sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Poemas de mudança


Parte II:
foi quando desfiando o frango pra rechear o pastel
eu lembrei de um poema que você ia adorar
e fui buscar o livro e li pra você
porque estava mesmo com vontade de ler um poema bem bom pra você
daqueles que você diz caralho quando termino de ler
e você disse e perguntou quem escreveu
respondi e lembrei de umas vezes em que fiquei te olhando enquanto você dormia no meu colo
e esse foi um dos capítulos mais bonitos daquele nosso sábado de primavera
em que você quase me deixou sozinho naquele quarto
com minha arrogância minha solidão e mais um monte de lembranças rasgadas pelo chão
até que eu te contei aquilo que nunca havia contado pra ninguém
e falei de um jeito que não falo com ninguém
e você chorou e me beijou e me pediu pra te levar até a porta
e eu te levei e você ficou
e o caos daquela mudança continuou existindo a nossa volta
e a dor daqueles metros quadrados continuou doendo
centímetro por centímetro
e por mais algums vezes nós ainda choramos
por você quase ter ido embora
por eu quase ter deixado você ir embora
e principalmente por eu ter feito você querer ir embora
seria nossa última lembrança naquele quarto
de tantas risadas e descobertas
mas você não foi e fizemos brigadeiro
mesmo com pouca manteiga e com a casa desmoronando
e eu pude através dos seus olhos enormes
que você estava realmente disposta a mudar comigo através dos tempos.

Geovani Martins

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