MG

Planet Music - Juiz de Fora - MG

Josefina Café e Doceria - Juiz de Fora - MG

Josefina Café e Doceria - Juiz de Fora - MG

Josefina Café e Doceria - Juiz de Fora - MG

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Cafeína


Nesses tempos fica só
o gosto de café
na língua.
às vezes até ardida
da pressa do gole,
da correria.
fico excitada,
admito.
E não é sexual, não.
É fogo na alma,
entende?
Já não durmo há
três dias. Até deito
na cama jogada
entre livros risos e
poesias.
Mas sempre acordada.

a porta eu fecho,
no gosto de barulho
no pensamento.
Ai de mim se eu não

fosse meus contornos
es-can-ca-ra-dos.

Diana Sandes Gomes

domingo, 15 de julho de 2012

Um Épico


entro numa farmácia
tenho 30 anos
entro para pedir um remédio
para calvície
não que seja calvo
mas um certo medo precoce
da idade
uma vaidade que a invenção
do espelho
nos impôs

não é culpa do espelho
antes todo mundo queria ser velho
logo
hoje todo mundo quer ser jovem
sempre

o fato é que peço o remédio
para calvície
o atendente é mais novo que eu
e careca
durante alguns segundos me olha
descrente
pega o remédio
pergunta se eu tenho o cartão de desconto
segue o protocolo
e me entrega o remédio
descrente

vou andando pela rua
de uma terra inventada
de uma terra sonhada
e olho o mundo que passa
a pé
de carro
bicicletas
skate
patins
para que tanta roda meu Deus?
o mundo passa
descrente
o meu remédio para calvície
sacoleja líquido na bolsa plástica
pedi para o atendente
não me entregar a bolsaplástica
mas ele seguiu o protocolo
descrente

olho a bolsa plástica
e penso no continente de plástico
que boia hoje no meio do pacífico
deserto de polímeros
lembro dos pássaros
encontrados mortos
com bolsas plásticas
no estômago
sempre me sinto um assassino
de pássaros
quando carrego uma bolsa plástica
matador de passarinho
sigo andando
e lembrando
que não é de hoje que me sinto assim
assassino
no primário uma professora
me olhou fundo nos olhos
com olhos lacrimosos
por uma vírgula
comida
ela contou que na segunda guerra mundial
um batalhão avançado perguntou
se deviam matar prisioneiros de guerra
NÃO TENHAM PIEDADE!
foi a resposta
mataram todos

mas faltou a vírgula
não, (vírgula)
tenham piedade.
Não era para matar ninguém
Sempre que erro uma vírgula
me sinto um assassino
um criminoso
de guerra
as vírgulas
balas perdidas
assassinando as frase
se um carro freia forte
assovia borracha no asfalto
buzina
me xinga
eu no meio da rua
distraído pelo plástico
pela vírgula

meu primo sempre diz
que eu não tenho medo dos carros
para mim parecem mesmo
burrinhos pacatos
ruminando piche
mas não são
alguns não freiam
outros comem piche
ou melhor
petróleo
e os pássaros com plástico no estômago
cobertos de petróleo
num acidente
ecológicoe os peixes tentando respirar
na superfície pastosa
deserto de piches
andar de carro é ser um assassinode peixes

tenho 30 anos
me chamo Domingos
sou um dia inútil da semana
caminhando pela utilidade
dos dias
as inutilezas que salvarão o mundo
a preguiça de um domingo
que salvará o mundo
sou Domingos
me chamam Dodô
sou uma ave extinta
de uma terra inventada
uma terra sonhada
num domingo de so
lquando Deus cochilou
inventaram o brasil.

Domingos Guimaraens 
 

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Lançamento da edição #32


Queridos leitores, amigos e colaboradores, é com enorme alegria que anunciamos o lançamento da mais nova edição impressa do jornal Plástico Bolha. Esperamos todos vocês amanhã, quinta-feira, 12/07/12, às 19h, no Espaço Cultural Interseções. Venha pegar seu exemplar em primeira mão e ouvir os poemas da edição falados pelos próprios autores! Até lá!

terça-feira, 10 de julho de 2012

O Plástico Bolha chegou nas cidades de Lima Duarte e Ibitipoca - MG.


