quinta-feira, 18 de julho de 2013

A vida pela hora da morte! - Sempiternos adágios



As manifestações populares do mês passado (junho de 2013), no Rio de Janeiro, tiveram como estopim o aumento de vinte centavos no preço das passagens do transporte coletivo. Mas o movimento ultrapassou em muito o protesto contra o aumento do preço da passagem de ônibus! Na realidade, os vinte centavos incluíam o indignado e até então sufocado protesto contra a carestia, a inflação, a falta de recursos básicos nas áreas de educação e saúde, contra a vigência da corrupção, dos impostos extorsivos cobrados dos cidadãos, da falta de transparência na aplicação do dinheiro público, das negociatas que envolvem obras estatais, etc. ― Vox populi, vox Dei!

Pois é!  A Res publica, na figura de Dilma Rousseff, foi forçada a ouvir a vox juvenum, a voz dos jovens nas ruas do Brasil, e foi forçada a declarar a legitimidade do movimento. E nem poderia ser diferente, pois a ideia de que uma opinião compartilhada por todos não pode ser falsa já se encontra na literatura grega desde Hesíodo e, na romana, desde Sêneca, o Velho, em que se lê que “a língua do povo é sagrada” (Sacra populilingua est) que confirma o dito medieval A voz do povo é a voz de Deus.

Em Roma, acreditava-se, até mesmo, que a primeira palavra ouvida ao sair-se porta afora poderia ser uma palavra profética. Assim, se um romano tivesse algum assunto a tratar e estivesse em dúvida sobre que decisão tomar, a primeira palavra ouvida na rua seria a voz de um deus. Em outras palavras, seria a resposta à dúvida. De fato, nosso romano indeciso sempre poderia invocar o deus Aius Locutius, que certamente se manifestaria, nem que fosse pela força do pleonasmo de seu nome.  Aio significa “afirmo”, “digo”, “falo”. Locutus sum, por sua vez, é a origem da forma Locutius, e significa “falei”, “disse”.  Deveras loquaz este misterioso deus Falo e digo e repito ou Aio Locúcio!

Parecem ter sido vítimas desta misteriosa e divertida divindade pagã aqueles funcionários da notícia que, antes da declaração oficial de legitimidade do movimento das ruas, ridiculamente o repudiaram e desclassificaram. ― Pois é, Arnaldo Jabor, “anarquismo inútil” é forte até mesmo em um discurso de retratação pública! O ridículo de vozes deste tipo me fez associar os sintagmas “vinte centavos”, “preço do transporte”, “passagem” a outro adágio estampado em cartazes de manifestantes do movimento: ― O tomate está pela hora da morte!  Uma bem humorada paráfrase do velho A vida está pela hora da morte.

Se o custo de vida anda alto, o da morte, paradoxalmente, anda altíssimo. E aí vai uma questão a ser pensada: se em vida já pagamos altas taxas de juros e impostos, por que temos de pagar pela morte? Não seria o caso de protestar também contra o custo do transporte para o mundo dos mortos? Sem abordar o abjeto assunto da “máfia dos cemitérios”, a morte nunca foi grátis. O pagamento da passagem para a morte não é novo e nem moderno. Assim nos testifica a figura de Caronte, o barqueiro do mundo dos mortos da mitologia grega.

Diz o mito que quando a alma abandonava o cadáver, ela era conduzida ao mundo subterrâneo dos mortos por Hermes, que a deixava às margens do rio Aqueronte. Dali, se o corpo tivesse sido sepultado e mediante o pagamento de um óbolo, era permitido à alma entrar na sombria barca de Caronte. Cruzando as tenebrosas águas do Aqueronte, a barca atracava na margem oposta, e a alma chegara em definitivo ao Hades, o reino de Plutão e Perséfone, cujo imponente saguão era guardado pelo tricéfalo Cérbero, o cão do mundo subterrâneo.

Um óbolo, portanto, era o preço da passagem para o mundo dos mortos. É por isso que na Grécia antiga existia o costume religioso de se colocar a dita moeda na boca ou por sobre a pálpebra do morto. O óbolo era a medida grega de menor valor: a sexta parte de uma dracma ou meio grama de prata.  Nosso centavo de real, que já nem mais circula, apesar de continuar a ser computado no preço de mercadorias e produtos, não serve como comparação. Já vinte centavos, quem sabe?

Só que, em nossa história, os vinte centavos de aumento seriam cobrados (não fosse o Movimento Passe Livre) pelo transporte de pessoas vivas em viagens diárias, verdadeiras vivências de um inferno surreal. Nenhum carioca, obrigado a usar o transporte público, terá dificuldade em imaginar a barca de Caronte! Ele a conhece dos ônibus e do metrô que servem à população.

