sexta-feira, 10 de junho de 2011

POR QUE NÃO VIVER AO VIVO?


De repente tudo se tornou tão previsível.

Acordarei e repetirei o ritual diário

Não farei nada de novo

Mas pode ser que eu conquiste um novo público.

.

O cenário não mudou

Mas reparo uma mudança:

Os atores não são os mesmos.

Ah! mas são os mesmos personagens!

Aquele ali eu já conheço

Aquela? Já interpretei muitas vezes

.

A cena se repete sempre

A emoção mais expressiva que observo?

Uma “Tensão Pré-Flash”

E que exigência a câmera nos faz!

Tão felizes, tão magros, tão agradáveis

E cada vez mais distantes de nós mesmos

.

Em que cabeça vejo os cabelos do comercial de Shampoo?

Fios lindos e saudáveis

E, voando no mesmo vento que os balança,

Uma consciência remota

.

Ria de si mesmo

Mas não chore na frente dos outros.

Não te reveles a qualquer um!

E a ti, quando te revelarás?

.

Perdemos quem somos.

.

Olhei meu rosto no espelho

Ornado de lápis, blush e batom

E me perguntei quem eu queria representar

Com aquele retrato que acabara de pintar

Fiquei aborrecida com a questão

Lavei o rosto.

E mesmo com a face limpa

Não reconheci quem eu era

.

Eu era uma tela em branco esperando qualquer cor?

Onde estariam os rascunhos e estudos que antecederam aquele final?

Era como se eles tivessem se perdido

Agora a minha verdade era aquele personagem

Do qual não era de minha autoria sua história

Mas que eu sabia de cor cada falso ato seu

.

Por que não viver ao vivo?

Falta coragem de assumir o errático

Então, simplesmente perguntamos:

- Se a suavidade existe, por que toda essa aspereza em viver?

E esquecemos que sentir é seco e sem anestesia


Camila Da Vinci


Um comentário:

Joana Lavôr disse...

Gostei muito. Postei em um blog de apresentação de poesias que eu tenho.