segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Saparada — poema de Breno Coelho

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Tem sapos que não lavam
os pés
a vergonha da cara
só lavam as mãos

tem sapos que viram
príncipes
princípios

os sapos bois
bóiam
os sapos cururus
jururus com a vida
se bolam

tem sapos que cantam
mais do
que
pulam
tem sapos que pulam
mais do
que
cantam

sapiência
sapos cientes
se preocupam com
a sua condição de anfíbio

tem sapos querendo
estrelato
sapos cacos
sapu-caí
sapos arteiros
sapateiros
outros querendo ser
pererecas
rãs
saporra

Todos os sapos
do Mario de Andrade

se ocupam com a forma
não querem reforma
separados de sua coletividade.
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Breno Coelho
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Um comentário:

Aristoteles disse...

Este poema me faz lembrar uma sapataria que havia em Olho d`Água de Dentro, distrito situado no sertão pernambucano,onde há uma concentração de cacimbas e os sapatos e sapatas se reuniam nos dias de luar, para batraquiarem. Valeuuuu Brenowsk!!!ABRAÇÃO!!!