Ao fim e ao cabo, não é de estranhar que tenhamos a morte em tão alta conta: ― Fulano vale mais morto que vivo! Pela fria lógica de mercado, um morto tem um polpudo saldo de créditos por tudo que pagou em vida, sem esquecer o custo derradeiro: o do funeral. Ainda que macabra, fica a irônica sugestão de uma nova reivindicação, não de todo descabida. ― Abaixo o óbolo de Caronte: cemitérios públicos livres para todos!


terça-feira, 11 de junho de 2013

Entrechocados

                
                Para que algo em nós possa nascer a cada dia, uma parte nossa precisa também, a cada dia, morrer. Não haveria espaço se fosse de outro modo.  Nós somos um campo de batalha. Tudo em nós luta para nascer, para perpetuar-se, para morrer. Os nossos átomos lutam entre si, sem cessar, chocam-se e as faíscas são sentidas por nós, às vezes mais, às vezes menos.
                Um dia eu me vi, atônita, perguntando o que é isso que permite aos corpos se manterem eles mesmos, eu achava que o natural seria tudo se desintegrar, nenhuma partícula deveria manter-se unida a outra. Os físicos, claro, apresentam suas teorias para explicar o que é isso, mas nenhuma delas tira o espanto deste momento: olhar um mísero copo e ele ser ele, formar um corpo. Ele está unido ao todo, mas  mantém uma individualidade em relação aos outros corpos, não se desintegra.
                Algo muito assombroso acontece no interior da matéria deste copo. E no interior de um ser vivo que se degrada e se cria a si mesmo constantemente, o mistério é ainda maior. Meu coração pode disparar a qualquer momento e também pode parar; cada célula minha tem um tempo de duração, precisa morrer para dar chance a outra que quer nascer; com uma forte emoção, provocada, por exemplo, por uma música, os meus pêlos eriçam-se, tal como acontece com os de um gato. Quer dizer, não sei como se emociona um gato, talvez ficando irado. Ele jamais esconde seu medo.
                A nossa luta atômica é bem mais violenta que a deste copo que agora vejo belo. Tanto é que as montanhas morrem se degradando por fora, erodindo; e nós, por dentro. Não é um tiro no peito que nos mata, é o nosso peito.
                Sim, têm horas que a tensão é tanta que o nosso peito explode, não se aguenta e degrada a si mesmo. A emoção, um pensamento, é um paroxismo, a duração estendida de um instante terminal. É o aborto da morte que vive eternamente em cada menor partícula de cada um de nós. O arrebatamento é a consciência da morte, uns a assumem mais, outros, menos. As partículas não mentem.
                Mas o pensamento, uma emoção, convoca toda a sua ação, mesmo sabendo que vai então sucumbir. Reúne toda a força da sua morte para agir. Quanto maior a morte em mim, maior a vida que vibra dentro e fora de mim. E pelos quatro cantos do vento batem forte as asas da nossa morte.

Bianca Vilhena



Bianca Vilhena é nossa colaboradora e mestranda do curso de Filosofia da PUC-Rio.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Ocasião


Procurava na praias, nas estradas, nas calçadas
mas foi entre uma janela, um corredor e uma escada
que avistei casualmente minha outra suposta alma

no cabelo trança, no corpo sardas dentro de um vestido azul
tão bonita que para certos trouxas, quase imaculada
com olhar periférico para pessoas apaixonadas

Não era difícil deixar-se levar por sua filosofia barata
de havia um sentido para cada acaso
e que existiam mais respostas aqui na terra do que em todo o espaço

mesmo resistindo
minha razão por completo imergia
na fábula sentimental que ela criara

Capturado através de métodos
do qual um homem não pode fugir
naquele dia me tornava mais um

vulnerável aos caprichos de uma mulher
e imune aos enganos do amor

Fernando Maia



Fernando Maia é nosso colaborador da Ilha do Governador, Rio de Janeiro.

sábado, 8 de junho de 2013

Sobre meus amantes


Após muito pensar percebi que sou uma mulher de muitos amantes. E isso me faz quem sou. Eu não me importo com o que dizem as más línguas, afinal a vida é minha. E, apenas me entrego aos meus pequenos devaneios que me levam ao desfrute do meu pensar. Pois, nos meus domínios eu sei que se estiver com um pela manhã, quando o devoro, brevemente, sei que estarei livre e, logo, terei outro. E, neste vício, à tarde já serei de outro.

Eis-me inconstante nesta minha fome insaciante que alimenta loucamente meus delírios. E, aquém dos meus desejos fartos, logo encontro outro amante. Essa loucura permanente me conserva a sanidade alimentando este desejo insaciável de colecionar amantes. E sim, é muito recompensável sentir meu vício sendo saciado à medida que minha mente se alimenta com furor da vitalidade do que me sacia. Porém, não penses que me entrego à promiscuidade do sentir enlevada pelo prazer da carne. Este meu vício é simplesmente uma febre que mata minha sede.