O Plástico Bolha acaba de fechar mais uma parceria no Sul de Minas. Dessa vez na cidade de Lima Duarte onde a Associação Caminho da Serra Leitura recebeu o Plástico Bolha de braços abertos. Além de estar disponível para distribuição no belo espaço de leitura da Associação, nossos amigos do projeto distribuirão exemplares nas escolas da cidade.






Seguindo o caminho da Serra o Plástico Bolha também foi parar na bucólica Ibitipoca - uma das mais antigas cidadezinhas de Minas. Por lá restaurantes, lojas de artesanato, padaria e lan house entraram na onda literária do jornal.

Ibitipoca agora é Ibitibolha...

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Evento Terças Notáveis


Série Grandes Nomes, Grandes Discos, amanhã, 10/07/12, com Jards Macalé e Tárik de Souza.
A partir das 20:30h


Vale conferir!!!

sexta-feira, 6 de julho de 2012

O que eu peço


o que eu peço é apenas uma janela.

(não para me esconder
nem para empurrar lembranças afora
talvez fosse para avistar gaivotas -
mas não:
sequer seria para esfriar as dores
ou transformar palavras em uísque
quem sabe de moldura nascer
máquina de escrever, noite adentro, noite fria adentro
mas não.)

quero uma janela para firmar
suas mãos no meu rosto
para quando você virar à esquerda
o molde tomar corpo
e flutuar pela sala.


Letícia Simões

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Capa da próxima edição!


Aqui vai a prévia da capa da próxima edição do jornal Plástico Bolha. Este número, reforçamos mais uma vez, foi realizado inteiramente com os fundos arrecadados na campanha do Catarse. Foram 105 colaboradores, entre amigos e leitores, que ajudaram, cada um à sua maneira, a continuar levando esse projeto literário adiante. A todos, o nosso MUITO OBRIGADO!

Segue a lista dos apoiadores:

Natália Bassôa
Piti Tomé
Flávia Paulo
André Medeiros
Cecília Vieira de Melo
Leonardo Davino de Oliveira
Dany Tomé
Luiza Vilela
Domingos Guimaraens
Paulo Vinicius Senise
Bel Baroni
Karfile.com
Clarisse Zarvos
Carmem Lucia de Aguiar Paulo
Catarina Lins
Camila Justino
Alice Sant’Anna
Paula Paiva
Helena Martins
Fabio Bastos
Coletivo Centro
Thiago Bento Ferreira
Mariana Carneiro
Rosane Carneiro
Ana Jordão
Masé Lemos
Amanda Lima
Flávia Leão Teixeira
Raissa de Góes
Adriana Maciel
Manuelle Rosa
Flora Bonfanti
Caroline Valansi
Thiago de Souza
Silvia Rebello
Ana Rosa
Juliana Serfaty
João Inada
Espaço Cultural Interseções
Regina Maria Bazzanella
Beatriz Junqueira Pedras
Mariana Lopes Peixoto
Ramon Mello
Silvio Fraga Neto
Paulo Henriques Britto
Ana da Fonseca
Marcio Debellian
Luiz Lianza
Breno Coelho
Laura Erber
Renata Saavedra
Marcela Tagliaferri
Ricardo Castro Dias Gomes
Francisco Carlos Palomanes Martinho
Sérgio Barcellos
Marília Garcia
Mariana Patrício
Adriano Ferreira Ennes
Dimitri Rebello
Gledson Vinícius
Miriam Hanna Daher
Clara Lugão
Olivia Byington
Theófilo Rodrigues
Karen Portugal Barbosa Cordeiro
Marcela Sperandio Rosa
Laura Assis
Luiza Machado
Fridona Tomé
A Bolha Editora
Hymirene Papi Guimaraens
Barra Coaching
Augusto Guimaraens
Maria Helena Pacheco da Silva
Claudia Roquette-Pinto
Carla Guimarães
Carlos Andreas

E o lançamento da edição se aproxima! O número #32 do jornal Plástico Bolha virá à público na próxima semana, dia 12/07, em um descontraído evento no Espaço Cultural Interseções, no Humaitá, onde teremos leituras de poemas da edição pelos próprios poetas e também convidados especiais. Mais informações em breve!

terça-feira, 3 de julho de 2012

O Plástico Bolha chegou ao Córrego dos Januários...


A Casa de Memória e Cultura do Córrego dos Januários, situada na comunidade rural do Córrego dos Januários, Inhapim - MG, é o mais novo ponto de distribuição do Plástico Bolha em Minas Gerais.

