quarta-feira, 21 de maio de 2014

Alegria


Amar é muito mais do que amar a pessoa amada. É amar tudo o que nos cerca e, de repente, prestar atenção ao lado positivo das coisas, enxergando além dos contornos. É se sentir tão bem que a alacridade escapa ao nosso corpo, por mais que tentemos contê-la ou dissimulá-la, ecoa pelos nossos sorrisos, brilha pelos nossos olhos e flui através da nossa felicidade. Escancara-se, desavergonhada, em tudo o que fazemos e ameaça contaminar quem estiver por perto. Essa alegria vem embalada em todo um entusiasmo incapaz de ser refreado, um júbilo que preenche, domina, sublima. E então somos jovens novamente. Não importa se estamos no meio, no início ou no fim da vida: somos jovens. Não há intenção, explicação, discriminação. Um raio de luz nos atinge de repente e uma vivacidade pueril nos deixa, relutante, estúpida e descaradamente de bem com o mundo. Imersas em uma beleza magistral, todas as insignificâncias circundantes, subitamente, se tornam perceptíveis e interessantes.

A alegria é o ímpeto de ser feliz falando mais alto, a poesia da vida que se materializa e transborda em explosões extáticas de maravilha e encantamento, deixando transparecer o nosso lado mais sonhador. A vida que escondíamos dentro de nós extravasa para a realidade e transforma dias comuns em fábulas deslumbrantes das quais sempre nos lembraremos sem nem bem saber o porquê. Dias diferentes o suficiente para se fazerem notar. Diferentes não por causa do tempo, da estação ou de qualquer coisa relacionada ao calendário, mas por nós. 

Lembraremo-nos dos dias que desperdiçamos brincando pela simples liberdade de fazê-lo ou perdemos refletindo, displicentes, sem jamais chegar a uma conclusão inteligível. Pensaremos justamente nos dias que passamos sem fazer nada, não por falta do que fazer, mas por falta de algo melhor para fazer. E, em verdade, é realmente difícil achar algo melhor a fazer do que aquilo que nos faz bem. Ser feliz, genuína e inegavelmente feliz, não é perder tempo, ao contrário, é otimizá-lo. Felicidade por felicidade, sem motivo algum - e, no entanto, por todos os motivos -, é a autêntica joie de vivre.

Bruna Romeu


Bruna Romeu é nossa leitora-colaboradora, e tem outros textos publicados aqui no blog!

2 comentários:

Amanda Oliveira disse...

"O tempo que você gosta de perder não é tempo perdido."
A felicidade, a alegria de viver transforma os dias mais comuns, mais crus e entediantes em dias maravilhosos e extraordinários, sem que haja nenhuma alteração substancial na sua rotina. Diante de um bom humor, tudo parece mais vivo e mais bonito. O que antes parecia feio e sem brilho se torna uma joia rara, e carrancas se dissolvem em sorrisos em face desse novo olhar. E o amor, o sentimento de amar e ser amado, noas trás essa alegria e otimismo como poucas outras coisas na vida.
Lindo texto, J! Realmente inspirador.

Amanda Oliveira disse...

"O tempo que você gosta de perder não é tempo perdido."
A felicidade, a alegria de viver transforma os dias mais comuns, mais crus e entediantes em dias maravilhosos e extraordinários, sem que haja nenhuma alteração substancial na sua rotina. Diante de um bom humor, tudo parece mais vivo e mais bonito. O que antes parecia feio e sem brilho se torna uma joia rara, e carrancas se dissolvem em sorrisos em face desse novo olhar. E o amor, o sentimento de amar e ser amado, noas trás essa alegria e otimismo como poucas outras coisas na vida.
Lindo texto, J! Realmente inspirador.