Não antecipe o seu pensar por eu falar abertamente de minhas aventuras (errantes? Creio que não) elas são apenas uma parte vibrante de mim que se sobressai no meu eu. Meus secretos e secretos amantes, embora se amontoem, não reclamam deste meu vício entorpecente, pois eles ganham vida, justamente, quando se entregam a mim e, assim, eu ganho muitas vidas ao mergulhar sem receios nas páginas de suas histórias viciantes. E, em cada página eu encontro um motivo a mais para continuar colecionando meus virtuosos amantes a cada livro que possuo.

Elãine Fernandes



Elãine Fernandes é nossa leitora e colaboradora de Arapiraca, Alagoas.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Curta o Plástico Bolha no Facebook!



A página oficial do jornal literário Plástico Bolha no Facebook acaba de ultrapassar os 1000 seguidores. Para comemorar a marca, nada melhor do que continuar o trabalho de publicação de prosa e poesia nas mais variadas midias. Curta, siga, leia. Escreva, envie e participe!

quinta-feira, 6 de junho de 2013

O copo está caindo...


O copo caiu. O trânsito estava insuportável como de costume. Elogios em meio um paraíso automobilístico, com a paisagem vibrante da cidade cinza. Chegou em casa e, com gotas de suor ziguezagueando pelo corpo adentro e afora, só pensava em tomar um banho, bater um prato de arroz com feijão e procurar sua mulher. Porém, o que encontrou foi uma louça suja, baratas rondando a mesa e uma pilha de contas. Sentou-se. Colocou gelo no seu copo de pinga. Ai que alívio. E fechou os olhos que se misturavam em meio aos delírios de um bicho cansado.

O copo caiu. Deu início a uma tremedeira, suor, suor, palidez, e aos poucos pernas, braços, corpo foram ficando fracos, bambeando e resistindo os últimos segundos. Era uma terça à noite. Não tinha ninguém em casa, pois já havia perdido todos os queridos por conta das agressões e surtos. E assim, foi perdendo os últimos motivos para continuar vivendo o que lhe restava. O copo caiu. Os gritos eram gritos de silêncio, ou pelo menos as almas que habitavam o prédio silenciavam os gritos do Homem. O socorro já lhe era inútil. O copo caiu. Assim já estava totalmente travado, agora todo o ódio e o rancor que guardara por anos tomava seu corpo e o imobilizava como uma criança sendo entrelaçada por um enorme rolo de fita isolante. O copo caiu. O copo quebrou, se estilhaçou e o Homem também caiu, quebrou-se e estilhaçou-se.

Felicio Dias

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Inquilino do sol


a sombra que se gasta
a morte não me basta
inquilino do sol
procuro a chuva
para fundir o poema
em complexa elisão de astros
que se desbastam no solo
ventre aberto, exposição
de palavras ao vento
recolho com a vassoura
as folhas-metáforas
que engolem a chuva
no dorso da terra
primordial sono
na boca da esfera
em correntes de letras semiabertas
para o sopro do universo
planetas giratórios
fazem festa no papel do artífice
em estrutura interiorizada
qual pérola dentro da concha
delicada veste esconde
uma armadilha
para os pássaros famintos
que voam sem direção
para as mãos
do inquilino do sol


Alexandra Vieira de Almeida

A Fisioterapeuta


Seus ombros, um pouco finos e um tanto quanto largos para sua estatura baixa, pareciam carregar um daqueles antigos vestidos usados nos anos sessenta, muitas vezes confundidos com os clássicos uniformes de empregada, branco e preto, justamente por serem amplos nos ombros e nas ancas de suas portadoras, mas que, afinando delicadamente a cintura, dava um ar de sensualidade, como a mulher violão do poetinha; não clássica e divina como um Stradivarius, nem pesado e grave como um violoncelo, mas sublime e poética como um violão.

Seus olhos, embora castanhos, possuíam um brilho de um diamante negro recém forjado que condenavam muito mais do que os próprios olhos, chamados por muitos de janelas da alma, poderiam, ou deveriam, demonstrar naturalmente. Condenavam, por trás de toda a segurança de uma mulher no cimo de sua maturidade, uma fragilidade infantil que suplicava, através do forte brilho, como uma criança recém nascida que só tem o seu choro para exigir o quinhão de leite, por um socorro, um abrigo, ao menos um colo onde pudesse repousar sua angústia. Como o brilho encarregara-se de exibir suas aflições, seus olhos, em segundo plano, ficaram responsáveis de demonstrar, através de sua bela e singela silhueta, não só a força de uma mulher sonhadora, movida pelo mais puro sentimento cristão, mas também a imagem de uma mulher sentimentalmente firme. E para provar esta firmeza, aliava-se a eles um lindo e inerte sorriso. Inerte, não por uma falsa simpatia geralmente vista nas atrizes diante das câmeras jornalísticas, mas por uma serena chama de esperança que nunca lhe faltara oxigênio.

