terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Ana Cristina Cesar, a nossos pés

Apresentação de Manoel Ricardo de Lima:
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Há 25 anos uma moça de olhos bonitos e mãos cobertas com luvas de pelica — Ana Cristina Cesar — interrompia um imprevisto e impunha outro. Daí em diante o que se tem, além dos poemas rasgados e charmosos de seu livro intitulado A teus pés, é um sem número de tentativas para juntar os cacos dos imprevistos: a reunião dos poemas deixados que foram editados sob o título de Inéditos e Dispersos, as cartas apontadas para si mesma como uma correspondência secreta, alguma crítica, alguma tradução, algumas anotações num caderno distraído etc. Nada que o sol não explique, diria Leminski. Ou ela mesma num poema-deboche quase um samba curto: "ela quis / queria me matar / quererá ainda, querida?"
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Assim, este livro vem a partir de uma proposta feita por Dorva Rezende, amigo e bom parceiro de conversa, para organizar uma ocupação de duas páginas no segundo caderno do Diário Catarinense com algo que não fosse apenas uma efeméride, mas uma revisão por dentro dos poemas de Ana Cristina Cesar. O que logo pensei em armar foi algo como poema rompendo poema, uma armadilha para desfazer um pouco esta coisa muito cansativa e repetida da poeta precoce que se matou (e ainda a poeta carioca, a genial, a burguesa, a quase mito etc, e que hoje é muito mais uma grife ou um carimbo póstumo do que qualquer outra coisa). E isto para manter o sufoco da deliciosa poesia de Ana Cristina Cesar. Mas jamais conseguiria fazer isso sozinho, daí convidei uma artilharia imprecisa, um exército errante que veio de lugares espalhados pela distância para compor alguma diferença: raspar com poemas a poesia de Ana.
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Convidei 13+1 bons conversadores de linha e verso para fazer algo mais generoso com Ana, mais gentil, mais delicado: escrever linhas de circunstância, mas não por isso com menos desejo e menos política. Muito obrigado a cada um pela companhia. Aqui está o resultado do impasse depois das páginas do jornal: este livro. Livro que abre uma parceria muito generosa e afetiva, entre a Editora da Casa e a Dantes Editora, que espero seja uma espécie de começo dentro do começo, um rodopio. A poesia de Ana Cristina Cesar merece, e muito, esta conversa que não é de céu nem de reverência, mas é de chão: colocar sua poesia a nossos pés.

Um comentário:

Roberto Sampaio disse...

Linda Ana...espacial-especial.