A Casa de Memória e Cultura do Córrego dos Januários surgiu como resultado de um amplo trabalho de pesquisa realizado pela pesquisadora Denise Sampaio Gusmão, no Programa de Pós-graduação em Psicologia Clínica do Departamento de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, sob a orientação da professora Solange Jobim e Souza. O projeto foi desenvolvido com a participação da comunidade do Córrego dos Januários, e está vinculado à Associação Comunitária do Córrego dos Januários, sob a responsabilidade de Maria de Lourdes Souza. A elaboração e o desenvolvimento deste projeto contou com o apoio da CAPES, do CNPq, da Vice Reitoria Comunitária da PUC-Rio e com a parceria do Departamento de Artes & Design da PUC-Rio, através do professor Luis Vicente Barros. Dentro da Casa de Memória funciona o projeto de formação de Leitores: Clubinho de Leitura. O projeto funciona com o trabalho voluntário de Maria de Lourdes, Edervanio, Dayane, Branca, Rita, Edilaine e Adélia. Em breve eles terão o novo Blog que divulgaremos aqui. 






O adolescente distribuindo o Plástico Bolha é Sávio. O adolescente que aparece na janela é Juninho. Os dois são moradores do Córrego dos Januários e vizinhos da Casa de Memória e cultura e leitores do Plástico Bolha.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Cuiabázão


Me disseram
Que Cuiabá
Era feita de pó
Poeira mesmo
E que nascia
Com o sol
Que quando
Repousava
No horizonte
Fazia acidade
Desaparecer
Da vista
E então
Num ciclo
Infinito
Cuiabá
Ressurgia
Todos os dias
E clareada
Pela luz solar
Reinava viva
No centro-oeste
De um país
Desde sempre
E até nunca mais.

Vinícius Masutti

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Labirinto Poético amanhã!


É amanhã a próxima edição do Labirinto Poético no centro do Rio. Só gente boa, palavras e movimento! Apareça e venha se perder com a gente!

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Margaridas sem açúcar


Na composição em que amanheço
Metáforas trágicas invadem o subsolo
Segrego o que aflige, e mato
Jaz, bailarina lilás
Como todo incerto,
perceptível e vulnerável.
Até margaridas amargavam de inquietude
 
Em nada consiste teu ascendente
Rascunho a lembrança
Foram se as eras, eu ira
No entorpecido noturno em que consisto

Mia Vieira

terça-feira, 26 de junho de 2012

Lançamento do livro de Delano Valentin



Lançamento do novo livro "Todo mundo é Jhow", de Delano Valentin, dia 28 de junho, quinta-feira próxima, a partir das 19h na Livraria da Travessa (Shopping Leblon). Vale conferir!!!

domingo, 24 de junho de 2012

Fuga do campo das flores, de Pedro Bastos


I
bocas fechadas repletas de terra
bocas com línguas aterradas
dentes com raízes
céu da boca encoberto
ácido torrencial
veneno gástrico

II
bocas e beijos secos
cascalhos trocados
feito sentimentos
fáceis de encontrar
e jogar fora do chão

lábios áridos pedindo irrigação
por alguém que chegue de verdade
bocas pedem sementes
elas germinam como pedras
para o plantio das flores

Pedro Bastos


Pedro Bastos publicou este texto na última edição do jornal Plástico Bolha.

terça-feira, 19 de junho de 2012

3º Salão da Leitura de Niterói


Homenagem para Santuza Cambraia Naves


A próxima edição do Plástico Bolha, vem com uma homenagem mais do que especial para a nossa amiga e colaboradora Santuza Cambraia Naves, colunista do Plástico Bolha que faleceu há pouco. Em meio ao vazio deixado por Santuza, nos organizamos para coletar depoimentos de pessoas próximas, colegas de trabalho, amigos e parceiros. O resultado desta homenagem estará na próxima edição, #32, com a participação de:

Augusto Guimaraens Cavalcanti
Isabel Mendes de Almeida
Jonas Soares Lana
Eduardo Lacerda Mourão
Gabriel Improta
Clara Lugão
Victor Moretto
Lucas Viriato
Sarah Silva Telles
Lu Menezes
Miriam Sutter
Laura Erber
Fred Coelho
Julio Diniz
Aluysio Athaíde
Ingrid Bittar
Paulo Henriques Britto



Saudades, Santuza!