Sua voz, nem grave e nem aguda, mas branda, como se servisse de base a uma grande orquestra de Mozart, fazia-me entrar numa espécie de encantamento do qual nasciam os sons dos demais instrumentos, e assim, fazendo completa a orquestra. Rica em parciais harmônicas, sua voz se tornou uma peça principal em minha orquestra vital, pois eu obedecia ao menor sopro dado por ela, copiando os demais instrumentos de um concerto que se afinam ao comando de um oboé.

E foi exatamente assim, naquela pequena sala de espera do terceiro andar do instituto Geni Faria, que eu me senti completamente enaltecido ao conhecer a bela fisioterapeuta que me atendera, logo após ser chamado a sua sala de atendimento. O dia agitava as cortinas, e entre as arestas formadas pelas suas longas camadas, o sol tentava, com seus raios de luz, admirar toda a beleza daquela mulher. O atendimento foi rápido e prático, como toda a primeira consulta de avaliação de um paciente. Quando sai de lá, senti um grande prazer por tê-la conhecido, misturado com uma imensa dor, causada pelo medo de que o destino, por algum acaso infortunado, impedisse-me de vê-la novamente.


Voltei à rotina de meus dias insossos, mas não mais vagos, pois quando lembro-me de tudo, principalmente dela, este antigo vazio é preenchido com a sublime suíte número três em ré menor de Bach, que começou a tocar desde o primeiro momento que a vi, naquele hospital e que, ironicamente, parece ter “concertado” a minha máquina de sonhos...

Augusto Procópio

terça-feira, 4 de junho de 2013

Liberdade vigiada, liberdade escravizada


“Sorria, você está sendo filmado” – alerta o sarcástico sorriso amarelo. Por vezes ao ler o aviso questiono-me se de fato somos livres ou se o conceito de liberdade não passa apenas de uma doce e mera ilusão. Se por um lado escravidão é a ausência de liberdade, por outro, a ausência da escravidão em si não nos torna, necessariamente, livres. A nova escravidão não carrega mais consigo correntes e grilhões, ela entra sorrateiramente em nossas vidas disfarçada de “Grande Irmã”.

Tenho a infeliz oportunidade de presenciar a concretização do presságio orwelliano e ver o seu grande vilão – Big Brother – tomar forma e cor no mundo real. Não refiro-me aqui ao deplorável reality show idealizado pelo holandês John de Mol, cujo formato se alastrou feito praga pelos cinco continentes, incrustando-se, ao que parece, em nossa televisão brasileira há mais de uma década.  Refiro-me sim a um dos maiores personagens de ficção criados pela literatura britânica. Trata-se do brilhante romance, com viés político, intitulado “1984”, de Eric Arthur Blair sob o pseudônimo de George Orwell.

A obra produzida em uma época (1948) em que a Europa e Ásia eram dominadas pelos regimes totalitários de Stalin e Hitler – aliás figuras de inspiração para a produção da mesma – busca alertar seus contemporâneos e futuras gerações para os perigos do totalitarismo. Orwell retrata uma sociedade, cujos cidadãos são vigiados em tempo integral e em todos os locais através das teletelas (aparelhos que transmitem e captam som e imagem) sob a liderança do onipresente “Grande Irmão”, sendo constantemente lembrados pela frase propagandística: “O Grande Irmão zela por ti”.

Diante da realidade que vivemos hoje podemos dizer, sem hesitar, que Orwell foi acima de tudo um visionário da sociedade contemporânea, que vive em meio a uma liberdade vigiada. Por causa de um poder público inoperante, que não consegue combater as ações criminosas e violentas garantindo assim a segurança dos cidadãos, tornamo-nos condescendentes com o uso de uma tecnologia que propicia a vigilância total de nossos atos, aceitando inclusive a invasão da nossa privacidade. Somos vigiados nos estabelecimentos que frequentamos, nos condomínios que moramos, nossas conversas podem ser gravadas, nossos veículos monitorados, tudo em prol da própria segurança. Esta vigilância constante expõe justamente as condições de insegurança às quais estamos sujeitos, vivemos a era da desconfiança absoluta, cujo maior inimigo é o outro.

Diferentemente da ficção de George Orwell, o nosso inimigo não é visível e pode ser qualquer um ao nosso redor. Temos assim, como consequência mais desastrosa, um isolamento crescente do indivíduo, propiciando um comprometimento das relações sociais. Vivemos a era da globalização, não há mais fronteiras nem limites para comunicação e veiculação da informação, entretanto, paradoxalmente nos tornamos cada vez mais solitários.

Somos constantemente bombardeados por notícias de violência que acabam alimentando mais ainda os fantasmas e temores da insegurança física e emocional que nos assola. Criamos as nossas próprias “teletelas” com a intenção de zelarmos por nós mesmos, o grande problema agora está em se enxergar a linha tênue que separa a (falsa) ideia de proteção, da violação e invasão de privacidade.

1984” serviu para nos alertar sobre as consequências que um Estado totalitário pode acarretar, resta-nos saber quais são os efeitos que uma liberdade vigiada pode causar em uma sociedade como a nossa.

Liege Karyj

Evento na Casa de Cultura Mario Quintana



Sábado, 11 de maio de 2013, 16h

Casa de Cultura Mario Quintana
Rua dos Andradas, 736 – Centro
Porto Alegre – Rio Grande do Sul
Brasil

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Plástico Bolha em Miracema - RJ


Estas são algumas fotos do jornal Plástico Bolha sendo distribuído em Miracema, no interior fluminense. Em uma parceria com os amigos Paulo e Giselle do Ponto de Leitura Barraca das Letras, os exemplares do jornal ficam a disposição do público, sempre interessado em conhecer novos autores e escritas. Valeu, Miracema!





Imagens secas (dez por um)


Dos corpos sugados pela paisagem ensolarada e inimiga
Dos corpos, o sangue ausente por culpa do rei...
Dos corpos que compõem a paisagem pálida, sem vida
Do império do espaço sem expectativas
Do horizonte ameaçador do amanhecer
Da penumbra tristonha e esperançosa ao entardecer
Da secura dos olhos mesmo ao chorar
Da amargura na boca sempre suplicando
Do ar quente enchendo os pulmões sem misericórdia
Daquela pele cinzenta em cima da carne sem vida

Do silêncio atormentador dessa vida
Das imagens ilusórias de fartura na falta
Do caminhar na direção dessa falsidade
De pedras até por água suplicantes
Do céu azul sem a graça de alguma divindade
Da fé concentradora das últimas energias para salvar-se
Daquele punhado de nada e comê-lo sorrindo
Do cantar solitário (grito?) da asa branca de triste
Da fina poeira levantada da realidade

Da formiga carregando esperança no seu libertário tempo
Do cacto sem fé, mas resistente ao terreno difícil
Da nuvem cheia passeando com essencial de se viver
Do vago estômago debruçado e fraco na terra
Da falta de tudo do que nasceu...
Do descrer de todos os animais perante o criador
Do sol-rei desassossegado com o calor desse mesmo
Do ser humano com ar frágil e singelo
Do olhar fixo num horizonte perdido
Das imagens secas contra a imagem vívida e esperançosa desse poema...

Ruberval Silva

domingo, 2 de junho de 2013

Story 3 — poema de Luiz da Franca


Um sotaque francês
Ela pede chá
Ele diz que é noir

Ele, bem carioca,
quer café
Expresso?
Não, não... Pode vir com calma

Luiz da Franca

sábado, 1 de junho de 2013

Lançamento de "O Brasil em Uníssono"


Convidamos nossos leitores e colaboradores para o lançamento do livro "O Brasil em uníssono — e leituras sobre música e modernismo", da nossa saudosa amiga e colaboradora Santuza Cambraia Naves. Será na próxima terça-feira, dia 4, no POP, no Jardim Botânico. O evento ainda contará com uma conversa com Helena Bomeny e Eduardo Jardim.


Última Carta


E se eu te disser, meu amor
[amor, sim, amor-amor, impuro, verdadeiro, amor até a última casca de futuro, até gastar o]
, que a manta negra que nos cobria
[nos empurrando para o penhasco das palavras duras que não querí]
, se eu te disser que: tudo pó? Ou: nem pó, fumaça?
[não, não, não, o calor sólido dos corp]
Fumaça luzidia e preta dispersa na fuligem dos ônibus e no gás metano das vacas e no escape dos banheiros públicos; bem-casado de vapores no veio sujo das cidades.
[o nosso para-sempre numa nuvem de mort]
E sem nem isso? Nemisso soprando mudo no cabelo imóvel da menina.
[mas... era... havia...]
E se eu nem disser?
[... amor.]

Vivíamos um fim de tarde: bonito e fadado
[um para-sempre solar, um caldo grosso de delícias, um estrondo desmedido, um]
, uma morte aquém-túmulo.

Pois eis o túmulo:

.

Ana Maria Vasconcelos Martins de Castro


Ana Maria Vasconcelos é mestranda em Literatura Portuguesa pela UFRJ e conheceu o Plástico Bolha através da Revista dEsEnReDoS

O blog do Plástico Bolha está de volta!


Depois de um período de recesso, o blog do Plástico Bolha está de volta a ativa! Em breve, você voltará a ler aqui os melhores contos e poemas da nova geração de escritores. E, também, ficar sabendo das últimas novidades sobre lançamentos, eventos e atividades do nosso jornal! 

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

sábado, 15 de dezembro de 2012

COMO UM FILME DE GODARD


Acordei três da manhã com a sensação
esquisita de ter perdido alguma coisa.
Mas, acabara de acordar...

Seria assim tão distraída de deixar,
naquele lugar que havia deixado,
A fotografia do meu amado?
Seria eu um filme de Godard?