R + P no Arpoador!


É na próxima quinta-feira, dia 21, 18h, a nova edição do R + P, organizado por Pedro Rocha, com a participação de Marília Garcia, Chacal, Dimitri Rebello e Heyk Pimenta. Entrada franca!

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Novos pontos de distribuição do PB em Paraíba do Sul - RJ


A equipe Plástico Bolha andou pela encantadora cidade de Paraíba do Sul - RJ neste fim de semana e espalhou a última edição do jornal por vários pontos da cidade. Vale conferir!!!

Os pontos onde o Plástico Bolha pode ser encontrado são:

- Padaria Point do Pão
- Padaria Pão Nosso
- Apparatus Vídeo
- Padaria Jesus – O Rei do Pão
- Banca Jatobá
- Mercado da Esquina
- Hotel Itaoca
- Mini Bar Maria Aparecida
- Armazém do César
- Restaurante da Tia Ana
- Bosque da Praça
- Estação DVD

Infância


Lembro-me da minha infância,
Tempo não muito distante.
Lembro-me e sinto saudades.
Mas também vontade de seguir adiante.

Brincava de pique-esconde, amarelinha,
Queimada, futebol e casinha.
Brincava de correr, pular, cantar e dançar.
Na rua, na chuva ou na fazenda.
O importante era brincar.

Saudades das brincadeiras,
Tinha bolinha de gude, pare-bola
E tinha a dança das cadeiras.

O tempo foi passando,
Surgem diários, agendas,
E cartinhas de amor vão chegando.
Caderno de perguntas, bilhetinhos,
As brincadeiras vão se transformando.

Mas a saudade da infância vai além
Saudade da essência e da inocência,
Da mocidade e da liberdade,
Da pureza e contato com a natureza,
Da serenidade e ausência de responsabilidade,
Da respiração e da oração,
Saudades...simples e sinceras saudades!

Patrícia Jales

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Lançamento do novo livro de Ramon Mello



O Jornal Plástico Bolha tem a alegria de divulgar que o poeta Ramon Mello, publicado no Plástico Bolha e parceiro de longo tempo, está lançando seu novo livro

Poemas tirados de notícias de jornal (Móbile Editorial).

O lançamento será dia 18 de junho, segunda-feira próxima, no Rio de Janeiro e 27 de junho em São Paulo. A obra foi contemplada pelo Edital Novos Autores Fluminenses 2010/2011 da Secretaria de Estado de Cultura do RJ.

Dois anos após a publicação de seu primeiro livro, Vinis mofados (Língua Geral, 2009), Ramon Mello revela em Poemas tirados de notícias de jornal leitura cuidadosa da nossa melhor tradição: Oswald de Andrade, Manuel Bandeira e Carlos Drummond de Andrade, propondo a adesão do poema ao que se passa no mundo.

Como diz no posfácio do livro o filósofo e professor da Puc-Rio Eduardo Jardim, “a razão de os Poemas tirados de notícias de jornal serem tão bem-sucedidos consiste em que neles se sustentam, sem nunca se anularem um ao outro, dois princípios ou duas ‘éticas’ – a documental e a poética. Há entre eles, ao mesmo tempo, afinidade e crispação. Nisto reside a força da poesia de Ramon Mello”.

Rio de Janeiro
Dia 18 de junho, às 19h, na Livraria Blooks (Praia de Botafogo, 316 – Botafogo – Unibanco Arteplex)

São Paulo
Dia 27 de junho, às 19h, na Livraria da Vila (Rua Fradique Coutinho, 915 – Pinheiros)

Esperamos todos lá!!!

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Oficina de Jogos Poéticos


Essa semana tem Oficina de Jogos Poéticos, organizado pela nossa amiga de bolha Lúcia Helena Ramos. É nesta quinta, às 18h30, no SESC Tijuca. Atividade gratuita.

terça-feira, 12 de junho de 2012

Os limites do amor





Para Lucielle Wiermann


O amor é insuficiente.
Não inverte a morte
                               em vida.
Com afinco tenta.
Entra.
                    Fica sem saída.

Risco máximo,
o amor não consola.
Se sincero
e sério
é que mais se esfola.

Perdoe
meu amor imperfeito,
pois emana de um
ser se fazendo,
                nunca feito.

Mesmo doendo,
é o imperativo
onde a poesia se levanta,
o amor em mim
          é  uma sina santa.