Fechei os olhos. Apertei as mãos. Concentrei-me
Com todo esforço enchi os pulmões de ar...
Mergulhei.

Procurei naquele lago escuro que aos poucos se definia.
A encruzilhada da esquina onde a teria deixado.
Usei o método tradicional associei busca a uma música,
uma paisagem, um pintor famoso,
Ou um cheiro de padaria gostoso.

Entusiasmei-me com a procura.
Tornei-me minuciosa. Segui rastros, pegadas, sítios escavados...
Usei carbono 14 manual de caverna.
E qualquer indício, tornou-se ossos do ofício.

Entre escombros nada encontrei. 
Nem impressões digitais.
Mas não desisti.
Avancei outra direção.
Desaguei na geleira, perto da cabeceira,
E entre a escrita, as camadas,
Ah, comecei a recordar. 

Mas mais que repente o fôlego desandou a faltar.
Optei por uma pausa. 
Um cigarro.
Fumei de baforada
Sem soltar fumaça...
Vieram nuvens e pássaros à cabeça.
Tristeza.
O abatimento encheu de lágrimas o sofrimento.

De nada adiantou.
A imagem que acariciei com as mãos
não consegui mais encontrar.

Afinal aceitei o mistério.
O amor na imagem do amado
Havia atravessado o espelho
Retornado ao passado.

Agora o Paraíso haverá de aguardar
outro encontro de amor.
Um novo filme de Godard.

Solange Padilha

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Lançamento de RAPACE


É no próximo sábado o lançamento de "Rapace", de André Capilé. Esperamos todos lá!

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Brasil Progresso na Fundição!

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Hoje acontece mais uma edição do evento Brasil Progresso, organizado pelo nosso amigo de bolha Pedro Silva Bastos e com a participação de vários artistas, músicos e escritores. Toda segunda, na Fundição Progresso. Não perca!

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Yang e Yin, poema de Ulisses Tavares

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Se tem alguém
Que de um lado
Por liberdade berra,
Óbvio:
Do outro lado
Existe guerra.

Ulisses Tavares


Ulisses Tavares é poeta sorocabano e vive se reinventando.
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domingo, 21 de outubro de 2012

Sentimental, de Eucanaã Ferraz

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É na próxima terça-feira, na Travessa de Ipanema, o lançamento do livro de poemas Sentimental, de Eucanaã Ferraz.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Paulo Henriques Britto lança novo livro

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É na próxima quarta-feira, dia 17, o lançamento do livro "A tradução literária" de Paulo Henriques Britto. O evento será na Livraria da Travessa do Leblon e contará com bate-papo com o autor às 19h e coquetel e sessão de autógrafos às 20:30h. Esperamos vocês lá!

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Palavras adversas, um poema de Ianê Mello


Se você me chama vida
eu te chamo morte
poço que aprofunda dores do sentir

Se você me chama alegria
eu te chamo tristeza
na penumbra que cobre a tarde devagar

Se você me chama desejo
eu te chamo indiferença
no esgar de sorriso a passear em lábios cor de sangue

Se você me chama presente
eu te chamo passado
no tempo que escorre pela fresta da porta entreaberta

Se você me chama brisa
eu te chamo tempestade
arrastando com fúria promessas guardadas no tempo da espera

Se você me chama completude
eu te chamo vácuo
nas horas que espero em vão sua presença dispersa em nuvens

Se você me chama verdade
eu te chamo calúnia
em palavras encobertas na tez branca pela véu da desesperança

Se você me chama grito
eu te chamo silêncio
e me despeço muda desse incansável sentimento que você teima em  sentir

Se você me chama nada
eu te chamo de amor
quando irônico sorri da dor que me rói por dentro
de com ferro em brasa ateia fogo no que de mim resta de humano

Ianê Mello.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Sarau Santuza Cambraia Naves

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É hoje, na PUC-Rio, o encontro dos amigos e parceiros da professora Santuza. A partir das 17h!

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

IV Prêmio Paulo Britto de Prosa e Poesia

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É hoje, na PUC-Rio, a cerimônia de premiação do IV Prêmio Paulo Britto de Prosa e Poesia, das 17h às 19h, no Anfiteatro Junito Brandão (em caso de chuva, na sala L518). Compareça e prestigie os concorrentes e vencedores!

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Na boca do povo


Dizem que Teresa tem medo
Mais até do que precisa.
Às vezes, nem parece
Porque a moça se esforça

Dizem que Marisa sai cedo
E o marido nem se coça
Já percebeu a farsa
Mas sabe bem que merece

Teresa tem um gato persa
Marisa gosta de tocar gaita
Teresa diz que não é dessas
Marisa finge que acredita

Dizem que, aos dezoito, Teresa ainda penteava bonecas
Vivia trancada em casa
E sonhava acordada com a chegada da cegonha

Dizem que Marisa, aos treze, fumava maconha
Usava cueca por baixo da saia 
E fazia cara quando a mãe saía maquiada

Dizem que o gato de Teresa
Anda miando Muddy Waters
E que, entre enigmática e satisfeita
Marisa ri de achar graça
E que agora prefere as músicas
Em que ela suga mais que assopra

Eduardo Pascottini

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Um poema de Starla Pisces


Como definir uma tarde de sol agressiva?
O sol é quente impelindo raios
queimando a pele
desviando olhos
cansando os corpos
tragando a disposição resistente
da turba combatente
Eis que ela me traga,não o astro rei
A letargia
companhia de vestido ondulante
de cabelos cor de prata
sopra no meu rosto seu encanto traiçoeiro
enxuga o suor e traz mais
inquietações
Canta um mantra:
Eu tenho tido tempo em vão
Eu tenho tido tempo em vão
Eu tenho? Tempo?
 
Tempo, meu irmão você é um sacana
Sigo pra casa porque ela me segue
sem consentimento prévio
pega na minha mão
Eu posso perceber quando alguém gosta de mim de verdade
mas não sei se essa pessoa mente...
Ah o sol talhando um verso
um verso bolorento e preguiçoso
nem tudo que vem dele ilumina
e se ele pensou que me inspiraria rima energizante se enganou
he ehe
Posso até rir da cara redonda dele lendo isso
Imagino os dois deslizando pelo chão de taco brilhando de cera
quase escorregadios
e muito apaixonados
Dancem dancem
Vão pra bem longe daqui
Eu também posso fingir que gosto...
Não sou primaveril!!!!!!!
 
Starla Pisces

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Na minha língua


Na minha língua não se conjuga o verbo que sou eu
Em qualquer tempo, em qualquer momento,
De qualquer modo.

Na minha língua, não completa o meu espaço de sujeito
Qualquer que seja o elemento
que se enquadre naquele espaço.

Na minha língua os elementos devem passar pela aprovação
de um signo, que designe a sua capacidade de expressão.
Depois sim, vamos determinar que tipo de relação será travada
com os signos que há em mim.

É da classificação que surge o encaixe,
no espaço devido da minha sentença.
Relação paradigmática com o outro,
que se dá em ausência.

Eu enquanto sujeito ou verbo?

Na minha língua, forma não se define sem substância,
E é uma dicotomia constante não poder separar os dois...
A visão tem que ser completa
conceito e som, mas sem norma.
Primeiro paradigma, depois sintagma
depois o magma que eu espero e desejo de uma sentença bem conjugada e possível de ser falada em mais alto e bom português.

Eu enquanto objeto, só participaria do predicado
E eu não aceito orações subordinadas nas minhas relações.
Apenas somas, coordenações de mundos, conjunções adversativas
Não se encontram nesta gramática. Então, um dia, existirá uma relação sintagmática.

Mas há um mistério ainda não desvendado por essa Lingüística...
Será que a minha língua pode ser falada?
Ou ainda... Será passível de ser traduzida?

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Coreografia do absurdo


: na dança, o vazio
do corpo em pé
do enfado incorporado
ao incômodo desesperado
por gestos.
 
: pelo chão, rastros
de pés primitivos
nus em risco
na brusca busca
pela explosão
riscada em puro
movimento
anulador.
 
: inumano, o corpo
em forma deformada
distrai os contornos e
transpõe-se ao ritmo
conforme atravessa
a pele sobre os
músculos.
 
: orgânicos, atlânticos,
pés em braços sob costas
encostadas no outro
que é pura extensão
de si em um só.
a perna segue sozinha
com voz encaminhando
os ossos.
 
: coreografia do absurdo -
o corpo não se sabe
só.
o corpo só
se cabe
morto.
 
Maíra Ferreira


segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Lançamento de novo livro de Alice Sant'Anna


Lançamento de “Pingue-Pongue”, novo livro de Alice Sant'Anna em parceria com Armando Freitas Filho. É amanhã, terça-feira, às 19:00h – Livraria Timbre –Shopping da Gávea.

Nos encontramos lá!!!

CONSTRUIR


O telhado impede

                 a natureza
 
                o piso
                concede aos pés
                a maciez
as portas, bifurcações
do acaso: entrar
                 sair
                 ficar na soleira
                 voltado ao tempo
                 original da hora
 
janelas permitem observar
a rua pelo lado de fora.

Pedro Du Bois

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Comemoração do Dia do Escritor no Planetário


A convite de Selma Rodrigues, a fantástica bibliotecária do Planetário, integrantes da equipe do Plástico Bolha participaram do Pocket Book, com relançamento de seus livros, no Auditório Sérgio Menge — Planetário da Gávea. O evento fez parte das comemorações do Dia Nacional do Escritor. Os autores Ana B, Augusto Guimaraens Cavalvcanti, Camila Justino, Lucas Viriato  e Maria de Lourdes Souza conversaram com alunos da Escolas Municipais Manoel Cícero e Julio de Castilhos. O encontro foi muito produtivo e enriquecedor para todos. Ao final, os alunos mostraram seu talento, dando voz a vários poemas do jornal. Após o sorteio de livros, todos voltaram para casa com um pouco mais de poesia.





segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Beijo pelo não-beijo


Ele fez da queda um passo de dança,
do medo uma escada,
do sono uma ponte,
da procura um encontro.
Fernando Sabino em “O encontro marcado”.
 