Robert Garcia Toledo

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Papéis de Carta

 
Hoje, enquanto limpava e arrumava meu armário, encontrei uma caixa que não via há muito tempo. Na verdade, acho que essa caixa não é aberta desde que eu era criança. Estranho pensar que esses papéis de carta, agora velhos, mofados e irreconhecíveis, faziam parte do meu dia a dia tanto quanto respirar. Antigamente, costumava escrever pequenas cartinhas para os meus amigos e família pelo simples prazer de me deliciar com o toque da caneta no papel macio e com a nova habilidade de escrever.

Com papéis de carta perfumados e coloridos, um simples "obrigada" ganhava uma força renovada, como se aquela palavra nunca tivesse sido dita antes por ninguém no mundo. Era como se eu inventasse novas palavras quando as escrevia naquelas alegres folhas, porque elas nunca estiveram em um lugar que as tratava com tanto carinho quanto a minha mão, a caneta e os papéis brilhosos, lustrosos, que chamavam atenção para cada sílaba e pareciam pronunciar o que havia sido escrito neles em voz alta, de modo doce e suave, exatamente como quem as lia as queria ouvir. Elas apelavam direto para os corações dos destinatários, ainda que os textos tivessem erros de ortografia e talvez até de gramática, comuns para crianças e, às vezes, até para adultos.

Isso me faz pensar que ao escrever nossas vidas, muitas palavras mudam, o modo como as usamos também muda, nossos objetivos ao escrevê-las e dizê-las mudam. E acho que foi no meio dessa mudança que acabei trocando os papéis de carta não por outros mais bonitos, como costumava fazer com minhas colegas na hora do recreio, mas por papéis duros, em branco, que esperam ansiosamente por uma resposta, para que alguém preencha o vazio interminável presente neles. Eles, presentes no passado, agora já foram substituídos por essas teclas cujo barulho incomoda, com letras espalhadas por um teclado que espera que quem as bate as una de modo coerente, compreensível, responsável. É preciso preencher os espaços entre elas rapidamente, automaticamente, sem pensar; as lacunas que antes serviam para imaginação e intuição hoje são perigosas e, de acordo com o que dizem, devem ser eliminadas em prol da eficiência e da seriedade, do resultado. As letras estão separadas umas das outras como nós estamos, e talvez elas não queiram ser juntas. Talvez elas não possam mais ser juntas hoje. Talvez elas só pudessem ser juntas de um modo livre, com erros de concordância e ortografia (mas sem erro nenhum, na verdade eram só as palavras e letras brincando entre si) como eram antigamente, em lustrosos papéis de carta.

Fico pensando em quantas palavras se perderam, em quantos sentimentos deixaram de ser postos no papel e em prática, em quantas palavras deixaram de ser pronunciadas em voz doce, só porque um dia, não sei bem quando, enclausurei os sonhos e cores que haviam naqueles papéis dentro de uma caixa escura no meu armário - obrigada.

Anna Israel

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Os mundos


Entre dois raios de pensamento
no quarto pendurado pela memória
um fio apenas liga a eternidade
aos alçapões
da massa bruta do Corpo.

Nos jardins claros

árvores vestindo amarelo, estátuas vestidas
de musgo
sob olhares de pedra.
Ventos de outono andam espalhando aromas
dum Cinza futuro onde homens
levantam na voz do pássaro___

serão de frágil linho

os fios antes de cobre
quando as janelas da Casa
não virem mais os braços da Estátua,
nem subirem mais o Corcovado.

Até que da casa Eterna

som dos saxofones arrancará das Memórias
toda lembrança de um Corpo___e os anjos subirem todos
levando de volta os olhos,
dois ouvidos Cansados.
Então minha alma se erguerá do Tempo.


Adiron Marcos

terça-feira, 5 de junho de 2012

Agora


Vamos imprimir nossas fotografias. Guardar guardanapos, arquivar livros e discos, contas vencidas ou pagas, bilhetes, listas de compras, imãs de geladeira e papéis de bala. Embalar a vácuo nossos cupons, holerites e agendas caducas. Vamos escrever diários e livros, tatuar frases, enterrar baús, congelar nossos vinhos no nitrogênio líquido só por garantia. Corra, corra que esse sorrir à toa, essa alegria boba, esse momento agora vale mais que toda a história.

Pedro Braga