Ficou um beijo engasgado na minha boca esta manhã. Há meses, eu faço e desfaço versos de canção sobre tocar seus lábios matutinos. Toquei-os ininterruptamente todos os dias. Foi meu ato natural. Ação consecutiva ao despertar dos olhos. Preencheu o vazio imperceptível entre os piscares da pálpebra ao acordar.

Hoje eu vi o silêncio. O nada sem o qual não há canção. O vazio no ritmo, na métrica, na melodia. A sílaba átona sem a qual não existe tom. Aquela coisa assustadora ao meio dia. A voz seca. Hoje eu descobri o azul acima do céu de Edvard Munch. O caos sem cor.

Não te beijar superou o meu beijo, porque eu descobri o seu. Ouço uma canção nascer. A sinfonia explodir do silêncio. Uma nota suave surgindo da pausa entre às sensações. Eu posso ver o seu sorriso através do meu. Eu sei, não te beijar me ensinou.

Ensinou-me a cantar sem dizer. A cantar pelo o que não se diz. A ouvir toda canção pelo silêncio interrompendo o som, parindo o ritmo, parindo tudo. Olho pela janela e penso. Tem um mundo de quedas lá fora. Não te beijar ensinou-me a não beijar, a te beijar a sua boca de cada dia. O valor em se ter um poema engasgado no dedo.

Saí de casa. E fui pela rua pensando no beijo que eu não te dei, na pálpebra que piscou mesmo assim, na manhã que nasceu.  E na inevitável sensação de não ter acordado, não ter saído de casa, não estar aqui escrevendo para você.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Um conto de Beatrice Feital


Subia as escadas correndo tentando no meio daquela excitação me controlar. Te encontrar naquela noite não estava nos planos e você me surpreende quando paga a conta pega os vinhos me puxa pela mão e me tira os sentidos. Totalmente fora de sentido. Mostrando que o tempo para nós não existe é nosso. E então você corria atrás de mim. Eu nervosa para você logo chegar confusa para me entregar. Aos poucos vou sentindo seu cheiro e de uma só vez você me leva me eleva me tira do mundo com aquele beijo. Aquele beijo que eu tinha guardado na parte de trás da minha nuca guardado numa memória não acessada a tempos guardado na parte mais especial da minha vida por debaixo de toda a nova rotina. Durante aquele beijo eu larguei tudo que conquistei nesse tempo e voltei a ser como sempre fui e tinha me esquecido. Meus pés mal tocavam o chão meu sapato já tinha saído do pé e encostava naquele ladrilho gelado era o único ponto gelado em mim. Daquele momento ofegante numa mistura de tesão com felicidade já não existia silencio você berrava dentro de mim. O elevador mudou de andar nos chamando a atenção voltamos a subir os degraus até meu apartamento. Lá estava você no mundo que criei sem você de novo comigo para sempre comigo. Mesmo sem saber me carregou até a cama minhas pernas trêmulas em torno do seu quadril escorregavam de vontade. Fez em mim o que melhor sabia fazer fui longe delirei voltei. Tomamos vinho com cigarro de janelas abertas como se frio não existisse naquele quarto. Adormeci contando os pelos do seu peito que sempre soube quantos eram. Amanheci doente de paixão.

Beatrice Feital

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Plástico Bolha Edição #32


Desde 11 de julho a Edição 32 do nosso Plástico Bolha está nas ruas. É a poesia tomando conta de muitos pontos em muitas cidades Brasil afora. Desfalcados da nossa querida colunista, a professora da PUC-Rio, Santuza Cambraia Naves, as bolhas poéticas se espalham por Porto Alegre, Florianópolis, Curitiba, Antonina, Salvador, São Paulo, Sumaré, Vitória, Vila Velha, Brasília, Cataguazes, Juiz de Fora, Ibitipoca, Ouro Preto, Ipatinga, Inhapim, Belo Horizonte, Rio das Ostras, Miracema, São João da Barra, Nova Friburgo, Petrópolis, Paraíba do Sul, Niterói, Itaguaí, Paraty, Nova Iguaçu, Duque de Caxias, Rio de Janeiro, e Teresina disseminam a poesia contemporânea através do Plástico Bolha. Aguardem, brevemente todos os pontos de distribuição estarão atualizados no nosso site.

 
E esta edição foi ainda mais longe... Fizemos evento de lançamento também em São Paulo, na Casa das Rosas. Um luxo!!!
 






O Plástico Bolha tá na estrada!!!